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MEU SURFISTA MISTERIOSO - Cap.4

Joana caprichou um pouco mais na maquiagem antes de descer para o salão onde desfrutaria o delicioso café da manhã do resort.  Mas na expectativa de encontrar o surfista, principalmente depois do sonho incrível que tivera com ele, Joana nem sentia tanta fome assim. Para sua decepção e aborrecimento, a primeira pessoa com quem deu de cara foi Pedro. Ele estava junto com mais três colegas e abanou discretamente para elas. Educadamente, Simone retribuiu o aceno, enquanto Joana procurava avidamente pelo surfista.
— Ele não está aqui — murmurou para si mesma.
Simone lhe deu um leve cutucão.
— Pedro está nos chamando para sentarmos à mesa com ele e os outros.
Ao ouvir a voz da amiga, Joana pareceu acordar. Realmente Pedro fazia sinais chamando ambas. Ela agradeceu à distância e se acomodou em outra mesa, mais afastada.
— Pode se juntar a eles se você quiser. Não estou com a menor disposição de encarar aquele cara logo de manhã cedo.
— Calma, garota. Relaxe — Simone sentou frente a ela. — Ele só está bancando o simpático. Venha, vamos até o buffet. Lá está cheio de coisas gostosas.
Contudo, enquanto se servia de salada de frutas, Pedro se aproximou por trás, subitamente, e falou muito perto do ouvido de Joana:
— Você desapareceu como uma fada ontem à noite.
Desagradável. Era isto o que Pedro era. Simone fez que não viu a abordagem sem noção dele, e Joana, com o susto, quase derrubou tudo sobre a mesa do buffet.
— Eu estava com sono — mentiu, dando meia volta e se afastando dele o mais rápido que podia.
Para sua surpresa, Pedro foi atrás. A mesa era pra duas pessoas, porém isto não foi empecilho para o homem. Ele puxou uma cadeira e se instalou. Simone se aproximou em seguida, sem saber direito o que fazer. Ficou parada frente à mesa e, por fim, indagou:
— Estou atrapalhando alguma coisa?
— Quem sabe? — Pedro deu uma risadinha.
— Sente- se, Simone, por favor.
Pedro passou o restante do tempo falando sem parar sobre sua competente vida profissional e seus gostos pessoais refinados. Joana não escutou 1/3 daquela conversa fiada. Simone fez alguns comentários para não ficar chato, percebendo que a amiga não tirava os olhos da entrada do salão.
— Então hoje é o grande dia, aguardado por todos.
Simone deu outro cutucão em Joana. Pedro a olhava, esperando por uma resposta.
— Hein? Como?
— Sua palestra. Estamos todos ansiosos para ouvir você falar.
Subitamente sua apresentação ficara em 2º plano. O tempo que passaria no resort estava se extinguindo. Precisava falar com o surfista antes de ir embora. Pelo menos o nome dele tinha que saber!
— Ah, sim — disse ela, sorrindo sem graça. — Espero que seja bem interessante para todos nós.
Para ajudar a colega, Simone incentivou:
— A Joana passou alguns pontos comigo. Garanto que todos irão gostar e se sentir motivados.
Sem paciência para continuar aturando a conversinha de Pedro, Joana consultou o relógio. Faltavam ainda 40 minutos para o seminário começar.
— Se vocês me dão licença, eu vou subir. Nos encontramos daqui a pouco.
Ela se levantou sem esperar resposta. Andou apressada até o quarto, esperando encontrar o surfista nos corredores do resort. Nem sombra. Frustrada, Joana começou a se arrumar para o evento. Cinco minutos depois Simone chegou.
— Puxa, mas que homem chato! — explodiu. — Não acredito que ele vai se grudar em mim o tempo todo!
— Fique calma. O seminário termina amanhã.
— Sim. E eu terei que ir embora. E é certo que nunca mais verei o surfista.
— Puxa, você está mesmo bem impressionada, hein?
— Confesso que sim — Joana começou a escovar os dentes falando ao mesmo tempo. — Nem estou tão preocupada com a palestra agora. De uma certa forma isto é bom… — Joana fez uma pausa e murmurou —Talvez ele nem esteja hospedado aqui.
— Talvez o cara esteja dormindo — ponderou Simone. — Você veio para o quarto e ele deve ter ficado mais um pouco lá fora curtindo a noite. Ou alguém.
Joana sentiu um vazio no peito. Ela própria não sabia porque estava agindo daquele jeito. Como uma tola.
— Será?
