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A fronteira - Capítulo IV (Em órbita)

As duas linhas finas abriram-se devagar, deixando em seu lugar as ovais povoadas pelo belo par de olhos negros. Estranho sonho. E...novamente as mesmas referências...espelho, reflexo, fronteira. Ao lembrar-se dos dois babaca não pode deixar de sorrir.

Levantou-se e olhou em volta uma e outra vez. Iria percorrer os corredores, faria um pouco de exercício e em seguida voltaria para consultar novamente a UN. Avançou para a porta metálica que se abriu automáticamente de imediato. Olhou para  ambos os lados. Não viu vivalma. Melhor! Ficaria bem à vontade sem aqueles espantalhos por perto. A sala de treino ficava apenas uns metros à frente. Segunda porta à esquerda. Entrou.

Patrícia era boa de luta. Tinha velocidade e reflexos mas também força e concentração. Obedecendo prontamente a um gesto seu o fato de realidade virtual desceu e moldou-se a seu corpo envolvendo-a completamente. O holograma à sua frente  era uma representação perfeita de lutador chinês.  Exibia confiantemente as suas matracas e ia ser o seu primeiro adversário.

Os desafios com hologramas apesar de toda a sua virtualidade nada tinham de inofensivo. O sistema encarregava-se de administrar eficientemente e sempre dentro dos limites que o participante conseguia suportar, a dor e sensações correspondente aos vários golpes.

- Próximo. O simulacro de chinês conseguiu aguentar apenas 10
  segundos antes de K.O.

Após cinco oponentes derrubados achou que já tinha a sua conta. Agora nada como um bom banho e depois...Bem, tinha umas quantas perguntas a fazer.

O ruído irritante e piscar de luzes nos mostradores fizeram sua apresentação repentina e quase em simultâneo – Entrada na atmosfera em cinco minutos, espero instruções para corrigir ângulo de aproximação...instruções para corrigir ângulo de aproximação...instruções para corrigir ângulo de aproximação...

Dirigiu-se rápidamente para a sala de comando. Nem vivalma! Apenas o ruído e as luzes intermitentes e os números desfilando rápidamente. Aqui e ali mostradores com indicadores em verde e vermelho davam conta de um computador central bastante afadigado.

Um olhar rápido esclareceu as suas primeiras dúvidas – a cápsula de transporte tinha sido usada poucos minutos atrás. Estava só numa pequena nave com um habitante cibernético súbitamente muito preocupado!

A pequena tela ecoava duas linhas. Uma delas era calma e apresentava de forma estática, a verde, a palavra password. A outra, linha-mãe, um pouco acima, linha histérica e intermitente exibia a vermelho a frase Modo manual. Aprove correcção de ângulo de aproximação.

Os seguintes três minutos e vinte segundos foram gastos numa luta intensa com o teclado. Experimentou um pouco de tudo. Nomes conhecidos, palavras que ouvira comentar aos três perfeitinhos cobardes, combinações destas palavras com sequências numéricas simples. Por fim, em desespero de causa, até o seu nome colocara. Nada. Apenas a reencarnação sucessiva das mesmas duas sequência de letras, filha calma e mãe histérica. De repente...lembrou-se. E se?! Impossível, não podia ser tão simples!

A sua face desceu para o pequeno teclado e os dedos foram pousando à vez pelas várias teclas: A, F, R, O, N, T, E, I, R, A. Pronto! ENTER! Foi então que mãe e filha morreram quase em simultâneo e deram lugar a um computador muito mais feliz.
José Espírito Santo
Enviado por José Espírito Santo em 09/07/2007
Reeditado em 10/07/2007
Código do texto: T557851


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Sobre o autor
José Espírito Santo
Portugal, 55 anos
155 textos (8344 leituras)
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