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O Vilarejo Superno -O Aflorescer dos Sentimentos

A casa dos Massimos estava silenciosa. Os gêmeos estavam com Titus e Vito no treinamento na mata e Cicely dormia na cesta. Alba estava lavando pratos e arrepiou-se. Largou as louças na pia, secou suas mãos e correu para a porta. Abriu-a abruptamente e colocou Eloy para dentro com euforia.

- O que houve Eloy, o senti exaltado.

- Eu estou atormentado. – com sinais de seu surto a mostra.

- Fica calmo. Sente-se e me conte o que aconteceu. Vou buscar água.

- Não precisa. – tremendo-se por inteiro. – Cornelius me encontrou. Apareceu em minha casa. Veja que ousadia! – disse nervoso e eufórico ao mesmo tempo.

- Cornelius. – intrigou-se. – Cornelius...

- Tumultum. – completou Eloy. – O próprio. Não sei o que fazer Alba.

- Por que trouxe o código consigo. – notando o livro em suas mãos.

- Acredito que possamos encontrar um meio de proteger minha casa dele. Fazer com que ele não a encontre nunca mais.

- Mas isso não é possível Eloy. As magias que possuímos não durariam tanto tempo. Somente um Magnus poderia realizar tal ato com perfeição.

- Eu sei disso. Estou desesperado Alba. Se ele estiver trabalhando para os Valéry e vier me levar.

- Acalme-se Eloy. Não pode ser. O recolhimento aconteceu há muitos anos. Não se faz mais isso. Devemos nos manter em alerta. Mas nos mantermos firmes e calmos.

- Alba. Não quero ser enxugado. Sou o único magicientífico ainda vivo. Não posso ser enxugado. – atordoado.

- Você não será enxugado. Venha comigo tomar um chá. Vamos pensar em algo.

Na mata, no mesmo local onde Titus tinha levado os gêmeos, agora se encontrava com os três garotos. Enfileirados e concentrados nas ordens do treinador.

- Eu quero que vocês sentem-se e fecham os olhos.

Os meninos obedeciam a cada ordem dada. Estavam completamente submissos às ordens de Titus.

- Agora quero que esvaziem a mente de vocês. Relaxem os pensamentos. Concentrem-se nos sons da mata. O que estão ouvindo?

- O farfalhar das folhas e os sons de alguns animais. – disse Vito.

- Muito bem, Vito. Concentre-se mais. Adrián, o que ouve?

- Voadores e rastejantes. São tantos.

- Ótimo. Concentre-se mais. E Valentino, o que ouve?

- O rio, é tão bom ouvir o barulho das águas. – Titus intrigou-se. – Os peixes nadam com tanta vontade.

- Você ouve o barulho das águas? – questionou-o intrigado.

- Sim papai. Parece estar tão perto. Ninguém mais o ouve?

- Podem abrir os olhos. – Titus passou a mão pela cabeça e olhou para Valentino. – Filho, consegue me descrever o que mais ouviu enquanto estava se concentrando. Coisas fora do rio ou mais profundas?

- Eu ouvi o som de passos na terra. Ouvi peixes na água. Briga de tubarões com bicos parecendo espadas no fundo do mar e muitas outras coisas que não sei o que é.

- Tudo bem meu filho. – Titus permaneceu intrigado. – Vamos a outro exercício de concentração. – Ficou de pé e caminhou até uma mochila que estava largada ao chão. Abriu-a e tirou de lá três espadas médias.

Vito assustou-se ao ver as espadas. Os gêmeos brilharam os olhos admirados e se entreolharam sorrindo. Titus se aproximou e explicou o exercício.

- Hoje vocês vão iniciar o treinamento com armas. Começando com o equilíbrio de espadas. Vocês precisam primeiro adaptar-se ao peso para depois manejá-las.

- Eu quero começar. – voluntariou-se Adrián.

- Não! Eu que começo. – rebateu Valentino.

Titus observou os trejeitos de Vito e notou que ele estava esquivo quanto ao treinamento. Sorriu faceiramente.

- Quero que Vito inicie. – gerando reclamações dos gêmeos e um olhar amedrontado de Vito.

- Eu? – disse aos sussurros.

- Sim, por favor, Vito. Venha até aqui.

Hesitadamente Vito caminhou até o local pedido e olhou de canto de olho para seu padrinho.

- Olha Vito. –Titus abaixou ao seu tamanho – Eu sei que está com medo. – disse em tom baixo para os gêmeos não ouvirem. – Mas quero que saiba que eu confio em você e que a espada não irá te machucar, tudo bem?

- Tudo. – tremendo.

Titus endireitou-se e permaneceu a sua frente. Deitou a espada em suas mãos e pediu para que Vito a segurasse da mesma maneira. E, mesmo tremendo, Vito levantou as mãos e conseguiu segurar a espada. Ficou olhando-a, vendo brilhar, sentiu seu peso, arrepiou-se. Não tirou os olhos da espada.

- Agora vocês meninos, venham até aqui e levante os braços igual Vito fez.

Os meninos obedeceram. Titus colocou uma espada na mão de cada um. Os meninos estavam muito excitados com aquelas espadas. Titus olhou para Vito e deu a próxima ordem.

- Agora, quero que vocês levantem a e segurem apenas com uma mão na bainha.

Os gêmeos de prontidão realizaram a tarefa erguendo a espada com a mão direita. Enquanto Vito permanecia imóvel olhando para a espada em suas mãos.

- Vito. Vito. Vito. – aumentando a voz na última tentativa.

- Desculpa padrinho. Eu não ouvi. – como se estivesse acordando de um transe.

- Tudo bem, levante a espada igual aos meninos. – pediu calmamente.

Vito engoliu saliva, apreensivo, e levantou com sua mão esquerda a espada. Sentiu-a pesar.

- Está pesada padrinho.

- Passe para a outra mão.

- Não posso. Está pesada.

- Porque ele segura com a mão errada? – disse Adrián.

- Cala a boca Dri, ele segura com a mão que quiser. – rebateu Valentino.

- Você sempre vai defender esse fracote? – questionou Adrián.

- Eu não sou fracote! – gritou Vito furiosamente apontando a espada para Adrián.

- Já chega meninos. – interveio Titus. – Joguem as espadas ao chão e venham até aqui.

Os gêmeos obedeceram ao pai e Vito jogou fortemente a espada no chão e saiu correndo para o caminho de casa. Valentino olhou para o pai e para o irmão e foi correndo ao encontro de Vito.

- Meninos, voltem aqui! – gritou Titus.

Como nenhum dos dois obedeceu ao chamado, Titus arrumou as coisas com Adrián e foi atrás dos dois.

- Vito me espera! – gritava Valentino.

- Não quero conversar Tino.

- Não fique bravo comigo.

- Não estou.

- Então pare e me espere.

Vito atendeu o chamado e esperou Valentino se aproximar.

- Não liga para o que o Dri falou. Ele é um bobo.

- Eu estou muito bravo com ele. Não quero mais treinar com ele.

- Ah, não desista do treinamento. Senão ficará longe... – timidamente.

- Como assim Tino?

- Se você desistir do treinamento ficará longe de mim. – Valentino abaixou a cabeça e Vito não disse nada. Titus e Adrián os alcançaram e todos foram juntos para casa. Vito foi direto para sua casa calado. Valentino permaneceu calado durante todo o banho e refeição.

Batista Andrade
Enviado por Batista Andrade em 05/11/2019
Código do texto: T6787561
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Sobre o autor
Batista Andrade
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 26 anos
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Batista Andrade