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O PROFESSOR PACHECO

O PROFESSOR PACHECO

Rosendo de Faria Pacheco é um desses predestinados ao magistério. Desde criança sua vocação aflorava. Filho de pai militar que constantemente se deslocava de uma região do país para outra não teve muitas oportunidades de construir amizades sólidas com pessoas de sua idade, os companheiros de vídeo games, do futebol e de outras tantas ocupações próprias de crianças. Passava os dias revirando a biblioteca do pai, um entusiasta do estudo de história, e seus pensamentos viajavam juntos com os personagens que construíram as civilizações. Enquanto os ídolos de seus colegas de escola eram os artistas da moda e jogadores de futebol, ele idolatrava Alexandre Magno, os Césares romanos, os generais gregos e por aí afora. Ainda no primeiro grau era um orientador de seus colegas das escolas militares por onde passou, sempre tirando dúvidas e acrescentando detalhes que os professores omitiam. Quando concluiu o ensino médio ninguém da família tinha dúvidas que ele faria o vestibular  para licenciatura em história, contrariando o desejo do pai que era a carreira militar, como ele próprio. Conseguiu entrar na Faculdade que tinha a melhor avaliação para o curso pretendido. Fez um curso brilhante, sempre se destacando como o melhor aluno da classe; querido pelos professores e admirado pelos colegas. Durante todo o curso teve apenas um atrito com o professor de História Antiga, que insistia que os afrescos do Parthenon, na Grécia, tinham tido a influência dos assírios enquanto Pacheco tinha a certeza que era uma inspiração etrusca. A discussão se tornou áspera até o professor se irritar o expulsá-lo da classe. Na aula seguinte ele voltou com uma mala cheia de livros, em vários idiomas e com as páginas marcadas com post-it que comprovavam sua convicção. “Nunca fique com a opinião de só um historiador; tem que ler vários para formar a sua”, repetiu à exaustão. E esta era a sua postura, de ler vários autores para concluir algo. Postura que norteou seus ensinamentos e que ele adotou para interpretar e entender todos os outros aspectos das ciências, exatas ou não.

Graduado com todos os méritos Pacheco, como ficou conhecido no meio estudantil, não teve dificuldade em ser contratado por duas das melhores escolas particulares da cidade e construiu uma reputação irretocável entre os colegas e alunos. Utilizando-se de sua verve e aptidão artística, comparecia às aulas caracterizado com a indumentária do personagem sobre o qual iria falar. Assim, se o assunto eram as Campanhas Napoleônicas ele aparecia com o indefectível colete azul com botões dourados, onde enfiava a mão direita e assim falava todo o tempo, arriscando até um sotaque francês carregado nos erres; quando o assunto era a expansão do Império Romano, ele vestia uma túnica branca com bordas douradas, traje comum aos imperadores e membros do senado. Quando o tema era a 2ª. Guerra Mundial, não faltavam o bigodinho de Hitler nem o charuto do Churchill. Nas aulas de história do Brasil fazia as meninas corarem quando explicava a colonização do país pelos portugueses, dizendo que as índias adoravam os colonizadores por serem muito bons no sexo, ao contrário dos silvícolas tupiniquins que não sabiam nada do assunto e faziam fila para dormir com eles já que os maridos não se importavam com isso. Considerava a Abolição da Escravatura um retrocesso histórico haja vista que os escravos deixaram de ser um meio de produção, valorizados e mantidos saudáveis por serem ativos produtivos de seu senhor, passando a ocupar a periferia das cidades, abandonados a sua própria sorte, gerando todos os problemas sociais que hoje conhecemos.

Moderno no pensar e no agir, não poupava esforços para inserir em suas aulas todos os recursos disponíveis para torna-las mais vibrantes e esclarecedoras. Nelas utilizava-se de vídeos e imagens dos temas tratados; organizava grupos de WhatsApp por turma, em que todos os alunos participavam, e serviam de fórum para discussão pós aulas; fez um arranjo com uma empresa de turismo para levar os alunos interessados, durante o período de férias, a lugares destacados no curso da história como Macchu Picchu, no Peru, e no México, com um mergulho nas civilizações Asteca e Maia; em Roma, Florença, Atenas e pelo mundo afora desde que houvesse disposição dos pais em pagar por isso. Ele não cobrava nem ganhava nada para acompanhá-los. Fazia por puro prazer às suas expensas. Era o professor que todos gostariam de ter tido.

