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O nascimento de Sabrina

O nascimento de Sabrina

Minha vida estava sem sentido nos ultimos meses. Todos os dias eu pensava em como seria bom mudar daquele lugar que me trazia lembranças tão ruins. Eram os fantasmas da minha história que teimavam em grudar nas minhas incertezas de menina.
Os dias estavam maiores e as noites curtas demais pra quem gostava de vive-las. As estradas haviam sido construidas a pouco tempo daquele lado do rio e os moradores inventavam lendas e maldições ao longo do seu percurso. Nada de novo ou imprevisto acontecia naquele mundo. Os povos evoluiam as suas vidas duras com inventos estranhos, mas uteis e dedicavam-se cada vez mais a entender sua espiritualidade.
Não se vivia muito naquela época, mas algumas mortes estranhas estavam intrigando a população que já falava em vingança e guerra. Cinco jovens haviam sido assassinados estranhamente, entre eles duas moças filhas do sr. Tomás, o dono da maior parte das terras por ali. Inicialmente pensava-se serem os lobos, pois estavam em época de penha, mas a hipotese foi descartada quando os caçadores da regiao dizimaram os pobres lobos numa tarde ensolarada e fria e os assassinatos continuaram. Fez-se um mar de sangue em torno dos bichos amontoados e magros, as moscas já tomavam conta do ambiente e os carniceiros sobrevoavam a montanha desesperados, tentando afugentar toda aquela gente que se aglomerava na volta de sua futura comida. Algumas mulheres relataram que seus filhos foram atacados pelas aves sombrias enquanto jogavam pedras nos lobos que ainda ganiam tentando sobreviver aos ferimentos. Uns diziam que os caçadores seriam punidos pela carnificina e outros elogiavam o feito macabro. Eu apenas assistia tudo de longe e observava meu pai e sua face rude com um leve sorriso de satisfação ao ver o amontoado de cadaveres espalhar enjoo por entre as moças.
Era apenas mais uma noite sem muito sentido em que eu costurava alguma camisa de meu api perto do fogo, quando ouvi os gritos de Lesth na floresta. A principio tinha certeza de que não passava de alguma brincadeira insana com a nossa vizinha que dava qualquer coisa pra casar com o jovem e belo Lesth, mas os gritos passaram de simples escandalo a pavor e me fizeram tremes dos pés a cabeça depois de alguns minutos. Larguei a camisa branca recém lavada sobre uma das mesas da cozinha, que pro meu azar ainda estava engosdurada do jantar. Saí porta a fora segurando o vestido que teimava em enredar nos meus sapatos velhos sem dar muita importancia pro fato de ter que lavar a camisa novamente e peguei um pedaço de lenha cortada naquela mesma tarde pra ser meu escudo contra um possivel assassino ou lobo que tivesse escapado da matança na semana anterior.
Lesth dera apenas mais um grito depois desta cena, mas foi o suficiente pra que eu identificasse a direção em que ele estava. Corri o maximo que pude pra tentar salvar meu amigo, mas cheguei tarde demais e encontrei apenas o seu corpo estendido no chão, pálido e já quase sem vida, contorcendo-se involuntariamente. As roupas estavam rasgadas na altura do entomago e sua pele estava com marcas de unhas afiadas e mordidas estranhamente leves, como se o assassino não quisesse comer sua carne e sim algo mais superficial. Não havia nenhum sinal de sangue nos eu corpo ou nas feridas, era como se o sangue tivesse sido drenado por alguma coisa ou alguém.
Aproximei-me de Lesth pra tentar ajuda-lo, mas seu corpo já estava estagnado e não pude fazer nada pra solucionar a sua falta de vida. Meus pensamentos foram interrompidos por barulhos que vinham da floresta, eram urros de alguém muito irritado e estavam muito perto de mim. Olhei em volta, com o toco em punho, assustada com um possivel ataque da coisa que havia matado Lesth e respirei aliviada ao constatar que não havia nenhum sinal de vida por perto. Juntei as coisas de Lesth que estavame spalhadas pelo chão uns vinte metros floresta a dentro. Com toda a certeza ele lutara pela vida e conseguira escapar algumas vezes do seu assassino antes de ser ferido gravemente no estomago.
Apesar de chocante, aquela cena da morte de Lesth não me surpreendeu e não me desesperou. Eu sempre imaginei que Lesth morreria pelas mãos de meu pai com a mesma violencia ou talvez até mais do que agora. A morte não era novidade pra mim e Lesth, mesmo sendo meu amigo desde a infancia, não fazia parte da minha vida há alguns anos, desde a morte de nossas mães numa batalha por terras entre as nossas familias. Meu pai me proibira de falar com os vizinhos e Lesth não fazia muita questão de desafiar as ordens de um homem forte de bebado.
