Paralelismo - romance em construção - atualizado 29/03/2024

Romance em construção para apreciação.

Atualizado em 29/03/2024.

Paralelismo

Ficção Científica.

Paz aparente

A Terceira Guerra Mundial que teve fim há pouco mais de um século deixou assuntos inacabados e certas implicações de inte-resses políticos além de grandes sequelas ao povo da Terra no seu todo.

Paul Clark de La Rue. Agente do SIDG (Serviço de Inteli-gência de Defesa Global) especialista em táticas de guerrilha na selva, muitas vezes condecorado por atos de bravura, além de, secretamente por várias vezes impedir a tentativa do assenta-mento de bases extraterrestres no coração da Amazônia brasilei-ra e, ou em países que ainda mantinham suas florestas naturais intactas devido a um grande número de ONGS defensoras da natureza que, com a ajuda e o esforço supremo do SIDG ainda conseguiam evitar a destruição do todo ainda existente. Na atualidade, sua função no SIDG consiste em doutrinar novos instrutores mestres para a formação de soldados especializados em táticas de guerrilha na selva em defesa contra os extraterres-tres, contra os mercenários e os cartéis dissidentes político-partidários e, ainda por cima por certos tipos de piratas saquea-dores oriundos da própria Terra. Às vezes, e não era coisa rara, Paul era convocado para missões consideradas de a maior rele-vância para a continuidade da raça humana no Planeta.

Devido a um fato fortuito e indecifrável, ainda por desven-dar, nenhum artefato nuclear pôde ser disparado por país algum durante a guerra terminada às pressas devido à interferência de intrometidos extraterrestres que atacavam indistintamente as partes combatentes do Planeta, quem sabe para que a guerra acabasse mais depressa a fim de dominarem os sobreviventes do conflito mundial para poderem invadir e escravizar a Terra com mais facilidade.

Por necessidade o treinamento de guerrilha nas selvas torna-ra-se indispensável à maioria dos países que sobreviveram ao infortúnio (a guerra), pois raças ainda desconhecida de tempo em tempo tentava instalar bases nas selvas para num futuro im-previsível, por fim a conquistarem. Os ataques desses alieníge-nas depois da própria e última guerra mundial há muito deixara de acontecer, entretanto de certo tempo para cá, uma raça ou outra, desconhecida, mas não com ataques diretos tentavam uma invasão ou outra com pequenos assentamentos nas grandes florestas aqui e acolá provocando inúmeros transtornos, assun-tos esses de competência única e exclusiva de as conhecidas tropas de elite em selva treinadas por Paul Clark. Devido à sua profissão, Paul Clark falava fluentemente os idiomas e dialetos de os países que ainda possuíam florestas nativas mantidas a ferro e fogo bem conservadas, entre outras coisas a fim de man-ter o clima terrestre equilibrado em toda sua litosfera.

Paul achava o seu nome esquisito procedente de uma mistu-ra um tanto complicada. O seu avô era francês e sua avó espa-nhola. Ao se conhecerem e gostarem um do outro, por causas desconhecidas emigraram para o Brasil muitos anos depois do término da terceira guerra mundial. Sua mãe nasceu no Brasil e o seu pai nos Estados Unidos da América. Os dois se conhece-ram num congresso a fim de a tentativa de dar-se um basta às incursões terroristas pelo mundo, para que se conseguisse a tão desejada paz mundial realizado na cidade de São Paulo no Bra-sil. Meses depois de terminado o congresso, casaram-se nos Estados Unidos depois de certo tempo de namoro. Pois bem, foi dessa união que Paul Clark de La Rue veio ao mundo. De mãe senadora brasileira e pai militar americano da mais alta pa-tente, um verdadeiro herói nacional, quando adulto, Paul seguiu a carreira do pai.

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Paul Clark descansava em sua casa (um retiro espiritual) em férias merecidas depois de quase cinco anos ininterruptos de trabalhos árduos no SIDG supervisionando e treinando tropas de elite, ajudado pelas ONGS especializadas na salvaguarda do clima mundial evitando o assentamento de outras raças em al-guma parte das florestas nativas por excelência. Agência de inteligência tinha sido criada especialmente para combater o terrorismo nas três Américas e países aliados euroasiáticos de-vido à união de diversas potências mundiais da Terra para afas-tar a desventura de uma nova guerra global. Temerário era dei-xar de vigiar os insurgentes terroristas ao lado da escória de os abusadores intergalácticos, pois isso sim, com toda a certeza, seria catastrófico para toda a humanidade.

A Terra estava para comemorar o princípio do século XXIII e, em alguns dias mais o clima de Natal bateria às portas da humanidade. Contudo e em realidade se houvesse uma nova guerra, toda a humanidade seria aniquilada em questão de pou-quíssimo tempo tamanho era o poderio militar do governo cen-tral e das as facções terroristas supostamente aliados aos aliení-genas que de tempo em tempo tentam fixar-se no Planeta para conquista-lo.

Paul Clark morava sozinho em um isolado maciço no Planal-to Central do Brasil. Era um acanhado vale cercado por altas montanhas de escarpas monumentais de beleza sem igual ao lado de um majestoso rio que, depois de a queda da cachoeira formada pela escarpa mais alta do lado Norte do maciço, desa-parecia por entre, nada mais nada menos do que cavernas cons-tituídas por rocha magmática granular, de profundidade no sopé de a outra grande cordilheira no lado Sul depois de per-correr pelo menos mil e quinhentos metros do verdejante e pla-no vale. Devido ao apertado terreno cercado por escarpas por todos os lados, o acesso ao vale apenas podia ser realizado por veículos aéreos de pouso na vertical ou por pura magia.

Mas não para Paul Clark.

Certo dia de madrugada depois de uma gratificante pescaria para empanturrar-se no almoço com uns belos peixes assados na brasa ou ensopados, antes de o seu preparo, pois era bem cedo, pegou para ler o manuscrito das memórias das suas aventuras para ver, se ao passa-las a limpo depois de organizadas poderia ser possível vendê-las a alguma editora especializada em histó-rias de ficção científica para encher os bolsos com uns belos trocados. Não que tivesse necessidade do dinheiro, mas. . . An-tes da tentativa de leitura, resolveu ir servir-se, ou melhor, de pedir ao seu robozinho faz-tudo tipo barril de cerveja um bran-dy duplo sem gelo no capricho ainda com o manuscrito de as aventuras nas mãos todo galhofeiro.

— “As minha maior aventura começou aqui mesmo neste vale”, recordara-se, no tempo em que, uma tempestade para lá de pachorrenta, mas assustadora ameaçava formar-se nas alturas do vale cobrindo por inteiro a luz do sol do seu precioso peda-cinho sagrado de chão. Ao perceber o que estava por acontecer Paul Clark deixou o manuscrito de suas aventuras desajeitada-mente de lado sem se preocupar onde impensadamente o puse-ra.

Será que o encontraria depois?

Bem. . .

O brandy chegou rápido.

— Obrigado!

Disse Paul ao robozinho tipo barril de cerveja.

Quando não se encontrava na selva entre as contendas oca-sionais ou nos árduos treinamentos teóricos e práticos deveras desgastantes, o seu passatempo assim como o seu descanso sempre era realizado no cantinho sossegado do seu vale longe de toda a agitação natural do convívio humano, voluntário ou involuntário.

O brandy terminara.

— Barril, outro brandy no capricho — pediu para em segui-da continuar olhando para o que lá fora com estranheza repen-tina aos poucos se avolumava.

Sua mente mantinha-se ligada.

Paul Clark imaginara de que o que via cercando e escure-cendo todo o vale, fosse apenas uma tempestade rotineira de-vido à grandessíssima quantidade de floresta rochas e água do isolado lugar. As descargas elétricas que por cima das nuvens espessas vomitavam sua energia, transpassavam e fulminavam o pouco espaço de terra e água do vale de curtíssimo rio tornan-do-se cada vez mais ameaçadoras. O ribombar das faíscas dos raios energizados ao encontrarem terra e, ou a água, tornavam-se brilhosos ao explodirem, assim como ensurdecedores. Ao longe, via-se na escuridão da tormenta, aqui e ali, clarões ofus-cantes e, as chamas das árvores e das ramas carbonizadas pelas faíscas elétricas, mostravam ao longe, no horizonte um novo nascer do Sol ou, como se estivesse sendo iluminado por mil holofotes acessos ao mesmo tempo prevendo antecipadamente uma iminente catástrofe fora do seu natural.

Paul Clark já estava acostumado a essas intempéries, mas confessara a Si mesmo de que, realmente, aquela porcaria sur-gida, Puff, do nada, estava começando a preocupa-lo. Seu ins-tinto de sobrevivência, impensadamente como se fosse à coisa mais natural do mundo, guiou suas mãos para pôr em modo de atenção laranja o sistema de segurança do local em volta de a bem aparelhada casa, digamos, de “campo”. O painel de moni-toramento por televisão em circuito fechado abriu a tela ilumi-nando a sala de estar como os olhos abertos de um insano. Tempestuosamente as lâmpadas vermelhas de emergência a baterias se acenderam, enquanto o sistema de proteção contra quedas de energia elétrica estava sendo preparado automatica-mente pelo computador Positrônico instalado na casamata logo baixo da casa, no subsolo a uns trezentos metros de profundi-dade em total segurança.

Na menor falha elétrica que ocorresse gerada pela pequena, mas eficiente usina atômica por baixo terra, os quatro potentes geradores movidos a energia elétrica gerada pela reação nuclear entrariam em atividade até o reparo e, ou o término da falha elétrica da mini usina termo nuclear no próprio subsolo. Tal complexo encontrava-se posicionada junto ao conjunto arquite-tônico da residência pelo menos a trezentos metros para baixo. A segurança da casa era como a de uma fortaleza militar de primeira grandeza. A trezentos metros baixo terra, um túnel artificial jorrava ininterruptamente com força animalesca a água do rio para resfriar o calor gerado pelas bem dimensionadas barras tratadas com urânio no mergulho para sua ativação. Era nesse lugar onde se encontrava a sua pequena usina nuclear e o seu local de trabalho, o laboratório científico e a oficina laboral de recreação e invenções quase sempre para o seu próprio uso.

Passados aproximadamente cinquenta minutos ouvindo o som dos trovões, a tormenta, do jeito que surgira do nada no mundo, desaparecia, antes de Paul Clark terminar o terceiro brandy solicitado ao pequeno robô faz-tudo. Nem teve a neces-sidade de fazer o uso de a teletransfência para o seu local de trabalho onde também se encontrava a central do computador Positrônico trezentos metros baixo terra.

Paul toda vez que precisava dos préstimos do seu computa-dor, chamava-o e ele aparecia a sua frente na figura de um ho-mem negro e bonito de uns quarenta anos, sempre de óculos pequenos redondos e escuros num holograma tridimensional. Paul tratava-o por bonitão. O bonitão tirava-o das encrencas à miúde, e isso incontáveis vezes desde quando projetado e cria-do para ele por um amigo do peito do laboratório eletro-eletrônico-científico da CIDG às esconsas:

Um cientista mofatrão muito louco.

— Senhor Paul, o senhor gostaria de mais uma bebida? — o robozinho tipo barril de cerveja desejara saber com bastante educação.

— Me serve um triplo lá na cozinha. Vou preparar os pesca-dos para o meu almoço.

— A pescaria foi de um ótimo trato, hein patrão — disse o robozinho. — A Lua deveria estar nos seus melhores dias para a pesca antes da “mafiosa” tempestade de araque surgida apenas para assustar-nos.

Nem fora ouvido pelo Paul.

Um robô assustado, bah! . . .

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Durante o almoço:

— Paul?

Alertava a imagem tridimensional IA do computador Posi-trônico de Paul.

— Algum problema que eu desconheça, bonitão? — obser-vou Paul ao vê-lo de súbito aparecer à sua frente todo elegante como desde a sua criação sempre esteve.

— Visitas.

— Merda, como? Por aqui, quem são? — perguntou no mai-or assombro.

— Máquina voadora de prefixo HSIDG05 do Serviço de Inteligência e Defesa Global, dois quilômetros a noroeste do pico do condor a baixa altitude. Se bobearem e não tomarem a altitude correta serão jogados contra as escarpas sem oi sem nem ai.

— Caramba, se não for o helicóptero de combate de duas das melhores metralhadoras .62 do coronel Nimbus, desejo me aposentar desta minha turbulenta vidinha danadinha de desafi-os e perigos. O que é que ele está querendo. Nunca alguém da agência veio me procurar quando estou no meu retiro descan-sando e, poucos são os amigos que tem esse privilégio ou co-nhecem este lugar, digamos. . ., contados nos dedos. É muito menos, ainda com um helicóptero armado e preparado para ata-ques. Bonitão põe em funcionamento a comunicação, devem estar loucos tentando falar comigo afim de terem permissão para aterrissarem.

Em poucos minutos:

— Paul, até que enfim consigo falar com você. Queremos descer desativa a cúpula iônica defensiva.

— Bonitão agora o trabalho é apenas seu. Serviço bem feito e completo hein, acende as luzes de sinalização para que saibam onde devem pousar e vá buscar o coronel Nimbus quero-o ime-diatamente aqui na minha frente.

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Quando os dois acomodados na exagerada mesa de aço polido onde Paul estava almoçando:

— Barril, dois copos de uísque, você já sabe qual, pela me-tade sem gelo. Mas é então, coronel veio informar-me de que ganhei o prêmio Intergaláctico da Paz!

— Antes assim fosse!

— Vamos lá homem, toma o teu uísque e defeca a merda que trouxestes contigo para empestear o meu perfumoso vale e minha “preciosa” casinha.

— Estou aqui em missão para levar-te comigo até a Amazô-nia brasileira. O satélite estacionário Saruê Petit situado entre Santarém e Natal captou e gravou uma explosão num dos lados do motor traseiro de uma nave alienígena e o da sua queda na floresta sem incendiar-se por completo. Se conseguimos essa proeza e, se o ocorrido for mesmo verdade e não um engodo dos “visitantes” espaciais teremos a chance de pôr primeira vez chegar perto de uma nave extraterrena para. . .

Paul Clark interrompeu o comandante de supetão.

— Coronel eu estou em férias, é a primeira que consigo em cinco atribulados anos.

— Sem a menor chance Paul, não diga mais nada, quando da volta da missão te regalarei com o dobro ou o triplo destas tuas férias. . . deixa o que tens a fazer prá lá e vamos juntos. Então seu filho da mãe, aprume-se e mãos à obra. Trago comigo trinta homens treinados por você mesmo e, como as coordena-das do ocorrido com a desconhecida nave alienígena estão em meu poder, daqui voamos direto para o Vale do Javari lá na Amazônia.

A conversa tão direta e reta nem teve a duração de cinco minutos, além de o almoço ter-se fodido por completo:

De ter ido para a cucuia.

Mas o mesmo não aconteceu com o delicioso uísque.

Algo inesperado

A luta na selva amazônica produzira-se fantasticamente valente e Paul Clark, foi o único sobrevivente da batalha entre criaturas tão diferentes. Por um lado, uma unidade de mercenários à pro-cura de sobreviventes de os supostos aliados alienígenas perdi-dos por falhas mecânicas e de a explosão de um setor da nave de reconhecimento deles caída na floresta e, por outro lado, os bem treinados soldados especializados em confrontos (guerri-lha) na selva comandados por Paul Clark.

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— Que me carregue aquele que for o merecedor de a conquista da minha alma para o lugar onde a quiserem enfiar! — Paul descarregava o espírito em voz alta mais do que irritado ao ten-tar imaginar quem tinha sido o Tratante de toda a desgraceira acontecida naquele pedaço de selva amazônica imediatamente após a chegada ao lugar de a queda de uma suposta nave não terrena registrado pelo instrumento aeroespacial computadori-zado da SIDG:

Deus ou o Diabo

De as tantas mortes desnecessárias uma vez mais de os gru-pos em luta, apenas Paul Clark continuava vivo. Sem deixar de reclamar com ele mesmo, tentava pôr em funcionamento o radi-otransmissor transportável para pedir socorro, pois desconhecia por inteiro aquela grandiosa região da selva amazônica. Termi-nada a malfadada rinha de mortes, sozinho durante a travessia de um rio que não se encontrava indicado nos mapas, por pura sorte conseguira retirar do helicóptero destroçado que o trans-portara desde o vale onde tirava as férias até a selva amazônica, um bote de borracha inflável, uma mochila com documentos inclusive mapas, um estojo de primeiros socorros junto com o radiotransmissor. As armas ele as levava presas aos ombros. Ao tentar atravessar o rio desconhecido dele foi pego de surpresa por uma avalanche d’água repentina lançando-o rio abaixo por uma estreita garganta de violentas corredeiras em meio a enor-mes rochas e pedras pontiagudas na imensa extensão que se lhe apresentava à frente. Na hercúlea luta contra as água e rochas do rio, apenas teve a chance de salvar as armas que carregava nos ombros e o radiotransmissor. O bote, ah! O frágil bote de borracha inflável, ora bolas sem muito esforço a feroz natureza o tinha explodido, e bem bonitinho. Paul, que por sorte ou uma mãozinha de Deus, salvara-se sem ferimentos ou algum osso quebrado, não teve a certeza da sua localização devido à perda dos mapas que estavam dentro da mochila. De qual seria o quadrante na selva e quais às coordenadas. A bússola, bah, a bússola também já era. Encontrava-se destroçada no bolso da calça junto ao cano da bota da perna direita do traje camuflado pela empunhadura da faca de caça que levava enfiada no pró-prio cano da bota.

Desesperou-se, mas não pelo medo natural que o envolvia bem bonitinho.

Então, de surpresa como se se preparasse para assistir como-damente uma atração de ilusionismo preparado por mágicos competentes numa luxuosa sala de espetáculos qualquer, veio-lhe frente aos olhos uma indescritível surpresa:

— Mas que porra está acontecendo por aqui? Que merda e essa feito uma bola de futebol saindo de dentro do rio e aumen-tando de tamanho: se avolumando aos poucos? — Paul não teve tempo de como não o dizer de outra maneira. Disse o que primeiro aflorou do seu maltratado cérebro desde que o tiraram quase à força do sossego do seu vale.

Da sua casa de campo, entre aspas, em férias.

Um objeto, um aparelho; bah, de imediato Paul não teve o discernimento de como definir a tal aparição, mas que o objeto se parecia a uma bola de futebol, isso lá ele se parecia, mesmo.

Inclusive com o desenho dos gomos.

— “Bem disse eu ao coronel Nimbus de que essa incursão surpresa não estava na hora certa de se fazer, de que seria to-talmente arriscada e desnecessária”, meditava Paul Clark en-quanto com cautela se aproximava do inusitado objeto que, aos poucos aumentava de tamanho.

A surpreendente bola havia parado de se avolumar ao atingir o diâmetro de uns setenta metros; oitenta talvez. Paul, cautelo-samente a circundou por diversas vezes a passo tardo obser-vando com real atenção a existência de alguma abertura, ranhu-ra: bah, ele não entendia muito bem o que fosse que estivesse procurando. Paul, cansado de circundar o objeto parecido a uma bola de futebol baixo um Sol escaldante, permaneceu em estado de latência por tempo indeterminado para ele, olhando-a com hipotética curiosidade. Num impulso desconhecido dele, resolveu criar coragem para ir tocar a tal bola, pois desde onde se encontrava observando-a, e fazia tempo, não sentira a sensa-ção de frio ou de calor, nem quando com tremenda rapidez a tocara por primeira vez.

Nada emanava da tal bola.

— Esta esfera. . . — agora sim, Paul começava a dar nome aos bois —, por certo de que se trata de uma nave espacial. — Disse isso a Si mesmo, crédulo e em voz alta. — Por Deus de que sim, por primeira vez estou ao lado de uma nave alienígena depois de tantos e tantos combates!

Ao resolver ir toca-la mais uma vez, como foi mesmo, acon-teceu:

— Meu Deus, ela me atraiu fiquei grudado. . .

Murmurou como pode: o corpo de Paul Clark vibrava, a na-ve vibrava, o chão em volta da nave vibrava gerando energia ou inercia, não soube defini-lo sem lhe provocar a transmissão de calor ou frio. Coisa fantástica e sem igual, a vibração dos áto-mos ao redor da nave esférica não transmitia coisa alguma: na-da de nada. Quanto tempo Paul Clark permaneceu no estado de letargia grudado a nave alienígena.

Nunca o soube.

Por fim:

— Não tenhas medo, oh, humano. . . — Ouviu como se to-do o seu corpo fosse um aparelho auditivo —, a transferência do nosso sistema em estado quântico para o sistema biomolecu-lar do seu corpo e DNA quase está completado a fim que pos-sas penetrar e respirar dentro da nossa nave como se você esti-vesse no seu ambiente natural.

Escutou cético.

Pouco tempo depois:

— Está feito, humano a adaptação biomolecular foi concluí-da! — Paul Clark sentia-se como o bobo da corte, contudo sem fazer as tão conhecidas palhaçadas sem graça para agradar a realeza. — Não se assuste irás atravessar a matéria da nossa nave sem que haja a transferência e, ou intercâmbio de molécu-las ou energia cinemática entre as partes.

E, aconteceu o inusitado.

Paul Clark, em menos de um piscar d’olhos viu-se atraves-sando o casco da estranha nave como se fosse o fantasma de os antigos casarões assombrados depois de a morte de alguém por assassinato. O interior da nave intergaláctica encontrava-se abarrotada de instrumentos, chaves, luzes e painéis que, nem em sonhos futuristas Paul Clark poderia imaginar que existis-sem, mas nunca mesmo. Encontrava-se na ponte de comando da estranha nave feito bola de futebol com apenas três poltro-nas muito parecidas às fabricadas na época na Terra, contudo não pode observar os ocupantes ou nada que estivesse vivo em sua volta, quando:

— Humano. . .

Disse à voz que ouvira lá fora e Paul respondeu de voz en-durecida.

— Quem vocês são e onde estão?

— Estamos ao vosso lado e somos bem parecidos a vocês, humano.

— Não estou vendo ninguém, apenas instrumentos e luzes pisca-pisca — disse Paul desta vez à voz oculta.

— Pegue o capacete que está descansando ali na poltrona a sua frente ponha-o e você nos verá. O nosso mundo é diferente, em partes de o de vocês. Se vocês humanos pudessem enxergar a frequência, digamos cem vezes acima de a frequência de a chamada Luz Negra, poderia nos ver naturalmente. Ótimo já o colocou agora espere alguns instantes até que ele obtenha in-formações de vossa frequência de visão de luz do nervo óptico. Sente algum mal-estar ou tontura?

— Nada!

Respondeu Paul Clark.

— Muito bom. Aposto que já pode me ver?

— Aos poucos. . . — balbuciou admirado —, nossa que sur-presa vocês são iguais a nós, a diferença está nas orelhas de aspecto lobado. E vocês três parecem gêmeos.

— A nossa raça é assim mesmo, a diferença corporal é mí-nima entre todos nós. Companheiros, por favor, digam vocês mesmo vossos nomes.

Pontuou o locutor.

— Tudo bem Dejum. Paul, eu sou Apum.

— E eu sou Papum. — Disse quem se encontrava sentado ao lado de Apum.

— Prazer, eu me chamo. . .

— Nós já sabemos disso acabamos de dizer o teu nome. — Expôs o ser que lhe fazia sala. — Eu sou Dejum e viemos do planeta Bepum do sistema solar de Acum duzentos e vinte mil anos-luz, direção Norte e em linha reta do vosso planeta Vênus.

