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Fragmentos de macarrão



Quando cheguei em casa hoje, cansada de um dia de trabalho bastante intenso, não sabia exatamente o que queria pra comer. Estava faminta.
Primeiro passo foi alimentar Michele. Ela é assim – enquanto não come não dá sossego. E depois que come, também não dá sossego, mas fica um pouco mais quieta.

- “Você não quer fazer algo pra gente comer?”
- “Faço. O que você gosta?”

Olhei geladeira – não tinha muita coisa. Armário meio vazio depois da festa de fim de ano. A melhor opção seria fazer algo rápido, como um lanche. Mas não queria lanche. Queria algo mais com a minha cara, e com a minha fome – ou seja – rápido.

- “Faça o que você quiser.”
- “ Que tal taglarini ao molho de vinho branco?”

Resolvi cozinhar restos de macarrão de alguns pacotes. Mas o problema é que havia tipos distintos de macarrão. Fuzzili, parafuso, penne, etc... Mesmo assim resolvi cozinhar todos juntos. All dente!

- “Não sei como é, mas tenho certeza que vou gostar.”
- “Então precisamos comprar algumas coisas...”

Água no fogo. Óleo e sal na água. Um pouco de orégano. Um copo de vinho branco. Presunto picado. Pena que não tenha salame. Pico a cebola. Mais presunto. Azeite, ervas, cebolinha, tomate picado, molho de tomate, temperos e meio copo de vinho branco seco.

- “Pôxa! Coloquei o pacote inteiro. Isto será comida pra um batalhão!”
- “Não tem problema! Fica pra eu comer durante a semana.”


Levo Michele novamente até o fundo da casa. Faço ela entrar na casinha e a deixo lá. Volto pra cozinha, mas ela entra antes. Senta-se no meio da cozinha e fica a me olhar. Descubro o motivo. Dei-lhe um pedaço de ração e caiu no ralo de escoamento de água da chuva que fica no quintal. Vou até lá e tiro. Ela o devora.

- “Vem cá. Experimenta! Vê se está bom de sal.”
- “Huuuuuuummmmmmmmmm! Delicioso!”
- “Mentiroso!!”

O macarrão já está cozido. O molho preparado. A cozinha está mergulhada em cheiro de vinho e de molho. Aguça a fome. Preparo um prato com parcimônia. Pego um copo de suco – Limonada e vou pra sala. Sento-me e começo a comer.

- “E então? Gostou?”
- “Deixe-me ver... só mais um pouquinho...”
- “Vai! Diz logo se gostou...”
- “Huuuummmmmm ... rsrsrs.... M a r a v i l h o s o !

Levanto-me e levo o prato até a cozinha. O cheiro de vinho branco permanece no ar e o gosto permanece na boca...
Fátima Batista
Enviado por Fátima Batista em 03/01/2007
Reeditado em 30/11/2007
Código do texto: T335765
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Fátima Batista
Santo André - São Paulo - Brasil, 56 anos
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Fátima Batista