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A VINGANÇA DE ANAMARIA

Anamaria já não dormia direito há dois dias. Pudera, tinha levado um pé na bunda do Alex. Não que ele fosse o namorado mais lindo, mais atencioso ou, principalmente, o mais rico. Nada disto. Anamaria já estava até mesmo pensando em como dizer a ele que ambos já não tinham mais nada a ver. O grande problema é que o Alex tinha trocado Anamaria por outra. Por outra mais magra e alguns anos mais jovem.
Para Anamaria foi o fim. Agora sabia o que sua mãe tinha sentido quando o sem vergonha do seu pai dera no pé com a secretária gostosona. Homens, todos iguais. Golpe baixo, isto é o que Alex havia feito. Golpe baixo.
Ela se levantou da cama, com a cara inchada. Estava ainda inconformada com a atitude do Alex, logo ele, tão ingênuo. Pois, sim. Não existiam homens ingênuos no mundo e o Alex estava ali para mostrar que não havia um que se salvasse. Ah, mas aquilo não iria ficar assim.
A idéia surgiu na hora do café. Foi um estalo, algo que surgiu na sua mente de repente. O Jonas! Claro, o Jonas! Seu amigo de fé e lhe devendo vários favores. O Jonas, o homem mais bonito que já vira. Cabelos loiros, musculoso. Não gostava de garotas, mas isto não importava. Ela só precisava de um favorzinho dele. Só um e Alex seria reduzido a nada. Absolutamente a nada.
Felizmente, o Jonas atendeu logo no primeiro toque do celular. Anamaria foi direta:
- Jonas, querido. Preciso de um favor seu.
- Até dois – respondeu ele, bocejando. Pelo visto Anamaria tinha acordado o amigo.
- Fui vítima de um golpe baixo. Você sabe que eu levei um chute do Alex, não é? E que ele me trocou por uma magricela mais nova que eu. Tudo isto você sabe, não é mesmo?
- Claro – concordou ele – E quero lhe dizer também que você não perdeu nada e…
- Jonas, quero que você finja que é meu namorado.
- Euuuuu? – perguntou o rapaz, chocado – Mas Anamaria… você sabe que a minha praia não são as mulheres.
- Jonas, é só pra fingir, entendeu? Fingir.
- Mas por que justo eu? – perguntou Jonas, chocado.
- Porque você é lindo, alto e gostoso. E o Alex é uma ameba. Fui clara?
Anamaria levou mais de quinze minutos para convencer Jonas e no final deu tudo certo. Ela sabia que Alex gostava de passear no calçadão da praia todas as tardes e com certeza, já estaria fazendo isto com a nova namorada. O acordo era Jonas passar na casa de Anamaria e provocarem um encontro com Alex. E fazer, claro, que ele se mordesse de ciúmes.
Na hora marcada, Jonas apareceu na casa de Anamaria, mais lindo do que nunca. A primeira coisa que ele disse quando botaram os pés na rua foi:
- Foi uma luta, mas o Lu conseguiu entender. Ficou lá em casa, roendo as unhas de nervoso.
- Jonas, será só por hoje. Juro. Eu tenho que mostrar para o Alex que eu não estou sobrando e que ainda arrumei um cara mais bonito que ele.
- Ainda acho que ele te fez um grande favor se separando de você. Você conhece a outra bisca?
- Não. Só me disseram que é mais magra e mais nova que eu.
- Mulheres…
E assim se foram os dois para o calçadão da praia, abraçados como dois namorados. Até que era bom ficar junto de um cara lindo como o Jonas, pensou Anamaria, reparando que seu suposto namorado era alvo de olhares de ambos os sexos. Ela já estava até se sentindo a tal, quando Jonas lhe cutucou:
- Estou vendo o Alex. Lá vem ele com a bisca. Olha lá.
Antes mesmo de enxergar o ex, Anamaria disse, afobada:
- Então me agarra, faz alguma coisa, por favor.
- Olha, querida – retrucou Jonas, com uma expressão de descaso – Se você está com ciúmes daquilo ali que vem com ele, você tem que se internar.
Anamaria focou os olhos na nova namorada de Alex. Cruzes. Sim, era mais magra mesmo que Anamaria. Virada em osso, joelho e cabelo. Chocada, ela falou:
- Minha mãe do céu. Prefiro ser gordinha. Vamos embora daqui.
Puxando a mão de Jonas, os dois atravessaram a avenida e foram parar do outro lado do calçadão. Jonas ainda disse:
- Acho que ele te viu.
- Ele que fique com aquela moça. Nossa, nunca me senti tão bem.
À noite, Anamaria estava bem calma, comendo pipoca doce assistindo seu DVD. Seu amor próprio havia voltado, não pensava mais em Alex e até ria das suas angústias por causa dele. Ah, como tinha sido boba! De repente o celular tocou. E era o Alex. Ela ainda pensou duas vezes se deveria atender ou não. Por fim…
- O que é, Alex?
- Vi você na praia com seu novo namorado.
- E daí?
- Daí que… daí que eu senti saudades.
- Alex, passe bem.
Anamaria desligou o celular e voltou a comer a pipoca. Sua vingança tinha dado certo.
Patrícia da Fonseca
Enviado por Patrícia da Fonseca em 22/09/2007
Código do texto: T663334
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Sobre a autora
Patrícia da Fonseca
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 47 anos
616 textos (43689 leituras)
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Patrícia da Fonseca