— Interessante. . . — observou Paul Clark aos seres metidos em túnicas brancas e cinza que iam esmaecendo em tonalidades cada vez menos vivas quase até os pés. — Podem explicar-me de como vocês sabem quem sou eu, por favor?

— O seu radiotransmissor o está chamando lá fora: Papum traga-o aqui para dentro. Paul Seus companheiros o estão pro-curando faz um bom tempo.

Informou Dejum.

O admirado Paul Clark se entusiasmou de verdade, não é que o aparelho radiotransmissor apareceu em suas mãos num estalar de dedos.

— Paul, responde essa chamada sem revelar que você se encontra com seres de outro sistema solar. Temos coisas impor-tantes a revelar e ninguém mais além de você deve ter conheci-mento do assunto, pois não resolveria nada sabê-lo ou não. Vamos ter uma conversa longa, mas não se preocupe, quando o resgate te encontre aqui na selva já estaremos longe da Terra; sossega! Temos coisas muito importantes a revelar-lhe.

— Paul Clark na escuta, câmbio. . .

Após meia-dúzia de chamadas chiados e estalos intermiten-tes:

— Faz dois dias que estamos no teu encalço, cara, o que foi que houve e porque tão largo hiato de comunicação no canal de segurança máxima. . . — Paul ouvia direto e reto a voz que de-monstrava irritante preocupação.

— Coisa muito séria, trataremos disso mais tarde quando da chegada ao QG. O rádio estava encharcado e só agora o dana-do desejou por vontade própria ajudar-me um pouquinho; brin-cadeirinha meu chapa — acabou dizendo de bobeira.

— Está certo, entendido estávamos todos preocupados. Es-cuta o satélite de comunicação da agência acabou de grampear a frequência do teu rádio transceptor e já nos transmitiu as co-ordenadas. Estas bastante longe da gente, hem. Vou enviar a equipe de resgate imediatamente. Em breve os helicópteros estarão sobre sua cabeça; esteja preparado. Algum ferimento?

— Entendido QG, nadica de nada de ferimentos, não ne-cessito dos primeiros socorros, repito sem ferimento algum, obrigado. Escute encontro-me sozinho, meus homens morreram no confronto direto com os malditos dos nossos conterrâneos ajudantes do Diabo, um helicóptero já será o bastante para tirar-me da floresta. No aguardo, câmbio e desligo!

Em seguida:

— Paul senta e presta atenção: Papum cede-lhe o teu lugar.

— Estou começando a preocupar-me — observou Paul Clark de olhos arregalados depois de sentado. De imediato sem mais nem menos a poltrona instantaneamente ajustou-se ao cor-po de Paul, afivelando-o num largo e reforçado cinto em forma de “X”.

O acontecimento veio numa baita surpresa acompanhado dum espanto sem igual.

— Papum desativa o cinto de segurança, não vamos sair voando: Paul me desculpa por não o ter prevenido antes. Na nossa nave, como não poderia deixar de ser tudo é de progra-mação automatizada. Pois bem, vamos ao que nos interessa: necessitamos muito de você. . . O universo no seu todo te ne-cessita. . .

— Como assim, não te entendi? — Paul Clark interrompeu a conversa de quem se intitulara Dejum. O ser que vomitava pa-lavras com secura, mas plenamente diretas.

— O universo até hoje ainda não conhecido por vocês, ter-restres, possui. . . — deu-se uma pausa para respirar —, para não entrar muito a fundo no assunto, digamos aproximadamen-te 280 bilhões de galáxias. Acontece que, ele em Si é imensurá-vel devido a sua constante expansão e evolução.

— Dejum para de confundir a minha cabeça. . . — disse Paul Clark interrompendo novamente a locução do comandante daquela estranha nave.

A cada minuto passado, Paul Clark mais e mais confuso ficava. Contudo sentia coisas estranhas; sua mente e corpo fer-vilhava sem o calor costumeiro ou qualquer tipo de suor expul-sado por toda a epiderme: sua mente era o próprio sangue circu-lando nas veias a velocidade incrível oxigenando magnifica-mente seu cérebro.

— Eu te entendo, Paul você ainda não se encontra mental-mente preparado para. . . me desculpa, sei que te encontras pre-ocupado pela chegada da equipe de resgate, sossega aí, ainda temos muito tempo pela frente. Continua prestando atenção em mim: nossa raça desde o princípio de tudo foi a escolhida para que viéssemos a ter, por merecimento, a honra de nos intitula-rem os guardiões da Terra.

— Piorou cara. . . estou fora disso. Me diz uma coisa: eu morri em combate lá na selva e “Alguém” veio me buscar?

— Logo, logo irás entender a coisa por inteiro, por favor, me deixa continuar.

— Vamos lá, tens certeza de que o resgate não chegara até nós tão cedo?

— Em absoluto, os meus companheiros estão tratando disso mentalmente improvisando imprevisíveis incidentes de percurso sem maldade ou perigo para alguém. Continuando: provavel-mente muitas coisas de o que irei revelar a você já sejam do teu conhecimento, contudo, necessito dar-te essas explicações para que durante o recorrer da minha narrativa você consiga encaixar com perfeição, na mente tudo o que irei dizer. Portanto, repito; concentre-se: eu disse de que é o universo conhecido, porque ele próprio em Si não pode ser medido além de ele, se encontrar sem parar em constante expansão como disse antes. Digamos que a sua idade é avaliada em 13,5 e lá se vão bilhões de anos-luz. Contudo ainda temos mais surpresas, os objetos mais dis-tantes que vocês terrestres já conseguiram ver são os quasares, e a maioria deles estão a uma distância de, lá pelos 13 bilhões de anos-luz. Deduzindo: digamos de que isso é quase a idade do universo. Então, por Si só eles são os corpos celestes suposta-mente mais antigos de todos os universos. Estou dizendo isto como se eu professasse como um astrônomo terrestre, pois essa ciência no nosso sistema solar ainda é mais avançada, complexa e complicada de entender. Desculpe! Para terminar este introi-to, aparentemente vulgar, digo de que, a idade do universo es-timada por vocês aqui na Terra, está avaliada de que seja cerca ou um pouco mais de 156 bilhões e alguns tantos de anos-luz.

— Caramba camarada, algumas coisas eu sei, outras coisas ainda não. Mas, e então, do que se trata a minha tal ajuda tão necessitada.

— A nobre ajuda ou colaboração de sua parte não será ape-nas para nossa raça, e sim, para todas as raças existentes no uni-verso. Dizendo isso mais claramente: de as de todas as culturas existentes em todas as galáxias, humanas, híbridos entre as ou-tras tantas e tantas raças ainda desconhecidas por vocês, huma-nos.

— Bem Dejum, até agora você falou, falou e falou e não me disse coisa alguma. Apenas me expos suposições. . . bah, deixa isso pra lá, os meus pensamentos estão se tornando vórtices desencaminhados.

— Continuando: — disse Dejum sem se preocupar se Paul naqueles momentos entendia suas palavras ou não. Tantas e tais explicações eram radicais e necessárias. Ao final das contas Paul acabaria sabendo de tudo de uma maneira ou de outra ainda que com estranheza, porém com o passar dos dias depois desse encontro, sabe-lo-iria, mesmo. — Nossa raça está ao lado, de vocês, homens aqui na Terra há milhares de séculos, milhões de anos e, junto a ti faz poucos anos, digamos desde a tua ado-lescência.

— Continuo na mesma, como junto a mim desde jovem se nós nos encontramos frente a frente agora pouco?

— Você reparou de como nós surgimos de dentro do rio e fomos aumentando de tamanho? E ainda digo mais; é a primei-ra vez que algum humano nos vê.

— Se vocês apareceram bem na minha cara como não os ter visto, né! Assustaram-me um bocado e ainda me assustam. — Comentou confiante e, por primeira vez riu-se de ele mesmo por situação tão. . . sabe-se lá de como e de o porquê.

Paul começava a sentir-se otimamente bem como nunca se sentira antes.

— Toda nossa raça é paranormal e os mais desenvolvidos, que são bem poucos podem se comunicar telepaticamente por meio do pensamento ordenando os cérebros a fazer coisas in-críveis. Aqueles que têm, ou melhor possuem a incumbência de evitar que a Terra seja destruída pelos próprios homens; “bum” que a explodam e que a façam desaparecer do universo de vez, sempre foram doutrinados por uma entidade de existência nun-ca sabida por nós, nem o da sua real idade. Sabemos apenas que existe e comanda a nossa raça. Ele, se é que se pode assim de-nominar, vive isolado num santuário na montanha mais alta e gelada do nosso planeta controlando-nos desde lá. Régio, é assim que nós o tratamos. Se vocês o vissem o tratariam como “Cérebro”, pois ele se parece a um cérebro igual ao seu ou ao nosso: acredite, são tremendamente parecidos, só que o dele é gigantesco. Por ordens do Régio tivemos que fazer com que você depois de tanto tempo lado a lado com a gente na inviabi-lidade como os espíritos nos descobrisse, e assim fizemos isso acontecer. O Régio teve a visão que você, e não nos explicou o motivo, deveria ser avisado e doutrinado de que nós os guardi-ões, fomos mandados de volta para casa e de que, nunca mais apareceríamos por aqui para proteger a Terra de a desgraça que os próprios homens, se não tomarem os cuidados devidos pode-rão fazer ao planeta. Pareceu-nos que o poder mental do Régio está com problemas e adoentado com falhas de memória, se isso piorar será a perdição de todos nós: ou seja para toda a população do nosso planeta e para “todo” o mais existente. Desde o surgimento do homem na Terra, sempre, alguns de nós esteve vigilante para evitar que vocês humanos acabem uns com os outros e com o planeta. E é certo de que, mentalmente já obtivemos sucesso inúmeras vezes. Foi justamente por esse mo-tivo que eu disse a você que somos os guardiões da Terra. Se a Terra desaparecer do vosso sistema solar, haverá o caos no uni-verso por inteiro e ocorrerá um novo Big Bang. Então tudo o que existe se transformarão num imensurável Sol sem vida al-guma ao seu redor. Nem mesmo o vazio do espaço existirá mais e, ninguém deseja que isso aconteça: de que, tudo o que existe desapareça para todo o sempre. O que muitas raças alienígenas não compreendem que isso pode chegar a acontecer. É por isso que “alguém” tem o desejo de a conquista da Terra para poder se proclamar o Kaiser dos universos existentes.

— Entendi e é mais do que certo de que apenas com o que ouvi: te digo; eu já estou é ferrado. Vocês estão tentando dizer de que eu devo enfiar na cabeça dos chefões das nações mais poderosas de o perigo que o espaço sideral corre por se por ven-tura acontecer a tão temida guerra nuclear ou mesmo de a con-quista da nossa raça por seres de outros mundos. Barbaridade, de a presença de vocês aqui na Terra na invisibilidade por mi-lhões de anos e de a vossa partida repentina para sempre e, ain-da de um Big Bang que acabará com a vida de todas as raças das galáxias e dos universos em Si se os próprios presidentes dos países em guerra destruírem o seu Habitat! A Terra! Ca-ramba, amigos eu não sou Deus. E tem ainda mais, mesmo que consiga o feito de transmitir-lhes esta bosta toda, me tratarão como um subversivo e me internarão amarrado até os pentelhos para sempre numa pocilga de um sanatório qualquer. Num bu-raco sujo e escuro deste nosso danado mundinho tratado até a morte a pão e água.

— Nós sabemos disso, de tua parte será um trabalho hercú-leo, contudo como o Régio previu, e por enquanto ainda acredi-tamos nele, de que tu serás e ninguém mais aquele que com a benção do vosso Deus, e de alguma ajudazinha planetária a salvação de todos e de todas as coisas existentes nos universos. Isto é, desde que vosso Planeta continue existindo. A doença e o enfraquecimento mental do nosso Régio, acreditamos que seja em decorrência do ataque mental por anos a fio de outra raça alienígena que deseja apoderar-se do nosso planeta pela riqueza que possuímos, pois a quilômetros abaixo da superfície, em seu todo se encontra todo o tipo de minério de alto teor, de pedras preciosas, de ouro e de prata. O nosso planeta e consti-tuído do que acabei de dizer: de uma riqueza imensurável que não serve de nada para nós. O que eles querem, decerto é aca-bar conosco para apoderar-se do planeta e, como nós nunca fabricamos ou possuímos uma única arma sequer, para que não sejam punidos por sua verdadeira culpa pelos juízes universais, sob o manto da escuridão, e não tão somente a nós, estão nos dizimando mentalmente aos poucos. As nossas mentes cada dia se enfraquecem mais e mais, explicando melhor, o nosso cére-bro vai-se mumificando aos poucos até não mais receber o ar que nós respiramos através do sangue. Logo sucumbiremos se nosso Régio não recuperar na sua totalidade os poderes mentais para que possamos combater a besta inimiga que nos ataca men-talmente com toda energia e potencialidade, devolvendo-lhe com mais energia as ondas cerebrais, as mesmas ondas que ele usa contra os mundos do seu interesse. O Régio possui poder para tal façanha, combater o inimigo, contudo. . ., como nos foi doutrinado, passamos a ti nestes exatos momentos, sem escapa-tória, o único ser vivo dentre todos, aquele que, poderá mudar a história de todo o infinito toda a sabedoria, que com a tua competência saberás como evitar o desaparecimento de tudo o que existe e nos rodeia.

— O resgate em minutos nos alcança — informou Papum.

— Paul. . . — sussurrou Dejum, o comandante da estranha nave de seres parecidos aos terráqueos vindos de outra dimen-são espacial.

— Já sei, sinto que está chegando hora da despedida. Nem sei mais o que dizer, contudo o que vocês três estão jogando em minhas mãos é um verdadeiro artefato nuclear único e verda-deiro. Não me borrei todo porque estou sem me alimentar faz três ou quatro dias.

— Nosso tempo está por acabar Paul, retira o capacete e prende a respiração uns dez segundos para que possamos rea-dapta-lo ao seu natural bioelemento. O celulífero-biomolecular já se encontra em transição para que possas respirar novamente lá fora. Adeus; nossa raça também está correndo perigo com a repentina insegurança do Régio devido aos ataques mentais do nosso inimigo. Boa-sorte na vida, humano: foste o primeiro e único ser humano a nos ver e falar desde o vosso surgimento e evolução aqui na Terra. Gostamos com real prazer tê-lo realiza-do!

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Três gigantescos helicópteros de ataque carregavam no bojo meia-tropa de elite de primeira linha em cada um. O menor de todos os helicópteros com uma cruz vermelha pintada nas late-rais e por debaixo da fuselagem, também avançava de metra-lhadoras apontadas para fora a toda velocidade seguindo o cur-so do rio ultrapassando a perigosa cachoeira onde Paul, por muitíssima sorte não tinha se afogado.

— Lá está ele na clareira à beira do lago formado pela água cachoeira, vamos descer para resgata-lo — informava o piloto do primeiro helicóptero a um jovem tenente atrás de Si ao ver Paul ao longe.

A manobra de descida esteve complicada por falta de espa-ço, mas ao final, tudo dera certo.

Os pilotos eram jovens, mas experientes.

— Ei Paul, cadê os teus comandados? — perguntou o capi-tão Rhames, o militar que descera primeiro para resgatá-lo da-quele fim de mundo de um verde inacabável.

— Mortos, capitão. Emboscada dos mercenários — disse Paul mal-humorado.

— Todos eles, Paul? E os alienígenas?

— Sim, todos eles capitão, infelizmente. E também todos os guerrilheiros que nos emboscaram desta vez sem a ajuda dos alienígenas que, provavelmente também foram para lá pelo mesmo motivo da gente sem se mostrarem a nós: as placas de identificação dos companheiros combatentes mortos estão nos bolsos da minha farda-de-campanha. Apanha as minhas duas metralhadoras e vamos embora da aqui. Eu levo o radiotrans-missor: o relatório a fazer vai ser de arromba. Aqueles que o que o lerem vão se arrepiar de verdade e talvez até me internem num sanatório de alta periculosidade pensando ser uma evasiva de minha parte: uma desculpa esfarrapada para encobrir a tra-gédia acontecida há pouco e as responsabilidades por tanta ma-tança.

— Por certo Paul, basta de conversa que não me diz nada andando rápido, rápido embarcando. Dá-me a tua mão que eu te ajudo a subir. Dei ordens para que todos ficassem com os motores em funcionamento prontos para a partida ou para um possível combate.

Acomodado, Paul Clark de La Rue olhava com preocupação desde o espaço aberto da fuselagem do helicóptero para fora imaginando a porcaria que sua vida iria se transformar desde o encontro dos alienígenas da estranha astronave esférica; a que se parecia a uma bola de futebol.

Num incrível flashback veio-lhe à lembrança de haver solici-tado poucos dias atrás ao seu robozinho tipo barril de cerveja um brandy duplo e sem gelo no capricho ao tempo em que, se-gurava o esboço das suas aventuras a fim de envia-las quando revisadas a um editor qualquer para virarem livros de ficção antes de o coronel Nimbus tira-lo do sossego durante o almoço de os peixes que pescara na madrugada no rio do seu “sossega-do” vale.

O vale de o seu “real” sossego!?!?

O Impossível

Após um desastre de carro, Diana Brunhem, que era a passagei-ra esteve nos braços da morte. Todavia, por obra do acaso, ou pelo sortilégio de cada um de nós, ou coisa que o valha, aconte-cimentos estranhos que uma vez ou outra passa a ser a nossa realidade boa ou má nos agarra. Diana Brunhem retornava das trevas depois de o grave acidente de carro acontecido com ela. Seu namorado, porém, não teve a mesmíssima sorte. Após de mais de meia-hora de abandono na estrada numa segunda-feira bem cedo sem movimento algum depois de saírem da cidade de Campos do Jordão, foram socorridos por um casal de turistas que estava por visitar a região e levados para o hospital mais próximo num miúdo carro onde mal e mal cabia o casal que os socorrera.

Diana Brunhem ao despertar do coma que se encontrava fazia meses, veio-lhe a surpresa por duas revelações. A de a morte do namorado que estava com ela, o seu primeiro caso de amor e, o estado de saúde satisfatório dela e o da filha que es-tava por nascer. E não demoraria nem mais meia-hora. A en-fermeira ao examina-la pelo estado avançado de gestação para ver se já estava na hora do parto para chamar a doutora, por imperícia rompera-lhe o saco amniótico.

O Planeta Corvus

— Em concordância com as nossas leis, você Digma Gimel, a última sobrevivente em batalha dos derrotados, o Clã da Or-dem dos Brancos, está condenada a vagar por todo o sempre pelo espaço sideral entre as lâminas translúcidas de clausura despojada das suas vestes e pertences. Em plena consciência, verás passar a tua frente milhares de astros, estrelas, sóis assim como as Novas. Depararás novos mundos com novas civiliza-ções surgindo e, ou desaparecendo no teu exílio sem se mexer ou poder fazer nada. E assim, quieta ficarás vagando para todo o sempre. Entretanto, devemos ter a esperança de que nunca colidas com corpos celestes cujo aspecto se assemelhe ao do vidro para que o teu castigo entre as lâminas translúcidas de clausura seja eterno: para que não pereças no vácuo. Digma Gimel esta será a tua pena por querer confrontar o Clã da Or-dem dos Negros. Como sempre procedemos nestes momentos, damos-te o direito a um último desejo. O que você nos diz?

— Quero que todos vocês do Clã da Ordem dos Negros morram e ardam no mais negro dos. . .

Ninguém chegou a ouvir tais pragas. Um feixe de energia de ativação, que mais parecia à rubra chama de um maçarico no seu magistral trabalho de destruição ou soldagem, foi envol-vendo seu corpo sem chamas ou claridade alguma, mas muito ofuscante em questão de milésimos segundos.

— Já que a Digma se encontra emparedada entre as lâminas translúcidas de clausura, que comece o processo de o envio das lâminas para o firmamento — disse com retidão o carrasco.

— Iniciar fase de meio-curso um?

— Energia de ativação atordoante, mas sem chamas ao seu comando, meu senhor.

— Preparar para teletransportar as lâminas translúcidas de clausura para a sexta dimensão.

Anunciava o carrasco, olhando para os técnicos especialistas do Clã da Ordem dos Negros que, ardorosamente manuseavam os estranhos controles do aparelho teletransportador de carga energética (biomorfose) criada por um poderoso engenho bio-molecular:

O poderoso sistema que transferiria Digma Gimel para a sexta dimensão a fim de a viajante perder-se para todo o sem-pre no infinito do cosmo.

— Tudo pronto senhor, primeira fase concluída — disse um dos técnicos operador do engenho espacial.

— Segunda fase, quero-a para o ano passado. — Ordenou o carrasco. — Ajustar as coordenadas para que quando Digma se encontre no infinito, após o retorno, também de a própria fre-quência ultrassônica das placas a nossa real dimensão pelo feixe luminoso de atração, Digma seja projetada a toda velocidade para a galáxia recém-descoberta chamada de Novua onde nos seus confins começará o seu verdadeiro castigo já na sexta di-mensão. Ao meu comando! Dez, nove, oito, sete. . . um. . .

De repente:

— Pare, pare com a contagem senhor, interrompa o processo de teletransferência agora mesmo! São ordens do supremo che-fe Orfen. — Gritava em visível desespero ao invadir o salão de execuções um dos oficiais de uma patrulha do Clã da Ordem dos Negros. — Precisamos da Digma no nosso mundo — o oficial continuava berrando. — É imperativo que a Digma con-tinue em nosso meio, interrompa imediatamente a teletransfe-rência de execução! — O oficial continuava falando aos gritos com sofreguidão.

Faltava-lhe o ar pela corrida e por toda a momentânea agita-ção.

— Impossível — proferiu o carrasco. — Já está feito! Digma não faz mais parte do nosso mundo nem do nosso sistema solar.

Os olhos do oficial fitaram firmemente os olhos do carrasco e, de ombros e braços caídos de cabeça pendendo para um dos lados, viu-se abarcado na merda que seus irmãos acabavam de perpetrar.

— Então chegou nosso fim! Estamos todos condenados! — as palavras quase não lhe saem da boca nem entendidas pelo carrasco.

— O que é que você está dizendo, homem. Diz outra vez, desembucha essa tua conversa direitinho, pois não te entendi!

— Senhor, sem um último ser vivente do Clã da Ordem dos Brancos ou dos Negros no planeta a profecia têm seu início imediatamente!

— Espera um pouco: a profecia? Você se refere à velha pro-fecia escrita por algum profeta maluco ou mal-intencionado. O nosso Primeiro Testamento onde diz de que se o último de al-guém de um dos Clãs deixar de existir em nosso planeta, a des-truição e o desaparecimento de tudo e de todos virá em questão de pouco tempo? Isso é um mito muito antigo impossível de acontecer! A coisa toda foi escrita no início da evolução da nossa raça por pessoas que diziam ouvir ou conversar com nos-so Criador.

Expressava-se atônito o carrasco, contudo, em dúvidas pelo que ouvira do oficial, que também de alguma maneira ou de outra não tinha pleno conhecimento do assunto, esperava ouvir algo de mais sólido de outro alguém de maior cultura religiosa. Ele era apenas um militar de carreira e não um estudioso envol-to no estudo de crenças escritas por pessoas nos primórdios de a evolução do planeta Corvus.