Rosendo, filho único, vivia discretamente com sua mãe viúva – Dona Rosália, de 76 anos - e jamais pensou em deixa-la sozinha. Não tinham problemas financeiros; ele, por sua diferenciada atuação como professor tinha um salário muito acima da média e ela, beneficiária de generosa pensão do falecido marido, equivalente ao soldo de coronel do exército.  As poucas namoradas que teve não conquistaram a simpatia de Dona Rosália e foram sendo descartadas. Aos 44 anos decidiu-se pelo celibato, pelo menos enquanto ela vivesse. Sua vida sexual, muito discreta, se resumia a encontros agendados em sites de acompanhantes. Pensava “sexo pago é inconsequente e muito mais barato! ”

Tudo corria na mesmice de sempre na vida do professor até que um dia, ao abrir suas mensagens no WhatsApp se depara com a foto de uma vagina, com uma mensagem “Toda sua! ” Procurou saber da remetente e após pesquisar em todos os grupos que participava viu que não era de nenhuma de suas alunas. Voltou à foto, ampliou-a e concluiu que a dona daquele pedaço do pecado era jovem e, embora completamente depilada, deveria ser loura, haja vista o tom róseo claro – quase sem cor - dos lábios vaginais. Havia uma tatuagem de uma borboleta pela metade, com uma só asa, próxima à virilha direita e nenhuma pista mais. O número de telefone que constava no aplicativo certamente era um aparelho pré-pago. Apesar de ser uma pessoa de poucas emoções a mensagem postada incomodou o Professor. O vírus da curiosidade o contaminou! “Será que é um trote de algum aluno? Será verdade? Se for, quem poderia ser? “ Esses pensamentos tomaram o resto do dia. Mas não havia como descobrir sua origem. Qualquer aluno que fizesse parte de algum grupo criado por ele poderia ter acesso ao seu endereço virtual ou poderia passar para alguém. O endereço do remetente estava como “fatalpussy” e não levava a ninguém. Pensou em responder mas resolveu esquecer. E realmente deletou a mensagem e o assunto.

Dias depois, no estacionamento de uma das escolas onde lecionava, ao tentar abrir a porta de seu carro foi abordado pela Telma, uma de suas alunas mais bonitas - loura, olhos verdes, alta. Na casa dos 17 anos – que levantou a saia que vestia e, sem calcinha, exibiu aquele pedaço do paraíso dizendo: - Professor, não vai querer? E saiu caminhando entre os carros estacionados. Ele entrou no carro e ficou estático, revivendo a cena. Pensou na meia borboleta da tatuagem, “por que uma meia borboleta? Qual o significado disso? ”

Ao chegar em casa e abrir suas mensagens no computador percebeu logo entre as não lidas uma da “fatalpussy”, agora Telma, onde dizia: “Prof vc me deixa louca n aguento + esperar pra gente se conhecer melhor”. Sorriu nervosamente e pensou na meia borboleta. Sabia que não poderia ir em frente com esse assédio. Decidiu que no dia seguinte procuraria saber na secretaria da escola o endereço da menina e tentaria fazer um contato com seus pais para demonstrar sua preocupação e solicitar-lhes que interviessem para acabar com aquilo. Assim o fez. Munido do endereço foi até lá. Era um edifício de classe média no mesmo bairro da escola. Falou com o porteiro e foi informado que a Telma morava com a mãe, que estava fora do país há algum tempo, e com outra irmã mais velha que era repórter de uma grande emissora de TV e estava passando uma temporada em Brasília.  Sem saber o que fazer voltou à escola onde continuou sua aula, agora sem o brilho de antes. O Professor estava abalado, tenso.

Mais uma vez, ao abrir seu laptop, nova mensagem da Telma. Dessa vez com uma foto na praia, completamente nua, exibindo seu corpo escultural; o Professor se fixou na foto, deu um zoom na imagem e passeou por cada centímetro daquele corpo que passou a lhe despertar. A meia borboleta lá! Naquela semana as acompanhantes do site onde agendava seus programas ficaram sem sua contribuição financeira. A Telma passou a ocupar todo o espaço de sua libido. Na primeira aula em que ela estava presente não conseguiu desviar a atenção dela. Em um momento em que ela se levantou para falar com alguém no fundo da classe, o olhar dele acompanhou cada passo, desfrutando do doce balanço daquelas nádegas robustas realçadas pelo justíssimo jeans. A cada dia o Professor ficava mais dependente daquele contato. Corria para chegar em casa e abrir suas mensagens esperando encontrar uma foto reveladora ou um texto picante de sua aluna.

Pacheco estava rendido! Sua Afrodite havia derrubado suas resistências. Dormia e acordava sonhando com aquela carne fresca prestes a ser devorada por ele como Marco Antonio fazia com Cleópatra ou D. Pedro I com a Marquesa de Santos. Comprou um celular pré-pago só para conversar com ela. Diariamente tinha longas conversas que a cada dia ficam mais tórridas e explicitas. Não se pode determinar o tempo que transcorreu entre o primeiro telefonema e o último, um dia antes do encontro esperado. Certamente menos de um mês. Enfim, combinaram um encontro numa manhã de sábado. Ele a encontraria na entrada do estacionamento de um shopping center conhecido e de lá iriam para um motel. Para prevenir qualquer transtorno por conta de sua condição de menor de idade, ela esclareceu que tinha uma cópia autenticada de um documento de identificação da irmã, muito parecida. Nada poderia falhar! E assim partiram para a aventura tão aguardada.

