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O Vilarejo Superno - Migalhas de Magia

Cornelius estava indo de um lado para o outro. Sentiu uma explosão de grande magia aquela noite, mas não conseguiu rastreá-la. Tentou de diversas maneiras e táticas para localizar de onde vinha aquela magia, mas nada. Não conseguia mais utilizar seus poderes nem mesmo de rastreamento.

- Inferno! – gritou chutando a cadeira longe. – Não é possível que esse castigo dure tanto tempo.

Andou até a pia e encheu um copo com água e tomou. Estava muito suado, há horas esforçava-se e nada. Pousou o copo novamente e voltou a centro da cozinha, precisava conseguir localizar. Sentia que aquela magia vinha de alguém muito poderoso e essa pessoa poderia lhe ajudar a recuperar os seus poderes camuflados pelo castigo.

- Maldita seja aquela mulher! Fizeste-me perder tudo, inclusive meus poderes. Se ao menos eu pudesse reaprender. Mas nada funciona. – desabafa sozinho. – Eu sei que vou conseguir. Eu vou localizar de onde vem tanto poder.

Foi ao outro cômodo, vestiu uma camiseta, pegou um objeto cilíndrico do armário e saiu da cabana. Andou sem rumo pela mata. Apertando concentradamente o objeto cilíndrico. Caminhou para um lado e depois para o outro. Após horas na mata, o objeto começou a brilhar com fraqueza. Cornelius parou estagnado. Ajeitou o cilindro em sua mão e concentrou.

- Ostende mihi viam. Ostende mihi magicae. Ut me ad locum. – dizia essas palavras repetidamente.

O objeto cilíndrico foi aos poucos brilhando com mais intensidade e guiando Cornelius mata adentro, sempre que repetia as palavras o objeto brilhava e o homem seguia atenciosamente. Quando chegou à clarabóia o objeto estagnou e Cornelius sentiu que ali era o local oriundo da magia que sentiu. Animou-se.

- Eu consegui. Eu rastreei a magia. Eu consegui.

Procurou por todo o ambiente e não havia encontrado nada até localizar uma mancha no chão. Aproximou-se, tocou e cheirou.

- Sangue! – constatou intrigado. – Sangue infantil, porém muito poderoso.

Olhou ao redor e notou o rastro do sangue. Seguiu até o local onde Adrián tinha caído. Agachou e notou os rastros de pisadas ligeiras, observou mais a frente e viu o galho sobressalente.

- Pode ser que alguém estivesse correndo, tropeçou no galho e rolou até aquele ponto, mas é uma loucura. O sangue é de criança, não deve passar de uns quatro a cinco anos, para rolar daqui até lá deveria estar muito rápido, ele não teria toda essa potência de corrida. A não ser que... – interrompeu-se para raciocinar. – Um beatus comum não poder ser. Talvez um miescere.

Deixou de pensar e continuou a seguir os passos. Chegou à casa de Eloy e avistou aquela suntuosa construção. Expressava autenticidade e originalidade. Mas alguns traços, remetia a Cornelius reencontros com o passado.

- Não é possível, Elymas! – arregalou os olhos.

Tonteou perplexo e rodou em calcanhares de volta para a cabana. Entrou na cabana atordoado e repetindo sem parar que aquilo não era possível. Como, após tanto tempo em Seorsum e tudo o que lhe havia acontecido, encontrar outro filho de Elymas tão perto.

- Quem será? De qual família? Será da minha? Não, se fosse eu sentiria. Sentiria nada, você está sem seus poderes esqueceu? – falava atropeladamente consigo mesmo. – Mas então... Quem pode ser?

Foi até a cozinha aos tropeços, abriu a geladeira, retirou um frasco de vinho e bebeu imoderadamente. Foi para fora sentar-se no banco. Continuou a questionar-se quem poderia ser aquele filho de Elymas. Bebeu até o fim da garrafa, confuso com tudo o que presenciara e exausto do esforço mágico adormeceu no banco, deixando a garrafa cair e rolar pelo chão.

