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O inesperado na festa

   O inesperado na festa



Luiz era um excelente mecânico da Cidade de Timbaúba-PE, pessoa por demais conceituada na naquela pequena cidade.
Luiz vivia feliz com seus três filhos e esposa e o casal se tornara desde cedo um símbolo a ser seguido.
Ele trabalhava de domingo a domingo a fim de dar uma melhor vida à sua família e sua freguesia já era bem acentuada e isso lhe proporcionava viver confortavelmente bem.
Em um determinado ano, bem no mês das festas juninas, Luiz e seu filho mais velho, Fortunato, foram convidados para uma noitada na casa de Alfredo, moço alegre, que costumava fazer a felicidade de alguns rapazes, mas jamais em sua casa, porque ele a considerava como sagrada.
Todavia, Alfredo em sua residência, embora falasse delicadamente ele lá era considerado e respeitadíssimo por todos e principalmente por seus empregados e entre eles se encontrava Janete, sua cozinheira, a quem ele muito prezava. Janete era uma morena muito bonita, olhos de amêndoas e com seus cabelos longos parecendo com os de Iracema de “José de Alencar”; quando ela se aprontava para sair, seu andar malicioso deixava os transeuntes a olhá-la por completo e a imaginar suas curvas e sempre tentavam conquistar aquela deusa.
A festa estava sendo muito comentada e todos somente aguardavam o dia “D” para que pudessem beber e comer à vontade, já que as festas proporcionadas por Alfredo havia sempre fartura.
Eis que chegara o grande dia almejado e os amigos de Alfredo lá estavam reunidos e dançando, conversando e principalmente bebendo e comendo bastante.
A felicidade reinava no local e eis que a tão famosa morena foi solicitada por Alfredo para que fizesse uns petiscos e ela ao passar com os petiscos já feitos em um grupo de homens, foi importunada por um de nome Félix, que lhe passou a mão, talvez por efeito do álcool ou simplesmente por não ter podido se controlar. Imediatamente, Alfredo foi em defesa de sua protegida e falou: Félix, aqui é minha casa e em minha casa jamais admito essa espécie de atitude, portanto, controle-se ou vou ter que pedir que você se retire de minha casa.
Qual é Alfredo, agora você vai querer dar uma de homem?
 Bem; minha casa é local sagrado, posso ser o que sou lá fora, porém aqui é diferente, agora estou pedindo que você se retire. Félix ficou fulo de raiva e os dois começaram a se agredirem verbalmente até que Félix foi expulso praticamente à força por Alfredo, mas antes de sair disse: eu vou me embora, todavia o primeiro que sair desta festa vai se lascar comigo, mas ninguém lhe deu atenção.Todos pensaram que ele falara sob o efeito da cachaça
Lá pelas 02:00h da manhã Luiz resolveu ir embora porque havia três carros para ser consertado naquela manhã. Deu bom final de festa para todos e se retirou, mal ele havia andado uns 30 metros deu de cara com Félix que lhe disse: eu avisei que o primeiro que saísse iria se lascar comigo, então vai ser você. Luiz disse: para de dizer bobagens, vamos embora. Félix puxou uma peixeira e partiu para cima de Luiz. Ele não estava acreditando no que via e tentou ainda dissuadir Felix da insanidade que estava a cometer, mas ele não lhe deu bola e tome peixerada, Luiz se esquivava, tome peixerada, Luiz se esquivava, mas uma conseguiu lhe atingir fulminante no abdome e Félix fincou com profundidade e em seguida deu-lhe mais duas. Luiz conseguiu andar uns dez metros e caiu ao tentar segurar em um poste.
Alguém que havia visto acena correu bateu na porta e disse: o homem que saiu daí agora foi morto com três facadas e seu assassino foi tranqüilamente embora por aquela rua e apontou a direção que Félix havia se dirigido após o crime.
Ninguém acreditou no homem e principalmente que alguém fosse capaz de fazer alguma maldade com Luiz, o qual era por demais querido na cidade.
Dois deles saíram para conferir e voltaram correndo e gritaram: mataram o Luiz, mataram o Luiz, vamos pegar o assassino. Então, alguém se lembrou das palavras de Félix ao sair e disse: só pode ter sido o Félix porque ele ameaçou que lascaria o primeiro que saísse.
Todos os homens correram, embora muitos não estivessem em condições devido o estado etílico e foi um corre-corre até que depois de uns cinco minutos pegaram o Félix.
Então, começou uma sessão de pontapés, socos, chutes em todas as direções do corpo do Félix que, ao chegar a polícia, já estava por completo espancado.
Carlos, o filho mais velho ficou desesperado, bem como toda a família que jamais esperavam um desfecho tão terrível para uma noite de alegria.
A maioria dos presentes ao velório achava que Félix deveria ser morto por Carlos e isso já estava se delineando na cabeça de Carlos quando um amigo da família o Eduardo, chamou Carlos em particular e lhe disse: deixa isso pra lá porque ele já é um homem morto, não vale a pena você perder sua liberdade com esse tipo de pessoa, até porque ele não vai viver muito, porque eu fiz o serviço perfeito.Daquelas pancadas que eu lhe dei, com certeza ele não vai se curar, portanto, não se preocupe, deixe o tempo passar e você verá que eu estou falando a verdade. Não perca sua liberdade. Carlos ouviu seu amigo e foi para casa chorar seu pai com seus familiares.
O tempo passou e após quatro meses foi realizado o julgamento, Félix entrou de cadeira de rodas porque não tinha condições de ficar em pé e teve que ouvir sua sentença sentado, porque não podia se levantar. Pegou 12 anos de reclusão, no entanto, lá não compareceu porque ele veio a falecer três meses depois do julgamento. Carlos então, resolveu ir para o Rio de janeiro a procura de melhores condições de vida e hoje trilha a mesma profissão do pai sendo também como o pai, uma pessoa por demais considerada no bairro e por sinal, um excelente mecânico, só esperamos que a história não se repita a mais de 2500km de distância, assim espero.


                                            Farick
Farick
Enviado por Farick em 16/11/2007
Código do texto: T740220

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Sobre o autor
Farick
Belford Roxo - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
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