Tinhamos a mesma idade com apenas alguns dias de diferença, eu nasci no dia 21 e ele no dia 24 do mesmo mes. Nossas familias se conheciam há muitos anos e cultivavam uma amizade muito forte, o que nos aproximou muito. O grande sonho de nossas mães era que nos casassemos, mas isso nem passava pela nossa cabeça infantil. Queriamos brincar e bagunçar pelo mato como dois moleques desorientados, e confesso que ele me parecia um belo moleque desorientado naqueles tempos. O tempo passou e crescemos rapido demais ao nosso ver. Alguma coisa estranha acontecia com a gente quando nadavamos no rio ou rolavamos pela areia, um constrangimento e um calor tomavam conta da nossa mente e podiamos sentir a respiração ofegante um do outro perto do ouvido. As risadas já não acabavam em cutucões e gritos exagerados, mas em meios-sorrisos timidos que ocultavam os nossos desejos. Nos afastamos quando ele foi aprender a escrita na cidade e eu tive que ficar e cuidar de minha mãe que estava gravida.
Meus pais chegaram a Liubliana em 1719 quando a cidade ainda fazia parte do Imperio dos Habsburgo e estabeleceram-se numa pequena faixa de terras doada, junto com outros imigrantes. Meu pai era de alguma parte da Europa Oriental e vivia do comercio ambulante e minha mae era escocesa, filha de um nobre falido que tentou vende-la varias vezes. Os dois se conheceram na Escócia, enquanto meu pai procurava por um suposto irmão desaparecido, e fugiram pra Liubliana.
As coisas nunca foram bem depois que meu pai largou o oficio de vendedor e passou a cuidar da familia, minha mãe nunca tinha trabalhado mas era letrada o que ajudava na economia da familia vez por outra. Viviam do que conseguiam tirar da trerra quando clima ajudava e de alguns trabalhos de carpintaria que meu pai fazia esporadicamente.
A única fonte de água nas redondezas era uma nascente da divisa das terras de meu pai e do pai de Lesth. A principio a água era dividida e não havia nenhum tipo de restrição ao seu uso e a amizade entre as duas familias ficava cada vez mais forte, mas um dia alguém poluiu a nascente e a água não pode ser usada por meses. Foi ai que as acusações começaram e as brigas arruinaram a amizade dos casais. Eu já tinha 14 anos e Lesth estava estudando na cidade que ficava alguns quilometros dali, minha mãe estava gravida de 6 meses e quase não levantava da cama com dores horriveis nas costas.
Durante a noite ouvia-se o barulho das marretas cravando estacas na volta da fonte e os gritos dos cachorros desesperados com a invasão. Meu pai acordava e mais uma briga começava. Todas as noites a mesma coisa, ate o dia em que o velho Cameron matou nosso cachorro a pauladas. Papai ficou furioso e no meio da discução acertou vários socos e pontapés no sr. Cameron que revidou bravamente na mesma intensidade. Estavamos, eu e mamae, em casaassustadas com a cena quando ela resolveu apartar a briga. Me escondi stras do monte de lenha perto da porta da casa e observei tudo. Mamae meteu-se no meio dos dois homens e acabou levando um soco no estomago, caiu rapidamente desacordada e meu pai ajoelhou-se implorando pra que ela acordasse enquanto o sr. Cameron erguia as mãos a cabeça e murmurava algo parecido com ‘eu não vi que era ela J, eu não vi’.
Mamae morreu algumas horas depois com um grande sangramento e meu pai culpou o sr. Cameron por sua morte e jurou vingança. Aquela mlher era tudo para ela e tinha a certeza absoluta de que ela esperava o filho homem que os dois tanto queriam.
A sra. Cameron era muito jovem, casou-se aos 13 anos obrigada pelo pai, pois estava gravida de Lesth que não era filho do sr. Cameron por quem nutria um grande carinho que era retribuido com uma paixão obsessiva. Ela tinha cabelos ruivos encaracolados que reluziam num balé frenético ao vento sob a luz do sol do fim de tarde enquanto cantarolava e apanhava as frutas do pomar. Foi numa destas tardes que meu pai abordou-a no pomar, duas semanas depois da morte de mamae. Ele parecia calmo, ao contrario da sra Cameron que rapidamente tentou esgueirar-se no meio das arvores, em vão pois a cesta que carregava lotada de frutas era grande demais e acabou derrubada no chão espalhando as frutas pelo pomar. A sra. Cameron ajoelhou-se rapidamente tentando esconder o medo, apanhando as frutas maduras espalhadas e falando incansavelmente que sentia muito por tudo.
