Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto
The Blue



O vestido era azul – azul água. Alças amarradas.
Levemente solto – levemente rodado. Sandálias de salto, e mais nada.
Somente o perfume. Delicado. Anéis caiam sobre os ombros nus.

Na suavidade da tarde, dirigiu pelas ruas arborizadas até o ponto marcado.

Ele esperava em pé na calçada. Debruçou-se sobre a janela aberta e lhe deu um beijo, suave. Por enquanto.
Sorriu-lhe alegre, em expectativa e foi para o banco do passageiro.

Entrou, ligou o carro e foi para o lugar de sempre.

Era sempre assim o encontro deles. Subiam para o quarto. Conversavam, sorriam, contavam as últimas novidades, falavam das respectivas famílias, e depois, jogavam-se um nos braços do outro em beijos loucos de saudade e se amavam até a exaustão.

Tudo começara anos atrás quando, num repente de solidão, ele procurou alguém na internet que tivesse algo em comum com ele – fosse comprometida, não quisesse confusão, e estivesse disposta a amá-lo como ele queria. Encontrou-a. Levou algum tempo até que se encontraram pela primeira vez. Gostaram-se no primeiro olhar e se amaram com paixão. Ele morava em outra cidade, bem longe, na verdade, e ia até a cidade dela esporadicamente. Mas assim funcionava. Certa vez, ficaram mais de um ano sem se encontrar. Mas nem assim a louca paixão que os unia acabou. Um dia ele voltou e ela o esperava.

Às vezes, falavam-se por telefone. Às vezes, escreviam-se por e-mail. Podia se contar nos dedos as vezes em que se encontraram. Ela levava o vinho, as taças. Bebiam, conversavam, sorriam, e depois se amavam. E ele ia embora e a vida continuava.

Naquele dia, em especial, ela se produziu para o encontro. Como ele pedira. Colocou o vestido azul, passou o perfume predileto e sandálias de saltos finos e altos. E mais nada. Para que colocar alguma coisa se ele iria tirar mesmo? Então, para que dificultar o caminho para o amor?

E assim, depois do vinho, da conversa relaxada, ele a puxou para os braços e a beijou com paixão e não encontrou nenhuma resistência quando soltou os laços do vestido. Surpreso, viu o tecido deslizar pelo corpo nu, e então pergunta: Cadê a calcinha?!

- Não vesti, responde. Achei que você iria gostar!

Aturdido, ele responde: Sonho todas as noites tirando suas calcinhas! Esta visão embala todas as minhas madrugadas insones!


Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 20/12/2006
Reeditado em 01/12/2007
Código do texto: T323419
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2006. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Fátima Batista
Santo André - São Paulo - Brasil, 56 anos
1436 textos (75156 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 22/07/19 17:25)
Fátima Batista