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UM GRANDE ENGANO (parte 1)



Edna abriu a porta da frente de casa e respirou fundo. O dia estava lindo, o jardim muito florido e a primavera definitivamente instalada. Satisfeita, de bem com a vida, Edna pegou a vassoura e começou a varrer o jardim, cumprimentando um e outro vizinho que passavam pela calçada. O bom humor não demorou para acabar. Ali na esquina, na confluência com a outra rua, quase na frente da sua casa, havia um despacho. E não era um despacho qualquer. Uma banana caturra representando um órgão sexual masculino, com duas batatas na base e rodeada por rosas vermelhas chamavam a atenção de quem transitava por ali. Edna sentiu o sangue correr nas veias. Já sabia quem fora o autor do trabalho e a quem era destinado.
Aquilo era coisa da Soraia, aquela top model em vadiagem. Tudo direcionado para o Vladimir, marido da Edna, o macho alfa do bairro. Que ódio! Edna teve vontade de quebrar a vassoura no lombo daquela infeliz. Ah, quando ficassem frente a frente!
– Mãe, o que é aquilo ali? Uau!
Gabi, a filha adolescente, parou ao lado da mãe, os olhos brilhantes. A garota chegou a dar um passo à frente, mas o braço de Edna lhe barrou o caminho.
– Nem chegue perto deste troço, Gabi! Isto é trabalho forte. Vá, entre! Você está atrasada para a escola!
A despeito de quem passava por ali, Edna sacou o celular do bolso das calças e tirou algumas fotos do despacho. Gabi já havia corrido para dentro de casa e contado a novidade para o pai. Vladimir apareceu na porta de casa. Alto, malhado e com a barba por fazer, Vladimir fazia sucesso com mulheres de todas as faixas etárias. Edna passava o maior trabalho para manter as fãs longe do marido gostosão.
– O que houve, Edna?
– Nada! – retrucou ela, irritada, fazendo um gesto brusco para que ele voltasse para dentro de casa. Ela o seguiu. – Parece que alguma galinha andou fazendo um trabalho para tirar você de mim. Mas sabe quando isto vai acontecer? – Edna parou no meio da cozinha agarrada na vassoura. – Nunca! Só se passarem por cima do meu cadáver!
Vladimir não deu muita importância ao histerismo da esposa. Se serviu de suco de laranja e comentou:
– Me admiro você perder tempo com estas bobagens. Daqui a pouco um gari vai passar e levar o despacho para o lixo. – Ele tomou de um gole só a bebida e olhou para a filha. – Você já está pronta, Gabi?
A garota pegou a mochila e menos de dez minutos Edna se viu sozinha em casa. Ela tinha uma amiga, a Carminha, conhecida cartomante do bairro, e que lidava com aquele tipo de assunto. Talvez ela pudesse lhe dizer alguma coisa sobre despachos que envolviam bananas pornográficas.
– Carminha? – Edna falou logo que a amiga atendeu a ligação. – Você nem sabe o que largaram bem na frente da minha casa...

Patrícia da Fonseca
Enviado por Patrícia da Fonseca em 21/07/2018
Código do texto: T6396028
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Patrícia da Fonseca
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 49 anos
646 textos (48675 leituras)
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Patrícia da Fonseca