Papai aproximou-se sem saber que eu o tinha seguido e observava tudo escondida numa das arvores do pomar. A voz acostumada a cantarolar belas cantigas da sua origem foi calada com uma faca em seu ventre, ouviram-se apenas os suspiros ofegantes da morte brotando da boca fina e larga. Eu só pude levar a mão até a boca pra calar o meu grito e conter o vomito que tentava escapar do meu estomago ao ver o sangue daquela linda mulher escorrer por entre as frutas maduras espalhadas pelo chão.
Agora Lesth estava ali, caido ao chão, falecido, inerte e palido. E as lagrimas rolavam pela minha face sem a menor cerimonia, sem aviso ou sentido, procurando na minha pele o calor que não existia no meu peito. Mais uma morte emminhas costas que já não se importavam com o peso das desgraças. Eu amava Lesth com todo o meu coração, com toda a minha existencia e com toda pureza possivel do meu corpo.
Não sei se foram as ideias anormais na minha mente ou as angustias que me perseguiram dali em diante, mas eu sabia que a partir daquele momento nada seria com antes. Eu sabia que tinha feito algo que iria mudar meu caminho eternamente, mas não podia imaginar o que Ele havia planejado pra mim.
Via nos olhos de meu pai a angustia e não sabia o porque, mas os anos pareciam pesar no seu corpo parrudo. Após o enterro de Lesth meu pai me abraçou e disse que tudo iria ficar bem, que nada mais iria me machucar, mas eu sabia que não iria ser assim. Ele pegou minha mão e beijou-a dizendo que mais tarde me encontraria em casa, virou as costas e foi em direção ao sr. Cameron, pra minha surpresa os dois abraçaram-se e seguiram caminhando lado a lado em direção a cidade.
Eu estava juntando os restos de comida para dar aos animais enquanto meu pai bebia os ultimos goles e ria da propria sombra no chão da cozinha. Vi um vulto perto da porta e corri para ver queme ra, mas não vi nem ouvi nada além do vento assubiando gelado nos meus ouvidos desprotegidos. As arvores balançavam freneticas ao som da musica antural concebida pelo inverno rigoroso que instalara-se naquela semana nublada. Não se via um raio de sol ha dias e as noites eram cada vez mais tempestuosas o que trazia muitas pessoas perdidas até a nossa porta durante as madrugadas. Acolhiamos todos os viventes de bom grado, davamos comida e abrigo do frio até o dia nascer e as estradas ficarem visiveis novamente. Meu pai sempre dizia que não se devia negar abrigo a ninguem, fosse quem fosse, que a floresta era traiçoeira e que não deviamos deixar nossos semelhantes a merce da sorte. Eu sempre ria quando ele falava isso pois ele me parecia tão cruel, mas nesta noite eu conseguia enxergar além da teimosia e da crueldade dele e entender a preocupação que ele tinha com o resto das pessoas.
Já havia levado o velho J pra cama e estava deitada, coberta pela colcha de retalhos de mamae conversando com o urso de pano que ela fez-me aos 3 anos de idade, sentindo-me a criatura mais tonta da face da terra por fazer aquilo. O pobre estava rasgado e sua polpa saltava insistentemente pra fora como se quisesse fugir do apertado casulo em que estava protegida, tentei varias vezes costura-lo, mas as costuras sempre arrebentavam e sua polpa continuava tentando escapar.
Ouviram-se tres batidas na grossa porta de madeira desenhada infantilmente por mim e pintada com varias maos de tinta escura que tentavam, em vão, esconder os desenhos cravavdos na sua origem. Ergui-me, sem muita vontade, e caminhei lentamente até a porta perguntando quem era.
A voz do vivente era fraca e tremula e parecia esgasgada com algum tipo de pano enquanto pedia por ajuda. Abri a porta e pro meu espanto vi Lesth encostado no marco tentando erguer-se com o resto de suas forças. Puxei-o pra dentro e cobri-o tentando aquece-lo, mas meus esforços pareciam não adiantar absolutamente nada. A pele continuava fria e suas mãos e labios possuiam um tom de roxo escuro que começava a tomar conta da volta do s seus olhos castanhos. Ele erguia as mãos na minha direção pedindo algo que eu não conseguia entender, sussurrava alucinações com sua mãe e pedia desculpas pela sua existencia ser tao inutil pra mim a ponto de eu não querer estar ao seu lado. Nada poderia ter me deixado mais confusa e feliz do que a aparição de Lesth naquela noite a não ser o que ele acabara de dizer-me.
