Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

SEXTO SENTIDO

     Depois de um dia exaustivo de trabalho eu só quero voltar para casa e me jogar na cama, os dias como garçonete andando de um lado para o outro em sapatos apertados são realmente cansativos, a essa altura da noite meus pés doem as perna me matam e a cabeça martela, resultado de tanta conversa e barulho os clientes e meu chefe o tempo inteiro me chamando, Monica isso, Monica leva o pedido, Monica limpa a mesa.
     Mas paga as contas não é mesmo, então bola pra frente, um banho quente e cama amanhã estarei pronta para outra, mas hoje como na semana passada e na outra tem um clima estranho me rodeando, uma sensação de frio no dia quente, um medo irracional, que eu não sei de onde vem.
     A lanchonete onde trabalho fica no mesmo bairro em que moro não é longe de casa e para economizar tempo eu passo por uma viela estreita e sempre bem iluminada.
     Só que em alguns dias a lâmpada da rua cisma em piscar bem no horário que eu passo e pra ajudar hoje o único barulho que tem na rua são meus passos o barulho da sacola de plástico com o lanche e juro que dá pra ouvir meu coração batendo no peito, mesmo não sendo uma pessoa medrosa ou chegada a chiliques  me sentindo como se estivesse sendo seguida.
     De repente um berro alto e um vulto pula de um canto escuro na minha direção, paraliso no mesmo instante com o susto, sinto o sangue gelar no corpo e não consigo me mexer, até perceber que na realidade não passa de um gato fugindo assustado de alguma coisa, e com certeza,  não vou ver o que era, já assisti filme de terror demais pra saber que curioso morre primeiro.
     Em poucos segundos me recupera do susto.
     -Merda de gato....
     Saiu resmungando quase na metade da viela, mas a sensação de algo errado e os calafrios em baixo da pele não me deixam, parecem querer avisar sobre algo muito errado.
     Aperto mais os braços em volta de mim e aperta o passo olhando pra baixo, compenetrada em sair dali o mais rápido possível,  antes de chegar no final da viela, um vulto pula em minha frente, sinto o coração batendo na garganta e um vazio enorme e gelado no estômago e na alma que quase abandonou meu corpo.
     Quase cai para trás, quando ouvi uma risada infantil, era o João pivete de rua deve ter uns 10 anos, que as vezes rouba alguma coisa deixada do lado de fora no quintal quando alguém se recusa em dar algo, normalmente comida, a ele quando ele pede.
     -O que você está fazendo aqui João, quase me mata de susto.
     -kkkkkkkk, tava pegando uns negócio pra vender, e vc não me viu.
     Ele fala em tom de ameaça, eu mereço,ficando de olho comprido para a sacola que eu levava,  mesmo puta com ele empurrei a sacola nele pra ir embora logo.
     -Fica com isso eu não aguento mais sentir o cheiro dessa porcaria.
     -E por que pega então.- ele fala já enfiando a cara na sacola e a mão que sai cheia de batata, come mastigando com a boca aberta e sorrindo.
     -Talvez pra alimentar um pivete mal educado que fica dando susto nas pessoas, to indo preciso descansar.
     -Tchau obrigado pelo lanche.
     Agora já no fim da viela me sinto mais tranquila, acho que depois de tantos sustos meu nervoso caiu morto, desertou rsrsr
     Chego no fim da viela e vejo o movimento de carro na rua um falatório ou outro, fico aliviada sorrio pra mim mesma acho que tenho que tomar uns calmantes to ficando paranoica.
     Entro no predinho, morro em um apartamento de CDHU pequeno, o aluguel é barato, e  pra mim sozinha da tranquilo, não tem elevador, só a escada moro no terceiro andar, chego abro a porta feliz por estar segura.
     Olho pela janela o movimento na rua diminuindo ouço o barulho da tv do vizinho e ligo a minha também, vou pro banheiro preparar meu banho.
     Termino o banho e saiu de calcinha e sutiã pronta pra dormir desligo a tv e vou pro quarto paro na frente da cama de costas pra porta  quando sou empurrada pra cama com alguém em cima de mim já com a mão na minha boca, me debato desesperada enquanto sinto a picada no pescoço, e meus movimentos ficam cada vez mais pesados os músculos enrijecem eu não consigo mais me mexer.
     Ele sai de cima de mim vai na sala e liga a tv novamente, ele volta assobiando, me vira de barriga pra cima, eu tento falar implorar mas não consigo, as lágrimas correm pelo meu rosto.
     -Não chore linda mocinha, nós vamos brincar agora e depois eu vou embora, vou deixar sua gorjeta na cabeceira da cama serei generoso com você.
     Deus ele é louco, ele parece normal, é até mais bonito que o normal, ele... eu lembro dele ele esteve na lanchonete hoje e na semana passada também, eu estava certa meus sentidos estavam certos.
     Sinto as mãos dele passando alguma coisa no meu corpo, quero espernear e bater nele mas não consigo, a luta para me mexer só faz aumentar a dor na cabeça, meus olhos doem por que nem piscar consigo.
     Ele pinta as unhas dos meus pés sinto ele mexendo neles, depois ele penteia meu cabelo com muita gentileza e cuidado, o meu desespero só cresce ele está me preparando, e eu sei ele vai me matar.
     O fio de ar que eu consigo respirar parece que vai ficando menor conforme cresce o meu desespero, ele termina de me arrumar e aparece do meu lado com uma faca brilhante na penumbra do meu quarto, ele passa a lamina gelada na minha pele o medo e expectativa se intensificam minha coluna gela e o ar falta sinto como se fosse engasgar.
     -Não, mocinha se acalme não é assim que vc vai morrer e acabar com toda a graça da nossa brincadeira.
     Ele passa novamente a lamina na pele do meu corpo pelos braços a barriga o peito parece tentar imaginar um desenho, quando ele parece ter achado a imagem ele começa a cortar minha pele,
     A dor parece que vai me matar rápido mas não acontece, sinto a lamina gelada cortar incansavelmente minha pele enquanto tento com todas as forças me mexer em vão, minha cabeça pulsa acho que logo vou desmaiar.
     Lágrimas grossas de dor desespero e raiva saem dos meus olhos, ele rasga minha pele com a faca, os braços a barriga, o peito e as coxas formando circulo unidos como  se fossem correntes depois de desenhado ele levanta a faca alto segura com as duas mãos.
     -Obrigado mocinha, você foi muito bem, me diverti muito.
     Dito isso ele desce a faca com tudo no meu peito acertando o meu coração e com uma última dor excruciante ..... eu, morri.
   
     No outro dia nos jornais estava a manchete garçonete encontrada morta em seu apartamento, em pequena e pacata cidade do estado de  São Paulo, o assassino de garçonetes abandonou o Estado do Rio de Janeiro e fez sua primeira vítima.
   
       
 
     
ElaineBe
Enviado por ElaineBe em 30/06/2020
Reeditado em 30/06/2020
Código do texto: T6992400
Classificação de conteúdo: seguro

Comentários

Sobre a autora
ElaineBe
Itatiba - São Paulo - Brasil, 46 anos
2 textos (59 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 07/07/20 17:33)
ElaineBe