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O Vilarejo Superno -As Recomendações do Oráculo

O amanhecer foi reconfortante. O vento soprava às árvores e o vilarejo voltou ao clima natural. Eloy, o boticário, estava muito atarefado naquele dia, pois tinha muitas pessoas para medicar. Por sorte, havia contado com a ajuda de Diva na noite anterior, pois não poderia ter feito o parto de Alba. Estava na casa dos Milagros, tratando de Chiara. Seu estado físico não estava bom, sempre com tonturas e fraqueza. Acalmou-se por poder utilizar uma erva muito poderosa e difícil de ser cultivada. Que aos poucos foram fazendo efeito e trazendo cor ao rosto de Chiara.

- Como se sente Chiara? – disse Eloy entrando no quarto.

- Agora me sinto muito bem. Um pouco fraca, é verdade. Mas estou bem.

- Que ótimo. Passarei nos Massimos para ver a pequena Cicely e depois irei buscar mais uma dose de erva para você.

- Diva nos presenteou com esse recado. – disse animada. - Nome lindo que a Alba escolheu. Vou poder sair de casa quando para visitá-la?

- Coma bastante agora pela manhã e no início da tarde. Se sentir-se forte o bastante pode ir ao fim da tarde, se o tempo permanecer como está. E não esqueça que a noite deve banhar-se novamente com as ervas que trarei. Amanhã estará cem por cento.

- Muito obrigado Eloy. Vou seguir todas as suas recomendações.

Eloy saiu pela porta da casa e dirigiu-se ao outro lado da rua, bateu a porta e não houve resposta. Bateu novamente e não obteve sucesso. Desistiu e foi de encontro a sua casa, fora das ruas do vilarejo. No início da mata já se avistava a casa de Eloy. Ao adentrar confessou a Diva que estranhou a ausência de Alba e sua família naquele dia, a pequena havia acabado de nascer.

- Titus resolveu levá-la a Angel. – disse Diva.

- Mas por qual motivo? – intrigou-se. – Há anos não se vai ao oráculo após nascimentos.

- Cicely tem olhos azuis e... Opacos.

- Por Magnus! – exclamou sentando-se.

- E a casa foi tomada por luz branca e vermelha.

- Não creio? – assustou-se e levantou abruptamente, dirigindo-se a Diva. – Farei nosso chá. Preciso ser atualizado.

Titus estava conduzindo a carroça. Alba, os gêmeos e Cicely estavam sentados atrás. A viagem foi feita em silêncio total. Após sair das vias do vilarejo e subir o pico chegaram ao templo do oráculo. Foram recebidos por uma moça vestida de branco, com os cabelos longos trançados. Os acomodou na saleta e ia saindo para chamar Angel, porém foi interrompida pelo mesmo.

Angel adentrou a saleta procurando-os, como se os estivesse esperando. Levantou suas mãos para que ninguém falasse nada. Sua euforia foi diminuindo a chegar perto de Alba. Agachou-se e estendeu sua mão. Alba um pouco amedrontada desatou uma das mãos de Cicely das vestimentas e a pousou sobre a mão de Angel. Que no mesmo instante recebeu uma descarga de energia fazendo-o cair ao chão.

Assombrado e maravilhado ao mesmo tempo, recompôs-se e retornou a segurar a mão de Cicely, agora com mais força. Sorriu com a descarga de energia.

- O poder toma conta do ser. – eles puderam ouvir.

Os gêmeos não entendiam como podiam ouvi-lo se ele não abriu a boca para falar. Ficaram curiosos e questionaram em uníssono:

- Pai, ele não abre a boca para falar?

Titus não respondeu, apenas ralhou-os para que ficassem quietos. Angel os fitou e as crianças baixaram a cabeça. Mas puderam ouvi-lo novamente.

- Pequenos geminae, nossos corpos são capazes de maravilhas. Vocês irão ter a prova dessas palavras ao longo de suas vidas. Os poderes dos corpos, às vezes, não bastam para um único ser.

- O que isso quer dizer Angel? – questionou Titus.

- Protetor Tiziano, os seus filhos serão capazes de maravilhas. Sua filha detém cuidados. O início de vida será instável, mas viverá. Seus olhos, assim como os meus, jamais terão a visão comum. Mas serão capazes de ver muito além. Os cuidados deverão ser tomados nos momentos de intensos sentimentos, pois como uma miescere o controle não é natural. – fitando os olhos de Titus.

Alba e Titus temiam ouvir essa palavra. Sabiam que sua filha detinha um grandioso poder, mas também o temiam com a mesma intensidade. Sabiam de muitas coisas que aquela pequena menina poderia ser capaz de realizar, mas não imaginavam os poderes que detinha.

À volta para casa foi ainda mais silenciosa, todos pensando nas coisas que o oráculo disse. Já na estrada, longe do pico, Titus avistou um senhor, de meia idade, distante fazendo sinal que ele parasse. Alba sentiu Cicely esquentar. Colocou a mão em sua testa e concretizou a febre, os gêmeos se arrepiaram ao mesmo tempo. Assim que a carroça parou Alba encantou-se ao ver que os olhos de Cicely estavam brilhando. Um tom roxo de neon claro, como se aquele brilho saltasse para fora dos olhos de Cicely, o homem que os fez parar no mesmo instante sentiu-se paralisado. Estava com uma das mãos para trás, mas não pode movimentar nenhuma parte do corpo. Com muito esforço esboçou:

- Perdoe-me... Não quis distraí-lo...

- Imagina amigo, posso te ajudar? – disse Titus solicito.

- Não... – expressando dor. – Pode seguir... Amigo.

Titus estranhou, porém não quis contradizer e seguiu viagem. Quando se afastaram daquele homem os olhos de Cicely e sua temperatura voltaram ao normal. Quando se sentiu livre novamente, o homem soltou com fúria o braço das costas deixando uma adaga cair de sua mão. Completamente irado.

- Só pode ser um feiticeiro. Um bruxo, talvez. – pensou um pouco e considerou. - Eu não vou ficar no prejuízo.

Dito isso, saiu em mesma direção que a carroça de Titus e sua família.

Ao adentrarem em sua casa Alba notou que foram visitados. Sentiu cheiro de um homem adulto, estatura mediana e familiar.

- Eloy esteve aqui. – lançou no ar.

- Sentiu-o? – questionou Titus.

- Sim. Esteve há algumas horas. Vou até a casa dele após o almoço.

- Não leve os gêmeos. Iremos treinar hoje à tarde.

- Por favor, Titus, não pegue pesado com os meninos. Eles ainda são muito novos.

- Quando eu tinha três anos já carregava lenhas nas costas para flexionar os músculos, esses garotos só sabem correr o dia todo. Irão começar o treinamento, precisaremos de todos nós em perfeitas condições para protegermos nossa menina.

- Ah meu querido! – emotivamente.

Chegou próximo ao seu marido e lhe beijou a face. Ao troco de receber um carinho nos cabelos e ver seu marido beijar a testa da pequena em seus braços.

O homem da estrada chegou ao vilarejo. Sentiu grande desconforto durante a entrada principal. E Logo ao início do Vilarejo colocou a mão em sua cabeça, mexeu nos cabelos e acentuou:

- Muitos poderes. Muitas energias. Que lugar é esse? – logo em seguida desmaiou.

Batista Andrade
Enviado por Batista Andrade em 01/11/2019
Código do texto: T6784592
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Batista Andrade
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 26 anos
185 textos (6441 leituras)
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Batista Andrade