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O Primeiro Dia

Olga Borodina abaixou-se para ajeitar a gola da jaqueta do uniforme do filho e aproveitou para beijar-lhe o alto da cabeça.

- Você está lindo! - Exclamou embevecida.

Dmitry Alekseev ergueu os olhos para ela.

- Tenho mesmo que ir, mamãe?

- Tem sim, Dima - replicou a mãe erguendo-se, mãos na cintura. - Hoje é 1º de setembro, primeiro dia de aulas, e você vai tocar o sino!

- Por que o papai não veio? - Questionou ele.

- Seu pai está em missão, fora do Sistema Solar - explicou Olga Borodina, consultando o relógio de pulso. - Vamos, que está na hora.

Mãe e filho saíram de casa para a manhã fria de outono em Moscou, e caminharam até o ponto de ônibus mais próximo. Havia muitas crianças acompanhadas dos pais pelas ruas, meninos de uniforme azul, jaqueta e calças compridas, camiseta branca por baixo, meninas de vestido marrom com um avental branco - usado somente em dias festivos - sobre ele.

- Veja só quantos coleguinhas estão indo para o colégio hoje! - Disse a mãe. - E o Tyoma Artemovich vai entrar com você...

Artem Artemovich, um adolescente de 17 anos, filho de uma vizinha de Dima, estava no 10º e último ano do ensino fundamental. Ele fora designado para acompanhar o novato da 1º série na cerimônia de abertura das aulas naquele ano. Dima sentiu-se um pouco mais animado, pois considerava o rapaz o irmão mais velho que jamais tivera, e de alguma forma supria um pouco da ausência do pai, sempre às voltas com missões prolongadas no espaço profundo. O garoto olhou para a mãe e perguntou-se como alguém poderia ficar longe de uma pessoa tão maravilhosa quanto Olga Borodina. Suspirou.

- O que foi, Dima? - Indagou ela, preocupada com a fisionomia melancólica do filho.

- Um dia, quero me casar com alguém como você, mãe - declarou, apertando forte a mão dela.

- Alguém que saiba fazer pelmenis, suponho - replicou ela, para disfarçar a emoção que a invadira.

- Eu nunca vou ficar longe de você, mamãe - prometeu ele, solenemente.

Olga Borodina viu que o ônibus se aproximava e fez sinal. Baixou o olhar para o filho e comentou:

- Dima, nunca faça promessas que não poderá cumprir...

E fazendo o filho subir os degraus do coletivo, antes dela, complementou:

- Como seu pai.

- [12-02-2019]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 12/02/2019
Reeditado em 13/02/2019
Código do texto: T6573511
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 56 anos
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Alex Raymundo