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Malu

Como era de costume: as 17:30 ela ia para o sofá, e ficava lá aguardando a novela que estava para começar, eu somente ficava observando sua falta de atenção para os comercias, em seus pensamentos que iam longe, bem longe, até começar a música de abertura de sua novela, eu assistia algumas cenas, as vezes alguns capítulos, gostava de ser um marido presente, mas ao final daquele teatro mal feito, eu me colocava a postos para ver o jornal, Isabelle, era uma alienada, não gostava de ver jornal, ótimo, ela pelo menos ia para o canto dela, e eu ficava me decepcionando sozinho com as noticia diárias, as vezes alguma coisa boa, mas nada tão bom quanto a morte do presidente, ou de algum empresário concorrente.

Eu não era tão rude como agora, não enquanto estava junto de minha Malu, que era mulher como gosto, coxas grossas, lábios carnudos, a idade não importava, até hoje não sei se ela mentiu, o que sei é que Malu me faz falta.

Por toda a ausência de Isabelle eu pensava em Malu, com a presença de Isabelle eu realmente a desejava, era aquela moça na minha cabeça o dia inteiro, mas aquilo tinha que ter fim, tinha que decidir minha vida. O tempo foi passando, meus adultérios eram bem mais freqüentes, eu trazia a Malu em casa, Isabelle não se importava, ela tinha um garanhão que havia conhecido em uma boate, mas em casa ele não pisava. Chegamos num acordo e aceitamos o divórcio, cada um com suas coisas, a casa era minha, a Malu também. Que mulher! As 18:00 estava ela nua na cama com duas taças de chateau me esperando para brindar mais um dia, eu não posso nem mentir dizendo que sentia falta de Isabelle e suas novelas medíocres, não, eu estava me sentindo o homem que haviam quase matado. Imagina, tive que reaprender a marcar pontos todos os dias, já que com a Isa, uma vez por semana era o suficiente pra me deixar com sono.

E assim os anos foram passando, eu me tornei mais bonito, meus amigos me achavam mais legal, as mulheres me olhavam com outros olhos, eu comia todas que podia, eu estava finalmente gozando a idade do amadurecimento masculino, tinha “cujones” de aço, ganhei mais dinheiro na firma, me tornei mais ousado nos negócios, ao chegar em casa, Malu me esperava sempre no escritório, ela ignorava qualquer perfume em meu pescoço, beijava pra sobressair a marca e o cheiro do seu batom em meu corpo. Ela me jurou seu amor eterno, eu a pedi em casamento.

Casamos depois de três meses, ela era uma esposa perfeita, poucas palavras, não era ciumenta, era dona de uma vaidade que me batia na cara, não me sentia homem para ela, não mesmo, enquanto a via eu sentia vontade de ajoelhar, quando ela me tocava sentia vontade de esfregar seu corpo contra todas as paredes da casa, eu estava saindo do meu juízo, perguntava a Deus se talvez eu finalmente estava amando! Não, não estava, eu estava ficando louco, enquanto ela, ela nunca perdeu o controle, eu deixava ela enfiar no meu cu, eu cedia ao que ela pedisse, eu dava tudo que ela queria, todo dia valia a pena.

Após um ano de casados, eu comecei a ver que nosso amor havia se tornado diferente, Malu falava sobre ser independente, fazer cursos de culinária, viajar pelo mundo, pintar quadros, incentivei no começo, mas ela havia deixado menos suor em nossa cama, menos jogos e menos pontos, e eu queria mais, muito mais. Com o tempo eu vi que a Malu com quem havia me casado, não era mais a mulher com quem sonhei estar junto, caí em uma grande depressão, eu entrei em parafuso, um dia fui até meu quarda roupas, peguei minha semi-automática... mas não tive coragem de atirar, nem em mim, nem nela... eu fiquei chorando sozinho, quando ela entrou no quarto, eu sai, e também saí de casa, mas antes de atravessar a porta eu disse "Faça suas coisas e saia agora mesmo dessa casa", fechei a porta.

Quando retornei de manhã, as coisas dela já não estavam mais em casa, eu respirava aliviado e com angustia, acariciava o lençol que passamos tanto tempo juntos. E nada como um dia após o outro, meu coração tinha que parar de sofrer, no mesmo mês que Malu se foi eu voltei com Isabelle, ela voltou pra casa, desiludida com seu ex-amante, fazíamos amor todas as noites, falávamos até de ter um filho.

Mas eu não me sinto feliz por isso, não enquanto não tiver do lado uma mulher como Malu, de coxas grandes, lábios carnudos, não me importa a idade dela... o que importa, é que Malu é a mulher dos meus sonhos.
Newmind
Enviado por Newmind em 16/03/2007
Código do texto: T414304

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Sobre o autor
Newmind
Mogi das Cruzes - São Paulo - Brasil, 36 anos
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