Os presentes no salão de execuções abarrotado de aparelhos de formas das mais variadas com luzes coloridas que piscavam sem cessar começavam a se alvoroçar pelo que o oficial dissera ao carrasco minutos atrás aos berros. Todos conheciam pouco ou muito a antiga profecia, mas no fundo no fundo, ninguém acreditava nela. Todos pensavam que aquilo era um mito para evitar guerras desnecessárias e, ou de a aniquilação total de um ou de outro dos Clãs. Tempo mais ou tempo menos as rinhas aconteciam a miúde, mas nunca com a aniquilação total de um dos Clãs.

— Infelizmente senhor, é verdade! Sinto ter chegado tarde demais. Senhor acompanhe-me até o laboratório de arqueoas-tronomia e veja o senhor mesmo porque vim tão apressado in-terromper a execução de Digma Gimel.

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Não muito tempo depois de o parcialmente ouvido na sala de execuções:

— Orfen, o que é que está acontecendo para tanto alvoroço? — indagou um tanto céptico ao chefe Supremo, o carrasco Ka-fren que também possuía o cargo de comandante de todos os exércitos do Clã da Ordem dos Negros.

— Veja com seus próprios olhos, Kafren. — Disse Orfen, o Supremo indicando para uma enorme tela panorâmica no fundo do salão apinhado de instrumentos de busca e estudo astro-estelar e centro de estudos avançados de biologia-médico-social. — Veja o anteparo televisual, ali se encontram nossos dois Sóis, o Prósion o Acubes e a nossa Lua Menkar. Esse se-micírculo escuro, na frente, mais embaixo da tela, é Corvus, o nosso planeta por pura coincidência envolto em um eclipse.

— E o que tem isso a haver com a profecia mencionada à solta para todos ouvirem?

— Ora, ora, ora! Kafren! — Orfen subiu um pouco mais o tom de voz. — Você já se esqueceu disso? Está perdendo a memória? O Primeiro Testamento é o que antes de mais nada se estuda e se aprende nos primeiros anos de escola.

— Me esqueci, relembre-me de o que exatamente se tra-ta?

— Se você não está se recordando comandante Kafren, eu posso tentar refrescar a tua memória ao menos um pouqui-nho.

— Segue em frente Orfen! — disse Kafren, estava co-meçando a preocupar-se.

— Isto em partes é o que está escrito nas nossas Escritu-ras Sagradas, o livro Santo de quem acreditamos ser quem o mandou escrever; o Criador de tudo e do que nós somos. — Observou Orfen, o comandante Supremo, irascível, dissertando a seguir mais ou menos de memória um pequeno trecho de o que estava escrito nas Escrituras Sagradas. “. . . quando não restar nenhum de nós, de um ou de outro Clã, dos Brancos ou dos Negros, nossos Sóis se chocarão para tornar-se um só e, mais tarde com a Lua empurrando-a até Corvus, destruindo-o por completo transformando tudo em um único Sol de gigantes-cas proporções. . . acabando com tudo e todos”, a grande mai-oria de nós, pensa de que tudo isso não passa de um mito, uma antiga lenda escrita por algum suposto profeta idiota para apa-ziguar os corações e as rivalidades de ambos os Clãs, mas não é bem assim Kafren, essa profecia é verdadeira, agora infelizmen-te com toda a certeza já o sabemos, veja! — Orfen pediu-lhe mais atenção indicando novamente o gigantesco painel televi-sual —, não nos resta mais nada a fazer a não ser esperar a nos-sa desgraça, o desaparecimento da nossa raça. A nossa destrui-ção total. Nada irá sobreviver ao cataclismo. Nada, absoluta-mente nada. E nós mesmos provocamos isso pelo o ódio de ambas as partes nada mais nada menos que irmãs. Presta bas-tante atenção. Olha bem para os marcadores. Aqueles com os números em branco girando vagarosamente, mas sem parar.

— Estou vendo, o que são ou significam?

— Os da direita, indicam a velocidade de aproximação dos Sóis um do outro, veja que eles se mantêm, aos poucos uni-formemente acelerados. Os da esquerda é a distância entre eles, o mostrador central indica a distância deles com a Lua. Mais abaixo a distância de aproximação de os três astros ao mesmo tempo até nós, a Corvus. Depois do choque os três se tornarão um único Sol e atrairão Corvus para que ele faça parte de um novo início. . . a do início da existência no universo um novo astro candente entre tantos e tantos outros no cosmo. Perceba que a distância mostrada mui lentamente é cada vez menor. — Orfen deu-se uma pequena parada na voz tossindo seco para em seguida continuar: — depois do choque dos Sóis com a Lua e com nós mesmo, tudo se tornará num único Sol, alterando o espaço-tempo do nosso sistema solar. E tudo isto é irreversível numa questão de tempo: de muito pouco tempo, sem sabermos o quanto. Contudo a morte lenta, mas terrífica nos alcançará cedo ou tarde.

O acaso

— Para onde você está me levando, amor?

A garota perguntou ao namorado. Encontrava-se “conforta-velmente” afivelada ao lado direito no novo carro comprado esse ano, alguns meses antes, de bancos forrados com pele de carneiro marrom barrento.

— Vamos passar um fim de semana em Campos do Jordão. Na primavera tudo por lá é lindo, muitas flores, você vai adorar de conhecer. . . esqueceu da minha promessa de aniversário, Diana?

— E você vai-se comportar direitinho comigo, não vai? Ainda sou virgem e não tomo remédio algum.

— Por certo de que sim gatinha linda, sem pressa alguma para essas coisas.

Disse o namorado sorrindo intencionalmente por dentro. Diana Brunhem, no dia anterior tinha acabado de completar os seus dezoito aninhos e era uma verdadeira gata de pura linha-gem bem branquinha.

O final de semana passou rápido e, Diana adorou os lindos passeios e os inocentes carinhos de araque, estreados sem muita competência. O moço nem de longe desconfiava de que ele era o primeiro namorado com quem saíra sozinha por primeira vez para longe de casa na vida.

Ao cair à noite. . .

A última do passeio:

— Carinho prepara a bagagem para que amanhã bem cedo não percamos muito tempo com a arrumação para em seguida irmos jantar.

Como a pensão onde estavam hospedados não servia janta nem almoço, apenas café matinal, rumaram para o restaurante que havia em uma das esquinas do quarteirão quase que ao lado da pensão.

Sentaram-se.

— Mocinha, duas caipirinhas no capricho meio pinga meio gim, por favor. — Solicitou o rapaz à jovem atendente que se aproximara deles quando já sentados vestida à moda do Tirol.

— Suas identidades, por favor — solicitou na maior educa-ção desconfiada de que o casal fosse ainda de menor. — Des-culpem-me sim, mas é que já tivemos certos “atritos” com al-gumas das secretarias da prefeitura.

— Por nada, não foi a primeira nem será a última coisa a ser feito com alguém — observou mansamente Diana.

— Vou servi-los em instantes, saboreiem primeiro o canapê, ele é por nossa conta.

Após duas rodadas de as mesmas caipirinhas e, ainda por cima com uma bela meia-taboa de frios lambuzaram-se com uma picante sopa de tartaruga servida bem quentinha e engros-sada na própria carapaça com duas colheres de (madeira) con-feccionadas artesanalmente para serem usadas nas sopas de tartaruga servidas naquele restaurante.

Uma beleza.

— “Legal carga rápida à vista”, pensou o tonto do namora-do devido à reforçada sopa de tartaruga consumida enquanto iam saboreando belos pedaços de carne de javali passados na brasa e ao ponto. Mais tarde depois de o, para lá de um cafezi-nho arretado, já na rua:

— Gostou da comida, carinho?

— Estou até ficando tonta, me paga um sorvete para refres-car a cabeça — disse à toa como se isso em realidade fosse pos-sível de acontecer no seu estado.

Cambaleava um pouco.

Não, não, isso não, cambaleava bastante.

Bendita caipirinha meio gim e meio pinga.

O garotão que tinha presa em leva-la para a cama, expôs a seguir:

— Cristo, você precisa com a máxima urgência de uma du-cha fria e mais café forte sem açúcar.

— Estou muito tonta — desabafou às pressas. — Acho que vou vomitar.

— Aguenta um pouco aí que eu guio você, vamos para a pensão. Ainda bem que ela se encontra quase ao nosso lado.

Ao por lá chegarem:

— Precisa de alguma ajuda meu jovem? — perguntou a do-na da pensão que assistia televisão sozinha na gerência ao vê-lo levar a garota a supremo esforço até o quarto:

Ao arraste.

— Não obrigado, uma bela chuveirada e ela fica legal bem rapidinho. Bebeu um tiquinho a mais da conta.

— Você é quem sabe!

Por sorte o quarto era no térreo.

Entraram:

O jato d’água daquela ducha era de primeira qualidade, uma beleza.

— Pronto, agora só falta retirar a calcinha, se apoia em mim e puxa ela com os pés pra baixo. Isso, isso mesmo, viu foi fácil, não foi? Se acalma e continua mais um pouco debaixo da água. — O ilustre garotão há tempo estava peladão de membro enri-jecido.

Quando no quarto junto a cama depois da “bendita” ducha bem fia:

— Me dá a mão que vou deitar você. Deixa que eu fique com a toalha. Isso mesmo agora levanta a cabeça para que possa pôr o travesseiro nela e cobrir você bem legal.

— Estou com frio. . .

— Eu resolvo isso rapidinho deitando-me ao teu lado com mais um cobertor por cima da gente.

— Não faz isso eu sou virgem — ao revela-lo uma vez mais, Diana sentiu o membro do agora seu antagonista enrijecido.

E vieram os empurrões, e vieram os afastamentos entre ou-tras coisas mais sem nada de o aproveitador conseguir abrir-lhe as penas. Extenuada por tanta luta cheia de “mé” na cabeça, ao virar-se de costas para desmaiar de vez, deu-lhe a chance de a tentativa da penetração. Mais do que às pressas por detrás de Diana, num relance mal-arranjado, conseguiu a penetração, mas não profunda estava muito apertado.

Coisa rapidíssima.

Três, bah, cinco segundos apenas:

Não, não um pouco mais do que isso.

Ao conseguir menos de uma meia penetração, sem um sim ou um não teve uma ejaculação precoce.

— “Que merda! Não tiveste tempo de nada, seu frouxo” — elogiou-se ele mesmo. — “Mas que cara mais trouxa”, reclamou outra vez de Si para ele mesmo pensando na merda feita, a de sem querer encher-lhe a porra da entrada da buceta de esperma.

A essa altura Diana encontrava-se no quinto ou sexto sono dos justos: ou seria o sono dos “inocentes” pecadores? Será que o tal ato insano fora o suficiente para fazê-la perder a virginda-de? Mas, e o esperma na entrada da vagina na rápida e insigni-ficante penetração? Será que Diana se sentiu ser violada? Doeu? Hum sem sangue algum! Isso não houve mesmo, mas é no dia seguinte?

É nos outros?

Diana não soube, mas o nobre garotão teve o trabalho de pegar uma caneca d’água, uma toalha pequena molhada para lhe limpar a vagina por dentro e por fora. Além de o púbis e o lado das coxas.

Um trabalho bem-feito.

Quando o Sol por primeira vez penetrou no quarto pelas frestas da veneziana da janelado do lado leste da pensão:

— Acorda carinho, já está na hora de irmos para casa — de conversa mole em conversa mole lhe acariciava os seios com delicadeza. Na noite anterior não teve a oportunidade de toca-los, nem chegou a dar uma só chupadinha num deles que fosse.

— Me beija amor, vamos tomar uma ducha e cada um para sua casinha. Adorei este fim de semana. — Disse Diana e, num impulso espontâneo alheio à razão tocou-se o sexo com sofre-guidão para em seguida cheirar e chupar os dedos.

Sem mais palavras Diana levantou se da cama, pegou o na-morado pelas mãos e, para o chuveiro partiram na maior felici-dade. O garotão deu-se um suspiro de alivio, escapara por pou-co de ser guilhotinado. O pescoço ainda se encontrava no lugar e a outra coisa também, contudo sem intenção aparente tocou-se o membro.

Continuava no lugar, uma beleza.

Essa segunda-feira a cidade de Campos de Jordão estra-nhamente encontrava-se sem movimento algum e era bastante cedo. Depois de o café matinal, na maior maciota acabaram passando com o carro pelo portal de boas-vindas da cidade rumo à rodovia Presidente Dutra na direção a São Paulo.

— Liga o rádio quero ouvir as notícias da manhã. . . para, para por aí, deixa ele nessa estação.

— Está certo carinho. Você comeu pra caramba no café da manhã, hem!

— E que estou me sentindo legal e não sei se foi devido à bebedeira, apenas sei de que só tive bons sonhos. Que bom! Sonhei que. . . bah, ora bolas, deixa isso para lá.

Lá pela metade da serra antes de a chegada a rodovia Presi-dente Dutra, Diana a olhares de Lince enxergou um ponto lu-minoso num bravo pisca-piscar aproximando-se a toda veloci-dade na direção do carro onde eles se encontravam pelo no vidro da frente.

— Estou com medo. Está vendo aquele troço no céu na nos-sa frente, amor. Está se aproximando a toda velocidade. O que será que é? Um meteoro?

— Coisa boa e que não vai ser. Vamos sair já do carro. . . rápido, vai acabar se chocando com a gente!

Não tiveram tempo algum, a velocidade do objeto que se aproximava deles era espetacular. Entre duas lâminas de um tipo de vidro transparente uma mulher nua se achava no meio delas pronta para colidir com o carro de aquele casal de namo-rados.

O estranho tipo de vidro ao chocar-se com para-brisas entrou em concussão com o mesmo dando-se a explosão e o colapso. As moléculas de os materiais eram de mundos diferentes. Ao dar-se a reação espontânea as moléculas interagiram como o romper de a velocidade do som, gerando a denominada mole-cularidade. Todo o vidro existente após o choque, em segundos quimicamente transformava-se em gás ou vapor desaparecendo rapidamente no ar, mas não a mulher que chegara do céu entre as lâminas transparentes:

Não por muito tempo.

O corpo da bela visitante espacial jogado ao desleixo por cima do frágil corpo de Diana, aos poucos ia se volatizando; ia desaparecendo no ar seco e abafado de aquela manhã na estra-da descendo a serra por reações químicas. Diana não sentia pe-so algum em cima dela, contudo ao dar-se o contato carnal, deu-se o início de um transplante celulífero-molecular: novos genes estavam sendo implantados nos cromossomos da jovem Diana Brunhem. A mulher vinda do espaço estava morta, desa-parecera no ar dissolvida no corpo de Diana. O bizarro aconte-cimento ocorreu quase que instantaneamente na incompreensí-vel solidão da estrada sem a presença de testemunhas.

Não no imediato acontecimento.

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— Querido, freia o carro, agora! Não tá me ouvindo não, seu surdo? Que acidente feio foi esse por onde nós passamos? — a jovem senhora momentos antes do grito acabava por vislumbrar um desastre na estrada. Por uma inexplicável, sabe-se lá o que, acordou num sobressalto avassalante quando passavam pelo lugar que tanto há havia surpreendido. — Dá a volta e para na frente do carro acidentado. Os ocupantes devem estar muito feridos ou mortos. Cristo que coisa horripilante. Anda rápido!

O casal de turistas que visitava a região foi quem tinham reparado no gravíssimo acidente ocorrido na larga avenida que dava acesso à cidade de Campos do Jordão. Por obra do acaso ou destino naquele horário à estrada da serra, se encontrava às moscas.

Era muito cedo.

— Meu bem cadê o outro ou os demais veículos acidenta-dos? Fugiram? Como? — perguntou a jovem senhora ao mari-do.

— Estou sabendo o mesmo que tu — disse ele preocupado pelos problemas que iriam ter pelo ato de bondade da esposa.

Sua mulher arranjara-lhe uma encrenca das bravas. Bem sa-bia ele de as consequências e das horas que iriam perder na de-legacia dando o seu depoimento e mais tarde no tribunal se o caldo viesse a engrossar demais da conta depois de fervido e passado do ponto certo.

— Bah, minha santa, você conseguiu, veja lá em que merda você nos meteu dando uma de bom Samaritano!

— Desce logo do carro e vem comigo, seu chato. Não está vendo que o casal precisa de ajuda, ó infeliz desalmado.

— Que merda. Vamos lá!

O maridão não parava de reclamar.

— Amor, cadê os vidros do carro? Que porcaria é essa, não vejo nadica de um grãozinho se quer espalhado pelo chão ou dentro do carro. Sumiram todos! Como? Cadê os outros veícu-los. . .?

— Vai para o lado dos passageiros para ver se a moça ainda respira enquanto eu dou uma espiada no rapaz.

O casal de turistas com excessivo cuidado tratava de procu-rar sinais vitais tocando nas jugulares e nos pulsos, contudo entendiam pouco de os primeiros socorros, mas de uma coisa tiveram certeza: o rapaz estava morto a moça ainda não.

— Amor chama os bombeiros.

— E para agora mesmo — não deu certo, outro entrave. — Que merda, bateria esgotada, droga de celular usado que pa-guei barato!

— Não se vê carro algum nem ninguém circulando no peda-ço faz um tempão para pedirmos ajuda amor. Não podemos deixar a moça aqui porque ela morre. O que vamos fazer?

— Vamos leva-los para o hospital mais perto. O GPS do nosso carro nos indicará qual é o trajeto a seguir. Como o porta-malas se encontra aberto veja se há alguma coisa lá dentro para a identificação do casal enquanto carrego a moça para o nosso carro. Depois volta para cá e vê se se temos alguma bolsa ou qualquer tipo de bagagem dentro do carro, sei lá eu. Em segui-da venho buscar o rapaz. Anda, anda rápido bom Samaritano.

Após um bom tempo de abandono na estrada, finalmente o casal acidentado recebia o auxílio devido e merecido pela pare-lha de turistas que estava por visitar a região levando-os para o hospital mais próximo no seu miúdo carro onde mal cabiam os próprios salvantes.

À procura de Digma Gimel

Kafren, o carrasco e chefe do exército do Clã da Ordem dos Negros do planeta Corvus desesperou-se, cometera um gravís-simo erro. Como foi tolo em não acreditar nas palavras das es-crituras. “O que posso fazer para corrigir tal falha? ”, pensou e, sem terminar o próprio pensamento saiu voando de perto de Orfen e de dentro do observatório ciente da desgraceira que estava por acontecer para o salão nobre de execuções e assuntos científicos.

Por qual motivo Kafren dirigiu-se direto para o salão de execuções, o que ele estaria imaginando?

— Ainda bem que todos vocês estão juntos, sorte nossa. — Disse Kafren ao entrar e observar a equipe técnica de execuções ainda nos seus respectivos lugares ao aguardo de novas instru-ções. — Preparem-se para outro lançamento de lâminas translú-cidas de clausura! O meu! Devo ir atrás de Digma Gimel, “que coisa mais maluca de se fazer”, imaginou Kafren de miolos em fervura extrema, “conseguir encontrar a condenada Digma Gi-mel no cosmo infinito, resgatá-la e traze-la de volta à pátria? Ao nosso mundo, como? “. De quanto tempo ele dispunha antes de a colisão dos Sóis com eles mesmos, depois com a Lua e a se-guir com próprio planeta Corvus? “Santo Criador de todos e de tudo do que existe, nem imagino de quanto tempo disponho antes que a bola de fogo da colisão dos sóis com a Lua trans-forme Corvus num Sol ainda maior? ”. — Kafren ia raciocinan-do às pressas enquanto preparava o traje especial cheio de di-versos apetrechos e equipamentos que ele achava serem de al-guma utilidade a fim de perscrutar o espaço por onde fosse passando à busca da condenada. A mulher que deveria perma-necer enclausurada para todo o sempre entre chapas de um tipo especial de vidro transparente. Kafren conseguiria tal proeza, localizar a condenada? A tecnologia que levava com ele lhe indicava o que?

Mas de uma coisa ele necessitaria para valer a qualquer custo segundo a segundo durante a inimaginável viagem nunca ten-tada por alguém; de muita, mas de muitíssima sorte. Ser envia-do para a vastidão do nada e retornar com a missão cumprida? Bah, isso sim que seria uma beleza de aventura, não custava nada tentar, de qualquer maneira ele, o próprio carrasco e todos no planeta já estavam condenados à morte.

— Xisto, o comandante já se encontra pronto para a inusita-da viagem, e você, como está se saindo com as coordenadas?

— São exatamente as mesmas de o outro lançamento. Tudo foi gravado na ponta dos cascos — respondeu Xisto. O pavor de o que seria o choque dos Sóis entre eles, depois com a Lua e finalmente com Corvus, desde que o soubera estava estampado na sua face.

— Como o comandante já se encontra emparedado entre as lâminas translúcidas de clausura, que comece o processo de envio das lâminas para a abóbada celeste — disse com retidão o técnico que conversara com Xisto de mãos nos instrumentos de pré-lançamento.

— Iniciar fase de meio-curso 1 até atingir o máximo na esca-la de graus.

— Energia de ativação pronta para o disparo, ao seu coman-do, senhor.

— Preparar para teletransportar as lâminas translúcidas de clausura para a sexta dimensão.

Bradou Vasco, o técnico que interagia com Xisto, olhando para ele, enquanto ardorosamente manuseava os estranhos con-troles do aparelho teletransportador de carga: o mesmo podero-so sistema que fizera a transferência de Digma Gimel para a sexta dimensão a fim de a condenada perder-se no infinito do cosmo.

— Tudo pronto senhor, primeira fase concluída — disse Vasco.

— Segunda fase, quero-a agora! — Ordenou Xisto às pres-sas. — Ajustar as coordenadas para que, quando Kafren se en-contre no infinito, após o retorno de a própria frequência de translado a nossa dimensão pelo feixe luminoso de atração, seja projetado a toda a velocidade para a galáxia recém-descoberta chamada de Novua onde nos seus confins começará a sua ver-dadeira busca por Digma Gimel na sexta dimensão.

— Ao meu comando! Dez, nove, oito, sete. . . um. . .

O Ressurgimento

Diana Brunhem ao despertar do coma que se encontrava desde o sinistro acidente com o carro nas cercanias da cidade de Campos do Jordão veio-lhe a surpresa devido a duas revelações de arrepiar gente morta. A de a morte do namorado que estava no veículo ao seu lado, o seu primeiro caso de amor e, o estado de saúde satisfatório dela e o da filha que estava por nascer.

Não demoraria nem meia-hora. Uma enfermeira ao examina-la pelo estado avançado de gestação para ver se já estava na hora do parto para chamar a doutora, por imperícia rompera-lhe a bolsa amniótica.

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Durante o trabalho de parto:

— Empurra garota, mais forte, mais, mais a neném já está saindo e é linda e forte. Apenas mais um pouquinho do teu es-forço, criança — orientava a doutora com meiguice segurando com delicadeza a cabeça da criança.

Buááá-buááá-buááá!!! . . .

— Valeu a pena todo este esforço, não valeu não, Diana. A menina é muito bonita. Quatro quilos, que ótimo. Vamos limpá-la e em minutos a terás nos teus braços.

— Obrigada doutora — disse Diana e manteve-se em silên-cio.

Não sentia mais dores.

