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A casa de barro

Filicius, um joão de barro, acabara de terminar sua simples casinha de barro. Com os pequenos pés sujos, ele voa até uma poça d' água em um gramado perto da árvore.

-Olha filho o passarinho!
-Passalinho!-diz a criança
-É um joão de barro! Vai lá ver!
-Eu sou João mamãe!
-Ele também!

Filicius volta então para a casa recém construída, ainda um pouco úmida.

Já seca e há um ano mais antiga, a casinha de barro agora pertencia a um filho de Filicius. Filicius que por sua vez, infelizmente foi morto por um gavião.
Piú, filho de Filicius, agora vivia em casa, cuidando de sua fêmea, pois  um muleque quase o matara com uma pedrada e o mesmo poderia acontecer com sua passarinha. Ele já estava bravo com o garoto, se tivesse o tamanho do gavião que matara seu pai, certamente arrancaria os olhos do menino.

João agora um pouco mais alto e também um ano mais velho, aprendeu sobre os joãos de barro, mas não aprendeu respeita-los. Agora ele atira pedras na casa de barro do pobre coitado do joão de barro. A mãe de João orientava-o para que não fizesse isso, mas o garoto não ligava, passava horas acertando os galhos da árvore tentando acertar a pequena casa de barro.

Correndo pelo quintal, João encontra uma pequena poça cheia de lama ao fundo, ele resolve então tentar fazer uma casa de barro também.

A cena é observada por Piú:
-Pelo menos agora ele fica ocupado com algo, não é?-grita para que a esposa pudesse ouvir do quarto ao lado
-É verdade!-grita ela- Agora posso chocar em paz também.

Horas mais tarde, João todo enlambusado de lama, chora e grita impaciente, um pequeno monte de barro estava a sua frente, a mãe foi correndo para ver o que era:
-Meu filho que foi!-veio gritando desde a varanda, ela vê o garoto todo sujo- Mas João, olha só pra você!
-Eu não cosigo fazê a casa de barro que nem do passalinho!-grita ele impaciente.
-Mas filho, ele é passarinho, ele tem que fazer a própria casinha dele!- o menino choramingando fala:
-Mas mãe, eu quelo fazer uma casinha também!
-Pede pra ele, quem sabe ele te ensina!-responde a mãe se esforçando para ter paciência- Daqui a pouco te chamo pra tomar banho!- e ela entra.
João fica olhando pra casinha e esperando o joão de barro aparecer.

Piú, que organizava os grãos dentro de casa, ia sair para fora, mas derrepente, vê o menino olhando fixamente para sua casa:
-Fiorentina, o menino ta olhando para cá!
-Ah então sai pra fora não pássaro! Vai que ele tem uma pedra pronta pra te atacar, Deus me livre ficar viúva!-diz a pássara
-Vou é esperar então, ele vai sair agorinha.

Impaciente o garoto, começa a chamar o pássaro:
-Passalinho! Passalinho!-grita o garoto pra árvore.
A mãe ouvindo a gritaria chama o garoto pro banho.
-Espera mãe, só um pouquinho!- grita o garoto para direção de sua casa. Quando se vira, o pássaro pousava num galho mais baixo. João observou que o pássaro o ouvia.
-Passalinho, me ajuda a constluir uma casinha pa mim também?-perguntou João.
Piú, observando a cara inocente da criança resolve responder:
-Para que eu iria ensinar uma coisa há alguém que ataca pedra na minha casa!?-responde o pássaro calmamente
-Eu não taco pedla!-desmente o garoto
-Não! Lembra daquele dia que quase me matou, a minha esposa com ovos quase ficou viúva!
O garoto que realmente não lembrava desmente outra vez.
-Tá, bom, talvez esteja arrependido, te ensino, mas se atacar pedra outra vez, eu não ensino mais. O garoto sorri e concorda.

Mais tarde, depois de ter ensinado o garoto, Piú volta pra casa.
-O garoto queria que...o que foi!?-ouviu a pássara chorar
-Achei que tivesse morrido, você me assustou, achei que tinha ficado viúva!-grita a pássara chorando.
-Desculpa, a partir de hoje ele não vai atacar mais pedras, ele me pediu pra ensinar ele a construir uma casa de barro.
-Você ensinou pra ele?
-Ensinei, ele não vai mais atacar pedras!
-Você ensinou até a parte da construção do meu quarto?
-É...não, eu só ensinei como faz básico!-mentiu ele, Piú havia explicado tudo, inclusive a parte do quarto da fêmea.

Depois de ir buscar grãos ao outro lado das árvores atrás das casas, lugar onde Piú nunca havia ido, pois tinha medo do menino, ele volta pra casa, e ao chegar perto, ele percebe que algo está errado em sua casa, ele voa mais rápido, acaba derrubando a folha de grãos, ele chega mais perto e percebe que uma parte da casa estava detonada, ele entra pelo pequeno portal, e percebe que a parte faltando era justamente a parte da sua pássara, ele se descontrola, começa a procurar em outros galhos a sua esposa e nada acha, até que quando olha pra baixo lá bem pro chão, vê o corpo dela. Ele não tem coragem de chegar perto, e promete vingança.

João, chega da escola, e vai ver o amigo passarinho, mas também percebe a diferença na casa, ele fica triste e pega na mão de sua mãe e aponta pra árvore:
-Ah não vem falar do pássaro que fala de novo!-responde ela rispidamente e entra pra dentro chamando o filho, este fica no quintal olhando pra casa destruída, olha pro chão e vê um outro passarinho deitado, ele se agaicha, e pega o pequeno ser, o pescoço mole balança, ele chora.

Piú, bravo com a cena, sem pensar duas vezes, voa até o menino, e começa bicar-lo, bica com tanta força que seu pequeno bico começa a doer.
O garoto chora, e sua mão com alguns arranhados aberto começa a sangrar. Chorando desesperado o menino grita:
-Mãe!-grita- Mãe!- Mas era tarde o passarinho passou voando pelo seu olho esquerdo rasgando-o.
 A mulher finalmente aparece, percebendo o que acontecia, arranca o sapato, e com um golpe só de sorte, acerta o passarinho no ar, este acaba caindo e morrendo logo em seguida.
  O garoto esperneava e a mãe desesperada vendo o filho sangrar, ela o deixa sozinho no quintal pra ir ao telefone, mas quando volta o garoto estava duro e sem sangue.
Hoganes Molva
Enviado por Hoganes Molva em 13/01/2019
Reeditado em 27/02/2019
Código do texto: T6550158
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Hoganes Molva
Aquidauana - Mato Grosso do Sul - Brasil, 19 anos
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Hoganes Molva