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“A morte do Zé”

Abri o portão, subi as escadas, abri a porta e entrei em casa correndo como de costume.  Ao entrar mamãe olhou-me com cara desespero e disse:
- O Zé morreu.
- Como assim, morreu?
- Morreu, morrido – respondeu.
- Não acredito.
- Pois venha ver, eu lhe mostro o corpo.
E fomos. Ela me levou ao quintal onde dizia estar deitado o corpo do meu grande amigo Zé. Chegando lá tive de ver o inevitável, Zé estirado no chão, todo ensangüentado. A morte nos pega desprevenidos, não só a quem morreu, mas principalmente aqueles com quem tinha fortes ligações. E assim foi comigo, a surpresa ao ver Zé morto no chão me chocou profundamente, na hora não agüentei e comecei a chorar. Ele foi melhor amigo durante aqueles dez anos de idade, pôxa que saudades do Zé. Mas, voltando ao momento, lembro que soluçando e chorando perguntei:
- Como, mamãe?
- Briga – respondeu.
- Com quem?
- Com os dois grandalhões que moram no vizinho.
- Eu quero velá-lo mãe.
- Velar? Não vai dar filho, ele está muito machucado, vamos enterrá-lo de uma vez.
Não agüentei e voltei a chorar. Minha mãe falou que ia arrumar uma tábua bem grande e faríamos um epitáfio, deixando uma lápide bem bonita para ele. Eu poderia escolher uma frase e o enterraríamos no quintal.
- Mas mãe, não da para enterrar no cemitério junto com o vovô e a vovó? Afinal, ele também fazia parte da família, morava junto, dormia na casa.
- Não meu filho, terá de ser aqui mesmo, e não pergunte mais por que.
- Está bem – resmunguei.
- Nós só vamos esperar seu pai chegar e ele vai cavar um buraco bem grande para enterrar o Zé. Enquanto isso a mamãe vai procurar uma a tábua grande que estava perdida entre uns entulhos. Vá para o seu quarto, fique por lá e tente não se entristecer, está bem?
- Está bem, Mamãe.
Fui para o meu quarto e fiquei chorando até meu pai chegar. Minha mãe contou para ele que por um pequeno instante se entristeceu bastante, deu pra ver em sua expressão. Logo em seguida já se recuperou, ficando apenas um pouco melancólico. Papai também tinha uma grande amizade com o Zé. Veio até mim, e me abraçou dizendo:
- Tudo bem filho, o Zé foi para um lugar melhor. O pai vai gravar a frase na lapide do Zé, é só escolher a frase.
E assim foi: meu pai enterrou o Zé, mamãe acendeu umas velas, pos uns ramos de arruda em volta e lá mesmo no quintal, foi o enterro do Zé. Com a lápide que o papai gravou, dizendo a seguinte frase que escrevi: “Aqui jaz Zé, o melhor cachorro do mundo”.
 
O que de Souza
Enviado por O que de Souza em 05/10/2007
Reeditado em 13/06/2009
Código do texto: T682285

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Sobre o autor
O que de Souza
Curitiba - Paraná - Brasil, 30 anos
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O que de Souza