Chegaram ao Motel Spartacus onde entraram sem dificuldade, sem a moça da portaria questionar sua idade. Ele pediu o quarto mais caro, a Suíte do Imperador, dotada de piscina, hidromassagem, vários canais de música, pista de dança, colchão de água e o escambau. Entraram. Quando ele tentou abraça-la ela se esquivou dizendo que gostaria de tomar um banho primeiro. Sugeriu que ele tirasse a roupa e a aguardasse naquela imensa cama. Ela saiu do banho usando o roupão do motel enquanto ele se estirava na cama aguardando aquele momento glorioso. Ela se desfez do roupão e se atirou sobre ele. Momento em que a porta é aberta por um empregado do motel e entram quatro policiais. “Senhor, recebemos uma denúncia de violência e estupro contra uma menor de idade, o senhor está preso! ”. Pacheco não conseguiu balbuciar uma única palavra. Vestiu-se, foi algemado e conduzido para uma viatura da polícia que estava estacionada na entrada da suíte. Telma chorava e fingia uma convulsão quando foi levada para outra viatura. Na saída, cinegrafistas de emissoras de TV, fotógrafos, repórteres de rádio, o show armado. Um prato cheio para a mídia.

Pacheco foi levado para uma delegacia onde, depois de esperar por várias horas, foi interrogado por uma delegada feia e grossa. Informou-lhe que havia pedido ao juiz de plantão que decretasse sua prisão preventiva e que ela pediria ao Ministério Público seu indiciamento por violência contra menor e tentativa de estupro. Sugeriu que ele falasse com seu advogado pois a situação ficaria muito feia para ele. Pacheco lembrou que não conhecia nenhum advogado e pediu permissão para ligar para um amigo para que indicasse um. Ligou e o amigo atendeu já gritando “Rosendo, que merda é essa que você fez? Você está em todos os noticiários; puta merda, com tanta mulher por aí você vai se meter com uma menor? Desligou após ouvir do amigo a promessa de conseguir um advogado. “Só não sei se vou conseguir falar com algum hoje, mas segunda-feira sem falta consigo. Pacheco não teve acesso às notícias nem mesmo conseguiu falar com Dona Rosália. Ficaria ainda mais abalado se soubesse que ela veria o noticiário imputando-lhe todos os adjetivos negativos que a mídia sabe usar. Ele não ficou sabendo que foi ao ar na edição nacional do Grande Jornal e até vídeo maldosamente editado com imagens feitas por alguns alunos, em que ele dava aula, contando o fascínio das índias pelos portugueses, que eram bons amantes; ele fantasiado de Napoleão, dizendo que ia encontrar a Josephine; explicando que com a abolição da escravatura os negros viraram favelados e são um problema social até hoje. Um perfeito pervertido e um racista potencial! O suficiente para ser odiado por grande parte das pessoas. No dia seguinte uma das escolas em que ele lecionava publicou uma nota de esclarecimento na primeira página de um jornal de grande circulação repudiando a conduta do Professor, dizendo que os métodos dele não tinham autorização da coordenação do curso e que, por fim, ele estava sumariamente demitido por justa causa. A diretora da outra escola em que ele trabalhava deu uma longa entrevista na televisão dizendo mais ou menos a mesma coisa. Pacheco estava sendo execrado pela mídia e, consequência, pela opinião pública.

Na solidão do cárcere o Professor ia puxando a linha do novelo, tentando entender e digerir os fatos. Chegou a primeira conclusão: foi vítima de um golpe da sua Lolita; restava saber o porquê. O flagrante no motel tinha sido armado com a participação de alguém. Quem? O negócio seria aguardar a chegada do advogado que o amigo iria indicar para, juntos, questionarem o passo a passo do ocorrido. Ele ainda não sabia de nada sobre a repercussão do caso e lembrou-se de Dona Rosália. Como ela iria reagir ao saber dos acontecimentos? E se ele ficasse detido por muito tempo, quem cuidaria dela, hipertensa e diabética? Como enfrentaria os alunos daqui para a frente? Uma enxurrada de perguntas que ele fazia a si próprio e que iam ficando sem respostas. As refeições que iam sendo servidas ele nem as tocava.

