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O Vilarejo Superno - O Processo Geminae

Alba estava próxima a casa de Eloy quando avistou um homem caído. Sentiu Cicely remexer em seu colo e notou sua temperatura esquentar novamente.

- Está tudo bem meu amor! – tranquilizando-a. – A mamãe está aqui.

Aproximou do homem e despertou-o.

- Me perdoe senhora! – disse abaixando sua cabeça.

- Não por isso. Mas, o senhor não é do vilarejo, não é?

- Não. Arg! – gemeu de dor.

- O que houve? Está bem? – preocupou-se.

- Estou ótimo. – fitando Cicely. – Foi só uma dor na espinha. Viagem longa. – disfarçou, sem perder Cicely de vista. – Que linda menina! – disse tentando se aproximar.

- Estamos atrasadas. – afastando-se.

Alba notou os olhos de Cicely novamente brilhando, mas dessa vez a luz era azul, da mesma cor opaca de seus olhos. Olhou novamente ao homem e estranhou seus modos. Ele estava balbuciando algo inaudível.

- O senhor está precisando de ajuda? – desconfiada.

- Não! Preciso ir. – se afastou sem dar tempo de ser contrariado.

Alba seguiu sua viagem pensativa.

- Alba que felicidade em vê-la! – animou Eloy.

- Alba veio nos prestigiar com essa lindeza hoje. – disse Diva.

- Sim. Eu senti que havia me procurado hoje pela manhã Eloy. Está tudo bem?

- Eu que devo perguntar se está tudo bem? – disse intrigado.

- Ah, claro! – suspirou Alba. – Estamos bem, por Magnus!

- Sente-se, por favor, Alba. Vou fazer um chá para nós. E que encanto de menina! – sibilou Eloy aproximando-se. Os olhos de Cicely começaram a brilhar alaranjados, mas dessa vez, a temperatura manteve-se inalterada. Eloy levantou a mão direita e logo sua mão expeliu o mesmo brilho dos olhos de Cicely. Alba e Diva sorriram. Logo após beijar a testa da menina, seus brilhos cessaram e Eloy se dirigiu a cozinha.

À volta para casa foi tranquila, encontrou Chiara em sua porta, falando com Titus. E quando Chiara deu meia volta para ir-se sorriu ao ver as duas chegando.

- Ah, que bom te ver! – disse Chiara.

- Venha, vamos entrar e tomar um café. Precisamos conversar um pouco Chiara. – disse Alba.

- Claro que sim. E preciso te contar algo que ouvi na Magrocery hoje.

Os três entraram em harmonia. O homem da estrada estava parado um pouco longe da casa dos Massimos, e observou o retorno de Alba e seu encontro com Chiara. Fitou e reconheceu Titus da carroça. Sorriu faceiramente.

- Achei vocês.

Perambulou um pouco pelas redondezas, conheceu o vilarejo e deparou-se com uma cabana abandonada nos arredores do vilarejo. Não era muito grande e nem luxuosa, muito ao contrário do que estava acostumado. Andou pela cabana, jogou alguns objetos velhos no chão, olhou em volta suspirando.

- Olha o que te resta Cornelius! - com descaso. – O Grande Mago de Seorsum condenado a viver com essas migalhas. Deplorável! – com escárnio.

Foi até a entrada da cabana onde havia um banco de madeira e sentou-se. Observou os arredores, ouviu o som da mata e do vilarejo em contraste e se decidiu.

- Aqui ficarei. Até recuperar-me. E já sei quem vai me ajudar. – sorriu levemente e entrou na cabana.

Aquele fim de tarde não estava sendo bom para os gêmeos. Alba preocupou-se em ver os filhos quando chegou do passeio. Acomodou Cicely em uma espécie de cesta e pediu para Chiara olhá-la, pois iria verificar o porquê dos meninos não terem aparecido correndo para recebê-la, como de costume.

- Estão no quarto desde o fim do treinamento. Mandei-os se lavar, mas não saíram mais. – refletindo sobre aquilo naquele instante.

- Eu vou vê-los.

Alba adentrou sua casa e abriu a porta do quarto dos gêmeos e os encontrou deitados e cobertos, já com muito suor e tremendo. Os gêmeos estavam se olhando fixamente. Alba teve o impulso de ir até eles, mas parou antes, pois a luz emitida dos meninos a fizeram parar para cobrir o rosto. Aos poucos foi abrindo os olhos e notou que os gêmeos estavam brilhando um para o outro, flutuando sobre a cama e, aparentemente, aterrorizados.

Alba gritou Titus e Chiara que chegaram correndo no quarto dos meninos. Chiara estava com Cicely no colo e notou a menina tremer. Duas fagulhas douradas emanaram do coração dos gêmeos e os entrelaçavam. Os garotos não olhavam para nenhuma outra direção além da frente, sempre olhando um para o outro. Titus jogou o corpo para frente intencionando chegar aos gêmeos, porém os olhos de Cicely brilharam e a mesma luz azul celeste dos seus olhos tornou-se uma parede na frente de Titus fazendo-o cair ao chão pasmado.

As fagulhas douradas dos gêmeos se enroscaram por todo o corpo deles e como duas serpentes penetraram nos corações dos meninos ao mesmo tempo, fazendo-os gritar de dor. Alba abraçou Chiara chorosa. Titus ergueu-se do chão e ficou atônito por presenciar aquilo. Cicely sorria no colo de Chiara e levantava as mãos para os gêmeos. Quando os meninos pararam de gritar todos puderam notar que estavam de olhos fechados e aos poucos foram retornando à cama. A luz baixou e cessou. A parede azul celeste que Cicely criou também se desfez e os adultos puderam correr até os gêmeos.

- Adrián! Valentino! – disse Alba apavorada.

- Meus filhos, falem comigo. – disse Titus emocionado.

Os meninos estavam desacordados, porém sem nenhum machucado e nem sinal de aumento de temperatura. Cicely pousou sua mão sobre a mão de Chiara e a mesma logo se sentiu tonta. Ela ouvia uma voz doce e angelical em sua cabeça. Equilibrou-se novamente e disse que estava tudo bem. Alba e Titus a olharam e perceberam que as mãos de Cicely estavam brilhando alaranjadas.

- Cicely está me dizendo que os irmãos estão bem. Que vocês não precisam se preocupar e nem chamar Eloy. Eles passaram pelo Processo Geminae e logo acordarão. Mudados e mais fortes. – disse Chiara sem nem acreditar no que havia acontecido entre elas.

Alba aproximou-se de Chiara levantando as mãos pedindo Cicely, todos estavam em silencio. Chiara colocou Cicely no colo de Alba que a abraçou emocionada. Titus chegou perto e todos olharam abruptamente para a cama ao ouvirem os gêmeos.

- Mamãe. – disseram em uníssono.
Batista Andrade
Enviado por Batista Andrade em 04/11/2019
Código do texto: T6787092
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Sobre o autor
Batista Andrade
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 26 anos
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Batista Andrade