Contudo continuava a imaginar sem entender direito o que havia acontecido com ela. Como uma coisa dessas: acordar na cama de um hospital pronta para ter um filho sem lembrança alguma; de nada mesmo. O silêncio era devido a sua amnésia. Contudo o cérebro não lhe dava trégua. O que é que ela estava fazendo sozinha no hospital tendo um filho? Cadê os parentes ou alguém conhecido? De o seu nome ela já sabia, pois estava escrito na bolsa a tiracolo vazia que o casal de turistas encontra-ra entre suas pernas debaixo do banco do carro acidentado e o pessoal do hospital o colocara ao lado da ficha médica ao pé da cama. Além de o nome, mais nada, tudo o que havia de pessoal no carro tinha sido roubado. O povão saído do nada tomara de assalto tudo o que encontraram antes de o casal de turista terem aparecido para leva-los até a Santa Casa de Campos Jordão de nome doutor Ademar de Barros.

Um João Ninguém feminino Diana tinha se tornado. Lem-branças, bah, coisa alguma, apenas sabia que assim que acordara de um sono profundo caíra-lhe em mãos uma filha. Entretanto, ao segura-la para poder alimentá-la, o íntimo de o seu subcons-ciente recebia da recém-nascida sinais psíquicos em forma de palavras silenciosas: “é a minha imaginação pregando-me pe-ças”. Talvez assim tivesse acontecido com a imaginação da mamãe, todavia, para confundir ainda mais o seu ego, um fato surpreendente veio “montado” a cavalo.

— Diana, hei, hei mocinha, está me ouvindo? Você se en-contra sozinha e desamparada, sem nada nem ninguém, devido a isso, antes que a assistente social venha busca-la para leva-la a uma casa de proteção à mulher a fim de providenciar a docu-mentação devida para mais tarde encaixa-la na sociedade, ar-rumar um emprego, sabe, coisas desse tipo, vamos tratar de batizar tua filha e dar-lhe um nome. O escrivão já se encontra conosco e o padre acaba de entrar no quarto — disse a enfer-meira que assistira o inusitado parto.

Outro baque.

Há quanto tempo estava acordada do seu estranho “sono”, minutos, seis dias, uma semana, meses; bah, de qualquer manei-ra isso não fazia mais diferença alguma, sua mente continuava vazia menos por uma coisa: pelo que o íntimo de o seu subcons-ciente recebia da pequenina recém-nascida; sinais psíquicos em forma de palavras silenciosas, “devem chamar-me de Digma Gimel”, como a pequenina criatura soube que alguém viria para batiza-la antes de leva-las para o abrigo de mulheres abandona-das por uma causa ou por outra.

— Bom dia filha como você se encontra, alguma tontura, mal-estar. Podemos batizar a criança? Chegue mais para o meu lado senhor escrivão, mais perto. — Dizia o padre com secura, ao tempo em que começava a preparar na mesinha de cabeceira os apetrechos referentes à realização do batismo.

Da maleta, àquela que os médicos usam nas consultas a do-micílio, pegou uma garrafinha com água benta e a despejou numa pequena vasilha de alpaca “latindo” litanias em voz sur-preendente baixa.

Apenas ele e a recém-nascida ouviam a ladainha.

— Enfermeira, você será a testemunha, certo? — informou o escrivão sem necessidade alguma em dizê-lo; à enfermeira já estava instruída disso. O silêncio no quarto deixava o ambiente sombrio.

Barbaridade:

A demora era impactante.

— Sem problema algum escrivão, eu já sabia disso. Aqui estão meus documentos.

— Tudo bem com você? — o padre repetiu a pergunta à mamãe aproximando a cabeça onde se encontrava a criança mamando. — Senhora Diana, decerto que já tens um nome em mente, não é mesmo?

— “Esse padre não é homem de muitas palavras”. — Imagi-nou Diana. — Ela será conhecida como Digma Gimel, disse a mamãe Diana Brunhem olhando firme para o padre e de soslaio para o escrivão e a enfermeira sem desvirar o rosto do tal “pa-dreco”.

E assim aconteceu.

— Digma Gimel, eu Barrafeno de Sá o sacerdote da Capela Jesus Nascido, da Santa Casa de Misericórdia Maria de Deus, te batizo em nome de. . .

Sorte ou competência

Kafren, o comandante de os exércitos do Clã da Ordem dos Negros, também o carrasco oficial, preparava-se para ir à busca de Digma Gimel a última sobrevivente do Clã da Ordem dos Brancos. Porém antes de Kafren ser projetado para a sexta di-mensão emparedado entre as lâminas translúcidas de clausura ele mesmo fez-se o implante molecular rastreador progressivo com as coordenadas do seu sistema solar e as coordenadas do planeta Corvus, por se tivesse sorte na sua, incógnita caça às “bruxas”. Bem sabia ele de que nunca ninguém experimentara essa façanha; a de sair à procura de alguém universo afora acompanhado de uma agravante: na sexta dimensão, coisa nun-ca atrevida a se fazer. Também levava com ele dois braceletes enormes e um tipo de mochila em três dimensões, comprimento, largura e altura (espaço) na invisibilidade repleto de utensílios maravilhosos para a sua proteção e ou para necessidades, caso conseguisse retornar a casa com a proeza cumprida: o resgate de Digma Gimel para a salvação de toda a população de Corvus, o seu lar.

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Num tempo inimaginável e não sabido, Kafren já na Terra, de imediato não o soube, mas haviam se passado trinta anos terres-tres de intensa procura em vão.

Ao captar, depois de anos de busca sinais fortíssimos de a presença de Digma num certo lugar isolado afastado de cidade grande, as lâminas translúcidas de clausura de Kafren como não tinham mais utilidade para ele, às desintegrou com um raio de cor violeta saído de um dos anéis que usava. Um em cada mão nos seus dedos médios ao tempo em que, uma luzinha verde se acendia em um dos braceletes indicando que os sensores des-cobriram traços do DNA de Digma Gimel, pairando no ar den-tro de uma velhusca casinhola bem à sua frente.

— Vamos ver o que foi que aconteceu ali dentro, o sinal captado está forte demais, isso nunca aconteceu até agora — disse Kafren a ele mesmo respirando fundo. Em cada narina depois de livre da clausura das lâminas, acomodara dois respi-radores universais automáticos para a transformação de qual-quer atmosfera no tipo de ar que ele respira no planeta Corvus.

A seguir:

Puff!!! . . .

Teletransportou-se para dentro da casinhola abandonada. De o mesmo bracelete que acendera a luzinha verde no lado de fora da casinhola, iam surgindo imagens tridimensionais em alta resolução. Que sorte, viu Digma abandonado às pressas a imunda casinhola onde esteve escondida dos caçadores de alie-nígenas com seus enormes cachorros Dogo Argentino treinados apenas para uma coisa; matar. Os alienígenas mortos ou vivos davam muito dinheiro aos implacáveis caçadores de alienígenas aquartelados na Terra. Como esse fato pode acontecer com Digma Gimel, ser perseguida desde que era mocinha depois de a morte da mãe por engano pelos próprios cachorros assassinos, se ela também era nascida na Terra. Estava sendo perseguida desde que a fundação da brigada de caçadores. Ser perseguida como uma alienígena, como? Digma era uma terráquea; sim ou não? Por acaso seria ela uma bivalente com pares de cromosso-mos de as duas raças: a de os terráqueos e a de os dos habitan-tes do planeta Corvus?

Quando Kafren já dentro da casinhola fortes latidos de ca-chorros chamaram sua atenção desviando a vista da imagem de Digma saída do bracelete. Ouvia-os ao longe, mas se aproxi-mando dele. Tinha de localizar a Digma, e bem rápido. Apenas a imagem dela não bastava. Se saísse da casinhola perderia o seu rastro, mas, e os cachorros? Teria ele tempo suficiente em localiza-la para se teletransportar antes que as feras o atacassem ou tivesse de entrar em luta corporal com eles e com os homens que os mantinham seguros na coleira?

— Os alienígenas estão dentro da casinhola, soltem alguns cachorros — gritou um tipo alto e musculoso aos seus compar-sas.

Kafren permanecia atento por dois dos seus sentidos: um deles era a de tratar de localizar Digma o mais rápido possível, e o outro a de permanecer de olhos bem abertos nos ferozes animais e nos seus donos:

Os caçadores de alienígenas.

— “Que que merda de complicação é esta, isto tudo, por aqui está para ser pior do que no meu mundo”, ruminou e pôs-se em posição de defesa com os braços estendido a frente olhando compenetrado para a porta de entrada da casinhola no aguardo do ataque dos cachorros. “A frágil porta caindo aos pedaços encontra-se escancarada. Mesmo que eu a feche de nada vai adiantar”, pensava alto ao tempo em que a luzinha verde do bracelete começar a piscar novamente projetando no emporcalhado ambiente imagens fresquinhas. Digma tinha sido localizada. Estava escondida no seu barraco plantado numa das maiores comunidades da cidade de São Paulo, a favela Helió-polis.

O primeiro cachorro entrou correndo no bravo intuito de atacar Kafren como estava treinado, no entanto, de um anel dos seus dedos ainda de braços esticados, um raio cor de sangue fulminou-o de imediato, nem de chiar teve tempo. A imagem saída do bracelete continuava viva e pulsante, não podia apa-gar-se, Kafren necessitava das imagens para saber em que qua-drante da cidade deveria se teletransportar, nisso dois cachorros entraram babando e espumando no malcuidado recinto como aviões supersônicos quase sendo mordido por um deles. Con-tudo as bestas ao errarem o ataque pela agilidade de Kafren, foram fulminadas pelo raiozinho do anel.

— Para, Xucro! — Gritou para o seu cachorro o caçador que se mantinha a frente de os demais homens ao entrar depois de os cachorros mortos. Não mais quis perder o animal de estima-ção, mas o perdeu.

Ao apontar a pistola cano longo para Kafren, ou melhor, esse movimento ficou apenas no intento, pois dois raios verme-lhos como fogo acabaram com a raça de os dois atacantes, a do cachorro e a do caçador. Kafren ouviu passos mais fortes além de gritos e latidos as pencas de os demais caçadores de recom-pensas aproximando-se da porta. A imagem tridimensional ain-da permanecia viva, que ótimo. Cachorros e homens entraram, eles atirando e os cachorros espumando. Tarde demais, Kafren já havia acionado o sensor de o teletransporte para dentro das imagens tridimensionais saída do bracelete. Em instantes se encontraria ao lado Digma Gimel escapando ileso dos assassi-nos caça recompensas.

— Como essa maldita criatura conseguiu fazer isso, desapa-recer diante dos nossos olhos? Isso nunca aconteceu! — os de-sorientados perseguidores com os cachorros presos nas mãos, comentavam o absurdo acontecimento testemunhado por eles cheios de espanto. O sumiço de alguém que para os caçadores nunca existiu.

Será?

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Na comunidade de Heliópolis Zona Sul da cidade de São Pau-lo:

— Você por aqui, Kafren? Como?

Digma Gimel conheceu de imediato quem, como um vento lambão se materializou bem à sua frente. Se Digma era uma terráquea, porque esse reconhecimento? Bem pelo momento havia um assunto mais importante a ser tratado: salvar o planeta Corvus de a destruição pelo choque dos Sóis e deles com a sua Lua. Contudo, e de imediato a de salvar a própria pele.

Deixada a surpresa de lado, Kafren manifestou-se:

— Digma você se encontra estranha, mas magnificamente diferente de quando a emparedei lá em Corvus para que cum-prisse seu castigo, o exílio, o que houve com você? Como veio parar aqui na Terra, isso nunca deveria acontecer e muito menos também comigo. A Terra é um planeta paralelo a nosso, mas em outra dimensão. O que sucedeu com você, conta isso pra mim, consegues? Puxa vida que sorte, até que enfim. . .

— Pelos Céus, Kafren, ao vê-lo à minha frente as lembran-ças de outra vida, as estou entendendo, vieram à tona em mim como uma majestosa onda em mar revolto. Desde os meus quinze anos aqui na Terra vivo me escondendo e fugindo dos caçadores de alienígenas com seus malditos cachorros. Eles mataram a minha mãe assim que essa ordem foi criada ao me perseguirem por primeira vez. Foi quando os cachorros avança-ram para cima de mim e antes que eles me pegassem minha mãe pôs-se na frente salvando-me da morte certa. Antes que acabas-sem com a minha mãe e me atacassem, consegui pular uma jane-la e, como vê, continuo fugindo desde então. Eu nasci aqui na terra, não sou uma alienígena, porque, então os caçadores me perseguem?

— Você se lembra de o que aconteceu para que viesses a nascer aqui na Terra?

— Acho que sim, sim, sim, lembrei foi um acidente de carro. Um casal de namorados voltava para casa depois de um fim de semana a passeio quando aconteceu o choque das minhas lâmi-nas paralelas com o para-brisa do carro deles. Imediatamente após o contato dos vidros tudo se desmanchou como o ácido que corrói o material reagente e desapareceu, não sobrou ne-nhum vidro para contar a história. A seguir senti-me, também, ou melhor, fui me dissolvendo no colo da moça e, em ato con-tínuo aconteceu o milagre: as moléculas de ambos os corpos entraram em simbiose. A garota teve uma relação amorosa invo-luntária com o namorado naquela madrugada e, Puff eu vim a este mundo gerada pela mãe terráquea ainda uma adolescente.

— Em poucas palavras explicastes tudo Digma: você se transformou num ser hibrido. Provavelmente você deve ser pos-suidora de dois tipos de molécula linear, constituída por croma-tina, sustância compostas de DNA, RNA e proteína, que se tornaram extremamente compactas durante a união celular de vossos dois corpos. Digma é desconhecido por mim o tempo que recorreu desde que me projetei do salão de execuções de Corvus atrás de ti, nem se o nosso planeta ainda existe, contudo devemos tentar retornar para lá imediatamente. Entretanto se Corvus já estiver destruído pelos nossos dois Sóis e a Lua transformando em um novo Sol, ficaremos vagando pelo infini-to para sempre. Temos mais uma agravante, não sabemos se ao teu retorno, você como uma terráquea será capaz de acabar com a terrível profecia de que, para a sobrevivência do planeta sem-pre deve existir pelo menos um ser vivo de os dois Clãs em Corvus.

— Você se refere a profecia escrita nos nossos primeiros Livros Sagrados, isso não é um mito? Conta à lenda de que os antigos profetas eram charlatões. De que eles não tinham visões coisa nenhuma do castigo que me estás revelando jurado pelo nosso Deus. Então Kafren, vamos lá, morrer por morrer, tanto faz aqui ou em outro lugar. O que se há de fazer daqui para frente com os meus trinta anos terrenos, bah! Eu sei lá, à nossa aventura, então. . .

— Em primeiro lugar vou submeter você a um pequeno im-plante molecular rastreador progressivo com as coordenadas do sistema solar e o planeta Corvus por se por acaso durante a via-gem de volta você se separe de mim. Se bem que, viajaremos juntos na “Bola de Cristal” como e tratada a pequena nave es-pacial que irei criar com o que carreguei comigo antes de empa-redar-me. Em seguida você vai pôr-se um dos meus braceletes e um dos meus anéis no dedo médio da mão que você desejar.

— Ouviu isso, Kafren?

— Não, o que foi que você pressentiu?

— Miseráveis, como é que conseguem realizar essa façanha, fomos mais uma vez descobertos. — Observou Digma, para em seguida anunciar de supetão cheia de Si: — maldição, já sei, não são os homens que realizam essa façanha, e sim os malditos cães. São eles que nos detectam, por isso a brigada tem tantos deles. Mas que peste, é por isso que nunca perdem o rastro dos alienígenas mesmo aqui no meio deste mundão de barracos abarrotados de gente de todos os tipos raças e credos.

— Impressionante, isso — observou Kafren sorrindo para Digma por primeira vez.

— Ainda não ouço os cachorros, mas sei que estão se apro-ximando para nos cercar evitando assim a nossa fuga. Conheço desde os meus quinze anos o estilo desses miseráveis caçadores de recompensas. Kafren, anda rápido, não temos muito tempo. O que temos a fazer para escaparmos deles?

— No bracelete, veja, o botão amarelo, apertando o meu e o teu ao mesmo tempo a “Bola de Cristal” aparece e nos envolve. Assim que o trâmite estiver completado abola de cristal nos teletransportará automaticamente para a nossa dimensão e dali para casa. Antes disso, põe este respirador automático no nariz, não sabemos se você poderá respirar o nosso ar na chegada a Corvus caso. . .

De repente o telhado veio a baixo.

Buuum!!! . . .

Cinco mercenários arrombaram o teto do barracão se apre-sentando em cordas transportados por um Drone silencioso. Desta vez não usaram os poderosos cachorros, não até àqueles momentos por isso tão silente ataque.

— Digma, põe rápido um destes anéis no dedo que se ajus-tar melhor a ti, ele é uma arma de raios de energia térmica con-centrada, para o seu disparo simplesmente deve pensar e aponta o braço em que ou no que queres acertar para que o raio de fogo complete o serviço.

— Atrás de ti Kafren. . . — alertou Digma esticando o braço —, rápido se abaixa.

Zás!!!. . .

Um raio finíssimo cor de sangue cortou a cabeça de um dos mercenários.

— Digma, presta atenção, vamos ficar de costas atirando nessas pestes antes que eles possam usar as amas por onde des-ceram e comecem a atirar em nós. Não esperavam por isso hein malandros. Tomem fogo desgraçados. — Urrava Kafren. — Digma, no meu três pressiona o botão amarelo do teu bracelete.

— Dito e feito Kafren, dá-te pressa.

E fez-se a mágica.

A “Bola de Cristal” que era nada mais nada menos uma pe-quena astronave espacial surgida de dentro da mochila tridi-mensional que levara de Corvus teletransportou-os para fora da terra e a seguir para fora da sexta dimensão no cosmo, rumo à longínqua casa que se encontrava na quinta dimensão.

Isto é, se Corvus ainda existisse.

De volta ao lar

Depois de ser resgatado na selva amazônica já entre os seios malandros da SIDG, Paul Clark teve de esperar quase uma se-mana para que pudesse voltar para o seu retiro no vale a fim de descansar. Bem era o que Paul desejava com fervor, continuar com as suas merecidas férias e de brincar um pouco no seu la-boratório atômico com pequenas invenções há tempos deixadas de lado. Disso ele gostava: todavia o assunto não se mostrou tão fácil assim de acontecer, pois teve que preencher dezenas de formulários, gravar extensos relatórios e, até chegou a ser “raptado” por vários dias para sofrer um ferrenho interrogatório num quarto fechado apenas com uma mesa duas cadeiras e uma poderosa lâmpada de calor sem igual em cima da cabeça maltra-tando-o como se fosse um criminoso mais do que mortal. Dava até a impressão de que Paul Clark era o bandido mais cruel e temido da face da Terra. Argumentos esgotados, depois de muito trabalho, Paul Clark conseguiu convencer os entendidos em segurança mundial para que se marcasse com a máxima ur-gência a reunião dos presidentes das grandes potências para tratarem de pôr em prática o acordo de que, da data da reunião para frente nada de guerra nuclear. Se isso viesse a acontecer devido à falta de proteção de certos seres alienígenas tudo dei-xaria de existir: até mesmo o vácuo. Paul ouvira e entendera muito bem o que os três seres vestidos com as estranhas túnicas do branco ao cinza de outro sistema solar lhe haviam dissertado por largas horas. Assunto esgotado, por fim Paul Clark teve a permissão de ir-se para descansar com o “conselho” de não abrir mais a boca a respeito do acontecido com ele a mais ninguém nem de que de uma maneira ou outra nunca fosse registrado.

Por fim as suas “calmas” e merecidas férias.

Será. . .

Mesmo?

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— Tudo bem com o senhor, patrão? — perguntou a imagem tridimensional do computador Positrônico de casa, o que era tratado por bonitão, quando Paul já dentro, ao deixar de lado a bolsa de “ferramentas”:

Suas armas.

Paul chegou rápido em casa na sua pequena nave movida à energia atômica, alimentada por capsulas de elementos radioa-tivos de curta duração. Dependendo de o que consistisse a ação, o “trabalho” posto em seus braços para destrinchar, usava na sua nave com capsulas de durabilidade de 180 ou de 360 dias que, quando da perda de a meia vida radioativa eram tro-cados por novos componentes reativados:

Novas capsulas atômicas.

— Não é o meu desejo falar disso por agora e também não te interessa nenhum pouco o que aconteceu lá na selva. Além do mais, eu nem te chamei quando entrei em casa seu metido a besta: barril, um brandy gigante com gelo e, rápido. Bonitão, já que estás ao meu lado, me reporta o que foi que aconteceu por aqui na minha ausência. Outra tempestade, tal vez? Lembra que preveni o coronel durante sua curta “visita”, que tinha certeza de que seria uma aventura fadada a não dar certo, como em realidade não deu! Vê se não olha desse jeito pra mim seu im-pertinente e curioso, ufa. . .!

— Tivemos visita, patrão — expôs o bonitão interrompendo o blábláblá de Paul.

— O seu brandy, patrão — disse o robozinho tipo barril de cerveja.

— Obrigado barril, mas então bonitão, visitas aqui neste rincão tão isolado do mundo, diz logo.

— Três, digamos três homens de outro “lugar”, devo dizer, do espaço vestidos dos pés à cabeça de o branco ao cinza, além de darem um belo trato nos meus bancos mnemônicos e no meu sistema operacional, no seu todo. . ., enfim no “nosso” Positrô-nico eu mesmo. Como num passe de mágica bem na minha frente apareceram com um objeto que deveria ter sido oferecido ao você faz alguns anos. Disseram que era um presente muito valioso, pois já que a raça deles provavelmente não mais volta-ria a Terra para protegê-la evitando guerras atômica, entenda para evitar a própria destruição da Terra pelos homens, essa pretensão a partir do recebimento desse presente tratará de a salvação ser única e exclusivamente obra de “vossa” excelência.

— Eu já sei de quem você está falando e, acredite nisso, já estou envolvido até os pentelhos nessa bela porcaria, e você também está seu senhor sabe-tudo! E antes que eu me esqueça, você também é um chato de um metido de primeira grandeza.

— Tô fora patrão, fique o senhor sabendo de que eu não sou gente.

— Muito brincalhão o senhor, eh! Eu os conheci na selva. Seres muito interessantes. O que eles disseram? E o tal objeto presenteado, do que se trata? Barril, outro “refresco” deste em copo grande e cheio!

Referindo-se a bebida.

— É um tipo de cinto polivalente. Foi o que eles me disse-ram.

— Fala sério, porque eles tiveram o trabalho em virem até a minha casa, não poderiam tê-lo me o entregado quando estive junto a eles na sua nave estelar?

— Eles estiveram aqui bem antes de o encontrarem na selva logo após de você ter saído de casa para sua malfadada missão com o coronel Nimbus te pressionando à beça. Quantos vidas perdidas de cada lado dessa vez?

— Do nosso lado foram trinta e do lado dos mercenários quarenta. Não observamos nenhum alienígena ou nave destruí-da. Obrigado barril. — O brandy chegara em suas mãos num piscar de olhos. — Monsieur bonzão eu vou é tomar uma ducha gelada, enquanto me banho você vai contando tudo o aconteci-do aqui em casa. Depois, sim e que irei ver o tal cinto polivalen-te. Prepara o banho para mim enquanto eu incinero a minha roupa mais do que fedida cheias de manchas de sangue e outras porcarias: ao trabalho bonitão.

Quarenta e nove minutos mais tarde.

— Bonitão, me teletransfere para o laboratório: barril daqui a dez minutos leva outro deste seu brandy arretado com bastan-te gelo.

