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Dália

É possível que exista algo mais precioso que as coisas que nos dispomos a gostar, mais nada supera o amor.
Falar de amor é algo macio, quente, acolhedor e acima de tudo preenchedor. Sentir amor é mais que perfeito, e dar amor é o complemento de tudo.
Viver de amor é preciso sempre, em todos os gestos, em todas as formas na sintetização do bem dentro de si.
O melhor estado de espírito é aquele em que nos desligamos do mundo, realmente, e saímos do corpo por alguns instantes e deixamos a alma a mercê do sentimento. Amar é um verbo intransitivo e sonhar é preciso sempre a vida nos cobra este corredor para a felicidade...
Assim pensava Dália, em sua maneira de amar. Vivia de poemas e poesias. Alimentava-se de paixões diariamente na fonte da literatura. Lia e praticava a escrita com um prazer intenso. Sorria por dentro quando emitia idéias e falava de sentimentos. Amava o nada, o abstrato, o concreto, a vida, a natureza, a música e os sons, as formas, as pessoas: amava...amava...
Vivia de paixões e transcrevia tudo e todos em seu dia à dia.
Jurava amor eterno ,a si própria , a medida que criava coisas e textos. Vivia um mundo literário de glamour e criação. Quando encarnava a poesia se refletia de dentro pra fora e alimentava-se de emoções diversas.
Dália sentia as palavras correrem pelas idéias e as fixavam na síntese do amor. O amor que queima, arrepia e faz sofrer, sorrir, gemer, refletir e amar.
Entre corredores de livros e poeira, passava seus melhores momentos. Era como desfrutar da fonte mais mística de todas as artes. Envolvida com a literatura e o grande acúmulo de ácaros, Dália misturava-se em  pensamentos e personagens e vivia paixões intensas. Ora dona de casa, ora doutora em alguma coisa, ora operária ora prostituta, ora artista, ora a beira de ataques de nervos. Assim vivia Dália.
Seus olhos sempre brilhantes, seus cabelos soltos, sua face de pêssego e seu silêncio continuo. A preciosidade do amor vinha do isolamento de ruídos. Um aperto no peito, um suspiro também e o amor a fazia viver.
Embora muito moça, experimentara todas as idades, todos os sexos, todas as viagens e todos os corpos que desejou. Dália vivia em função do amor. Das paixões. Dos sonhos. Dos sons. Das artes.
O amor condicionava a moça, a tudo que quisesse. Menos a realidade, da vida real. Simplesmente ignorava o que não lhe fazia bem e caminhava sempre a frente em sua evolução espiritual e artística.
Dália era muito leve. Explosiva. Solidária. Egoísta. Humana. Rebelde. Jovem. E atriz. A cada verso ou palavra intensificava o amor. Pois esse era o impulsionador da sua vida , da sua alma.
Viver de Dália, era viver de flores, de poesia de dúvidas de menina, existência, de efeito Pan.
Mais pra lidar com Dália só com amor. Assim como um plantinha que necessita de água diária, de cuidados de carinho, de luz de calor...e como toda flor pode sim Ter espinhos. Dália feria as vezes, mais sem o veneno dos repteis e sim com a fenda do perdão.
Assim vivia Dália, de olhos de jabuticaba e o brilho do sol. Brilhava sempre. Com calor, com luz forte e frágil como um cristal.
As paixões a arremessava de penhascos rochosos ferindo-lhe a pele e cortando-lhe a alma. Mas com o tempo, o melhor doutor da vida com suas receitas mirabolantes e infalíveis, sempre estava a aberta a um novo penhasco. Como um poeta embriagado com sua própria poesia e romantismo, Dália, sorria as novas oportunidades... amores e paixões.
Como um moenda pesada e rústica, moia as dores e fazia novas misturas de pós de si mesma, e adquiria felicidades e sabedoria.
O amor era um processo de transformação no seu peito. Amava sozinha, amava alguém, amava a matéria, amava a carne. Ora amava!
De manhã sozinha, sentia um prazer intenso em simplesmente acordar. Saudar o dia. Sentir o sol, ver as pessoas. E se achegar a seus livros. Lia, comia, dormia, criava, amava....
Assim vivia Dália.

Débora Costa
Débora Costa
Enviado por Débora Costa em 18/10/2007
Código do texto: T699236

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Sobre a autora
Débora Costa
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil, 41 anos
24 textos (1257 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 13/12/17 02:01)
Débora Costa