Os Massimos acordaram alegres e animados. Titus e os gêmeos foram para o quintal cortar e separar lenha e treinar força e resistência. Os gêmeos já dominavam aqueles treinamentos. Bastavam dar as mãos e concentrar-se para que brilhassem e notassem as fagulhas douradas que ligavam os dois. Uniam-se. A força aumentava, a resistência dobrava e a agilidade deles tornava-se impressionantes para garotos de três anos de idade.

Quaisquer treinamentos que o pai lhes passava durante as manhãs eram realizados com facilidade e êxito. Era o período em que os gêmeos mais se sentiam bem, dispostos e animados para qualquer tarefa. Após o almoço eles iriam auxiliar Alba nas tarefas de casa, como castigo estabelecido por sua desobediência. Cicely acordou radiante aquele dia, sorrindo e dando gritos de euforia.

À casa dos Milagros a balbúrdia era grande. Os filhos de Chiara não se entendiam e aos gritos mantinham a agitação da casa.

- Você é pequena e chata – dizia o menino, puxando os cabelos da menina.

- Mamãe! – gritava a menina.

- Vito! – gritava Chiara. – Deixe sua irmã quieta.

- Será que é impossível ter uma manhã tranquila dentro desta casa?

- Oh, meu amor! – disse submissa. – Eu vou até eles.

- Não precisa. Eu converso com eles. – respondeu o pai.

Chiara ficou apreensiva, já que seu marido nunca teve muito tato com os filhos, jamais deixou de ser presente, e precariamente era carinhoso. Porém não possuía a distinção de idades, pois, brigava com as crianças como se já fossem adultas. Chegando ao quarto de Vito notou a menina tentando se desvencilhar dos braços do irmão que a estava apertando.

- O que é isso Vito? – disse secamente.

Os dois se soltaram e ficaram lado a lado de cabeça baixa. Um silêncio absoluto se instaurou.

- Eu vou falar uma vez só. – informou. – Você é homem e não deve ficar com essas meninices com sua irmã.

- Desculpa pai, só estava brincando.

- Não é uma brincadeira quando a outra parte não se sente a vontade. Já lhe disse isso tantas vezes.

- Papai...

- Vai para o seu quarto, Eloísa. – interrompeu-a.

A menina saiu correndo direto para os braços da mãe. E o menino baixou a cabeça iniciando um choro. O pai aproximou-se e abaixou, igualando a estatura de ambos. Levantou suavemente a cabeça do filho e olhou fixamente em seus olhos marejados.

- Vito, você é um menino de cinco anos. Já deveria ter iniciado seus treinos e não ficar de meninices com sua irmã. – disse friamente. – Eu não quero mais ter que vir até vocês por esse motivo, entendeu?

Vito balançou a cabeça afirmativamente. Engolindo o choro com a surpresa de não ter apanhado do pai.

- A partir de hoje à tarde você iniciará seus treinos. Vou adaptar alguns materiais e conversar com o Titus para saber a que pé está o treinamento dos gêmeos e pegar algumas ideias.

- Papai, eu posso treinar junto com eles? – disse temeroso.

- Não sei se seria adequado, é mais velho que eles dois anos. Talvez eles não sejam comparáveis as suas capacidades.

- Eu queria treinar com eles, papai.

- Vamos fazer o seguinte. Falarei com o seu padrinho e verificarei a qualidade dos treinos dos gêmeos, se eu achar adequado e eles aceitarem, eu deixo você treinar com eles. Com uma condição – interrompendo a alegria do filho. – Não quero mais ver implicações suas com sua irmã. E se der qualquer tipo de problema entre você e os gêmeos eu lhe arranco o couro, entendeu?

- Está bem papai. – disse com receio.

- Ótimo, agora vamos tomar nosso café e depois você vai se preparar para os treinos.

As mulheres surpreenderam-se ao ver os homens da casa indo à cozinha sem ouvirem nenhum choro ou grito vindos do quarto. Mesmo surpresa Chiara suspirou ao vê-los entrarem calmos na cozinha.

Batista Andrade
Enviado por Batista Andrade em 04/11/2019
Código do texto: T6787098
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Sobre o autor
Batista Andrade
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 26 anos
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