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A CAÇADA


Outro dia encontrei um antigo colega de escola.

No mínimo há uns vinte anos não no víamos.

Relembramos os áureos tempos, as brincadeiras, as 
namoradas, os carros, as noitadas e os esportes.

Foi aí que      o bicho  pegou.

Numa certa época eu gostava muito de caçar e pescar, 
bem.. isso antes da tomada de consciência de 
preservação ... hoje não mato nem baratas ou 
pernilongos.

Foi nessa rememoração que ele me contou uma de suas 
caçadas no Paraguai, já me deu frio na coluna.

Disse me ele:

“ Voce se lembra do Safú, aquele perdigueiro que voce 
me deu? Pois é, ele morreu no Mato Grosso como um 
herói, mas deixou um filho tão bom quanto ele e treinado 
por mim, melhor ainda.

Nós estávamos caçando codornas numa planície do 
Chuaco , eu me atrasei e o pessoal seguiu em frente, nem vi mais eles.

Ficamos eu e o cachorro, o Babú.

Logo o cachorro amarrou uma perdiz enorme, duns cinco 
quilos...

Levei a Boito no ombro e vi que tava descarregada.

Aí que me lembrei... no último tiro, no dia anterior, não 
havia limpado a arma e nem recarregado.

Descanhotei a cartucheira e nada...era um cartucho de 
metal, voce sabe, depois de três tiros, ele incha e fica 
preso na câmara.

Dei sinal pro Babú e ele entendeu... ficou esperando para 
levantar a perdiz.

Fui até o jipe buscar o alicate para arrancar o maldito 
cartucho... de raiva coloquei um T 30, era para arrombar.

Voltei e o Babú tava sentado, com a mão apoiando a 
cabeça e a perdiz deitada... oh tadinho , acho que 
demorei um pouquinho.

Ao me ver ele bufou no rabo da perdiz que assuntou e se 
pôs em posição de levantar vôo.

Olhei e vi que o ângulo de tiro estava ruim e poderia 
errar... tossi duas vezes e o Babú entendeu. Êta cão 
inteligente.

Ele, igual touro bravo, raspou a pata no chão e foi virando 
a perdiz de forma que quando ela decolasse, ao fazer a 
curva do vôo, adernasse para a direita, ficando de peito e 
asas viradas para mim e o tiro seria bem no meio dela.

Assoviei e Babú espantou a prêsa...

Ela levantou...

Voou...

Fez a curva...

Atirei...

Tiro perfeito.

Ela caindo e Babú correndo ao encontro para buscá-la.

Aí o imprevisível, ao ajeitar o curso do vôo, não 
reparamos no rio ao lado...

A perdiz cai no rio...

Mais que depressa uma piranha a abocanha...

Nem submerge, um jacaré engole a piranha...

Antes que o jacaré afunde, Babú mergulha atrás...

Caramba, num dia só perdi a maior perdiz de minha vida e 
o melhor cachorro.

Sentei-me á margem e fiquei lamentando.

Milagre,,,

Babú, ensopado e trêmulo, sai d’água com o jacaré na 
boca.

Dei graças a Deus.

No acampamento abri o jacaré, fiz esta bota com a pele 
dele, abri a piranha e fiz um caldo pro Babú e quando abri 
a perdiz encontrei um

panfleto que dizia:

“ Preserve a Natureza ” 


GDaun
Enviado por GDaun em 31/10/2007
Reeditado em 22/03/2011
Código do texto: T717195

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Sobre o autor
GDaun
Lupércio - São Paulo - Brasil, 73 anos
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