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O Vilarejo Superno - Miescere

                "Os que descendem de duas raças carregam as marcas,
                  os valores, os poderes e o imprevisto destino de sua
                                                 miscigenação".

                                  O Aparecimento das Luzes

Estava quente. O Vilarejo Superno estava calmo e vazio. Eram dias acalorados e gélidos durante o amanhecer e o fim da noite. As copas das árvores farfalhavam inutilmente. Aquela noite estava sendo diferente de todas as outras. O calor estava estranhamente em pico ainda. Um homem correndo desajeitadamente com uma sacola nas mãos entra na casa e fecha a porta.

Na casa defronte uma mulher gritava à beira do parto. Estava molhada de suor, com poucos panos cobrindo seu corpo. Enquanto outra mulher, vestida de branco, a auxiliava no parto. Os gritos eram sufocantes, traziam consigo a dor e a preocupação.

- A luz precisa aparecer. – sussurrava de quando em quando.

Seus dois filhos anteriores foram abençoados pela luz. Não poderia ser diferente agora. O que faria o marido se a luz não aparecesse? Temia conhecer tal possibilidade.

- Força Alba. O estou sentindo. – disse a parteira.

Alba sabia o que estava acontecendo, o calor potente e devastador, sabia que geraria um maledictus. Porém, surpreendeu-se, quando tudo esclareceu, o quarto foi invadido pela luz branca, tudo brilhava a seu redor, podia sentir a luz vinda de Coelum e o alívio refrigerador que sentia. Cerrou os olhos, respirou fundo e contraiu com toda a força que lhe restava. Naquele momento, o calor retornou ainda mais forte que antes, notou a luz branca ser destituída pela luz vermelha. A luz de Sordidum. Usurpando a felicidade de seu rosto, foi ficando assombrada e seus olhos foram fechando lentamente, e ao som do choro do seu bebê, os seus olhos, por fim, fecharam.

Foi desperta pelos gritos do marido. Titus estava inconformado. Não poderia suportar aquela situação. Alba desesperou-se logo ao despertar. Notou que seu medo havia se concretizado.

- O que é? – disse baixo.

- Uma menina. – a parteira respondeu, preocupada.

- Uma desonra. Uma desonra dupla! – gritou Titus.

- Deixe-me ver minha filha. – pediu Alba estendendo a mão.

Ao receber sua filha nos braços subitamente colocou a mão à boca. Sufocando sua perplexidade. A menina carregava os olhos azuis opaco. Olhos sem vida. Porém, Alba não temeu, passou a mão por todo o rosto de seu bebê, abriu os panos e notou seu corpo perfeito. E chorou copiosamente.

- É linda minha filha. – disse por fim.

- É uma aberração. – contrapôs Titus.

Alba o olhou nos olhos e severamente lhe disse:

- Jamais volte a chamar minha filha por este nome. Ela foi abençoada pela luz. Não é uma aberração.

- Eu vi a luz vermelha, senti. É uma maledictus.

- Não é. – convicta.

- Como pode? Eu vi a luz verme...

- Mas houve a luz divina. – interrompendo-o. – Eu sei o que minha filha é. E você deveria saber também.

Titus levantou a mão para que Alba se calasse. Detinha o conhecimento, porém não queria admitir. Mais uma em sua família! Não era possível que os anjos haviam lhe pregado essa peça.

- Nós vamos ao Angel amanhã pela manhã. – acalmando-se. – Até lá, ninguém terá contato com a criança. Somente você. Preciso de respostas.

Ao sair e fechar a porta. A parteira veio de encontro a Alba e estendeu a mão. Ajudou-a levantar e encostar-se, ligeiramente arrumou a cama e trocou os lençóis. E deitou Alba novamente. Alba acomodou-se ao leito para alimentar sua filha. Admirava-se com a potência da sucção.

- Detém força, beleza... – e entre lágrimas declarou: – Irá se chamar Cicely.

- Um nome lindo Alba. – disse sorrindo.

Após arrumar todos os seus apetrechos, lavar-se no quarto de banho e ajeitar sua vestimenta. Retornou ao leito de Alba e mirou-a. Sorriu.

- A luz divina foi mais forte. Sabemos o que houve e o que está por vir. O importante é saber qual o lado seguir. Que Coelum lhe proteja minha amiga. – passando a mão pelos cabelos de Alba.

- Obrigado Diva. – sorrindo de volta a sua amiga.

Batista Andrade
Enviado por Batista Andrade em 01/11/2019
Código do texto: T6784591
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Batista Andrade
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 26 anos
185 textos (6441 leituras)
4 e-livros (114 leituras)
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Batista Andrade