Meu protetor


Estávamos no nosso fio de luz, olhando para baixo esperando a comida chegar. Era sempre naquele horário. Eles sempre vinham e sentavam no banquinho de praça e nós iriamos nos alimentar.
— Que demora! dizia Bibi, coçando as penas, provavelmente estava com alguma coisa lhe incomodando.
Eu olhei para o horizonte, em meio aos arranhacéis era possível ver, o sol a tardezinha estava levando ele embora. Sentia o ventinho frio provavelmente iria chover.
Bibi olhou para baixo, e já foi voando. Eram eles!
Naquela pracinha cheia de bancos, o banquinho daquele casalzinho era o mais visitado pelos pombos daquela capital.
Os dois velhinhos de mãos dadas, deram um beijinho, abriram a sacola, tiraram a ração de pombos e jogaram.
Uma infestação de aves logo surgiu. Entre tantas penas e plumas estava eu também se alimentando.
Mais uma mãozada de ração, e mais uma briga saudável de pombos procurando todos os pedacinhos possíveis daquele alimento entre os tijolinhos da calçada.
Foi atrapalhada. pelo dono da banca de revista que espantava os pombos, os velhinhos voltaram a sua caminhada, a tardezinha estava quase acabando, voei de volta, iria garantir o lugar no telhado da catedral. Cedo ficaria no alto esperando aqueles generosos velhinhos que com certeza, no outro dia estariam naquele banquinho da praça, trazendo o alimento fácil que tanto nos agradava.
No outro dia veio somente o velhinho, a velhinha não estava com ele. Parecia triste, neste dia ele exagerou na ração. Nem o dono da banca de revista veio se incomodar com ele.
Entre tantos pombos comendo de modo veroz, senti a necessidade de ir perto dele.
Ele fez um sinal pra eu ir comer na mão dele.
— Eu pensei! Será? Ele insistiu. enquanto todas aquelas pombas se degradiavam pela ração na calçada eu voei e pousei na mão dele, dei uma e duas bicadas, ele quase fechou a mão, eu me assustei e deu uma revoada. Numa árvore. Certo, era perigoso.
Ele pegou mais uma mãozada de ração jogou para outro lado, e os pombos foram naquela direção.
Ele abriu a mão, com aquela ração deliciosa. Era irresistível, ele fazia sinal, eu uma pombinha branca, morrendo de medo e de desejo de se alimentar, fui parar na mão daquele velhinho.
No outro dia fui perdendo o medo, ficando cada vez mais mansa.
Enquanto todos corriam comer as migalhas que sempre acabavam dentro de algum vão na calçada.
Eu ia direto da mão daquele bom senhor que todos os dias era fiel de tarde e noite na nossa pracinha.

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Waldryano
Enviado por Waldryano em 19/06/2019
Reeditado em 22/07/2019
Código do texto: T6676763
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