Quando de a chegada ao laboratório:

— Então seu linguarudo, e o tal presente?

— Eu o estou usando.

— Deixa de lado a sacanagem criatura inventada e criada por um humano doido varrido. Você é uma figura holográfica: uma simples imagem criada por raios laser “magica” e um com-putador: brincadeira bonitão.

— O que foi que eu disse no princípio, hein patrão, cinto polivalente. Senta na tua poltrona, pois o troço é demorado. Enquanto estou falando, ou melhor desde o que os homens do espaço me mostraram e disseram ser um presente para você o estou usando a pedido deles ajeitando as coisas para que o re-cebas bem “quentinho” e, pronto para que você possa usá-lo. Esse trâmite é necessário, entenda eles não são como os huma-nos. São mais inteligentes.

— Não estou vendo nada em você, inumano a não ser a cos-tumeira imagem de um negro feioso à beça.

— Sem ofensas patrão. Além do mais sou uma máquina, sendo assim, diga o que se diga a mim tanto faz. Voltando ao assunto, você vai-se surpreender ainda mais. Espere e verá! Pois muito bem, esses seres são de uma linhagem de bilhões de anos luz de um lugar no cosmo que ainda não entendi direito, contu-do comecei a apreender mais, mas muito mais coisas assim que passei a usar o cinto, Paul. — o computador Positrônico tratou-o pelo seu nome, coisa raríssima de isso acontecer —, o cinto apenas pode ser apreciado fora do corpo, “mas você não tem corpo”, pensou Paul e passou a prestar mais atenção na conver-sa da figura do computador tratado por bonitão. — Assim que a troca de dados de informações mútuas especialmente as pro-gramadas para o teu perfil e, de os Shields de segurança entre tantas outras coisas chegarem ao fim e tudo organizado, você poderá experimentá-lo e, aos poucos ir conhecendo as suas sur-preendentes utilidades. Foi preparado para ser controlado pela tua mente: pelo teu pensamento, patrão. Não temos nesta mara-vilha polivalente que estou usando e aprendendo um bocado com ela, botões, chaves, teclas e, ou luzinhas coloridas piscado. Portanto, patrão ao aprender usá-lo, você se tornará um Super-homem. Esses seres estão protegendo a Terra desde que o mundo se tornou um mundo de verdade. Como acredito que na conversa que você teve na nave com eles, devam tê-lo posto às claras. Portanto patrão, assim que nós, os computadores termi-nemos com a troca de dados e de o aprendizado mútuo de co-mo te ensinar a usá-lo, o cinto polivalente passará a ser todinho seu.

Encontro espacial

Quinze dias após o recebimento do cinto polivalente já ajustado às condições humanas, no fim do aprendizado a mente de Paul vibrava de contentamento.

Uma maravilha.

— Bonitão o que me diz de todo este silêncio que somente agora pude pressentir. Como uma coisa dessas pode acontecer em tão larga escala? E tem ainda mais, estou duvidando que seja uma das nossas costumeiras tormentas de raios de arrepiar até as amígdalas de um chimpanzé. Chuta pra mim e em deta-lhes a condição tempo desde ontem à meia-noite até amanhã também à meia-noite. Passa um pente fino nisso tudo e depois me informa no capricho, tá legal, bonitão?

O deslavado silêncio naquele pequeno paraíso estava se tor-nando por demais irritante. Entardecia e a pouca luz do Sol existente no “quase” sempre quieto vale escarpado de rio de águas serenas estava sendo encoberto por pesadas nuvens ne-gras falto de ventos. Não chovia e, o silêncio era para fazer um surdo-mudo se arrepiar.

— Bonitão, já tens o resultado do servicinho que pedi que fizesses pra mim?

— Vamos nos embebedar com um belíssimo vento forte e súbito descendente acompanhado de uma “chuvinha” patrão. Pelo menos os inteligentíssimos satélites do tempo me informa-ram isso. Contudo, o cinto polivalente está me transmitindo coisas bem diferentes e um certo tipo de perigo ainda por en-tender.

— Vou para fora de casa, quero sentir eu mesmo na pele esse fenômeno. Continua observando o tempo e me informa de cinco em cinco minutos a minutos as novidades. Trocado em miúdos, acho que a porra que está para acontecer é coisa bem pior do que as costumeiras merdas de tormentas. Perdão pela minha boca suja, bonitão.

— Paul, depois de o cinto colocado em você, será criado outro tipo de imagem tridimensional com todos os dados da nossa informática a fim de poder me deslocar para qualquer “canto” se ordenado por tua mente. Não me será mais permiti-do deixa-lo sozinho diante de a possível existência de algum perigo iminente. Portanto a minha imagem estará sempre ao teu lado e, ou a onde me mandares vendo o que você também po-derá ver. Quanto à tempestade. . .

— Deixa de ser besta, ó bonitão. Não passa de mais uma das nossas malucas e corriqueiras tempestades para tirar o sossego da gente. — Paul preocupado tentava enganar-se.

— Desta vez não, patrão. Nosso vale tornou-se o vácuo fi-nal, ou seja: a menor pressão que pode ser estabelecida num sistema onde se cria o vácuo seja para experiências ou para um ou alguns efeitos imprevisíveis. No caso, o nosso vale por intei-ro. Isto acontece por estar cercado por altas montanhas rocho-sas. Paul, a zona atmosférica do vale está sendo afetada por correntes descendentes.

Quando na metade dos detalhes de o que seria aquela aber-ração referente ao tempo, a imagem holográfica do computador Positrônico, em borrões e silêncio perdeu-se misteriosamente no ar. Paul Clark achou estranho o fato, pois nunca houve qualquer tipo de falha naquele “bichinho” danado de computador meti-do a besta. Muito menos agora com a nova tecnologia digital implantada durante o tempo que, virtualmente o bonitão usara o cinto de Paul Clark amoldando-o às condições humanas já em sua cintura:

O cinto apareceu como que por bruxaria na cintura de Paul após o desaparecimento da imagem tridimensional do senhor bonitão.

Tudo continuava sem definição lógica alguma e o silêncio cada vez mais profundo feria os tímpanos de Paul Clark, che-gando quase leva-lo ao desmaio. Pressentira isso quando os olhos se reviraram por instantes. Sem aparentar qualquer tipo de perigo físico ao Paul, deu-se o fenômeno: em um espaço conce-bido como num receptáculo plenamente desocupado, de medi-das com ou sem limites, o imensurável vazio absoluto, sem que Paul esperasse apanhou-o de surpresa. O vazio que aquele vale tinha se tornado numa fração de segundos, transformara-se num fantástico túnel do tempo atraindo Paul para o centro do seu funil, desaparecendo envolto em fantástica acromaticidade junto a imagens transbordando em cores borradas pelo mesmís-simo efeito em fantásticos rodopios.

Um efeito temporal sem nomenclatura alguma acontecia do inesperado.

Em seguida, outro milagre veio à baila no “tranquilo” vale, o céu se abriu permanecendo limpo como se tivesse sido suave-mente lavado e esfregado com água e sabão minutos antes, dei-xando à vontade o brilho do Sol daquele entardecer banhar novamente o tão “tranquilo” lugar.

O trilar dos pássaros e o cricrilar dos grilos e cigarras voltara a ser ouvido.

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Muitos anos-luz longe do lugar onde surgira aquele tipo de tú-nel do tempo e abarcara Paul Clark para leva-lo longe do seu tão querido vale:

A “Bola de Cristal” que “zunia” em perfeita segurança e harmonia com Kafren e Digma, começava a comportar-se com muita estranheza, vibrava, sacolejava para valer travando os controles automáticos e os manuais, que por consequência re-pentinamente acabou por reduzir a velocidade da luz que viaja-vam para uma banal velocidade de cruzeiro.

Pelo solavanco brusco e inesperado atontou-os por instantes.

— Kafren o que é que está acontecendo com esta belezura traga-anos-luz. Porque quase travamos no meio do cosmo? Diz alguma coisa, mas vê se não me assusta ainda mais, hein!

— Deve ser alguma anomalia espaço-temporal por onde há pouco passamos, batizando-nos ao bel prazer e ao seu bom gos-to. Às vezes esses “milagres” por acaso acontecem. Provavel-mente atravessamos um cilindro truncado de luz invisível aos nossos olhos. Nestes instantes os instrumentos da nave não apontam qualquer tipo de defeito e, também não estamos para-dos no meio do nada. Encontramo-nos automaticamente en-trando no primeiro estágio de o piloto automático para a velo-cidade de cruzeiro quando ocorre alguma anomalia nos sistemas de propulsão da nave. Em breve esse efeito espaço-temporal vai passar e tudo entrará nos seus eixos, já verás!

— Kafren alguma coisa anda errado com a gente, os siste-mas computadorizados da nave devem estar mentindo pra nós fazendo-nos pensar de que tudo anda em perfeita ordem, a “Bola de Cristal” cada vez vibra mais e mais, estou ficando com enjoo.

De súbito:

Zás-trás. . . Plunk. . . Planck!!! . . .

Um corpo vindo do incalculável vácuo apareceu no interior da nave todo encolhido abraçado às pernas na frente de os dois solitários viajantes:

Um tremendo susto.

— Mas que sacanagem é esta. O universo pirou? Quem é esse cara aí? Como ou de onde ele apareceu sem o seu traje espacial? Devo estar delirando, me belisca Kafren.

Sem tempo algum. . .

Tos-tooss-tooosss!!! . . .

A repentina aparição começava a dar sinais de vida.

— Se parece com um humano, raios me partam, como. . . Kafren que tipo de ar nós temos na nave?

— Está preparada para você. Oxigênio.

— Então está tudo bem. Dá a impressão de que não terá dificuldade alguma em respirar. Me ajuda vamos acomodá-lo no assento dos passageiros. Obrigada Kafren. Temos algum casaco blusa, sei lá eu para vesti-lo a fim de que não morra con-gelado antes de se acostumar ao novo ambiente?

Paul Clark começava a abrir os olhos. Nem mesmo chegara a desmaiar de vez, apenas teve a sensação de uma leve tontura. Quem eram aquelas pessoas? Onde ele se encontrava? Sacana-gem, não demoraria muito tempo em o descobrir. Entre a sur-presa o medo e a admiração, aconteceu o silêncio e, em silêncio três pares de olhos se cruzaram atarantados.

— Você fala minha língua. — Disse Digma em português. Afinal ela era nascida no Brasil.

— Falo sim, agora pouco eu estava no Brasil, na minha casa. Que coisa mais estranha, como foi que eu vim parar aqui? Que lugar e este e que “Bola de Cristal” é esta. . .?

— Eu sou Kafren comandante dos exércitos do Clã da Or-dem dos Negros do planeta Corvus na quinta dimensão paralelo ao sistema solar terrestre que se encontra na terceira dimensão e, esta bela mulher e Digma Gimel do Clã da Ordem dos Bran-cos do nosso planeta, também nascida na Terra e estamos via-jando numa nave estelar chamada de “Bola de Cristal”.

— Também nascida na. . .? — Paul tentou argumentar, con-tudo:

Vvvvvrrrrrr!!! . . . Vvvvvrrrrrr!!! . . .

Assustaram-se.

O zunir era fortíssimo.

— Veja Digma, retornamos à velocidade da luz — informou Kafren. — Mas é então, quem é você?

— Eu sou Paul Clark de La Rue, agente do SIDG Serviço de Inteligência e Defesa Global. Posso saber onde nós estamos e para onde vocês vão?

— Para Corvus o nosso planeta, se ele ainda existir.

— Se ele ainda existir? Como assim, não entendi. . .

— Pelo momento não temos tempo para explicações, nem de como você apareceu do. . . eu é que sei lá, mas reconheço de que agora nós somos três aqui na nave. Como isso foi possível de acontecer, desconheço o fato. Digma, o painel digital à nos-sa frente nos está indicando de que estamos entrando na quinta dimensão, a dimensão do sistema de Corvus. Veja, estamos com sorte, os Sóis ainda não se chocaram nem tampouco eles com a nossa Lua. Em poucos minutos mais estaremos orbitando Corvus. Paul, por favor, encaixa este respirador automático nas narinas para que até que o teu organismo se adapte com a pres-são, a atmosfera e própria gravidade do planeta possas respirar e viver em Corvus. Assim espero!

— Meu Deus, que baita confusão, isto sim e que é de estro-piar os nervos da pessoa mais pachorrenta que possa existir. Porque ou para o que me encontro aqui com vocês? — Paul acabou soltando o que primeiro lhe veio à boca. — Digma que história e essa de a colisão dos vossos dois Sóis com a Lua?

— Apenas vou dizer uma coisa, outra hora e com mais calma você ficará sabendo de tudo o que está se passando com a gen-te. Ouça, nas nossas Escrituras Sagradas os profetas escreveram de que, quando não mais houvesse um de nós, de os dois Clãs. . .

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O pouso da “Bola de Cristal” deu-se em calmaria:

Orfen, o chefe supremo do Clã da Ordem dos Negros aguardava Kafren com tremenda ansiedade. O aeroporto estelar onde pousaram a “Bola de Cristal” encontrava-se desprovido de almas, mas por quê?

A descida da “Bola de Cristal” aconteceu rápido e preciso.

— Vamos sair da “Bola de Cristal” — argumentou Kafren indicando o sistema de escadas de um metal brilhante depois de aberta a escotilha.

Paul teve de tirar os óculos de lentes esverdeadas que levava no bolso da camisa de algodão listada na vertical em castanho e azul escuro. De imediato sentiu um pouco de dificuldade para enxergar ou respirar, “sem problema algum, logo, logo eu me acostumo com o respirador enfiado no meu nariz. A gora com a luz avermelhada desses dois Sóis, bah. . .”, com esses pensa-mentos em mente mecanicamente pôs-se os óculos por cima do nariz.

— Orfen o que é que está acontecendo por aqui, cadê todo mundo? A mim me parece que os Sóis não se aproximaram um do outro nem ao menos alguns metros desde que parti empare-dado entre as lâminas translúcidas de clausura atrás da conde-nada Digma. Há alguma explicação para isso?

— Meu amigo, vamos sair rápido do ar livre. Eu explico tudo quando nos encontremos no observatório astronômico.

— Cadê o exército do Clã da Ordem dos Negros, o meu exército?

— Já disse, vou deixar-te a par de tudo lá dentro. Em tem-po, quem é ele? Outra coisa, como você conseguiu encontrar Digma tão rápido? Vamos caminhar depressa para sair deste Sol tão forte.

— Que porcaria tão maligna você está nós ocultando. Por-que nos disse que localizei a Digma tão rápido se eu estive pu-lando de ano-luz em ano-luz sei lá eu quanto tempo e, mais tar-de na Terra por quinze anos terrestres tentando localiza-la para trazê-la de volta a Corvus.

— Amigo você esteve longe de Corvus apenas uma semana!

— Nããão!!! . . .

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A enorme tela panorâmica no fundo do salão apinhado de ins-trumentos de prospecção astro-estelar estava com a marcação numérico-digital completamente travada. A simples presença de Digma no planeta salvara-o de a destruição absoluta.

Os profetas estavam certos.

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Passada a surpresa ao saber que ele, Kafren esteve tão pouco tempo fora de Corvus, veio-lhe outra surpresa ainda pior.

Orfen começou a falar:

— O imperador Akiko Ajiki do sistema solar Kalapago, de-clarou guerra à Corvus, mas não com armas foguetes ou bom-bas, mas sim com sua mente. Ele é um poderoso Mentalist. O maior entre todos os universos. Ele também quer dominar o outro planeta paralelo à Terra na quarta dimensão do lado opos-to a Corvus chamado de Amoon governado pela rainha Esther Krystal a fim de que, com a conquista de ambos escravizarem a Terra, para em definitivo serem os dominantes imperadores de todas as raças existentes no cosmo. E tem mais, o planeta Be-pum já está quase conquistado por Akiko a não ser que o Régio, o Cérebro dominante do planeta Bepum do sistema solar Acum recupere as forças e consiga enfrenta-lo de igual para igual. De minha parte coisa difícil de acontecer sem algum tipo de ajuda, mas não a do seu próprio povo, nisso eu acredito. O imperador Akiko já conseguiu fazer com que os denominados protetores universais da Terra, os escolhidos do planeta Bepum desde o surgimento do primeiro homem debandassem da Terra. De que abandonassem a missão de salvaguardar a Mãe de todos e de tudo o existente no infinito: a Terra.

— Espera um pouco, Orfen. . . — manifestou-se Paul. Veio-lhe à mente sem saber como ou por que, uma vaga lembrança de que já “visitara” entre aspas o palácio da rainha Esther Krystal do planeta Amoon. Coisa muito estranha para ele. Porque teve essa premonição ao ouvir os nomes Amoon e Esther Krystal. Tal sentimento estranho não findou por aí, lembrou-se também do encontro com os três seres vestidos de branco e cinza na floresta amazônica e de terem conversado bastante e, de a visita deles ao seu cantinho sagrado na sua ausência para regalar-lhe um objeto nunca antes visto em parte alguma ou em universo algum. — Tudo o que você está dizendo Orfen, e exatamente o que estou me lembrando, menos de o porquê esse tal cérebro “imperador” quer conquistar a Terra através do aniquilamento de vários mundos que aparentemente de uma maneira ou outra tem afinidades conosco, os terráqueos?

— Porque, caso ainda não saiba a Terra e o centro natural de todas as galáxias existentes. De tudo do que é espírito e maté-ria. O princípio de tudo, o primeiro mundo com seres vivos a ser criado. O centro psicofísico carnal e mental. O centro de onde todos os seres vivos através dos séculos foram povoando mundos habitáveis misturando raças e tudo o mais. Tudo o que foi criado por quem vocês, terrestres chamam de o Todo Pode-roso. Se esse Mentalist conseguir, digamos: abocanhar o que existe nas mentes de todos os habitantes da Terra já imaginou qual será o seu poder. Pelos nossos profetas mortos, digo, de que ele conquistaria todos os universos e, se tornaria por assim dizer. . . um, ou o todo-poderoso, o Deus dos deuses, muito acima de o verdadeiro Criador que vocês terrestres, em verdade acreditam ser vosso Pai, com fervor. O verdadeiro e único.

Orfen sentou-se agastado olhando fixo para lugar nenhum.

— Se estão nos atacando, mas não com armas, como conse-guirão vencer a guerra? — Digma quis saber. De toda aquela conversa ouvida com muita atenção não tinha chegado a tirar conclusão alguma.

— Kafren você me perguntou onde estavam todas as pesso-as quando saíste da nave “Bola de Cristal”, digo-o agora: os soldados aquartelados e a população em suas casas por medo de que os nossos cérebros se tornem tórridos e a cabeça exploda a quem ao Mentalist não lhe interesse que permaneça vivo por motivos que só ele tem conhecimento. Quando se está abrigado isso não ocorre. E também não a todas as pessoas em grandes grupos. O ataque cerebral vem de pouco em pouco. Nossa única defesa são os lugares cobertos.

— Então que todos se ponham chapéus ou coisa parecida. . . — soltou à voz Digma sem desconfiar de que não era todo o material que bloqueava as ondas celebrais do Mentalist. — Bas-ta já ouvi o bastante e até demais, necessito de um pouco de repouso, Paul me acompanha, vamos para casa. Deixemos o chefe Supremo do Clã da Ordem dos Negros tratar de os as-suntos da tal declaração de guerra mental com Kafren, o exérci-to e os “conselheiros” do senado. Eles irão ter um bocado de assuntos a tratar; e como! Ufa! Orfen, Kafren estou levando Paul comigo, aqui com vocês não será de utilidade alguma até que passe a conhecer, aos poucos algumas coisas dos nossos costumes crenças e tecnologia. Paul vamos andando, mais abai-xo de onde nós estamos há uma cabine de transferência de ma-téria, iremos para casa por meio dela.

Ao por lá chegarem:

— Vamos sair da cabine Paul, já chegamos.

— Que rápido! — balbuciou surpreendido. — Bela mansão cercada de verde, todavia tudo continua sendo muito estranho para mim. O verde não é tão intenso e brilhoso como na Terra. Pelas trombetas sagradas, Digma, tua propriedade é enorme!

— Agora ela é grande demais para mim depois da morte de toda minha família. Todos os do Clã da Ordem dos Brancos foram vencidos na luta partidária há séculos iniciada, agora já terminada. Eu sou a única sobrevivente dessa luta secular, con-denada a passar toda a eternidade vagando pelo espaço. Aí veio o inesperado, provavelmente as lâminas translúcidas de clausura foram apanhadas por algum vórtice temporal imperfei-to e a minha pessoa “descarregada” na Terra para ali eu morrer e depois nascer de novo. O Kafren que era o executor da senten-ça do meu isolamento para todo o sempre, ao lembrarem-lhe da profecia, reconhecendo o erro fatal que fizera, saiu às pressas atrás de mim. Encontrou-me na Terra e você nos encontrou via-jando através do nada ao “pousar” no interior da “Bola de Cris-tal” e aqui estamos nós. Eu sou a Digma Gimel, mulher nascida duas vezes, uma em Corvus e mais uma vez na Terra. Será que faço parte de as duas dimensões ao mesmo tempo? Talvez al-gum dia eu descubra isso, bah! Vamos entrar.

— Muito prazer Digma Gimel, eu sou Paul Clark nascido “apenas” uma vez na Terra no século XXIII e numa só “dimen-são”. — Paul saiu-se com essa gracinha e ficou envergonhado.

— Brincalhão o senhor, hein! Vamos entrando, não pode-mos ficar muito tempo ao ar livre, tomara que os vândalos não tenham destruído a casa por dentro.

Não estava, apenas se encontrava escura, bagunçada e em-poeirada por ela ser uma mulher relaxada em casa. Também, havia um batalhão de robôs para servi-la em tudo.

— Sorte nossa que ninguém pôs os pés na mina propriedade. Enquanto a gente trata de se lavar depois de tanto agito vou requisitar aos robozinhos para que tratem primeiro da limpeza do banheiro para depois darem um jeitinho na casa para, aí sim, irmos tratar de comer depois de a limpeza corporal, a minha e tua. Matraca sai do estado de standby. — Ordenou e, um telão com imagens tridimensionais se acendeu de imediato na parede do lado sul do enorme salão logo na entrada da mansão.

— Pois não Digma, por onde quer que se começa a limpeza? — perguntou uma voz suave ao tempo em que, a imagem de uma moça jovem e bonita aparecia no monitor tridimensional clareando o ambiente. Bem que a tal jovem poderia ter se apre-sentado ao lado deles em imagem de holograma, mas como não fora solicitado a isso. . .

— Andou nos espiando, fofoqueira. Primeiro a sala de ba-nhos pois necessitamos disso, depois de a desordem do resto da casa. Troquem as roupas da sala de banho e as de todos os am-bientes por coisas limpas. Assim que limpeza estiver concluída põe os robôs da cozinha a trabalhar. Quero um jantar capricha-do. Não me decepcione, hein!

— Digma eu mesmo em “pessoa” vou tratar de “alimentar” os dois no capricho. Desculpe a gracinha. Enquanto esperam a limpeza da sala de banhos tomem alguns aperitivos. Oferta da casa, o bar já está aberto. Brincadeirinha gente. — Ao terminar de dizê-lo apareceu na frente deles um carrinho de rodas abar-rotado de inúmeras bebidas e alguns troços de comer nunca vistos pelo Paul, mas muito gostosos. — Sintam-se à vontade, assim que a limpeza ordenada estiver em condições satisfatórias transfiro vocês dois para a sala de banhos. Mais alguma coisa?

