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Assim foi o batizado

Assim foi o batizado


Tiago, Fernando e Maurício nasceram na mesma vila de São Vicente, brincavam juntos estudavam juntos na mesma escola e obviamente cresceram morando no mesmo bairro e entre eles floresceu uma amizade por demais sólida. Quando já estavam rapazes resolveram que namorariam somente moças do bairro e se possível da mesma religião e noivariam e casariam no mesmo dia.
Todavia, quis o destino que uma das moças não fosse católica, mas tal fato não impediu que eles noivassem no mesmo dia e fizessem uma festa comum aos três no mesmo local e tal fato foi uma exigência da família dos outro dois.
Dos três, somente Tiago, não era muito chegado à religião e raramente ele ia à missa e quando o fazia chegava sempre atrasado quando a mesma já estava preste a terminar e isso era uma vez em cada seis meses, de preferência a missa do galo no natal.
Marcaram o casamento para o mesmo dia,
Dois em uma igreja católica e outra em um templo evangélico, os amigos ao conversarem informalmente em comum se programaram para a possibilidade de terem filho possivelmente no mesmo dia. De modo que depois de um ano, os três amigos estavam com seus respectivos filhos, respectivamente: Tiago, o mais velho era pai de uma linda menina que ele iria batizar com o nome de Marina, Fernando o mais moço fora pai de outra linda menina que ele iria batizar com o nome de Evelyn Maurício fora quem tivera filho homem e o batizaria com o nome de Alexandre.
               Os preparativos estavam indo a contendo e corria tudo maravilhosamente bem até a chegada de um pároco à Vila de São Vicente, Andréa Gentile, italiano de muita tradição, era um verdadeiro padre ortodoxo que não aceitava qualquer espécie de modernidade em sua paróquia, logo as pessoas começaram a fazer oposição ao padre, no entanto ele havia sido o primeiro colocado nos estudo do Seminário e estava prestigiadíssimo pelo Bispo da Santa Sé local e as complicações começaram porque Tiago faltava sempre as reuniões que são feitas preliminares ao batismo e o padre Gentili enfatizava sempre: quem não fizer as reuniões não terá a criança batizada.
Já estava se aproximando o grande dia e a muito custo Maurício havia conseguido convencer sua mulher Djanira a batizar também seu filho na igreja católica e ela só aceitara após um acordo deles de Djanira poder voltar a fazer uma faculdade de literatura que era seu grande sonho de mulher.
Chegou o último dia de reunião e foi uma comissão de amigos e influentes da Vila falar com o padre Andréa Gentili na possibilidade de ele aceitar batizar a filha do Tiago sem as famosas reuniões – conversa vai conversa vem e o pároco na mais intransigência. Foi aí que Carlos deu a idéia de colaborarem com a reforma da igreja, a qual estava sendo a espinha na garganta do pároco e ele consentiu com a celebração, a menos que Tiago participasse da última reunião, a qual se realizaria na tarde daquele dia. Ficaram então acertado que Tiago viria para a famosa reunião. Então, foram todos para casa para terminarem os preparativos finais para o batizado que se realizaria no outro dia.
À tarde foram o Maurício e sua esposa Djanira, Fernando e esposa Juliana; vários outros casais se encontravam no local e ia ser um batizado de mais de vinte crianças.
A reunião começou e todos esperavam o Tiago, sua esposa Celeste se encontrava por demais aflita e, nervosa e pensativa porque o acordo havia sido quebrado. Já quase no final da reunião chega o nosso Tiago todo sem jeito e sorrindo feliz – sentou-se pouquíssimos minutos depois encerrou-se a reunião e todos foram para outra sala a fim de ser carimbado os papéis que atestavam que os pais haviam participado de todas as reuniões, porém antes teriam que passar pelo crivo do padre e era ele que dizia para a secretária quem ela podia carimbar ou não porque ele gravava a face de todos.
