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A História de Aika (Reedição)

O tempo estava muito frio dentro da caverna. Estamos no fim da era do gelo, pré-história da humanidade.
Aika se protegia com uma pele de urso, encostada em sua mãe, Boki, para diminuir a sensação térmica desconfortável. Os outros membros do clã dormiam. Uma fogueira acesa no meio do pátio, era a única coisa que lutava contra o frio intenso. O sentinela estava agachado próximo ao fogo, esfregando as mãos, se aquecendo. A noite estava calma, a não ser por alguns sons de animais que vinham de fora.
Aika, não conseguia dormir. Sentia que algo ruim estava para acontecer. Mas o quê?
De repente, ouvem-se gritos guturais vindo de fora da caverna e um grupo de caçadores de outro clã, adentram a caverna e pegam todos de surpresa. O sentinela foi o primeiro a ser atingido por uma clava. Caiu morto. Os homens que estavam dormindo, acordaram e correram para cima dos atacantes, para defender as mulheres, crianças e velhos.
A luta foi árdua, mas, mesmo com a valentia dos defensores, os atacantes eram mais numerosos e venceram a luta, matando os velhos, a maioria dos homens e escravizando mulheres e crianças.
Somente Aika conseguiu escapar, com um grupo de homens, que correram para a floresta.
Quando o dia amanheceu, cinzento, Aika percebeu que de todo o clã, só restaram ela e mais seis homens. Torki, o chefe, estava morto. Dos homens sobreviventes, Aral, era o mais forte e seria, a partir daquele momento, o líder do bando. Somente sete restaram.
Em um primeiro momento, o instinto dizia que eles tinham que procurar abrigo e comida, mas não mais ali.
Após alguns dias de caminhada, descobriram uma caverna, próxima a um rio. Tinha um campo de caça grande e muitas árvores para colher frutos.
Resolvidos os problemas de moradia e comida, outro instinto veio a tona: sexo.
Só existia uma mulher, Aika.
Aral, como era o líder, tinha prioridade sobre Aika. Mas como proteger a sua mulher e sobreviver no meio de outros cinco homens sem ser morto?
Aika, percebeu que o poder poderia ser dela. Se conseguisse uma maneira de dominar aqueles homens, não seria estuprada ou morta. Todos queriam, por instinto, o que ela possuía.
Então, na sua comunicação rudimentar, disse aqueles homens que seria de um a cada dia e que teriam que lhe trazer comida e presentes.
Aral, não queria aceitar, mas, cedeu porque queria sobreviver.
A cada dia, um vinha e deixava comida e presentes e também a sua semente para Aika.
Filhos vieram. Mulheres foram raptadas de outras tribos, os homens foram tendo outras companhias femininas, e o clã foi crescendo novamente. Mas, mesmo assim, eles voltavam para Aika e lhe traziam comida e presentes.
Um dia, as mulheres forçaram Aika a sair da caverna. Os homens nada fizeram. Deixaram-na ir embora.
Na surdina, os homens encontraram outra caverna para ela, não muito longe dali, onde podiam, vez em quando, dar uma "escapulida" e ir visitar Aika, levando comida e presentes...

Alguma semelhança com os dias de hoje, não é coincidência: a estória só se repete...

(Reedicão)
EMERSON DANDA
Enviado por EMERSON DANDA em 29/01/2021
Reeditado em 30/01/2021
Código do texto: T7171303
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
EMERSON DANDA
Toritama - Pernambuco - Brasil, 57 anos
215 textos (81510 leituras)
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EMERSON DANDA