— Tudo é possível — disse Simone penteando os cabelos. — Mas esqueça isto. Vamos fazer o seguinte. Foque no seminário. Depois do almoço vamos dar uma busca no resort. Aí já terá tempo de ele ter acordado e, quem sabe, até pegar uma onda.
— Isto mesmo. Você tem razão. Não posso me distrair. Hoje é meu grande dia.
— Como diz o Pedro, estamos loucos para ouvir você. Tenho certeza que será um sucesso.
— Espero que sim — suspirou Joana, fazendo força para esquecer o seu surfista misterioso.
*
O seminário iniciou com Joana tentando focar nos palestrantes. Mas aquele dia realmente não começou muito bem. Como se não bastasse ter que suportar Pedro durante o café da manhã, ele conseguiu um lugar ao lado dela no centro de eventos do resort. Restou a Joana ficar mais de duas horas aturando os comentários do colega. Assim que as palestras terminaram, próximo das 11h30min da manhã, ela foi a primeira a sair, chegando a ser indelicada com algumas pessoas. Alegando uma forte dor de cabeça — pura mentira — Joana tomou a direção do quarto, preocupada não apenas com a sua apresentação de logo mais, mas também nas poucas horas que teria para tentar descobrir por onde andava o surfista.
Cinco minutos depois Simone entrou no quarto esperando encontrar Joana deitada na cama com uma enxaqueca horrorosa. Pelo contrário, Joana estava naquele momento tirando as sandálias de salto alto e colocando um chinelinho confortável.
— Você vai sair? E a dor de cabeça?
— Menti — respondeu Joana, estendendo a mão para pegar um vestido leve dentro da mala. — Não aguentava mais o Pedro e eu não tenho tempo para ficar escutando os outros a me bajularem. Tenho mais o que fazer. E você sabe o que é.
— Sei… Presumo que você vai até a praia procurar o rapaz como combinamos?
— Exatamente.
— Por mim tudo bem. Mas e a palestra? Não vai revisar nada?
— Está tudo aqui dentro — Joana apontou para sua cabeça, já de pé e pronta para a caçada. Parecia mais disposta agora. — Vamos? Temos um tempinho antes do almoço. Aliás, por mim eu nem almoçava aqui para não ter que topar com o Pedro.
— Claro que vou com você. Aliás, estou muito curiosa em conhecer este surfista. Ele deve ser realmente muito especial para mexer tanto com você. Tenho até uma ideia melhor. Que tal almoçarmos em um dos quiosques da praia?
— Ideia perfeita — concordou Joana. — Quanto mais tempo ficarmos na praia, melhor.
Em menos de quinze minutos, as duas amigas já estavam na beira da praia. Havia muita gente tanto na areia como no mar. As ondas estavam boas e Joana observou com atenção cada surfista. Depois de um tempo, murmurou:
— Ele não está aqui.
— Tem certeza? Você o viu de noite, estava meio escuro...
— Não é nenhum deles.
— Na areia você procurou?
— Sim… Deve ter sido um sonho que eu tive ontem. E esqueci de acordar..
— Deixe de ser boba. Ei, ali tem um quiosque bacana. Vamos aproveitar? Sentamos nas cadeiras e você poderá olhar com mais atenção.
Joana e Simone ficaram cerca de 40 minutos por ali. O clima estava perfeito e soprava uma brisa gostosa. Apesar de o surfista não dar as caras, Joana conseguiu dar boas risadas com sua nova amiga. Enquanto voltavam, no entanto, ansiosa por tentar descobrir alguma coisa, Joana abordou alguns surfistas. As respostas foram todas negativas, ninguém sabia quem era.
Mais tarde, já no resort e enquanto se arrumava para sua apresentação no seminário. Joana reclamou, bem aborrecida:
— Meu tempo está se esgotando. Se eu não o encontrar até a noite, vou embora daqui amanhã sem nunca saber nada sobre ele.
— Você pode voltar quando tirar férias. Talvez ele more por aqui perto.
— Não faço a menor ideia... — Joana penteou os cabelos e depois passou um batom. Precisava esquecer o surfista misterioso para que sua apresentação não fosse prejudicada. Voltando-se para Simone, perguntou — Estou bem? Ou quase isto?
— Está ótima. Foque no seu lado profissionala partir de agora. Uma coisa de cada vez.
— Sim… É isto mesmo o que eu vou fazer.
Patrícia da Fonseca
Enviado por Patrícia da Fonseca em 31/07/2015
Código do texto: T5330627
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Sobre a autora
Patrícia da Fonseca
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 49 anos
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Patrícia da Fonseca