INDECOROSAS CARTAS DE PERO VAZ DE CAMINHA
                                         
          As 13h00 do primeiro dia do mês de maio de 1500, Pero Vaz de caminha entornou mais um copo de “cachaza”, contrabandeada da Espanha. E totalmente embriagado, começou a escrever a famosa carta a Don Manoel,
Rei de Portugal.

“Mané...Quero dizer, Don Manuel, aqui, na recém descoberta Ilha de Vera Cruz, nome dado pelo safado do Capitão desta “nau”, escrevo para lhe contar que hoje vi mais de sessenta mulheres que andam totalmente nuas com seus cabelos lisos e pele bronzeada pelos Deuses, uma mais gostosa que a outra. Pero Vaz olhou para a garrafa de “cachaza”e engoliu mais um copo numa longa talagada. Tossiu, nacos de carne grudaram na carta, ele tentou limpar mas acabou sujando ainda mais.

— Pelos Deuses, que desmantelo. Mas, para quem vai a carta, tá de bom tamanho. Tentou levantar-se, rodopiou e caiu rolando pelo imundo chão do barraco.
— Praga, praga...!
          Com muito esforço sentou-se e continuou escrevendo a carta. “Colega Rei, pela manhã quando vi as mulheres peladas, tomei gosto e adentrei na mata fechada. A coisa de 20 metros encontrei três mulheres...fiquei paralisado com tantas bundas. Uma delas se aproximou e cochichou em meu ouvido”

— Te gustan las mujeres desnudas? (Você gosta de mulheres nuas)?
— Sólo si es ahora! (Só se for agora!) –respondí.
          “Rei, nao pode imaginar, claro, com a sua idade nada mais levanta, a tesão que deu em mim. Olhei para a terceira mulher e perguntei?”
— donde aprendió a hablar español ¿ (onde aprenderam a falar Espanhol?)
— aprendizaje por correspondencia de España. (aprendizado por correspondencia da Espanha.)
— Idios de los cielos, que ya está aquí? ( Deus do céu, isso ja tem aquí?)
— Também falamos portugués – disse a mulher acariciando Pero Vaz.
— Nossa, então tá tudo dominado. Vou pro abraço. Aprenderam Também por correspondencia?
— Nao. Aquí tem um bordel e viajantes do mundo inteiro param aquí.
— Bordel? Tá de brincadeira. Nao é a toa que a profissão é a mais antiga do mundo. Mas me conta, esta não é a primeira vez que estão vendo viajantes? Afinal nosso capital o Pedro Alvares nos disse que havia descoberto terra nova.
— E você acreditou?
— Claro, nao deveria?
— Tolinho, é mais uma jogada da corte de Portugal para passar a perna na Espanha.
— Se pintar uma CPI acho que o Rei cai – disse eu baixinho, quase inaudível.
— Que?
— Nada. Palavras incompreensiveis para uma India. Deixa para lá, apenas Pensamento torto. Vamos namorar…- disse eu entusiasmado.

           “Mané Rei, ja notou que o situaçao estava favorável a mim.nao é?
Excitado, nun instante me despi e abri os braços para as tres beldades.
— Que pensa que está fazendo, palhaço? – gritou a primeira mulher franzindo a testa.
— Ora essa, vamos…estão me entendendo nao?-respondí abrindo a barguilha.
— Quem nao está entendendo é você!- respondeu a mulher sinalizando dinheiro.
— Ah, não diga que eu tenho que pagar?
— Claro. Aqui nao trabalhamos com fiado, Só recebemos em ouro.
— Nossa, tem essa também?
— Tem.
— Olha só que espelhinho maneiro, é de voces - disse eu mostrando a peça.
— Tá achando que somos indias idiotas? Queremos um quilo de ouro.
          Rei, Fiquei avermelhado de oódio e afrontei para forçar o sexo:
— Se nao querem por bem, entao vão apanhar para aprenderem.

          Colega Rei, quando levantei a mão, sentí uma pancada latejar em minha cabeça. Olhei asustado, era o indio cafetão com varios capangas. Apanhei muito e ainda por cima me tomaram todo o ouro que carregava e minha roupas, fiquei nú. Ainda pude ouvir uma das índias pileriando:
— Pegamos mais um otário portugués…imagina o cara de pau querendo comer a gente de graça!
           Meses depois recebi uma carta, o rei estaba zangado, querendo que eu enviasse a tal da carta relatando o descobrimento do Brasil. Respondi, neste fim de mundo nao estava com cabeça para informar nada. Meses depois escrevi: “Prezado Rei, nunca pensei que as índias brasileiras fossem tão sádicas. Parodiando a letra de uma música que será tocada daqui a alguns séculos, sai cantando:”
─ Aquí no Brasil, Já me passaram a mão na bunda e ainda nao comi ninguém!



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Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 01/11/2015
Reeditado em 22/10/2021
Código do texto: T5434372
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