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MENINAS MÁS (parte 10)

Felizmente a casa de Aline não ficava tão longe da minha e nos mandamos para lá. Nos trancamos no quarto para a mãe dela não desconfiar de nada e foi então que ela pôde me contar todos os babados que aconteceram na sala da diretora. Claro que Vanusa fez o maior fiasco e negou até o fim. Aline continuou chorando, se dizendo chocada com o roubo da gargantilha. Mas o melhor mesmo foi quando chegou a mãe da cachorra. Talvez pelo histórico da filha, a mulher não acreditou na sua versão e deu uma surra de bolsa em Vanusa na frente de todo mundo.
               
Resultado: dois dias de suspensão.

Rimos tanto que nossos estômagos doeram. Mas nem me importei. Por ora estava vingada. Mas eu queria mais.
               
                                                    *

Mais tarde, à noite, eu continuava satisfeita, quase rindo sozinha até. Antes do jantar, relaxada como há muito tempo eu não me sentia, resolvi entrar no Face. Havia uma mensagem para mim. E era de Gabi.

Ela foi direta: “vc tem participação naquilo, né?”

Não sei por que me surpreendi. Lógico que ela ficaria do lado das amigas íntimas. Respondi grosseiramente: “aprenda a andar em boas companhias.”.

Fiquei esperando uma resposta. Vi quando ela visualizou e aguardei mais um pouco. Nada. Por fim desliguei o computador um pouco receosa. Se Gabi estava desconfiada de mim, as outras também estariam. Torci os dedos para que Aline não tivesse dado nenhum furo.

                                                   *

Vanusa apareceu só na semana seguinte e eu e Aline estávamos preparadas para algum possível embate. Porém, a imbecil voltou quieta. Mal olhou para a cara da Aline e muito menos para a minha. A maioria da turma realmente achava que Vanusa havia roubado a gargantilha. E eu achava aquilo sensacional.

Percebi também que algo estava errado com Gabriela. Ela continuava amiga de Sarah e Vanusa, porém não estava mais no time de vôlei. Isto eu me dei conta pelas postagens do Face. E ela nem parecia estar mais tão feliz em ser amiguinha delas. Muitas vezes eu a flagrei olhando para mim e para Aline como se tivesse vontade de se aproximar. Nós a ignorávamos solenemente. Eu não queria mais saber de papo nenhum com ela. E adorava castigá-la daquele jeito.

Tudo ía muito calmo. Tão calmo que minhas ideias de vingança estavam se tornando um borrão na minha mente. Até que… foi tudo muito rápido. Um dia eu estava no corredor da escola, dirigindo-me para a sala de aula. De repente Sarah passou por mim e me deu um encontrão. Foi tão forte que fui parar do outro lado. Minha mochila estava mal fechada e os livros se espalharam pelo chão. Ela entrou rapidamente na sala sem sequer pedir desculpas. Meu pulso ficou roxo e tive vontade de chorar enquanto catava minhas coisas. Aline e outras colegas apareceram para me ajudar. Quando finalmente consegui ficar em pé dei de cara com Gabriela me olhando com sua eterna cara de bunda. Ela não foi capaz sequer de juntar um livro que fosse para mim.

Fui levada para o ambulatório da escola de onde saí com o pulso enfaixado. Se eu tivesse uma faca teria acabado com Sarah dentro da sala de aula mesmo. E com Gabriela também.

Em casa preferi não comentar como havia machucado o pulso. Resolvi mentir que tinha tropeçado em alguma coisa e me estatelado no chão. Caso contrário meus pais se preocupariam e certamente iriam querer tomar alguma providência junto à escola. Na verdade eu queria resolver aquela parada sozinha.

E elas mal perdiam por esperar.
Patrícia da Fonseca
Enviado por Patrícia da Fonseca em 25/09/2014
Código do texto: T4976246
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Patrícia da Fonseca
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 49 anos
646 textos (48938 leituras)
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Patrícia da Fonseca