Na segunda-feira pela manhã, afinal, chega à Delegacia o Dr. Freire, advogado indicado pelo amigo. Ele não ficou sabendo que o amigo teve a maior dificuldade para encontrar alguém que se dispusesse a aceitar o caso. A Delegada que atendeu aos dois, não era mais aquela feia e grossa, foi informando que a outra havia deixado em minuta as justificativas para a elaboração do inquérito, carregado de acusações e enquadramentos no código penal. Ela também tinha sido contaminada pela mídia. O Dr. Freire relatou-lhe todos os eventos midiáticos ocorridos durante o fim de semana, carregando tudo com tintas muito fortes. O Professor logo percebeu que seu advogado não era dos mais brilhantes e, a toda hora, quando estavam a sós, insistia em negociar seus honorários. Pediu ao advogado que procurasse Dona Rosália e explicasse sua situação, sua versão e sugerisse a ela que mandasse buscar uma prima que morava em Catanduva para fazer-lhe companhia enquanto durasse aquele inferno astral. A situação do Professor era muito difícil e ele passou a ter consciência disso. Todas as evidências o incriminavam. O inquérito foi remetido ao Ministério Público que imediatamente pediu seu indiciamento. O juiz acatou o pedido do MP e Pacheco virou réu. O julgamento correu muito rápido, sob muita pressão da mídia; o advogado atuando de forma medíocre; testemunhas influenciadas e os malditos vídeos, tudo conspirou contra ele que foi condenado a 4 anos de reclusão. Nesse interim, Dona Rosália teve um infarto fulminante e faleceu. Pacheco estava só! Recolhido à Penitenciária Estadual.

Passados dois meses de reclusão, sem que ninguém o visitasse, chega aquele amigo que indicou o advogado acompanhado de outro, Dr. Costa Neto, para o qual fez os maiores elogios, dizendo tratar-se de um criminalista ilustre com várias vitórias em processos penais. O Dr. Costa Neto lhe disse que revisou os autos e encontrou várias falhas processuais e que poderia pedir a anulação da pena. Seus honorários seriam equivalentes a toda a poupança que ele acumulou durante a vida. Pacheco pediu uns dias para pensar, fez contas e decidiu abrir mão do recurso. Pediu ao novo advogado o seu telefone e disse-lhe que se mudasse de ideia o procuraria. Cumpriria o resto da pena e sairia com algum dinheiro, suficiente para viver até encontrar outra atividade remunerada. Talvez escrever um livro contando a verdadeira história do Brasil? Registrou tudo no seu inseparável minigravador, o único companheiro que ele tinha no cárcere e para o qual ele havia obtido autorização para usar.

Numa manhã de sábado, uma visita inesperada: o carcereiro informa que as senhoritas Telma Moretti e Lavínia Silva estavam no salão de visitas aguardando por ele. Desceu e lá estavam, sua algoz e Lavínia, uma mulata de uns 20 e poucos anos, bonita e muito bem fornida. Seguiu-se o diálogo:
-  Professor, vim aqui lhe pedir desculpas pela situação em que lhe meti;
- Até hoje não entendi a razão! Por que eu?
- Na verdade foi uma vingança, entrou na conversa a Lavínia. - O seu pai, Major Pacheco, em 1974, matou meu pai em confrontos no Alto Araguaia; meu pai era um guerrilheiro e lutava contra o golpe militar; ficamos sabendo disso há pouco tempo quando os arquivos da ditadura foram abertos. Eu havia prometido a minha mãe, antes dela morrer, que descobriria e me vingaria de quem o matou. Pesquisei e descobri que o seu pai já havia morrido;
- Sim e por que eu?
- Um dia, conversando com a Telma ela me falou de um professor de história diferenciado, chamado Pacheco. Esse sobrenome sempre me leva ao Araguaia. Pedi a ela para descobrir se o seu pai era militar. A internet fez o resto. Senti que a vingança estaria ali, pequena, mas possível. Mexi meus pauzinhos, falei com a irmã da Telma e ela espalhou pela mídia que o flagrante estava armado; usei um amigo na polícia para mobilizar uma guarnição para pegá-los no motel.
- E eu estou pagando pelo que não fiz?
- É o mínimo que pude fazer pela memória dele e pagar a promessa para a minha mãe;
- E você Telma? Por que entrou nessa?
- Eu explico, disse Lavínia. Tirou um papel da bolsa e continuou:
- Eles não permitem que a gente entre aqui com o celular, mas eu imprimi esta foto. Veja! O Professor desdobrou o papel e estava a Lavínia, nua, deitada na areia da praia; um detalhe destacado: meia borboleta tatuada na virilha esquerda, ao lado da vagina.
- É a mesma borboleta da Telma, assustou-se o Professor;
- Sim Professor. Nós somos amantes e a borboleta completa significa nossa união. Rindo, se retiraram. O Professor, rindo ainda mais, apalpou o gravador no bolso e pensou:  - amanhã chamo o Dr. Costa Neto.
 
NEYSILVA
Enviado por NEYSILVA em 17/07/2020
Código do texto: T7008605
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