— Não madama, deixo tudo nas suas experientes “mãos”, ao trabalho.

Paul Clark e a rainha Esther Krystal

Do mesmo jeito que Paul Clark tinha se enfiado espetacular-mente mente na “Bola de Cristal” vindo do espaço sideral, de-sapareceu da frente de Digma Gimel antes de o tal merecido banho para aparecer exatamente em Amoon o planeta da quarta dimensão da rainha Esther Krystal paralelo à Terra, nos seus nobres aposentos.

— Vou ter que me costumar com o seu desaparecimento e aparecimento, que chato sumiu, nem cheguei a encostar nele para sentir novamente o calor humano. . . — Praguejou baixi-nho a que nascera duas vezes contra ela mesma. — Tudo estava caminhando tão bem. — Queixou-se e riu-se sozinha. — Bah, que tontice! — Disse e parou por aí.

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Paul Clark de La Rue encontrou-se presente num mundo estra-nho para ele. Antes tinha sido transportado da Terra para outra dimensão dentro de uma nave estelar tipo bola de cristal na quinta dimensão, a dimensão do planeta Corvus e, agora para Amoon na quarta dimensão por uma lacuna espaço-temporal. Essa distorção espaço-tempo sempre ocorria durante as sinistras tormentas no pacato vale onde volta e meia Paul se enfurnava para o descanso mais do que merecido depois de uma perigosa aventura ou outra. Até aqueles momentos Paul não tinha a mí-nima ideia de que aquele seu cantinho, para ele o tão precioso vale possuía poderes cosmológicos, o de enviar e trazer de volta o que quer que fosse através de energia cósmica concentrada de dimensão indefinida e aleatória de frequência energética que variava da terceira até a sexta dimensão. Agora ainda mais, possuía um surpreendente acessório:

O cinto polivalente.

— “Aonde eu fui parar, que terra é esta que estou me enfi-ando”, pensou ao dar-se conta da realidade a sua frente. Nunca tinha sentido na vida essa interferência cosmológica-temporal nele próprio, nem de imaginar de que o cinto presenteado pelos homens vestidos de o branco ao cinza também possuía essas mesmas propriedades.

Paul Clark ainda não tinha conhecimento de o porquê se encontrava vivo num mundo de dimensão diferente de a dele, contudo logo, logo acabaria descobrindo de que o planeta Amoon, paralelo à Terra na quarta dimensão seria onde uma perigosa aventura estava por acontecer ao aparecer inesperada-mente nos aposentos da rainha Esther antes da chegada de Zo-bala, o comandante do planeta Massadoro do sistema solar Ex-tremoz a mando do imperador Akiko Ajiki, o Mentalist com seu exército para a conquista desse planeta. Akiko Ajiki não conse-guia escravizá-los. Suas ondas celebrais não tinham nenhum valor ou sentido nesse mundo. Se esse mundo paralelo à Terra fosse conquistado a mando do Mentalist, seria mais do que um passo para ao fim de tudo, a conquista de a própria Terra. Inú-meras raças extraterrestres tentaram isso por séculos, mas sem-pre surgia os seres de um planeta de um sistema solar distante, desconhecido dos terrestres que, na invisibilidade evitava a escravidão da raça humana por extraterrestres ou de a sua des-truição pelos próprios habitantes. A terra era o Princípio e o Fim de todos os universos existentes ainda em expansão.

— Mas é você Paul, ninguém tem permissão para entrar nos aposentos da rainha. Como conseguistes aparecer de supetão na minha frente outra vez?

— Você rainha, seus aposentos, eu. . .? A memória de Paul se encontrava congelada. — Bonitão vem pra fora do cinto e tenta explicar o que é que está acontecendo com a gente. — Exigiu Paul num lapso de claridade ante a voragem mental acometida.

— Paul você tem que sair imediatamente deste quarto o co-mandante Zobala, o nosso preposto conquistador está por che-gar para sua forçada visita íntima. Ele manda matar a quem chegue perto de mim, inclusive os seus próprios soldados, aque-les que não estão autorizados por ele para minha escolta. Nunca me deixam sozinha em parte alguma.

Sem tempo para maiores explicações, do lado de fora do aposento ouviram passos em ritmo de marcha e o bater de mui-tas lanças no chão.

— Zobala está chegando, você vai morrer e eu serei castiga-da impiedosamente e o meu povo ainda mais. Zobala está fa-zendo com que nos matemos uns aos outros em batalhas san-grentas sem nexo algum. Não podemos fazer nada para evitar essa atrocidade. Nosso armamento moderno foi confiscado e confinado num lugar desconhecido. Lutamos uns contra os outros e contra o seu exército com armas brancas. Não temos como reagir contra esses crápulas. Em breve seremos dizima-dos.

— Está tudo errado, isto não está acontecendo comigo. Desculpe rainha, eu não lembro de nada, as apresentações ficam para outra hora; para mais tarde, eu prometo. É hora de dar no pé como sugerido por sua alteza. Bonitão, vamos descobrir se o presente tão gentilmente oferecido pelos três homens vestidos de branco e cinza, Apum, Dejum e Papum é mesmo de mil e uma utilidades: invisibilidade total para agora mesmo.

Bum!!! . . .

A porta abriu-se com um forte tranco num estardalhaço im-petuoso.

— Quem é que está ou esteve neste quarto contigo, onde o escondeste ordinária? Sinto o cheiro de macho. — Bradou o comandante Zobala com a autoridade de um magnífico ser su-perior.

— Meu amo e senhor, como isso é possível se sou vigiada pelos seus soldados sem descanso na porta dos meus aposen-tos? E quando saio a trabalho ou a passear a mesma coisa, a escolta me acompanha por todos os cantos.

— Chefe da guarda, interroguem-nos. Faça-os confessar a quem eles deixaram entrar, ou se foi algum deles que ousou isso a fim de macular a minha “Deusa”. Os guardas substitutos que vejam o castigo que serão submetidos se desobedecerem às minhas ordens: ninguém entra nos aposentos da rainha nem se aproxima dela nas suas andanças pelo palácio. Devo ser mais claro do que isso? Acho que não! Chefe, mate os guardas que estiveram de plantão vigiando a rainha todo o dia.

— A quem vocês permitiram a entrada nos aposentos da rainha? — Perguntou o chefe da guarda do comandante Zoba-la. — A quem vocês permitiram a entrada nos aposentos da rainha Esther, repito?

— Ninguém entrou nem saiu dos aposentos da rainha e, também ninguém chegou perto dela a não ser os sacerdotes nas andanças pelo palácio — tentou explicar-se um dos guardas tremendo de tanto pavor.

— Pelo sim ou pelo não. . . — virando-se para a primeira fila de soldados atrás dele, ordenou: —, matem estes incompeten-tes.

Deu-se a carnificina.

Os intestinos dos incautos guardas na mesma hora foram parar no chão. Imediatamente os cachorros que faziam parte da escolta do coronel Zobala, se refestelaram com a fatura de co-mida fresquinha.

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Paul Clark até aqueles momentos não tinha conhecimento de o porquê se encontrava vivo em outro mundo e em lugar impró-prio. Bem, logo, logo acabaria descobrindo. O planeta Amoon, era um planeta paralelo à Terra em outra dimensão onde as suas perigosas aventuras tomariam vida ao aparecer mais uma vez na frente da rainha Esther inesperadamente no interior dos seus aposentos. Mais adiante lembrar-se iria de que certa vez na vida já estivera com a rainha Esther Krystal.

Planeta Amoon

Num incerto espaço-tempo:

— O conselho de anciãos está reunido para dar início à ce-rimônia de a aceitação, todos de pé.

Pow! Pow! Pow!!! . . .

O chefe da guarda especial da rainha Esther pedia o silêncio da corte batendo com a lança no chão de pedra bruta. O santo pontífice Micarinos, erguendo o bastão de prelado, sacudindo-o em círculos regulares por cima da sua cabeça, fazia-o silvar no ar como era do seu costume.

Em outro incerto espaço-tempo, Paul Clark de La Rue en-contrava-se presente num mundo estranho para ele na invisibili-dade nos aposentos da rainha Esther vendo-a ser estuprada por Zobala sem nada poder fazer (bem que fora o seu desejo, mas devido às circunstâncias. . .), ao tempo em que, sua memória aos poucos vinha à tona. Lembrara-se de que certa vez tinha sido transportado da Terra, desde o seu pedaço sagrado para outra dimensão: para a dimensão do planeta Amoon por uma lacuna espaço-tempo para lá de improvável. Essa distorção es-paço-tempo as vezes ocorria durante as sinistras tormentas no pacato vale onde volta e meia se enfurnava para um descanso merecido depois de uma aventura ou outra. Até aqueles mo-mentos Paul ainda não tinha a mínima ideia de que aquele seu “modesto” cantinho, o vale, possuía poderes cósmicos para en-viar e trazer de volta o que quer que fosse através de energia cósmica concentrada de dimensão para Paul ainda indefinida e aleatória de frequência energética que variava desde a dimen-são terrena, a terceira até a sexta dimensão.

Clareada a memória, Paul Clark impressionava-se cada vez mais com o que via e ouvia sentado no palco de decisões desde os aposentos da rainha Esther em época incerta para ele, vendo-a ser submetida aos caprichos do seu opressor. De repente veio o vazio para em seguida uma voz se erguer rouca e em vibrato desde o seu cérebro.

Não fora imaginação:

Lembrara-se de tudo, a final.

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—. . . Como todos sabem. . . — pontuava o pontífice —, e é de lei, aquele ou aquela que evita a morte de um de nossos regen-tes, como escrito pelos profetas, desde o princípio de tudo, desde que os mesmos, ou melhor as “partes” não estejam uni-dos maritalmente a alguém por Cristo. . . — Ao ouvir, por Cris-to, Paul Clark, tomou um baque atordoante.

— Aonde eu fui parar, e que terra é esta que conhecem o salvador da humanidade, da minha humanidade assim como a existência do Criador.

Lembrou-se de o pontífice continuar com a prédica:

—. . . terão o direito de unir-se pelo matrimônio sagrado, se assim, ambos o desejarem, por ordem do Senhor, como foi or-denado por Ele aos profetas que o escrevessem e se tornassem leis.

Um braço levantou-se no plenário. Era o de Argeu, o ancião de mais idade daquela assembleia.

— Que Argeu tome a palavra — disse Micarinos ao vê-lo com a mão erguida e palmada.

— Majestade Esther, poderoso pontífice; saudações. Como anunciado na Antiga Escritura, um visitante estrangeiro vindo de onde for não pode receber essa graça do nosso Deus Eterno na nossa própria terra.

— Isto é bobagem — retrucou outro ancião, o que era cha-mado de o pacificador, de nome Antero —; depois da vinda do Messias, tudo foi mudado e, a aceitação do cristianismo por parte dos estrangeiros, salva-os da ignorância de agradar a deu-ses pagãos, levando-os a receberem por causa disso, por parte do nosso Deus Eterno, através do seu filho o Salvador, sua gra-ça para a salvação eterna, como nós mesmo a recebemos desde o princípio de tudo. Por tanto, todos somos cristão perante os Seus olhos. Se o Todo Onipotente, nosso Deus Eterno, assim o desejar, e os estrangeiros se converterem a nossa religião, é cla-ro. Se assim for, eu aprovo esta união. E, acredito que isto será benéfico a nós. Disso tenho a certeza plena, conforme sinto dentro do meu coração.

Nesse tempo o planeta Amoon ainda não estava sendo do-minado pelos opressores de outra galáxia.

A mente de Paul Clark ouvia com atenção todas as palavras ditas naquela casa de Deus e, ao mesmo tempo imaginava en-quanto esperava a decisão dos presbíteros, voltar mentalmente ao seu tempo, pois este onde ele se encontrava confinado na-queles momentos não era o seu tempo nem lugar. Havia alguma semelhança na oratória e nos assuntos sagrados, mas em verda-de não era o seu tempo. Nunca tinha sentido essa interferência cabalística. A cabeça dava voltas quando de repente sua mente passou a lembra-lo de algumas passagens da Bíblia Sagrada, o Antigo Testamento. Da palavra de Deus a Noé ensinando-o e ajudando-o a construir a Arca e da escolha de pares de criaturas vivas. Lembrara-se de Abrão, Isaque e Jacó. De o acordo com Moises para que as tribos de Israel não perecessem de fome e sede no deserto durante a travessia ao fugir do Egito para a terra prometida. Da escolha de um jovem pastor para mais tarde torna-lo o rei dos filhos de Israel, David. Pôr fim Paul pensou no Novo Testamento e da chegada do filho de Deus a Terra.

Jesus Cristo o Salvador.

O Messias:

Pow! Pow! Poooow!!! . . .

De novo, as batidas com os cabos das lanças no chão, o tira-ram do solitário marasmo de pensamentos que, atolado até o fundo da medula se encontrava.

— Então estamos todos de acordo — vociferou o pontífice Micarinos, para quem quisesse ouvir dentro do templo. Fora daquele lugar, uma altissonante voz num forte eco, repetia reli-giosamente as palavras para que o povo na praça real pudesse acompanhar os acontecimentos dentro das quatro paredes de aquele lugar sagrado.

— Majestade — interpelou olhando-a de frente, apontando o bastão de prelado para a rainha —, é de vossa querença acei-tar este estrangeiro como seu esposo?

— Um momento — bradou Paul Clark, lembrara-se disso levantando-se de onde estava sentado, um pouco atrás da rai-nha, no seu lado direito. — Majestade — chamou-lhes a aten-ção —, presbítero, anciãos se me permitem — acenava para eles enquanto se posicionava à frente da rainha, ajoelhando-se em sinal de respeito e submissão —, eu sou terráqueo e ainda não sei exatamente a onde me encontro, ou melhor, em que época pais ou mundo, que sei eu. Porém pelos poucos dias que aqui convivi com vocês, digo de todo coração de que me sinto mui-tíssimo honrado em tê-los com amigos. Majestade, de onde eu venho, a não ser pelo avanço da evolução humana e da tecnolo-gia, as leis não são muito diferentes de as de aqui. Nós cremos no mesmo Deus que vocês creem e, temos as mesmas Escrituras Sagradas. Se todos vocês as conhecessem, pensariam nas mes-mas coisas que eu, todavia repito; pelo o que estou passando, vendo e sentindo na pele, isto deveria ser impossível de aconte-cer. Entretanto, pensando bem e, se realmente existe unicamen-te Ele, o criador de universos, e de todas as coisas neles exis-tentes, tudo o que estou vendo e sentindo, em realidade pode ser possível de acontecer, sim. Entretanto, devo salientar de que, bem, de que não me sinto estrangeiro entre vocês, ao vosso lado. Assim sendo, a partir de agora, passarei a tratá-los como meus irmãos mesmo sem pôr um segundo imaginar onde eu agora me encontro. Sei que soa estranho, mas pelo momento é o que eu sinto. Peço-lhes perdão se me entenderem de outra ma-neira.

As pessoas da assembleia emudeceram e se fitaram estupefa-tas uns aos outros. Não sabiam o que dizer. Estranhando o fato de ninguém se manifestar, Paul Clark, virando-se para a plateia gritou.

Lembrara-se disso.

— Mil vivas aos irmãos deste país tão estranho para mim!

— Glória E Paz para o nosso novo irmão! . . . — explodiram vozes em coro se abraçando e se beijando.

— Silêncio. Silêncio neste recinto — bradava Micarinos, mas como não conseguia conter a alegria de todos os presentes, com um olhar penetrante e um vigoroso aceno de cabeça, orde-nou a dois gigantes negros seminus, para que soassem o gigan-tesco gongo posicionado atrás e a esquerda do trono.

Boooing-boooooing!!! . . .

Com o ribombar do gigantesco gongo de baquetas enchu-maçadas, todos se calaram, passando a dar total atenção ao sumo pontífice, Micarinos.

— Majestade. . .

Interpelou olhando-a de frente. O murmúrio da plateia inva-diu em cheio o ambiente mais uma vez. Porém, não chegava a atrapalhar a conversa cochichada da rainha com Micarinos. Pas-sados alguns minutos, Micarinos se afastou andando para trás oferecendo toda a atenção da plateia, à majestade. Ela, sentada com garbo no trono, vistosa e elegante, balançava o cetro em sua mão direita, com nervosismo. Estava pensativa. Não sabia o que dizer aos seus súditos, nem tão pouco por onde ou de como começar a falar. Paul Clark, vendo-a tão insegura e nervosa, dobrando os joelhos, arqueando-se, novamente pediu permissão para falar.

Outras lembranças.

— Majestade, por ser estrangeiro não sou digno de sentar-me no trono ao seu lado como esposo e rei, porém; se for para o seu bem, e o bem de todo seu povo, bastará uma palavra sua para que eu esteja sempre ao seu lado para defendê-la, até com a minha própria vida se for preciso, o trono o seu povo e o seu mundo.

A essa altura Amoon ainda não estava sendo escravizado por Zobala o comandante do planeta Massadoro, sistema solar de Extremoz, aliado de Akiko Ajiki o imperador do sistema solar Kalapago, o Mentalist devido ao seu poder mental não ter força suficiente para o total domínio, ele sozinho esse mundo. Para tal façanha, Akiko aliara-se ao sacripanta Zobala, mercená-rio de um planeta do mesmo sistema solar do Mentalist para com sua ajuda, se bem que bem mais demorado, conquistar por inteiro o planeta Amoon para mais tarte investir contra a própria Terra depois de o planeta Corvus onde Digma vivia também dominado por eles.

Retorno ao seu tempo

— Caramba Paul, que baita enredo teatral foi esse, hein, homem! Estivemos presentes em corpo e alma em dois mundos totalmente diferentes paralelos à Terra, um na quarta e outro na quinta dimensão. Desculpe, você esteve em corpo e alma, eu em trilhões de bits. Que culturas magníficas.

Tagarelava o intrometido computador apelidado de bonitão enquanto a cabeça de Paul ia e, ou tentava pôr-se alinhado. A sui generis tormenta de interferência-cósmica-espaço-temporal não mais cobria o cantinho sagrado de Paul. O seu tão querido vale.

Desaparecera tal qual surgira:

Puff. . .

De repente.

— Senhor barril o quíntuplo de a dose da bebida mais forte que houver na tua “bodega”. Se não tivermos essa bebida, se vira e cria ela pra mim e para “ontem” — resmungando em se-guida: — Puta merda, quase me casei com uma rainha e, depois ou antes, não sei bem quase me vi nos braços de outra linda mulher nascida duas vezes, uau. . . em Corvus e na Terra. Coisa muito louca. Bonitão, solta a língua, quero saber de tudo o que aconteceu em minha volta quando fora do alcance do meu mesmo raciocínio durante o estado narcótico em viagem pelo cosmo.

— Paul, você através da minha “mente” já está recebendo informações a esse respeito pelo computador do teu cinto que também sou eu. O cinto presenteado pelos teus três amigos ves-tidos de branco e cinza. Contudo, posso ir, ao mesmo tempo informando de que, o cinto captou e “absorveu” da “nossa” tão bela espirito-temporal-tormenta, agora sei disso, o segredo do teletransporte espírito-material num só envoltório, o seu, senhor humano. Agora você e eu, é claro que através de mim, podemos “viajar” para qualquer parte dos sistemas solares existentes en-quanto estiver usando o cinto polivalente e, de uma ajudazinha vinda de um dos mundos visitados. Paro por aqui para não es-tragar a surpresa!

— “ Meu Deus, que ‘castigo’ será esse, sua besta”, imaginou Paul e permaneceu no maior silêncio, abobado. Não era verdade o que ouvia e sentia, não, não poderia ser.

De supetão:

— Alguma coisa alcoólica meio doce meio amarga bem ge-lada para a semana passada. — Ordenou ao robozinho tipo bar-ril de cerveja. Tinha pressa para testar o milagroso cinto, é rápi-do. A Terra corria perigo. Imperativo era evitar a sua capitula-ção. — Estou esfomeado, barril prepara alguns lanches salga-dos. Enquanto continuo absorvendo as informações do nosso amigo bonitão, vou tratar de me alimentar um pouco.

Meia-hora se tanto:

— Bonitão, vamos tentar descobrir se tudo o que até agora absorvi é verdade, vamos para Amoon, na hora exata do meu aparecimento nos aposentos da rainha Esther, antes da chegada de Zobala, o comandante do planeta Massadoro do sistema solar Extremoz a mando do imperador Akiko Ajiki, o Mentalist com seu exército para a conquista do planeta. Akiko não conse-gue escravizá-los. Suas ondas celebrais não têm muito poder de penetração nesse mundo. Ele se encontra numa dimensão quase instransponível para ele. O cérebro do Mentalist não consegue atravessar em sua totalidade essa dimensão. Se esse mundo paralelo à Terra for conquistado, será quase o passo final para o fim de tudo: o de a conquista da própria Terra. Você já deve estar sabendo que inúmeras raças extraterrestres tentaram esse feito por séculos e séculos, todavia sempre surge uma criatura diferente de nós de um sistema solar distante, também desco-nhecido que, na invisibilidade evita a escravidão da raça huma-na por essas criaturas ou de a nossa destruição por nós mesmos como fiquei sabendo pelos homens vestidos de o branco ao cinza. A terra é o princípio de tudo: de todos os universos exis-tentes e tudo o mais ainda em expansão.

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Mal tinha acabado de expressar a sua preocupação:

— Mas é você Paul, ninguém tem permissão para entrar nos aposentos da rainha como disse ao apareceres na minha frente à outra vez?

— Você rainha, seus aposentos, como. . .? — as lembranças de Paul se encontravam um tanto congeladas mesmo desconfi-ando que ele tinha exigido esse meio de transporte ao bonitão e, para esse mesmo tempo e lugar: ou seja, nos aposentos a rainha Crystal. — Bonitão pula pra fora do cinto mostra tua cara e tenta me explicar o que está acontecendo com a gente. — Exi-giu Paul, apressadamente ante a voragem mental acometida que aos poucos retornava com certa viveza aliviando-o um pouco da enorme pressão de sangue em disparada acumulada nas veias.

— Paul você tem que sair imediatamente da minha habita-ção o comandante Zobala, o nosso não desejado carrasco está por chegar para sua forçada e periódica visita íntima. Que des-graçado, ele manda matar quem chega perto de mim, inclusive os seus próprios soldados, aqueles que não estão autorizados por ele para minha escolta. Nunca me deixam sozinha em parte alguma. Você vai morrer e eu serei castigada impiedosamente ainda mais como está acontecendo com meu povo. Zobala está fazendo com que nos matemos uns aos outros em batalhas san-grentas sem nexo algum. Não podemos fazer nada apara evitar essa atrocidade. Nosso armamento foi confiscado e confinado num lugar apenas conhecido por Zobala. Os soldados que es-conderam todo o armamento moderno também foram mortos para que não se pudesse revelar o seu paradeiro. Lutamos uns contra os outros com armas brancas por motivos fúteis. Não temos como reagir contra a vontade desses crápulas. De o cére-bro que está mandando dizimar meu povo.

De repente, ouviram fortes passos, barulho e brados de or-dens do lado de fora do aposento da rainha.

Sem perda de tempo:

— Bonitão, torne-nos invisíveis. . . “essa ordem já a impro-visei antes”. — Veio-lhe à mente.