Então Carlos, um amigo comum, chegou perto do Tiago e disse: some daqui para que o padre não olhe para você e não se preocupe que dará tudo certo. Tiago sumiu na pista e após novo sermão do padre Gentili a secretária começou a carimbar os documentos e logo em seguida um momento de descontração com eles conversando informalmente e saboreando um refresco e salgadinhos feitos para a ocasião e foi nesse momento já previsto por Carlos que ele chamou três amigos e disse: levem o padre para outro canto e não deixe que ele olhe para aquele lado e falou para outras duas mulheres – tire a carimbadora do local e a levem para outra parte e não deixem que ela olhe para cá por uns três minutos.
Minutos depois o padre estava alegremente conversando sobre a vitória do Milan sobre a Fiorentina e fazia questão de enfatizar que o Milan estava com o melhor time dos últimos anos e que seria campeão até da liga da Europa. Carlos então, nervosamente abriu a gaveta e procurou rapidamente o carimbo e deu uma forte carimbada no documento do Tiago, só que o fez no sentido contrário e saiu do local rapidamente e voltou a se reunir com os demais dizendo que já estava tudo ok?
No outro dia bem antes de oficializar a primeira missa, o pároco reuniu todos os familiares com suas respectivas crianças para os preparativos da cerimônia do batizado e foi conferir um a um o documento carimbado e à medida que ele dava o carimba solicitava que o pai ou a mãe passa e para o outro lado com a respectiva criança.
Chegou a vez de Tiago e ele tranqüilamente entregou o documento carimbado ao vigário que o olhou, viu o carimbo em sentido contrário, olhou para o Tiago e perguntou: Quem foi que deu este carimbo? O Tiago no maior cinismo respondeu: foi o senhor mesmo, é porque estava um fila grande ontem e muito tumulto e o senhor o carimbou em sentido contrário. Aí o padre retrucou: Em toda a minha vida de vigário eu nunca carimbei qualquer espécie de papem em sentido contrário e não foi esse aí que carimbei> Mas, sempre existe a primeira vez, não é seu vigário?
O padre ficou desconfiado porque achava que o Tiago era exatamente a pessoa que faltara às reuniões, então, ele perguntou à queima roupa - Quantas reuniões o senhor participou?
E Tiago novamente com o olhar o mais cínico possível disse: eu participei de todas elas porque sou uma pessoa muito religiosa e não poderia faltar de jeito nenhum.
O padre não se convenceu da resposta e novamente falou: o senhor pode até me enganar, mas a Deus ninguém engana e, se for o caso, o senhor vai prestar as devidas contas com nosso bom Deus.
Mas padre – eu sou uma pessoa por demais temente ao nosso todo poderoso e porque eu deveria faltar às palestras?
Eu só sei que há alguma coisa errada e até ao término da missa eu saberei o que é e dizendo isso ele foi se paramentar para dar início a segunda missa do dia.
Durante a homilia, o padre falava e olhava para Tiago que cinicamente concordava com tudo que o reverendo afirmava e as pessoas não entediam a razão daquela insistência em enfatizar o logro que possivelmente estava ocorrendo em sua paróquia.
Após a celebração da missa todos foram para a ante-sala, local aonde se realizaria o tão esperado batizado.
E o padre foi novamente fazendo um duro sermão e após isso foi batizando criança por criança e no momento que chegou a vez do filho de Tiago, o reverendo olhou profundamente nos olhos de Tiago e disse: filho – o senhor perdoa todas as faltas e ainda está em tempo do senhor te perdoar e só o filho admitir que ele te perdoará.
Tiago, no maior cinismo respondeu: que isso reverendo – nós sabemos que o Altíssimo perdoa a todos os filhos e meu filho não é culpado de algumas faltas que eu possa ter vindo a cometer, mas com respeito ao batizado estou puro como um mel de murici.
Então o padre pegou a criança e batizou, depois disso foi só festa...

                                        Farick










                                     
Farick
Enviado por Farick em 16/11/2007
Código do texto: T740227

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Sobre o autor
Farick
Belford Roxo - Rio de Janeiro - Brasil, 70 anos
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