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A Voz da Consciência

Um grande concurso de literatura estava sendo realizado por um renomado banco. Os prêmios para o primeiro, segundo e terceiro lugares eram de fazer qualquer um tentar ser escritor. O tema pedido era; “quem acreditou em mim”.
Fernando, um homem mestiço, e já com a idade avançada, viu neste concurso a oportunidade de homenagear Hernâni, seu tio postiço e já falecido, que no passado acreditando nele o apoiou, quando acusado de ter roubado as joias de sua irmã Lelete, uma autêntica representante da raça alemã. Aliás, toda a família era descendente de europeus.
Sendo um escritor que até aquele momento não havia conseguido editar nenhum texto, achou que vencendo o concurso, ou quando muito tirasse o terceiro lugar poderia ele próprio financiar a primeira edição de um dos seus livros. Com isso passou a elaborar o mini texto de trezentos caracteres, exigência pedida para concorrer.
Terminado, revisado e corrigido Fernando enviou seu texto ao banco, feliz por estar homenageando seu tio mesmo que para isso expusesse seus “familiares”, pois manteve os reais nomes dos personagens em questão.
Dois meses mais tarde através de um e-mail, enviado pelos organizadores do concurso, recebeu os agradecimentos por sua participação e tomou conhecimento do resultado do mesmo.
Seu nome não aparecia entre os primeiros ganhadores.
Logo veio o desapontamento e a curiosidade de conhecer as histórias vencedoras. Ao fazê-lo, encontrou defeito nos três textos vencedores; Um, achou apelativo. Outro, uma grande invencionice. E o terceiro, totalmente sem sentido. Foi dormir pensando que o critério adotado para a escolha dos textos não fora correto ou provavelmente não foi feito por profissionais da área literária o que lhe causava mais indignação. Como podia um concurso literário ser avaliado por pessoas não capacitadas? Era o fim da picada. – Imaginava tudo aquilo, sem ter a certeza de que o que pensava era verdadeiro. Na verdade tudo não passava de uma frustração por não ter sua história escolhida. Achava que dessa forma não havia conseguido homenagear seu tio.
Assim logo adormeceu.
Lá pelas tantas da madrugada acordou e voltou a pensar e a julgar o resultado. Não era possível que ele não tivesse conseguido ao menos o terceiro lugar. Sua história havia sido bem contada e sem sombra de dúvidas era muito melhor que as vencedoras. - “na sua opinião é claro”.
Durante alguns minutos ficou remoendo e lamentando não ter ganhado um daqueles prêmios. Que injustiça?
De repente uma voz suave pareceu soprar-lhe ao ouvido:
“Fernando... Fernando... Esqueceu que quando você tomou conhecimento do concurso sua primeira intenção só foi homenagear seu tio? Então, por que toda essa indignação se o objetivo inicial foi alcançado? Jamais se desfaça de um ato nobre por um punhado de dinheiro. Asseguro-lhe que não se sentirias bem”.
Depois disso, aquela agitação cessou e ele voltou a dormir em paz.
Fernando Antonio Pereira
Enviado por Fernando Antonio Pereira em 16/05/2018
Código do texto: T6337916
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Fernando Antonio Pereira
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
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Fernando Antonio Pereira