Bum!!! . . .

A porta abriu-se com um forte tranco num estardalhaço as-sustador.

— Quem é que está ou esteve neste quarto contigo, ordiná-ria? Sinto o cheiro de macho. — Bradou o comandante Zobala com a autoridade de um magnífico ser superior.

— Meu amo e senhor, como isso é possível se sou vigiada pelos seus soldados dia e noite sem descanso desde a porta dos meus aposentos? E quando saio a trabalho ou a passear a mes-ma coisa, a escolta me acompanha para todos os cantos sem dar trégua alguma.

— Chefe da guarda, interroga os guardas que vigiaram a rainha as últimas vinte e quatro horas. Faça-os confessar a qual-quer custo a quem eles deixaram entrar, ou se foi algum deles mesmo que causou todo este transtorno. Os soldados substitu-tos que vejam o castigo que serão submetidos se desobedece-rem às minhas ordens: ninguém entra nos aposentos da rainha nem se aproxima dela nas suas andanças pelo palácio. Devo ser mais claro do que isso? Prestaram atenção? Chefe, me cansei acabe imediatamente com os vermes que estiveram de plantão mesmo que não confessem nada para que sirva de lição ao resto da tropa palaciana.

— A quem vocês permitiram a entrada nos aposentos da rainha? — inquiriu o chefe da guarda de Zobala energicamente. — A quem vocês permitiram a entrada nos aposentos da rainha Esther? Que alguém responda!

— Ninguém entrou ou saiu dos aposentos da rainha, senhor, ninguém chegou perto dela a não ser os sacerdotes nas andan-ças pelo palácio ou nas reuniões do conselho dos idosos — ten-tava explicar-se um dos acusados.

— Pelo sim ou pelo não, soldados matem esses incompeten-tes idiotas. — Bradou e, indicando os guardas reais a sua fren-te.

Deu-se a carnificina.

Os intestinos dos incautos protetores da rainha na mesma hora se desenlaçaram do corpo. A seguir os sanguinários ca-chorros que faziam parte da escolta do coronel Zobala, se refes-telaram com a grande quantidade de comida fresquinha espa-lhada pelo chão.

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Na invisibilidade sem poder fazer nada Paul assistia o brutal e desvairado ataque sexual de Zobala a rainha Esther.

— “Nem ouse pôr as mãos na sua pistola iônica”, alertou mentalmente a Inteligência Artificial armazenada no cinto poli-valente.

— “Isto é mais do que ultrajante”, Paul em pensamento ma-nifestava-se enojado ameaçando tornar-se visível para enfrentar e matar o coronel Zobala.

— “Paul entenda, outro mundo outras raças, outras culturas, não se esqueça disso”, observava a imagem computadorizada do belo negro tratado por bonitão também na invisibilidade tentando acalma-lo um pouco.

Terminado o desejo sexual após a partida do coronel Zobala:

— Esther, minha rainha não pude fazer nada para. . .

— Sossega Paul, eu já superei esta humilhação, não apenas a minha, mas também a do meu povo. Estamos tentando vingar-nos desses malditos invasores preparando-lhes uma cilada para expulsa-los de Amoon para sempre, mas. . .

Antes da manifestação da rainha:

— O mandante de a conquista do seu mundo por acaso seria o Mentalist?

Interrompeu Paul raivosamente.

— Ele mesmo, Akiko Ajiki.

— Estou cansado de ouvir tantas barbaridades desse tal Mentalist. Você contou que todas as armas modernas do teu exército foram confiscadas e armazenadas em lugar não sabido, não foi?

— E verdade. Tentamos através de certas delações descobrir o real paradeiro do nosso armamento, que não é pouco, sem êxito algum devido as constantes lutas do povo contra o pró-prio povo e contra o exército de Zobala. Por enquanto mal e mal conseguimos sobreviver as esporádicas investidas dos sol-dados de Zobala, assim como os nossos próprios levantes inter-nos em busca da liberdade.

— Vista-se rainha, antes que desperte em mim a sanha mas-culina. Você é belíssima e, depois do que assisti. . . — Paul não mais se encontrava na invisibilidade. — Vou ajuda-la como puder, pois, também estarei ajudando a um planeta paralelo ao seu e a própria Terra em dimensões diferentes, mas pelo que aos poucos estou descobrindo, não passam de mundos gêmeos. Vou sair de cena para tratar disso antes que também cometa uma asneira com você.

— Não será uma asneira e sim, com o meu consentimento, Paul. — O comentário dito com muita graça agradou a Paul Clark, pois não tinha casos amorosos na Terra fazia tempo.

Como poderia ele arranjar uma lacuna para namoricos a fim de agradar-se e, ao mesmo tempo dar atenção aos seus alunos nas aulas teóricas nas classes ou fora delas, na prática para a sobrevivência quando em rinhas mais do que frequentes na sel-va contra os rebeldes, ou contra um grupo de alienígenas ou outro.

— Não faltara oportunidade para cometermos essa “asnei-ra”, acredite nisso, minha rainha. Não se assuste, vou desapare-cer mais uma vez para tratar da nossa guerrinha particular con-tra esse tal Mentalist com a ajuda de uma mulher maravilhosa tão valente e bela quanto você e a de três homens que se vestem de o branco ao cinza de planeta também atacado por esse tal de Mentalist para sua derrota. Isso feito a conquista final. O centro nevrálgico de tudo de o que existe no cosmo infinito; a Terra. . . nossa Mãe. . .

De novo em Corvus.

— Tive que banhar-me muitas vezes sozinha. . . que pecado. — Comentou com muita graça Digma Gimel ao ver Paul aparecer ao seu lado depois do banho tomado já no interior da cozinha prontinha para comer sozinha, lembrando-se do fato que tinha tomado muitos e muitos banhos antes de o novo aparecimento de Paul ao seu lado feliz pelo fato de estar com um terráqueo uma vez mais: — fui informada de que o departamento neuro-atômico-cirúrgico está finalizando um experimento fantástico e único para tua adaptação físico-molecular em qualquer mundo de dimensão diferente da sua: a da terceira dimensão da Terra. Nós os de Corvus não temos esse problema. Muito menos eu, nascida duas vezes numa e noutra dimensão de gravidades tão “mundanas”. — Digma não dava chance para que Paul se mani-festasse de uma maneira ou de outra entre brandas chacotas para não “chocalhar” muito mais sua mente. — É um implante molecular rastreador progressivo neuro-rejuvenescedor-celular.

— É . . .?

— De que você permanecera sempre com essa tua idade.

— Eu não desejo isso.

— Vamos comer. Explico tudo durante a refeição. Lembra da última coisa que você fez na Terra?

— Nem sei mais o que é isso! — contudo incondicionalmen-te veio-lhe à lembrança a última pescaria e de o almoço inter-rompido pelo amigo coronel Nimbus. — Continua Digma, es-tou juntando na mente os fatos acontecidos, sei lá eu há quan-tas horas, dias ou. . ., santo Deus, querem me transformar num Titã moderno. . . Céus, quantos mundos estão envolvidos nesta minha saga a fim de a salvação de tudo o construído pelo Pai do nosso Messias?

— Sossega um pouco, Paul. Me escuta. Quando eu acabar de revelar o que fui informada ao seu respeito você me expõe as tuas conclusões, expectativas, acontecimentos. . . pelo menos as do seu conhecimento, quero dizer, das suas lembranças. Sem a nossa ajuda sua vida está em jogo: você morrerá em pouco tem-po, pouquíssimo, mesmo. Você explodirá como um balão satu-rado de gás esteja no mundo que estiver. Sua pobre estrutura molecular, de uma maneira ou de outra não resiste muito tempo a gravidade existente em cada um dos mundos visitados ou ainda por visitar. O médium Xistrás, filho de uma e da outra da nossa dinastia, a dos Brancos e a dos Negros, ao vê-lo ao meu lado, mesmo que por pouco tempo vislumbrou essa sua particu-laridade. Sem esse implante molecular você sem o saber poderá explodir inesperadamente até mesmo na Terra. Causa e efeito devido as idas e vindas interestelares pelo cosmo sem trajes apropriados: coisa fantástica de acontecer. Ninguém mais será capaz dessa tua proeza, contudo isso desestabilizou teu sistema biológico, se estou certa disso bio-neuro-molecular. É o que me foi revelado se acabei entendendo direito. Me desculpa se não pronunciei o que me foi informado corretamente: se troquei ou modifiquei os termos técnicos. As palavras; bah. . .!

— Desembucha, agora, sim você me deixou realmente preo-cupado.

— O observatório astronômico de Corvus onde nós estive-mos, também é um centro científico médico-mental descobridor de ataques biológicos coisa bastante comum em nosso sistema planetário, vez por outra somos atacados biologicamente por raças de outros sistemas estelares para o roubo de um tipo de o que vocês na Terra chamam de Petróleo. Como apreendi quan-do estive na Terra. Eles precisam desse material orgânico, pois, o existente no planeta de origem já chegou ao fim. Devido a esse fato de vez enquanto atacam Corvus e, ou planetas que ainda possuam esse tipo de “ouro” orgânico para rouba-lo.

— Maldição, porque me arrancaram do meu sossegado can-tinho. O que foi que eu fiz de errado na minha vida?

— “Tudo”!

Paul ouviu sua própria voz interior dizer-lhe isso.

— Mentirosa! . . .

Berrou angustiado para quem dissera, “tudo”.

— Como? O que foi que. . .?

— Nada, nada, desculpe Digma. Sem querer me meti a falar comigo mesmo. Por favor, continua, bah. . . vamos lá, fala e me deixa ainda mais assustado.

— Como disse antes, o complexo tem a capacidade através do ar que respiramos em descobrir possíveis doenças ou ataques biológicos comprometedores a nossa sobrevivência quase que instantaneamente assim que alguém tem acesso ao nosso enor-me complexo e solta a respiração normalmente. Com você não foi diferente, Kafren na tua ausência e eu ainda no banho fui informada desse teu, digamos, problema gravíssimo não com-prometedor não a nossa raça. A explicação e plausível e única, disse-me Kafren. Como estiveste saltando no cosmo por vários sistemas solares, sabe-se lá há quantos sem traje espacial, coisa impossível de acontecer, mas acontecido, penetraram nos teus pulmões esporos ainda desconhecidos por nos. Esporo estes que, pelas análises retiradas do teu respirador automático adap-tador de ar do nariz, mostram-se numa lenta reprodução loga-rítmica. Resumindo: ou fazemos o implante o mais rápido pos-sível ou você morre quando os pulmões estiverem cheios desses esporos por falência múltipla respiratória devido à força de gra-vidade do planeta onde estiveres. Ainda tem mais: não quer dizer que você não possa morrer durante o implante, procedi-mento nunca antes realizado em Corvus e, ou provavelmente em lugar algum dos sistemas solares. Se tudo correr bem, você apenas morrerá quando um órgão vital vier a sofrer uma catás-trofe irreparável, mas não por doenças. Deu para entender, Pa-ul. Foi o que Kafren me informou. E tem mais, queira ou não queira você será submetido a esse implante e está acabado. Sua vida pelo momento, entenda vale menos que um tandem fura-do, que é a moeda de menor valor de Corvus. Reze ao seu Deus e peça perdão a Ele pelos seus pecados. Quando nos avisarem de que tudo está preparado para o implante iremos juntos à luta: agora vamos comer! Matraca, diga aos robozinhos que já po-dem servir-nos. Tudo está pronto, não está?

— Perfeitamente Digma, respondeu Matraca. — Com licen-ça, uma pequena observação, você se esqueceu do mais impor-tante:

— Sim, é qual foi?

— A da cirurgia na coluna vertebral.

— Que bosta e essa agora?

Paul chiou:

— Ah, tá, foi devido a empolgação. Me desculpa. Continu-ando: a coluna vertebral dos terráqueos e curvada em três partes e, a de os outros seres semelhantes a vocês, em quatro, em al-guns seres menos e em outros até mais. Por isso temos mais força além de aguentarmos mais peso pelo aumento da resistên-cia aos esforços de compressão axial. Os engenheiros provaram que a resistência de uma coluna com curvatura é igual ao qua-drado do número de curvaturas mais um. A presença de curva-turas na coluna vertebral aumenta a resistência aos esforços de compressão axial. Sabe-se que a coluna do ser humano com suas três curvaturas fisiológicas possui dez vezes mais resistên-cia do que uma coluna quase retilínea como a de muitos seres de outras galáxias. Isso se dá pela dissipação de forças que ocorre nas curvaturas fisiológicas. Já com as nossas quatro cur-vaturas temos a capacidade de suportar muitas vezes mais a força de gravidade de planetas diferentes do nosso. Me descul-pa se a explanação da cirurgia ficou no olvido. Trocado em mi-údos, com essa cirurgia você não terá a chance de explodir nos mundos que “visitares” com força de gravidade diferente de a da Terra. Entendeu?

— Claro, vou ser reconstruído por completo, né!

— E será para o bem de todos os universos sem exceção alguma. Pelo menos em teoria.

Pós-implante

O senhor Paul já está para acordar da narcoterapia pós-operatória, senhora Digma meia-hora no máximo. Um sucesso total nunca antes experimentado, duas cirurgias delicadíssimas ao mesmo tempo, loucura — disse a médica assistente, uma das que ajudou no processo operatório, sessenta dias atrás no ca-lendário de Corvus. — Tenho outros pacientes, preciso sair. Se for da sua vontade a senhora pode acompanhar aqui mesmo o evolutivo despertar do senhor Paul. Lhe fará até bem ver um rosto conhecido ao abrir os olhos depois de sono tão profundo.

— Pode deixar, estou mesmo com ele o tempo inteiro.

— Ótimo, assim fico mais sossegada. Quando despertar ou, para qualquer emergência, manipula o botão vermelho junto a este outro. . . — indicando-o com os olhos —, o medidor de pressão que virei imediatamente esteja onde eu estiver. Tenho um tipo de bip que indica o local da chamada. Entendido?

— Perfeitamente e, obrigada. Vá sossegada, doutora, assim que Paul acordar entro em contato com a senhora.

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Aproximadamente uma hora depois de o sumiço da doutora do quarto de Paul seu bip dava sinais de vida:

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— O que aconteceu Digma?

— Doutora, ao abrir os olhos e me ver deu-se início a uma série de contrações involuntárias, o corpo ainda treme tive que deitar-me sobre ele para que não saísse voando da cama.

— Enfermeira, prepare ½ cm de Espalmodil potássico, Dig-ma se afaste da cama, por favor: você. . . — chamando a aten-ção a outra enfermeira —, vá pelo outro lado do leito e ajusta no peito dele o visor de raios-gama regula a imagem do monitor e vá chamar imediatamente o doutor Salmos do departamento de Biociência. Enfermeira quero ver essa injeção na minha mão pra já. — Ordenou dando pressa a enfermeira que tratava de retirar do frasco o liquido do Espalmodil.

Depois de um certo silêncio enervante:

— Doutora ele vai morrer? — especulou Digma de moral arrasada, começara a amá-lo.

— O que ministrei a ele já está fazendo efeito, em instantes saberemos o que está acontecendo com seu corpo. Como sabe, Paul foi modificado geneticamente por completo.

— Eu sei doutora, mas. . .

— Veja o doutor Salmos já está adentrando. Depressa dou-tor!

— O que aconteceu, doutora?

— Ainda não sabemos, ao abrir os olhos os espasmos apare-ceram e Digma teve que deitar-se sobre ele para que não caísse da cama, agora já está melhorando depois da injeção anties-pasmódica aplicada. Mandei preparar o analisador de raios-gama para que o senhor possa examina-lo com minúcias.

— Bem pensado, vamos ver o que é que está passando no interior do peito do paciente. Agiu rápido doutora, contudo a respiração e a pressão arterial estão baixando muito: enfermeira, procedimento de oxigenação respiratório padrão, obrigado. Doutora, já podemos ver o que é que está acontecendo com o Paul.

Depois de focalizado e regulado o aparelho para o órgão pretendido; os pulmões devido ao doutor ter o conhecimento dos tais esporos, testemunharam o milagre.

— Nossa, o que é que está acontecendo no peito de Paul? — exclamou a doutora admirada, nunca tinha presenciado nada parecido. — Pela quantidade de “combatentes” parece uma batalha de Mouros contra Cristãos na idade média lá na Terra, salve Jesus!

— Doutora, Digma, o implante molecular está funcionando perfeitamente, deu certo. Vejam. . . — o doutor estava exultan-te. — As células sadias de Paul estão acabando com as células atacantes; os esporos dos pulmões. Parece ser uma execução celular em massa. Que avanço científico absoluto. Pela rapidez da rinha celular que estamos observando, daqui a pouco Paul já estará em pé novamente.

E assim aconteceu:

De volta ao dia-dia

— “Paul” . . .

— “O que foi agora” — perguntou estranhando a manifes-tação do senhor bonitão mentalmente.

— “Cento e vinte dias já se passaram desde as cirurgias. Esqueceu que temos grandes responsabilidades a cumprir. Che-ga de tanto namorico e safadezas com a “boazuda” ao nosso lado.

— “Deixa de tanta besteira, seu metido a besta”.

— “Ao trabalho senhor patrão, lembra-se da Terra, não. De Amoon, de Corvus, de Apum, de Dejum e Papum, né”?

— “Estava justamente pensando nisso. Até ia perguntar a Digma se o amigo Kafren pode me ajudar militarmente para em primeiro lugar livrar a rainha Esther e o planeta Amoon do sugo do Mentalist”. É bom que seja rápido, as coisas em Amoon es-tão ficando feias”.

Quando livre da troca de pensamentos da Inteligência Arti-ficial do computador Positrônico de Paul armazenado no cinto polivalente, a realidade pura e simples novamente veio à tona na mente de Paul.

— Querida — disse Paul dando um brutal salto da cama acordando-a abruptamente.

— Ui, você me assustou. Tá sentindo alguma dor?

— Não, não em absoluto. Sinto-me ótimo, mas está na hora de trabalhar. O Mentalist, esqueceu? Preciso ter uma palavrinha com Kafren. Necessito de uma ajudazinha dele, entende?

— Não! — respondeu Digma direto e reto. — o que é que tá pegando agora?

— Preciso de alguns soldados! — disse em voz miúda. — Não sei quantos. Para saber disso devo retornar a Amoon.

— A tua guerrinha particular está para começar, não está?

— Isso mesmo, porém acontece que não é a minha guerrinha particular e sim a de todos nos. Preciso começar a tratar disso em Corvus e em Amoon.

— Vamos nos vestir para ir falar com Kafren. Agora o tram-po é com você, bonitão como estamos com a porcaria da inter-ferência mental em Corvus hoje?

Esther Krystal

— Estava com saudades suas, Paul. — Disse de voz eufóri-ca ao sair correndo para abraça-lo e puxa-lo para cima da cama.

Amaram-se.

Ao escurecer, antes que Esther Krystal solicitasse uma refei-ção digna, depois do “esforço” pela saudade recolhida por Pa-ul:

— O que é que está acontecendo lá fora, Esther, hoje é dia de “visita” daquele sacripanta?

— Em absoluto. Nem sei porque tanto barulho há estas ho-ras. Vamos ajeitar-nos, rápido, de certo alguém da guarda vai entrar no aposento como louco soltando cobras e lagartos goela pra fora. Já estou mais do que acostumada a essas humilhações.

— Presta atenção Esther estou de volta a Amoon por um só propósito, livrar você e o seu povo da escravidão ou de o vosso desaparecimento do mundo dos vivos. Quando tiver tempo para poder falar explicarei o meu desejo para que possamos juntos darmos um jeito nisso. Vou desaparecer, mas não para sair do teu lado do quarto. Se houver um perigo eminente con-tra tua pessoa entro em ação. Não se preocupe e aja como de costume tens feito. Admiro tua coragem em. . .

Pum!!! . . .

A porta abriu-se abruptamente.

— Rainha Esther conhece estes homens? — foi dizendo o chefe da guarda do comandante Zobala de modo nada amável.

A pessoa que levava ao arraste estava bem vestida e deveria ter uns vinte anos. O outro companheiro escamoteador estava sendo agarrado por dois dos guardas da segurança.

— Como posso conhecer alguém mais a não ser aqueles que me cercam nas reuniões do governo ou alguns de vocês, os que fazem a minha guarda.

O chefe da guarda continuou:

— Quem são vocês e o que faziam rondando os aposentos da rainha na escuridão. — Os sujeitos aprisionados aproveitan-do a escuridão da noite e a pequena guarda existente àquela hora, tentavam comunicar-se com a rainha às esconsas quando foram descobertos. — O que vocês estavam procurando ron-dando os aposentos da rainha na escuridão da noite. Falem lo-go! — perguntou pela décima ou mais vezes o irado chefe da guarda do comandante Zobala. — Falem se não quiserem mor-rer! — apregoou perigosamente como se a vida daqueles ho-mens valesse alguma coisa desde quando descobertos pelos soldados de Zobala.

— Aqui dentro, nunca! — bradou a rainha Esther cheia de Si olhando firme e de bem perto para o homem agarrado pelo oficial. — Nada de sangue na minha presença nem nos meus aposentos, entendido?

Ordenou de maus modos.

— Minha rainha, afaste-se dele, por favor, mesmo seguro e indefeso não sabemos das suas intenções.

O aviso chegou tarde, pelo fato da rainha Esther estar olhando para o elemento bem amarrado, mas de distância ótima para uma boa cusparada na cara.

Aconteceu.

Por sorte ou por boa pontaria a saliva do indivíduo foi parar bem dentro do olho direito da rainha Esther.

— Safado vais morrer. Levem os dois vagabundos para fora para que sejam enforcados assim que eu chegar à praça para a execução, vão andando: mil perdões minha rainha foi muita irresponsabilidade de minha parte, não acontecerá. . . — o che-fe da guarda do comandante Zobala não teve tempo em termi-nar a destemperada fala.

— Não foi nada, chefe sossega. O acontecido fica entre nós dois. Não será punido por Zobala pela tua falta de zelo, eu te prometo, contudo na próxima vez que se apresentar a mim para um assunto ou outro qualquer tenha um pouco mais de cuidado, sim! Diga-me o teu nome.

— Me tratam por Jeff-Ali, minha rainha. Agradeço por não ir se queixar ao comandante Zobala por minha irresponsabilida-de arriscando a sua vida. Não acontecera de novo. Prometo daqui pra frente ser fiel a vossa majestade. Vou tratar dos en-forcamentos desses safados, obrigado. Quer que providencie a vinda de um médico para cuidar do seu olho?

— Não, não já retirei a saliva da vista com a ponta do vesti-do, estou enxergando bem, obrigado Jeff-Ali, agradeço a tua atenção para comigo. Ganhaste a minha simpatia e confiança, já pode sair.

Quando novamente a sós:

— Cristo que situação — comentou Paul ao fazer-se visível assim que o chefe da guarda dera sumiço do aposento.

— Tenho a impressão que esse soldado não está muito satis-feito com o seu comandante — arremeteu em bonança a rainha Esther.

— Também percebi isso, além de achar que ficou muito sa-tisfeito com o que você lhe disse, gostei. Tomara que Jeff-Ali queira servir a nossa causa. Será de muita valia, mas de muita valia mesmo.

— Tomara que ele acredite nas minhas palavras. Senti-o ba-lançar um tiquinho quando disse a ele que tinha ganhado a mi-nha simpatia e confiança. Preciso sair do aposento, quer me acompanha na invisibilidade, vou pedir para que a escolta me leve até a câmara de reuniões no senado.