Lesth estava muito fraco e nem me atrevi a perguntar o que havia acontecido com ele, afinal eu tinha visto o seu corpo morto na floresta, havia tentado reanima-lo varias vezes sem sucesso e tinha ido no seu enterro naquela mesma tarde. Eu sabia que ele estava morto, tinha certeza absoluta disso, mas não sabia explicar quem estava ali na minha frente, dentro da minha casa tremendo e pedindo ajuda. Nada fazia sentido e tudo parecia mais um dos tantos sonhos estranhos que pareciam reais. As ruas sempre escuras e as pessoas sempre sombrias, os meus passos sempre imperceptiveis e as risadinhas espalhadas pelos becos caladas com suspiros de dor, a procura de algo que nunca encontrava, minha mãe me chamando, meu pai fugindo de mim e aquele homem de capa escura que sempre me esperava perto do lago. E quando eu conseguia finalmente alcança-lo eu acordava das interminaveis noites em que eu me debatia na cama improvisada no canto da cozinha . Eu sempre acabava dormindo ali pois tinha medo do escuro do meu quarto e na cozinha a luz da lua penetrava pela janela, mantendo o recinto sempre na penumbra.
Ajeitei Lesth, pus sua cabeça em meu colo e me recostei contra a parede para não deixa-lo sozinho. Finalmente o pobre parou de gemer e adormeceu apertando o meu dedo. Eu também adormeci algum tempo depois pois estava muito cansada e confusa com tudo.
Sonhava com minha mãe sentada na beira da minha cama com a mão no meu rosto, me chamando, dizendo pra mim fugir, pra correr e me esconder na floresta o mais rapido possivel quando ouvi um estrondo vindo do quarto de papai. Lesth não estava em meu colo e a porta da casa estava aberta deixando o vento penetrar e sacudir as cortinas puidas e os meus cabelos desgrenhados. Estava convicta de que papai tinha ferido Lesth e fugido porta a fora.
Pulei da cama e corri pro quarto a tempo de ver Lesth segurando meu pai desacordado nos braços e uma jarra estilhaçada no chão. Lentamente ele pousou o corpo no chão e ajoelhou-se cobrindo as extremidades da boca com as mãos, como se quisesse conter algo que insistia em sair por entre seus labios. Eu só segurei as mãos contra o estomago e deixei que uma unica lagrima rolasse dos meus olhos antes de perguntar a Lesth porque ele estava me machucando. Lesth virou-se pra mim com a face palida porem recomposta, nutrido de todas as suas forças, seus olhos castanhos tomados por duas esferas negras fixaram-se nos meus e como por encanto eu fui atraida pra perto do seu corpo. O ferimento do seu estomago havia desaparecido e um pequeno filete de sangue escorria do canto esquerdo dos seus labios enquanto ele passava a mão suavemente pelo meu rosto secando a lagrima que me escapara dos olhos. Eu daria tudo para beija-lo, mas algo o fez parar e fugir, mal pude ver sua sombra esgueirar-se pelo vão da porta, quando dei porm im estava sozinha no quarto com o corpo de meu pai esticado no chão. Meu coração batia acelerado, eu havia presenciado mais uma morte de alguem querido e cai ajoelhada ao lado de meu pai, questionando a existencia do bem.
Não percebi a aproximação de alguem, só vi que não estava mais sozinha quando ouvi o barulho da espada cortando a cabeça de meu pai, vi um filete de sangue escorrer do seu pescoço que agora jazia separado do resto do corpo. Ergui a cabeça e vi Uncas pela primeira vez, uma noite após a morte de Lesth.
Uncas Monroe, sim este é o nome do meu destino e da minha tortura diaria. Uncas não era conhecido na cidade mas já tinha passado por aquelas terras antes do inverno de 1745. Era um homem alto e alvo com longos cabelos negros e labios finos e bem desenhados logo abaixo de um nariz possante e bem definido. Tinha o rosto comrpido combinando perfeitamente com o corpo esguio e sustentava uma enorme capa escura que estendia-se ate o meio da canela. Suas feições eram orientais e denunciavam uma fuga de sua terra natal.
Uncas pegou-me pelo braço e ergueu-me dizendo que eu não devia me importar com aquele homem, que tudo estava sob controle e que já estava na hora de eu perseguir o meu destino fosse ele qual fosse, que tinha levado muito tempo pra me encontrar e que agora tudo ia ficar bem. Ele me abraçou e eu apenas conservei meus braços esticados rente ao corpo e as pernas meio dobradas como se carregasse todo o peso do mundo nas costas, pude ver Lesth por cima de seu ombro e senti uma dor aguda perto da nuca. Não vi mais nada além do teto da casa a minha frente e o vulto de Lesth me chamando.
Sombra Frenética
Enviado por Sombra Frenética em 22/09/2007
Código do texto: T663119

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Sobre a autora
Sombra Frenética
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 32 anos
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