A casa do espanto

Depois de viajar por oito horas, debaixo de forte chuva, a Família Gaspar composta pelo Sr. e Sra. Gaspar, além dos três filhos - Noah, Gael e Beatriz - chegam ao destino. Acomodaram-se na enorme casa de um casal de amigos, sem filhos.
Estavam visitando a cidade, pela primeira vez. A noite estava chuvosa e, talvez por isso, as ruas estavam desertas. Acharam estranho, mas tudo bem. Só se escutava barulho dos poucos carros que cruzavam a avenida e o farfalhar das árvores.
O casal anfitrião dormia na parte de baixo do sobrado e as visitas foram acomodadas na parte de cima da casa. No térreo ficavam o quarto do casal, a cozinha, a garagem e dois banheiros, sendo um na parte externa da casa. Na parte de cima, dois quartos onde as visitas dormiriam, um banheiro e um pequeno quarto que eles foram instruídos a não abrirem a porta, sem maiores explicações. estranharam, mas todos se calaram. Chovia e fazia um frio seco, a ponto de estarem todos protegidos por cobertores.
Serviram-se de uma sopa bem quente, comeram pão torrado bem quentinho, beberam café com leite bem quente e se prepararam para dormir.
Ao chegarem em seus quartos, começaram a perceber um barulho estranho. Os dois filhos menores, com medo correram para o quarto dos pais, ficando apenas o mais velho com o cobertor cobrindo-lhe a cabeça.
Os pais perceberam um barulho estranho, as chaves das portas não paravam de balançar, como se um terremoto tivesse abalando a estrutura da casa e arrancando a porta.
O filho mais novo sentiu uma sede danada, daquelas que se sente quando come bacalhau salgado. A mãe não teve outro jeito senão levanta-se para descer as escadas e ir até a cozinha buscar uma jarra de água para dar um copo da água gelada ao filho e deixar o restante no quarto para outros possíveis acesso de sede de algum filho.
Ao chegar no topo da escada, a Sra. Gaspar sentiu um calafrio estranho. Olhou para baixo e tudo estava escuro, mas as maçanetas e chaves das portas movimentavam-se, diante do barulho que se ouvia. Desceu mais alguns degraus e sentiu todo o corpo se arrepiar. Parou e não teve coragem de descer as escadas. Voltou correndo, entrou no banheiro e pegou água para o filho, diretamente da torneira da pia.
Deitou e ficou respirando aceleradamente, o coração aos pulos. Ficou calada e amedrontada. Todos adormeceram, exceto a mulher que passou a noite inteira a escutar aqueles sons macabros e a sentir arrepios, apesar do grosso cobertor que usava. Pensava no quarto proibido... Fazia preces para que a noite logo terminasse, mas esta foi muito longa.
O dia amanheceu e logo nas primeiras horas da manhã, ela sentiu um cheirinho de café fresco. Com os olhos inchados por não ter dormido, desceu as escadas enrolada em um cobertor e percebeu que o causador de toda a angústia da noite era o vento forte e o frio que sempre faz naquela cidade. Respirou, com ar de alívio e raiva, indo direto à cozinha sentar-se à mesa com a amiga e beber um delicioso café, depois da anfitriã perguntar:
- E aí, dormiram bem? A mulher sorriu sem graça, bebeu um gole de café e mudou de assunto, depois de refletir que "o medo em em excesso é um terrível mal".
 
Joyce Lima
Enviado por Joyce Lima em 09/12/2018
Reeditado em 16/02/2019
Código do texto: T6523025
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