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                                      O ESTRANHO


        Rafael perambulava pelas ruas em noites sem lua, e tinha hábitos muito estranhos, como por exemplo, comer formigas. Ele adorava esta mania. Sempre que via a pobrezinha trabalhando, carregando suas folhas para o formigueiro, ele a pegava e devorava em pedacinhos. Arrancava as patinhas, depois o corpo e por último comia a cabeça. Gostava de comer bem devagar, dizia que isto o acalmava.

        Morava numa casa abandonada que fora tombada pelo patrimônio público, e os seus donos resolveram deixar que ela fosse depredada como sinal de protesto pelo tombamento, pois como se sabe, imóvel tombado não pode ser derrubado para novas construções.

        Lá na "sua casa", tinha um colchão, um fogão de duas bocas, um pote de água, um caneco e meia dúzia de roupas velhas e sujas. Ah, já ia me esquecendo, ele tinha também um cachorro branco com manchas pretas o qual chamava Migão, o que representava bem o papel daquele animal em sua vida, o único e verdadeiro amigo. Sua melhor vestimenta, era uma camisa vermelha e uma calça de brim bem surrada. Realmente ele andava na moda, pois hoje os ricos se vestem como mendigos, com calças rasgadas e desbotadas artificialmente. Mas a roupa de Rafael era surrada mesmo.

        A vizinhança vivia reclamando do vizinho inusitado que aparecera do nada e se instalara naquela casa. Muitos tinham medo dele, outros tinham nojo e por isso sempre passavam longe daquela casa.

        Rafael era pacífico e nunca se metera em confusão. Só queria viver em paz na sua solidão. Ganhava um trocado aqui, outro acolá. Comia todos os dias uma sopa que a Igreja da região distribuía. Pelas suas contas mal feitas tinha aproximadamente 5 anos que vivia ali daquela maneira. 

        Numa noite escura e chuvosa, Rafael estava molhado e tremendo de frio, quando se aproximou dele uma luz muito estranha. Era uma bola avermelhada que pairava no ar sob a chuva. Ele se arrepiou dos pés à cabeça. Um medo que nunca sentira invadiu todo o seu ser. Aquela bola de luz flutuante dançava diante dos seus olhos arregalados.

        Em pânico Rafael soltou um grito de pavor, mas ninguém o ouvia, pois seu grito ficara preso na garganta e devido ao susto perdera a voz. De dentro desta luz saiu um ser de cor azul, com feições jamais imaginadas por Rafael. Não era humano, não era animal... Enfim não se parecia com nada que ele já tinha visto na vida. Apavorado ele perguntou em pensamentos o que aquele ser queria dele, já que ele não tinha nada e levava uma vida na mais miserável condição.

        Aquele ser amorfo então lhe respondeu telepaticamente:
_ Hoje está completando 5 anos e 10 meses que você foi trazido para este planeta. Você veio até aqui para cumprir sua pena por mau comportamento e desvio de caráter. Sua memória foi apagada para que vivesse como um reles humano e sofresse toda a dor de existir. Este foi seu aprendizado para voltar ao nosso convívio, pois você era um ser possessivo, intolerante, arrogante e mesquinho.

        Sua condenação foi viver na mais absoluta pobreza para aprender a arte da humildade muito necessária para viver em nossa comunidade. Hoje terminou sua condenação, tendo em vista que já está recuperado e que já aprendeu os ensinamentos de como ser humilde, tolerante e desprendido de sentimentos negativos, portanto eu vim te buscar. Você vai se lembrar quando voltar ao nosso planeta que lá não há lugar para pessoas com deficiências morais.

        Rafael então compreendeu todo o significado daquela vida de privações e foi sugado para dentro daquela grande luz avermelhada seguindo rumo ao seu verdadeiro lar... 


                                      22/10/07 - 15:46 h

Raio de Lua
Enviado por Raio de Lua em 22/10/2007
Reeditado em 05/06/2010
Código do texto: T705085
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Raio de Lua
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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