— Mas para que?

— Tenho um microchip de dados alojado no meu olho. Lá, dentro aos soldados de Zobala não lhes é permitido a entrada. É o único lugar que fico sem a companhia dos guardas. Sem ninguém me fiscalizando. De lá iremos ao laboratório técnico científico para que retirem o microchip de dentro do meu olho para ver quais são as novidades da frente de batalha, se boas ou más. Quanto ao Jeff-Ali, esperemos. . . tomara que ele tenha conhecimento a onde estão guardadas as nossas armas confis-cadas, isto é, se por acaso ele souber e desejar cooperar.

— Que assim seja!

— Amém! Além do mais é muita burrice de Zobala em não as destruir e sim esconde-las. Porque tanta confiança a dele em escravizar-nos ou acabar om a nossa raça?

— Sempre por excesso de confiança todos nós cometemos erros infantis que nos leva ao fracasso. Já passei por isso inúme-ras vezes e não gostei nadinha. Veja Esther, de imediato preci-samos da ajuda de soldados experientes armados e bem treina-dos e isso eu consigo com Kafren o comandante dos exércitos do Clã da Ordem dos Negros do planeta Corvus. Digma Gimel se encarregara de o convencer a isso. Enquanto você cuida do tal microchip com as informações vou tratar desse assunto. Tal-vez demore um pouco mais em aparecer por aqui, tenho que descobrir um tipo de proteção de cabeça para que os soldados que trarei comigo estejam protegidos das ondas celebrais do Mentalist. Assim como para toda a população de Corvus. Vocês não precisarão dessa proteção. Se cuida e age como de costume para não despertar a desconfiança de Zobala de que alguma coisa anda errado por aqui para que não cometa mais violência contra vocês. Quando estiver preparado para enfrenta-lo me apresento a ele e depois ao tal Mentalist. Na próxima visita tra-rei companhia, esteja preparada.

Beijaram-se.

— Bonitão, ao trabalho, já sabe o que fazer, hein!

De volta a Corvus

— Estou de volta Digma — disse Paul ao encontra-la na sala de banhos trocando-se para uma bela nadada na piscina.

Naquela hora os dois sóis esquentavam Corvus do jeitinho que o Diabo faz churrasco no inferno.

— Oi Paul desta vez você acertou a hora em cheio. Entra comigo na piscina, vamos amar-nos um pouco. Mais tarde ire-mos falar com Kafren. Já o deixei a par sobre o que conversa-mos o outro dia a respeito da ajuda militar pretendida.

— Mas antes isto — disse Paul de voz melosa caindo abra-çados n’água.

Horas mais tarde durante o régio lanche depois de um inten-so sexo na borda da piscina.

— Necessito ir visitar minha pátria para fazer uma traquinice contra meus conterrâneos e você virá comigo.

A interjeição pegou-a de surpresa.

— Há não, mas não mesmo. Não é o meu desejo enfrentar novamente os odiosos caçadores de alienígenas com seus hor-rendos cães, mas não mesmo! Isso nunca mais!

— Deixa de ser besta, eu estarei protegendo você. Além do mais, como disse, por quinze anos você andou se esquivando deles e dos odiosos cães, e muito bem por sinal. Desta vez será diferente vais estar escolada. Além do mais como o teu sangue é igual ao meu sem a duplicidade do DNA, RNA e proteínas, bastará algumas belas transfusões do meu sangue a retirada do seu e, pronto, estarás limpa do. . .

— Em absoluto, nem pense nisso, vamos lá se realmente tenho que ir junto eu vou como sou. Nada de mexer com a mina espécie, o meu estado natural. Nem morta!

— Desculpe se te assustei com a brincadeira, não é nada disso, para deixar você mais sossegada digo afirmo de que a época que você esteve na Terra não será a época da nossa che-gada. A tua época foi o século XXI, a minha época é o século XXIII. Desde há muito a caça aos alienígenas foi abandonada por não mais ter utilidade alguma. A rinha entre nós os terres-tres e os invasores dá-se de outras maneiras e, isso eu posso afirmar de sobejo.

Tudo tem um começo

Os preparativos para a grande batalha contra o jugo opressor do Mentalist pela conquista dos universos finalmente estavam to-mando corpo:

Paul e a rainha Esther nos seus aposentos esperavam juntos a visita sexual do comandante Zobala. Combinaram isso alguns dias atrás na maior frieza possível, contudo era inevitável essa encenação para que Paul Clark descobrisse de onde e, ou como Zobala aparecia no palácio da rainha Ester. De onde seria o seu QG ou de onde ele vinha, se se escondia em lugar secreto para coordenar o caos no planeta Amoon a mando do Mentalist, já que ao próprio Mentalist por Si só, seria impossível essa con-quista.

A empreitada

Foi fácil ao Paul na invisibilidade segui-lo para descobrir onde Zobala mantinha sua base operacional.

— “Com um regimento de soldado de Kafren acabo com a festa desses crápulas”. Imaginou Paul ao ver e vislumbrar na mente as conflagrações do século XIX da Terra estudadas por ele incansavelmente nos cursos frequentados.

O QG estava cravado no monumental parque central da se-gunda maior cidade de Amoon chamada de Clamp de cenário parecidíssimo ao acontecido na Terra no fim do século XIX nos Estados Unidos da América e no Brasil na guerra do Paraguai. Tendas de lona por todos os lados, milhares delas para o abrigo dos soldados e comandantes que lutavam com rifles de um úni-co disparo, lanças espadas, cavalos. . . não foi à toa que a pri-meira coisa a fazer fosse o confisco das armas de um maior po-der de fogo do povo a ser conquistado. Como conseguiram realizar tal façanha, isso sem sombra de dúvida fora obra do Mentalist.

A única coisa moderna existente em Amoon era a pequena nave voadora que Zobala usava para ir e vir, para locomover-se rápido e livremente através do planeta a fim de dar as ordens aos soldados da linha de frente em todo o globo de uma parca e total desorganização. Nem mesmo um amador principiante em táticas de guerra agiria tão desajeitadamente nem com tanta irresponsabilidade. Não existia comunicação via rádio ou de imagens. Eles não as possuíam: as redes de comunicação de Amon também estavam confiscadas e escondidas, uma tolice cometida por Zobala por confiar cegamente no seu “dono” o Mentalist.

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Ao desgrudar-se do perseguido, Paul antes de se transportar de volta ao palácio, resolveu bisbilhotar o tal feroz “inimigo” hor-rorizando-se com o vislumbrado. Os combatentes eram maltra-tados pelos oficiais, passavam fome e sede. Uns verdadeiros escravos postos à luta para morrerem sem compaixão alguma. Tudo era desorganização e sujo. Água apenas a da chuva para tudo o que fosse ou viesse a ser necessidade pessoal. A não ser a água da ração diária para beber não mais do que quatro dedais por dia para cada homem.

Mas guerreavam.

O maldito Mentalist dominava Zobala e o cérebro de todo o seu exército a fim de que com a conquista de Amoon, a sua primeira vitória de as que fatalmente viriam a seguir chegaria a ser o Imperador de todos os universos.

Um Deus mortal.

Acerto

Mais uma vez em Corvus com Kafren e Digma, o poder execu-tivo, legislativo e o dos cientistas bio-neuro-médicos, Paul os informava de o porquê deveria ir fazer uma visitinha a Terra. Fazer-se presente, mas não no sossego do se vale, o seu retiro. . ., digamos:

Espiritual.

— Como já foi dito e redito — começou a narrar sem papas na língua. — Para vencermos a guerra contra essa peste chama-da de Mentalist, precisamos em primeiro lugar de protetores cerebrais depois de armas e soldados e, também de muita sorte para acabar com “praga” que deseja conquistar todos os univer-sos. Escutem, nos verdes campos de cultivo e nas matas cerra-das da propriedade de Digma, ao passear por ali para a conquis-ta de alguns relaxantes momentos de sossego a fim de clarear os pensamentos, aconteceu devido ao destino ou sei lá ao que, quero dizer “alguém” fez com que as nossas vidas se cruzassem para o que todos nós sabemos e não necessito repetir isso, vis-lumbrei nos terrenos mais baixos em espaço em espaço peque-nos charcos de um líquido azul-escuro e viscoso e, nos lugares mais altos e planos da floresta pequenas pedras de diversos tamanhos e formatos da mesma cor do líquido viscoso, fato esse que me despertou a atenção me atiçou a curiosidade. O que são esses charcos e as pequenas pedras?

— O material que você chamou de pedras e de líquido vis-coso é abundante em Corvus e é chamado de Aduba. E um mineral acessório, o que não caracteriza a rocha, responsável pelo verde do planeta e a fertilidade de todas as nossas terras.

— Foi logo o que imaginei. Na Terra chamamos esse líquido de petróleo usado para muitas coisas. Vamos continuar: preciso voltar pra lá a fim de adquirir, “roubar”, pegar emprestado, chamem como queiram, dos meus conterrâneos milhões de bar-ris do nosso tão querido petróleo.

— Milhões, para quê. . .? — exclamaram os da presente reu-niãozinha atônitos ao mesmo tempo.

— Porque tive uma premonição.

— Pelos nossos dois astros luminosos, não entendi — disse Digma desnorteada. Tinha sido pega de surpresa.

— A ideia em Si é a seguinte: com o hidrocarboneto lá da Terra. . .

— Hidrocarboneto, o que é isso? — Digma voltou a interfe-rir um tanto atrapalhada.

— Basicamente é o nosso petróleo.

— É daí?

— É daí é que forneci amostras desse material ao meu amigo bonitão para análise, é daí veio a surpresa: é daí me revelaram de que o peso atômico da estrutura molecular de um, vou cha-ma-lo de o petróleo de Corvus, é átomo aceitador e o da Terra é átomo doador e, como nos imãs dois polos diferentes se atraem, a minha ideia poderá levar-se a cabo, com um pouquinho de sorte, claro está. Vamos mistura-los, digo mistura-los por que não sei outra maneira de me expressar, os químicos saberão co-mo fazer isso aqui em Corvus para criarmos, digamos: um hi-drocarboneto “perfeito”. — O silêncio era sepulcral, uns enten-diam a narrativa, outros não. Aonde Paul pretendia chegar com essa retórica Techno-científica. — Escutem com atenção: va-mos industrializar aqui em Corvus com a mistura desses dois elementos um tipo de material que na terra chamamos de plásti-co, a fim de proteger as cabeças da radiação mental emitida pelo cérebro do “sacana” do Mentalist. E ponto final. — Todos se olhavam atordoados:

O silêncio continuava atroz.

— Como disse necessitaremos de milhares de barris do pe-tróleo da Terra — exclamou Kafren após o marasmo acometido momentaneamente.

— Milhares, não. Milhões de barris para suprir a demanda de protetores de cérebros a todos, principalmente aos soldados que lutarão comigo — acrescentou Paul.

— E como vamos fazer isso? — disse Digma imiscuindo-se na conversa.

— Como disse antes, voltando a Terra com você e Kafren.

— Maravilha — manifestou-se Orfen o chefe Supremo do Clã da Ordem dos Negros.

— Paul, isso é loucura. Como vamos trazer tamanha quanti-dade de petróleo para Corvus? — perguntou em dúvida a mu-lher nascida duas vezes em mundos diferentes.

— Pois é, é justamente por isso mesmo que precisarei da ajuda de todos incluindo a vocês dois, principalmente, é claro!

— Você piorou Paul, o que te fizeram em Amoon, um feiti-ço? Nem a maior das nossas naves estelares é capaz de realizar essa façanha, isso nunca! Necessitaríamos de uma frota inteira, de pelo menos umas dez mil naves. . .

Digma era a dúvida em pessoa.

— Eu explico:

Disse Paul balançando as mãos para baixo a fim de acalmar os ouvintes do observatório astronômico de Corvus onde esta-vam melhor acomodados por sugestão de Orfen.

— Vá fundo e devagar para que a gente possa entender — voltou a manifestar-se Orfen — pois tá difícil de engolir essa façanha irreal.

O silêncio nas pausas da conversa dava nos nervos dos ou-vintes que apenas escutavam admirados.

— O negócio é o seguinte: — continuou Paul com serenida-de. — Existe em quase todos os países lugares onde através de os dois últimos séculos, por uma técnica descoberta por um mestre Holandês da engenharia eletroquímica chamado Aiden Lennon um método para concentrar petróleo: transforma-lo em pó; e quando digo em concentrar, quero dizer concentrar em enormes quantidades, arredondando sem muita margem de erro digamos: cem milhões de barris em um quilo do petróleo con-centrado.

Oh, ooh, oooh!!! . . .

Ouviu-se em coro.

— Devido ao rápido esgotamento das reservas mundiais e da pouquíssima extração de petróleo das plataformas desde há muito, e isso desde o começo do século XXII, pois o petróleo era usado é ainda o é para tudo o que pode ser industrializado, com medo que as reservas se esgotassem de vez num tempo recorde, todos os governos produtores de petróleo se reuniram para oferecerem um prêmio a quem resolvesse o problema da escassez, melhor dizendo, do armazenamento de tantos barris antes que se descobrissem outros mundos que em suas entra-nhas possuísse o também chamado de Ouro Negro para o nosso uso e, o tal prêmio mais do que tri bilionário coube ao jovem felizardo Aiden Lennon. São muitos os lugares onde se guarda o Ouro Negro de maneira diferente na Terra, porém eu só co-nheço um! — afirmou categoricamente.

Novo burburinho.

— Por meus pais já mortos. . . — disse Digma totalmente ruborizada —, porque esse tal de Mentalist está desestabilizan-do com sua mente esta parte do universo?

— Pelo poder absoluto sobre a Terra Mãe. — Observou Paul com serenidade. — Entendem agora de o porquê devo retornar pra lá?

— Para tentar salvar tudo o que existe de vida. De qualquer tipo de vida nos universos e da escravidão absoluta.

Afirmou Kafren com retidão.

— Vamos ajudar você, acredite em nós, Paul! — Exaltou Digma levantando-se abruptamente de onde estava sentada. —

É nós vamos, sim! — reafirmou resoluta.

Preparativos

Dois dias depois da proveitosa reuniãozinha no enorme salão da propriedade de Digma:

— Matraca instrui os robozinhos e manda eles nos servir pequenos pedaços de carne de Mantra seca e defumada e a Respingo, a cerveja fabricada em Menkar nossa Lua. Paul ainda não a experimentou, nem também a nossa carne de Mantra: matraca, quero a cerveja gelada servida em pequenas porções no ponto certo.

— De imediato, Digma.

— Então Paul, por onde vamos começar, estou mais do que impaciente. Volver ao local de nascimento será novamente cho-cante pra mim, que bom. Me arrependi por ter dito que não vol-taria mais pra lá devido àquelas feras gigantes.

— Esquece isso, fui eu quem botou medo em você, todavia a verdade já te a expliquei.

— Tá bem! Vamos ir comendo algo enquanto você expõe as tuas ideias. Bebe um pouco da nossa cerveja, vais gostar dela.

— Kafren, presta atenção pois será você quem irá pôr em pratos limpos os meus planos aos engenheiros químicos, mecâ-nicos, da obra-civil e eletroeletrônica e por aí à fora. Se esqueci de algo na hora você saberá encontrar a solução e de como agir. Tenho plena confiança em você.

— Obrigado Paul, mãos à obra, pode começar a expor o teu plano sou todo ouvido.

— Cada quilo do pó do petróleo está armazenado em emba-lagens de vinte frascos e, iremos nos apoderar, dependendo do tempo que tenhamos de no máximo duas dessas embalagens. Quando do retorno a Corvus, dependendo da pilhagem, cons-truir na maior das vossas refinarias tanques para que depois de feita a mistura, tantos quantos sejam necessários à criação do nosso hidrocarboneto perfeito. Feita a mistura, bombear tudo para os tanques de armazenamento acima do solo antes constru-ídos com capacidade de os milhões de galões necessários. O petróleo cru deve ser armazenado nos tanques de teto flutuante ou fixo. A medição do nível do tanque será feita por radar sem contato físico devido à sua precisão e baixa manutenção, sem partes móveis e configuração rápida. O meu amigo bonitão for-necera a equipe de engenharia os planos para a construção das planilhas e plantas de tudo o necessário. O mais importante será a segurança: o nível do tanque mãe será mantido pela atuação da válvula mestra. Ao ser acionada uma emergência, os contro-les de nível impedirão o transbordamento, desligando as bom-bas quando o nível cair abaixo do nível baixo. Controles certifi-cados de segurança extra podem ser necessários devido ao bai-xo ponto de fulgor do petróleo bruto que sairá dessa mistura.

— E se a gente não conseguir? — Borrifou a boca pequena Digma.

— Se a gente não conseguir vai tudo para o beleléu. O Men-talist será proclamado o Imperador dos universos. — Observou cético, Paul.

— Barbaridade — disse Kafren, bebeu a sua cerveja e se calou de olhos vidrados, fixos nos companheiros.

— Gostou da nossa cerveja? — perguntou Digma ao Paul.

— Bastante amarga, mas muito boa. Excelente acompanha-mento para esta carne defumada.

— Também temos outras cervejas mais doces. . .

—Não se incomode está cerveja é muito boa: continuando; quando ainda cadete, com meus quinze ou dezesseis anos, co-mo parte do treinamento fomos conhecer o Forte Knox e a ci-dade de Denver no Colorado. O Fort Knox é uma pequena cidade americana e base do Exército dos Estados Unidos, loca-lizada no estado de Kentucky, ao longo do rio Ohio. Ela abriga importantes unidades de treinamento e comando de recruta-mento do exército americano onde se encontra o United States Bullion Depository, o depósito de ouro dos Estados Unidos da América. Durante a visita à cidade de Denver fiquei sabendo da existência da U.S. Air Force Academy, Air Force Academy, Colorado, 80840, a Academia da Força Aérea dos Estados Unidos é uma universidade exclusiva que aceita ao redor de 1.450 de novos cadetes por ano. Terminando este papo geopolí-tico entro de cabeça ao que nos interessa: será em Denver que aterrissaremos para cumprir a nossa missão!

— Por todo o nosso sistema solar, nós todos vamos é morrer ali na Terra, Paul. Tem certeza no que está afirmando? — disse de abrupto Digma Gimel.

— A nossa pretensão está nas Montanhas Rochosas vizinhas a Denver.

— O troço cada vez fica mais louco — ruminou Kafren e tomou mais cerveja. Todas as que havia na mesa.

— Sossega o rabo aí, Kafren, morremos lá na Terra ou mor-remos pela mente do Mentalist. Morrer lá ou cá que diferença faz?

— De acordo, Paul — observou Digma conformada pela aventura que tomava vulto como um abraço de urso há todos eles.

— Quando da formatura como agente do SIDG, o nosso Serviço de Inteligência e Defesa Global, eu e os formandos fomos fazer um treinamento tático de defesa nuclear a uma base militar encravada nas Montanhas Rochosas. Base essa hoje usada para o treinamento dos cadetes da academia de Denver, base essa, também desativada militarmente há muito tempo devido ao acordo mundial de não mais o uso de armas atômicas na Terra. Pois muito bem, é nesse exato lugar que se encontra armazenado como se fosse o ouro do Forte Knox todo o petró-leo concentrado dos Estados Unidos da América; a nossa sal-vação. Entenda-se: a salvação de todos os universos.

— Esse lugar cravado no coração das montanhas, deve ter centena de tuneis, corredores, passagens secretas, salas de guer-ra. De hangares para a saída dos foguetes com as ogivas nuclea-res, eu e que sei lá mais o que. . . — Desembuchou pelo exagero do efeito de impressões sensoriais, Digma Gimel.

— Sossega Digma, os cadetes que estão por lá em treina-mento junto com os oficiais instrutores estão com armas, mas com munição de festim. O perigo de sermos descobertos ataca-dos e, é quase nulo. Nós temos muitos ases na manga.

— Tá certo me engana que eu gosto!

— Vamos descansar, gente amanhã vai ser um longo dia. Kafren como anda a tua mochila tridimensional, deixa ela em dia, pois nos vai transportar novamente para a sexta dimensão ao encontro da Terra que se encontra na terceira. Não se esque-ça de preparar a “Bola de Cristal” sem ela não conseguiremos nada.

Aguarde a próxima atualização.

Personagens nomes, datas, lugares, fatos

Aduba: Mineral acessório abundante em Corvus.

Aiden Lennon: O mestre Holandês da engenharia química.

Akiko Ajiki: O imperador do sistema solar Kalapago, o Menta-list.

Amoon: O planeta da quarta dimensão da rainha Esther Krystal.

Antero: O ancião, chamado de pacificador do planeta Amoon.

Apum, Dejum e Papum: Os seres do planeta Bepum.

Argeu: O ancião de mais idade presente na assembleia de Amoon.

Barrafeno: O padreco.

Bepum: Planeta de Apum, Dejum e Papum.

Bola de Cristal: A nave espacial de Kafren.

Bonitão: O computador Positrônico de Paul Clark.

Cilindro truncado de luz invisível.

Cinto polivalente.

Clamp: A segunda maior cidade de Amoon.

Corvus: O planeta da quinta dimensão de os dois Clãs.

Diana Brunhem: A jovem do acidente de carro.

Digma Gimel: A única sobrevivente do Clã da Ordem dos Brancos.

Dr. Salmos: Do departamento de Biociência de Corvus.

Esther Krystal: A rainha de do planeta Amoon na quarta di-mensão.

Implante molecular rastreador progressivo.

Instrumentos de prospecção astro-estelar.

Interferência-cósmica-espaço-temporal.

Jeff-Ali: Um inesperado aliado.

Kafren: O comandante dos exércitos do Clã da Ordem dos Negros e o carrasco oficial.

Kalapago: O sistema solar onde imperava Akiko Ajiki.

Lâminas translúcidas de clausura.

Matraca: O computador da residência de Digma Gimel.

Menkar: A lua do planeta Corvus.

Micarinos: O pontífice do planeta Amoon.

Nimbus: O coronel falecido no helicóptero de combate.

Novua: A galáxia recém-descoberta pelos astrônomos do plane-ta Corvus.

Observatório astronômico de Corvus.

Orfen: O Chefe Supremo do Clã da Ordem dos Negros.

Paul Clark de La Rue: O agente do SIDG Serviço de Inteligên-cia e Defesa Global.

Poder cosmológicos: O de enviar e trazer de volta o que quer que fosse através de energia cósmica concentrada de dimensão indefinida e aleatória de frequência energética que variava da terceira até a sexta dimensão.

Prósion e Acubes: Os Sóis do planeta Corvus.

Régio: O Cérebro do planeta Bepum do sistema solar Acum.

Rhames: O capitão de equipe de salvamento na selva.

SIDG Serviço de Inteligência e Defesa Global.

Xisto e Vasco: Os técnicos do salão de execuções.

Xistrás: O médium de Corvus.

Xucro: O cachorro dos caçadores de Alienígenas.

Zobala: O comandante do planeta Massadoro, sistema solar Extremoz, aliado de Akiko Ajiki: O imperador do sistema solar Kalapago, o Mentalist.

Paralelismo

Francisco Perez Andreu

fpandreu@gmail.com

Frank P Andrew e Francisco Perez Andreu
Enviado por Frank P Andrew em 12/02/2024
Reeditado em 29/03/2024
Código do texto: T7997259
Classificação de conteúdo: seguro
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