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O Vilarejo Superno - Magos e Feiticeiros

"A magia e os feitiços originam quem somos e o que devemos ser. O poder a aprender. O destino a desvelar. Quando nos são arrancados, em nada nos tornamos."

                                        Visita Inesperada

Cornelius tivera um dia péssimo. Despertou com muitas dores sobre o corpo e com a cabeça latejando de dor. Sabia que havia exagerado a noite passada, após perder sua magia jamais tinha bebia tanto.

- A magia sempre me protegeu desses sintomas. – reclamou. – Maldito destino!

Após banhar-se e renovar as roupas decidiu que não sairia da cabana aquele dia, para refletir sobre as últimas coisas que vira. Foi para fora da cabana e recolheu algumas frutas que haviam por perto e logo se sentou a mesa. Novamente recordou da fachada da casa de Eloy, os detalhes específicos, a postura.

- Será que é um Magnus? – refletiu. – Há tempos não se vê um desses.

Cornelius permaneceu em seus pensamentos.

Eloy estava bem disposto aquela manhã. Cantava e girava pela casa. Como um exemplar bailarino clássico. Diva ria-se com os passos de dança que ele mesmo criava durante o ritmo da música.

- Olha Eloy, há tempos não o via desse jeito. O que houve?

- Somente sinto-me bem Diva. Acordei feliz! – sorrindo de canto a canto.

- Fico feliz em saber. Pensei que houvesse... – pigarreou. – Encontrado alguém ontem quando saiu.

Eloy parou abruptamente e recompôs em seriedade. Ainda balançou com gracejo o braço e sentenciou:

- Não! – voltando ao modo anterior. – Mas adoraria. Embora, atualmente os relacionamentos são instáveis. Dificilmente encontramos uma pessoa distinta e séria.

Mudou a feição para triste e Diva lhe passou a mão pelo rosto. Os dois sorriram e Diva surpreendeu-se em ser tirada para dançar. Rodopiaram pela sala, tentando não esbarrar nos objetos e móveis. Faziam passos colados e soltos e por fim rodaram em frente ao sofá e jogaram-se nele. Aos sorrisos largos.

- Você é um danado Eloy.

- Gostou de dançar? Eu amo dança, amo música.

- Claro que gostei. Mas gostei mais ainda de ver você assim, feliz.

- Vou fazer um chá. Nós merecemos.

Diva levantou do sofá e retornou a mexer nas ervas que estava separando. Eloy entrou para cozinha saltitante. Diva ria alegremente. Há tanto tempo não o via assim. Eloy sempre foi alegre, porém feliz daquele jeito era novidade. Despertou de suas lembranças ao ouvir a campainha. Foi até o tocador e baixou o volume da música.

- Boa tarde – disse ao visitante.

- Olá, a senhora é a proprietária desta casa?

- Não. O senhor deseja algum atendimento?

- Obrigado. Preciso falar com o proprietário.

Diva estranhou aquele visitante. Estava bem arrumado, penteado e perfumado. Jamais um morador do vilarejo os visitaria dessa maneira. Logo identificou que se tratava de um estrangeiro. Pediu para ele entrar que logo o proprietário apareceria. Cornelius entrou elegantemente, mas estando vestindo roupas velhas. Sentou e observou cada centímetro do ambiente. Seus olhos encheram-se de lágrimas ao reconhecer diversos objetos de Elymas, a cultura de sua terra estava presente em cada canto daquele lugar.

- Boa tarde. Senhor. – disse animado Eloy entrando no recinto.

- Boa tarde. – disse Cornelius levantando-se e virando-se.

Eloy espantou-se de imediato. Deixou sua xícara de chá cair por nervoso e foi até a frente de seu visitante.

- O que faz em minha casa Cornelius? – assustado.

- Como sabe quem sou? – intrigado. – Você realmente é de Elymas, então.

- Não. Não sei do que está falando. Agora saia da minha casa. Não admito magos do seu gabarito em meu lar. – disse apontando a porta.

- Oh! Sinto-me honrado por tais palavras. Porém, insisto em ficar. – sentando novamente e sorrindo debochadamente.

- Eu não admito. Saia. – repetiu.

- Por favor, eu vim em paz. Quero apenas conversar com um conterrâneo e poder entender algo que me aconteceu.

- Como é? – intrigou-se. – Cornelius Tumultum, o Grande Mago de Seorsum dependendo de um simples boticário, para quê? – ironiza.

- Não seja insolente. Só preciso saber se é um filho de Elymas. Não poso falar nada antes disso.

Eloy virou-se de costas, cerrou os olhos e respirou fundo, tornou a virar-se.

- Sou! Mas agora não é hora para conversarmos. Volte às nove. Prepararei um chá.

- Não me interesso por chás, quero outras coisas...

- Não me interesso por isso agora. Volte, na hora marcada e conversaremos.

Cornelius o encarou e ao ver Eloy estendendo sua mão à porta cedeu. Foi em direção a porta e virou-se.

- Eu estarei aqui pontualmente.

Eloy balançou a cabeça e Cornelius saiu. Eloy se jogou no sofá e socou o assento em arrependimento. Levantou-se e foi de encontro à estante de livros. Passou os olhos e retirou um livro da terceira prateleira. O livro era azul marinho e cheio de desenhos de borrões coloridos e artefatos mágicos.

- Diva, por favor, limpe o meu desastre? Tenho uma coisa urgente para fazer.

E quando Diva chegou à sala perguntando o que ele havia pedido ouviu o som de porta fechando-se e notou a xícara caída. Retornou a cozinha contrariada.

Batista Andrade
Enviado por Batista Andrade em 05/11/2019
Código do texto: T6787560
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Sobre o autor
Batista Andrade
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 26 anos
185 textos (6441 leituras)
4 e-livros (114 leituras)
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Batista Andrade