AVERSO | CAPÍTULO 3 – PAVOR

CAPÍTULO 3 – PAVOR

“Mas o que diabos esta acontecendo aqui?”

Sylph olhava fixamente para o monitor, seu rosto expressava medo e seus olhos estavam arregalados e a boca semiaberta.

“Realmente algo estranho esta acontecendo, será que estou sendo hackeado? Impossível, pois o computador esta fora da tomada, então será que é algo sobrenatural que esta acontecendo aqui?”

O monitor do computador desliga repentinamente, Sylph se aproxima e aperta o botão para ligar, mas o monitor não liga, ele então se afasta e transmite um olhar de preocupação, coloca a mão na boca e pensa:

“Será que eu poderia estar fazer isso? Sei lá, como algum tipo de poder psíquico? Eu estou muito confuso, mas primeiro como o monitor ligou do nada sem estar conectado na tomada? Não consigo pensar em uma resposta lógica para isso”.

Sylph se afasta lentamente da frente da escrivaninha e então algo chama sua atenção.

“A chuva parou? Não ouço mais o barulho dela”.

Ele se vira para a janela, mas não consegue ver nada, é como se o lado de fora estivesse consumido por uma profunda escuridão, Sylph se aproxima e cola seu rosto a janela para tentar enxergar algo, mas percebe que esta um breu lá fora e nada pode ser visto. Ele tenta então abrir a janela e estranha, como era de correr bastaria ele puxar e ela deslizaria horizontalmente, mas ao tentar fazer isso sentiu ela presa, como se estivesse colada.

“Será que esta emperrada?”

Ele então faz mais força, sobe na cama e joga o corpo para trás para tentar ter mais impulso, mas a janela não se mexe nem um milímetro.

“Mas que diabos esta acontecendo?”

Ele então vai ao centro da sala, observa seu celular, depois o monitor do computador e se vira indo em direção à porta.

“Acho melhor sair daqui.”

Ele então tenta puxar a maçaneta da porta, mas ela não se mexe.

“Eu não me lembro de tê-la trancado”.

Então ele volta para a escrivaninha e encontra a pequena chave da porta do seu quarto em cima de um livro, ele coloca a chave na fechadura e ao tenta girar a chave se quebra, deixando metade dela presa na fechadura.

“Mas que bosta, eu nem fiz tanta força assim”.

Novamente ele tenta puxar a porta com força, mas ao fazer isso percebe que ela não abre.

“OK, eu desisto, mas Isso não vai ficar assim”.

Ele então toma distância da porta e se atira violentamente contra ela, dando de ombros na madeira dura sentindo uma dor latejante em seguida.

“Ai merda, doeu pra caramba e a porta nem se mexeu”.

Sylph então tenta novamente, mas a dor no ombro piora e ele desiste dessa ideia, logo começa a dar chutes, mas ainda assim a porta não só nem se mexe, mas ele percebe algo de mais curioso.

“A porta nem esta ficando arranhada, ela é feita de madeira era suposto ao menos eu ter deixado algumas marcas nela, mas nem isso.”

Ele então pega a metade quebrada da chave que havia caído no chão, em seguida se aproxima da porta e tenta risca-la esfregando o pedaço da chave com força na madeira, mas nenhum sinal é feito nela.

“Isso é tão estranho”.

Uma música infantil começa a tocar, o barulho faz Sylph tomar um susto e se virar bruscamente em direção à escrivaninha, imediatamente ele percebe que a luz do seu celular esta novamente acesa.

“Esse não é o toque do meu celular, lembro-me de ter colocado uma música edita por gatinhos cantando.”

Ele se aproxima e percebe que alguém lhe esta fazendo uma ligação.

“Aparentemente é o mesmo número de antes.”

Sylph fixa seu olhar no celular e por um tempo fica receoso em atender, mas então ele desliza o dedo bem devagar e mais vagarosamente ainda ele coloca o celular no seu ouvido.

“-Sylph Zan, hoje é seu último dia de vida-“ Era a mesma voz estranha de antes, um sussurro de uma voz rouca e áspera.

Sylph arregala os olhos e fica imóvel, então percebe um pequeno desconforto no ouvido e afasta seu celular e é ai que observa algo bizarro acontecendo.

“O que é isso?”

Pequenas patas peludas começam a sair pela tela frontal do celular, ele joga o celular em cima da escrivaninha e se afasta rapidamente, então fica observando que as patas começavam a se apoiar nas laterais e faziam emergir uma aranha do tamanho da palma da mão de Sylph.

“Uma aranha?”

Sylph transmite seu pavor com um olhar perplexo, ele encara a aranha em cima do seu celular que esta imóvel, fica assim por algum momento e ambos não se mexem.

