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A Confeitaria

  Isidoro todos os dias se postava em frente a confeitaria. A vitrine era muito convidativa. Exibia os doces e bolos para quem passasse na calçada. Os vidros eram muito bem limpos várias vezes ao dia, sendo que duas construções próximas exigiam uma maior limpeza.

  Como Isidoro ficava muito tempo admirando a farta variedade da confeitaria e ainda tinha o hábito de ali ficar durante uns vinte minutos todos os dias, chamou a atenção dos funcionários. Um dia, Lili, uma das moças que servia as mesas foi contar ao dono do estabelecimento que ficou cismado com a atitude do homem. Passou a observar o potencial cliente. Viu, sem ser visto, que o homem era atento a tudo que era exibido na vitrine.

  Houve um dia que o homem veio acompanhado e ficou muito tempo apontando e falando com o outro. Ambos gesticulavam muito e em dado momento foi retirado um bloco e uma caneta de uma pasta de couro do interlocutor que passou a anotar tudo que Isidoro dizia. O dono da confeitaria intrigado pensou em ir até lá, mas foi detido pelo gerente que lançou uma hipótese sobre a atitude daquele homem. Poderia ser um crítico gastronômico. Exibiu um largo sorriso. Mas ficou na dúvida porquê então ele não entrava e degustava os sabores de sua loja. Mas depois de muito pensar foi até o gerente e pediu que fosse feito as melhores e mais saborosas receitas para o dia seguinte.

  E assim foi feito. Quando o homem chegou a vitrine estava repleta como nunca, havia profiteroles com recheio de caramelo. Bolo de chocolate com recheio de Ganache. Torta de café com amendoim. Bolo de nozes com recheio de Buttercream. Torta de amêndoas, de ricota, de coco, de nozes. Rocambole de frutas vermelhas. E muitas outras variedades. O homem pareceu mais surpreso do que em outros dias. Sorriu satisfeito e ficou admirando com gosto. Veio o gerente e gentilmente foi até a calçada e convidou-o a entrar. Isidoro ficou feliz com o convite já que foi informado que consumiria por conta da casa.

  Sentou-se e degustou muitos sabores de tortas e doces. E ficou maravilhado. Elogiou tudo e foi anotando em seu bloco de notas. De longe, o dono da confeitaria se sentia muito feliz. Isidoro se despediu do gerente e disse que voltaria em momento oportuno.

  Ficaram todos apreensivos quanto a avaliação do suposto crítico gastronômico, mas no outro dia o homem não veio, e depois também não e ao cabo de um mês já não se lembravam mais do ocorrido, até que do outro lado da rua foi colocado uma linda vitrine e o dono e os funcionários da confeitaria ficaram tentando imaginar qual seria o comércio que se instalaria ali. Ficaram surpresos dois dias depois quando foi colocada um letreiro com o nome de uma confeitaria, foi feita a inauguração e do outro lado da rua Isidoro acenava gentilmente para o gerente e o dono da confeitaria.
Kelle Marinho
Enviado por Kelle Marinho em 08/04/2021
Reeditado em 08/04/2021
Código do texto: T7226912
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Kelle Marinho
Uberlândia - Minas Gerais - Brasil, 49 anos
58 textos (3396 leituras)
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Kelle Marinho