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A energia concentrada naqueles dois seres era de tal forma forte que os meliantes menos temerários não se conseguiam aproximar, sendo dominados por um medo inexplicável que os paralisava por completo. No telhado de um dos prédios circundantes à Escola encontrava-se um vulto que se movia de forma muito rápida, aparecendo e desaparecendo enquanto alguns flashes luminosos eram lançados para o ar.

- Querida, quero que ponhas aquela música do Caetano, aquela que eu adoro... a dos quasares...

- Eu conheço-a! - um sorriso matreiro, mais um daquela colecção inesgotável de sorrisos que nasciam do nada para iluminarem Diana, soltou-se - vamos andando meu lindo!

Enquanto isso, a Lua mostrava-se cheia, porventura com alguns lobisomens à solta ali perto. Enquanto isso os flashes de luz continuavam activos, suscitando o interesse de um cada vez maior número de pessoas!

- Já viram aquilo? - uma senhora parou no meio da estrada, provocando uma travagem violenta a um camião que não atropelou por milímetros - tão bonito que até dói!

Os dois meninos, tão amigos de alma que se amavam mais que qualquer pessoa ali à volta, seguiam, iam indiferentes àquele súbito ajuntamento, entrando no prédio de Diana. Ela apertou-lhe a mão direita e segredou-lhe algo que o fez sorrir!

Subiram, um andar e olharam para a parede de vidro que deixava avistar a rua. Era dia de novo e uma música entoava, entrando de mansinho pelos ouvidos de toda a gente...

«capte-me uma mensagem à toa...» ... César começou a chorar. Diana parou, olhou para ele e pegou numa lágrima. Desse gesto fez nascer uma pequena voz que lhes dizia:

«Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar»

De novo o Caetano a juntar o povo que se negava a ostracizar uma vida perdida em quezílias e guerras em que ninguém saía vitorioso...

- Anda meu querido!

Suavemente, como que embalados pela beleza de um momento que apetecia que fosse inesgotável, sentiram-se flutuar...

- Diana! Diana! Mas... - ele estava a mostrar um lado frágil, sublimado por um paraíso que se estava a desenrolar ali mesmo à sua frente

- Calma meu amor! Olha para cima!

- Um quasar? Um buraco negro?

- Apenas outra dimensão, onde além de tudo o que temos aqui, nos completamos e temos um mundo sem medo, sem o ódio circundante, a inveja que o próximo tende a ter pelo sucesso emocional do seu semelhante, um mundo onde não há dinheiro nem minorias que subjugam o próximo! -

Diana revelava-se um ser etéreo, vinda de outra galáxia, com a missão de levar consigo um espécime perfeito e após alguns milhões de anos, desde as bactérias, passando pelos invertebrados, dos oceanos profundos, dos céus azuis ou negros de violência, dos bonitos, dos feios e dos freios que todos punham na sua existência de aparências. Ei-lo, um homem perfeito que a amava com todo o seu ser, que já tinha feito amor com ela das mais variadas formas sem sequer lhe ter tocado no corpo. Claro que a opinião dele ainda não era a mesma, mas isso seria facilmente corrigido numa dimensão paralela. E ela aprendera a amá-lo quebrando todas as correntes, todas as directivas impostas pela sua civilização mais que avançada. Tinha apenas como única vitória levá-lo para uma dimensão onde o mau sentido dado às coisas estava posto de lado...

- Amo-te mulher de sonho!
- Também te amo meu humano maravilhoso!

«De um quasar pulsando loa»... ao som do Caetano desapareceram desta dimensão, num beijo intenso, num abraço bem apertado...

...dizem que andam numa dimensão paralela e que a felicidade que os rodeia é algo de normal!

- Mas temos de morrer para obter isso?

FIM


*estão aqui excertos de letras de Caetano Veloso: «Rapte-me Camaleoa» e «Eu sei que vou te amar»
Manuel Marques
Enviado por Manuel Marques em 07/09/2007
Reeditado em 08/09/2007
Código do texto: T642818

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Sobre o autor
Manuel Marques
Espanha, 45 anos
548 textos (59028 leituras)
50 áudios (13973 audições)
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Manuel Marques