Abaixando-se vagarosamente olhando diretamente a aranha ele tenta alcançar um dos seus livros embaixo da cama, assim que sente com as mãos um de capa grossa ele rapidamente o puxa e se levanta sutilmente.

“Tudo bem, se vai ser assim que seja”.

Então ele arremessa com força o grosso e pesado livro de capa dura em direção à aranha, o livro acerta em cheio o alvo e bate com força na escrivaninha, o livro cambaleia para trás e vira-se para cima com a parte em que acertara a aranha revelando uma gosma verde escorrendo pela capa. Sylph se aproxima e percebe que a aranha esta obviamente morta, mas também percebe que a tela do seu celular fora completamente destruída.

- Droga eu poderia ter esperado ela sair de cima, me precipitei, que merda. Como eu gostaria de ser uma pessoa menos inútil até para mim mesmo.

Ele pega o celular e tenta limpar a gosma verde que esta em cima, depois tenta liga-lo, mas nota que o aparelho esta realmente quebrado.

“Que ótimo, perdi mais um celular”.

Ele então remove o livro cuidadosamente de cima da escrivaninha e o joga junto ao seu celular em um dos cantos da parede do quarto. Novamente tenta abrir a janela e a porta, sem nenhum sucesso, então ele arrasta até o centro sua cadeira e se senta olhando calmamente ao seu redor.

“Bem vamos ver, eu estou preso aqui, não consigo sair e algumas coisas estanhas e surreais já aconteceram comigo, o que eu devo supor que esteja acontecendo? Eu estou maluco e vendo coisas? Acredito que não, pois então eu não sentiria a dor no meu ombro, será que então eu estou dormindo? Não sinto como se estivesse, a menos que esteja em coma, mas ainda resta a opção se eu estou tendo contato com algo sobrenatural e essa é a alternativa mais palpável.”

Deslizando o dedo ao entorno de sua cabeça e com os olhos fechados Sylph tenta colocar sua mente em ordem.

“Se for um fantasma, o que eu posso fazer preso aqui? Talvez tentar entrar em contato, me comunicar?”

Então se levanta e fica de frente para seu guarda roupas e diz:

- Tem alguém aqui comigo?

“Sinto-me um idiota fazendo isso.”

O silêncio por um tempo é a resposta de Sylph.

“Ok nada de estranho...”

Então ouve o barulho de alguém batendo na porta do guarda roupa pela parte de dentro.

“Tudo bem, agora eu estou apavorado, realmente alguém esta batendo na porta do guarda roupas? Não é possível, acho que algo caiu ai dentro.”

O guarda roupas de Sylph era pequeno, praticamente um pouco mais do que ele, tinha quatro portas, duas grandes e duas menores com espaço para quatro gavetas, o barulho que ele ouvira vinha das duas portas maiores, onde ele guardava seus casacos e jaquetas.

“Eu já vi esse filme antes, se eu abrir provavelmente vai saltar o satanás na minha cara e me levar pro inferno, o que as pessoas inteligentes fariam em uma situação dessas? Bem, vamos tentar imaginar, se eu estivesse me assistindo agora o que eu faria?”

Sylph então olha para sua cadeira de rodinhas em frente à escrivaninha.

“Ok vamos tentar isso primeiro”.

Ele pega sua cadeira, a levanta e a empunha, então se vira em direção a janela e a arremessa usando toda a força que dispunha em si, a cadeira bate com força na janela e se estilhaça em vários pedaços que se espalham pelo chão, um dos pedaços encontra o rosto de Sylph que sente cortar um pouco acima de sua sobrancelha.

“Ai, que merda.”

Um filete de sangue escorre pelo seu rosto, ele então coloca sua mão e pressiona tentando parar o sangramento.

“Mas o que diabos? A janela nem se quebrou? Eu quebrei minha cara e não ela, agora entendo realmente estou sendo amaldiçoado aqui.”

O sangramento para e Sylph novamente ouve alguém batendo na porta do guarda roupas.

“Tudo bem, você quer que eu abra, eu vou abrir então porra.”

O sangue de Sylph fervia devido ao corte no seu rosto, ele se alterou pela frustração. Abaixou-se e pegou um dos pedaços da cadeira que eram o apoio do braço do assento, pegou o puxador da porta do guarda roupa e contou.

“Um, dois e três”.

Quando disse “três” ele puxou fortemente a porta e se preparou para golpear o quer que fosse que estivesse ali dentro, porém não havia nada a não ser seus casacos e suas jaquetas e uma toalha.

“Eu acho que sou esquizofrênico na verdade”

Saah__
Enviado por Saah__ em 21/11/2018
Código do texto: T6508033
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