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Dia simples

Estando em uma tabacaria de outrora de hoje, quando sentaram ao meu lado mãe e filhas, duas filhas. Uma das filhas, com aproximadamente quatro anos de idade, a outra, aparentando dois anos de idade. A mãe proferiu: “Fernanda e Beatriz, escolham rapidamente o que vocês quiserem”. Fernanda, por ser a mais velha, conduziu Beatriz às prateleiras da tabacaria tentando encontrar o preferido. Encantadas e paralisadas, tateando as dezenas de opções de charutos mexicanos, olhando por uns cincos minutos sem desviar os olhares para qualquer outro movimento que estava ocorrendo na loja. Após, pronunciaram como um coro: “Mãe, eu quero esse!”, e apontaram, no mesmo momento, para o charuto. “Não filhas, isto é muito forte para vocês. Vocês querem este!” – e a mãe apontou para uma outra prateleira onde havia apenas cigarros norte-americanos – “Porque é barato e mais saudável”.
Dez anos mais tarde, trabalhando em meu consultório de psiquiatria, me aparecem um homem com duas moças, suas filhas, uma aparentando quinze anos (grávida) e a outra beirando os doze anos (também grávida), o homem possuindo rosto envelhecido e com ares infelizes, menciona: “Doutor, minhas filhas tem problema de esquizofrenia”. Logo os peço que sentem para conversarmos com mais tranqüilidade, eles os fazem. Pergunto o nome da menor, com as mãos em gemido ela responde: “Beatriz, doutor!”. Dirijo-me o olhar para a maior e menciono antes que ela responda: “Então você é Fernanda?”, ela afirma com a cabeça, mas imediatamente o pai dirigiu-me a palavra: “Como o senhor sabe, doutor?”, então passo alguns minutos explicando, o pai começa a chorar, e como sem compreender totalmente, as filhas, também se põem a lagrimejar. Depois de alguns segundos pergunto onde estaria a mãe delas, com os lábios trêmulos e olhos banhados de lágrimas, ele responde: “Ela... ela está morta doutor, suicídio”. Logo após, retirando um revólver do bolso, direciona-a cabeça de uma de suas filhas e aperta o gatilho, adquirindo fôlego aponta para a outra filha e também dispara, depois olha para mim e menciona: “Obrigado doutor!” – e atira em seu próprio crânio.
João Mariano
Enviado por João Mariano em 09/03/2007
Código do texto: T406267

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Sobre o autor
João Mariano
Maceió - Alagoas - Brasil
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João Mariano