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No Banheiro do Cinema

Faltavam seis minutos para o início do filme (Matrix), as luzes estavam apagando. Foi quando Wesley sentiu vontade de ir ao banheiro. Como estava acompanhado, chamou seu amigo para ir junto. – Cara já vai começar. – Lembrou o amigo. – É melhor ir agora e perder o comecinho do filme do que ficar com vontade na melhor hora e ter que sair depois. – O argumento era bem razoável. Os dois seguiam para o banheiro enquanto era possível ver as filas das cadeiras. Saíram da sala de projeção e seguiram pelo Hall. O Cine São Luis, no Centro de Fortaleza, é reconhecido por sua ornamentação primorosa, diretamente da década de cinqüenta.  Passaram por um breve corredor e avistaram os banheiros. Seguiram. E como homens tipicamente machistas, procuraram o reservado. Entraram e fecharam as portas. Wesley sempre teve dificuldades em usar banheiros que não o de sua casa. E acabou demorando mais. Estava ansioso e só o que precisava fazer era relaxar. Ouviu que alguém mais entrou no banheiro, ficou mais atento. No Box ao lado, seu amigo acabara de dar a descarga. E ao abrir a porta... Um grito de mulher varreu o lugar. – Tem um hooooomeeeeem no banheiro!!!!! – Seguiram-se passos correndo em disparada deixando o banheiro. Agora danou-se! Nem havia começado e já tinha travado tudo. De calças na mão, Wesley nem respirou mais. Algumas vozes a mais foram ouvidas. Comentários indignados sobre um tarado no banheiro. Que a segurança devia ser avisada. Que estavam vivendo os últimos tempos... Com todo cuidado, ele levantou a calça... Tremendo de medo, fechou o zíper. Até que as conversas dentro do banheiro cessaram. Aguardou mais uns instantes, até que tudo estivesse bem e ele poder sair rapidamente daquela situação constrangedora. Virou o fecho da porta lentamente e praticamente atirou-se fora do box. Quando deu meia volta na direção da porta... – Tem outro! – A mesma voz urrou novamente. – É uma gangue!!! – O coitado correu, mas correu muito. Escorregando no chão encerado, tratou de entrar rapidamente na sala de projeção. O filme havia começado (Neo acabara de receber um telefone pelo correio). Wesley sentou-se... O coração saindo pela boca.  Achava que, a qualquer momento, um segurança, com as feições do agente Smith viria prendê-lo... E não conseguiu se concentrar no filme. Entendeu quase nada. Quando a sessão acabou saiu o mais rápido que pôde, sentindo-se um pouco mais seguro no meio da multidão. Foi quando se lembrou que não tinha feito o que havia ido fazer, no banheiro. Olhou pra trás... E decidiu ser mais seguro o banheiro de sua casa.    
Lauriston Trindade
Enviado por Lauriston Trindade em 17/09/2007
Código do texto: T655995

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Sobre o autor
Lauriston Trindade
Fortaleza - Ceará - Brasil, 39 anos
45 textos (17264 leituras)
2 áudios (93 audições)
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Lauriston Trindade