ADVÉRBIO

Cláudio nasceu saudável e bonito. O único porém foram as suas orelhinhas de abano. O menino recebeu logo o feio apelido de orelha de burro, mas ele tirou de letra. Nas brincadeiras com a criançada, soltando pipa, ele conviveu muito bem com isso. No colégio foi um aluno bom em Matemática, sua matéria preferida. Português não era seu forte. Por isso, sua mãe ajudava-o nos deveres de casa.

Num belo dia.

-Claudinho, estou falando para o vento. Você nem parece que está aqui ao meu lado.

-Mãe, já lhe falei. Não entendo nada, nada de advérbio.

-Filho, se você prestar a atenção, você entenderá. É muito fácil.

-Olha lá, mãe!

-O quê, menino?

-A pipa vermelha vai derrubar a amarela. Que legal!

-Pelo amor de Deus, meu filho! Prete atenção no dever!

-Não adianta, mãe. Esse negócio não entra na minha cabeça.

-Quer saber de uma coisa, Claudinho? Você para burro só faltam as orelhas!

-As orelhas eu já tenho.