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Virado do avesso

[Conto inapropriado para religiosos...Não diga que eu não avisei]
*Dedicado ao Julio Dosan...Por bem ou mal...

Estava quente e as pessoas dançando só ajudavam a intensificar o calor,os jogos de luzes confundiam a visão de qualquer um,a fumaça borrava os rostos mas isso não tinha importância para Júlio,aquilo tudo era trabalho,ele não precisava ser intimo de ninguém naquele espaço,apenas servir o que era pedido,ser engraçado,dois flertes ou três para garantir as gorjetas.Sem prestar atenção na musica que tocava ele seguia apenas a batida jogando garrafas para cima.
Um casal se aproximou do balcão,mecanicamente Júlio virou-se para eles com um sorriso e então quase derrubou uma garrafa.O homem que o chamava era forte e alto mas não era ele que importava,era a garota com ele,três vezes menor que seu acompanhante,com cabelos vermelhos intensos,pele branca de quem nunca sai ao sol e olhos verdes que enchiam Julio de arrepios.A roupa que ela usava era no mínimo provocante,o vestido parecia ser de algum material sintético colado ao corpo,curto e decotado.Ele a conhecia ou talvez apenas pensasse que a conhecia,ja que ela lhe dissera uma vez que não frequentava lugares como aquele.
No momento ela parecia apenas se divertir com o olhar chocado dele,fez-lhe um breve sinal de silêncio enquanto ele preparava os drinks,sinal aquele que ele ja havia visto em diversas fotos dela.O homem com quem ela estava parecia alheio a tudo que não fosse ela,insistia em passar as mãos pela cintura,decote e bunda da mesma que ria com devassidão,os olhos dela brilhavam o Júlio teve vontade de se benzer por alguns minutos.
O homem a largou por momentos para atender o celular e Júlio aproveitou aquela que talvez fosse sua unica chance mas antes que falasse algo ela comentou.
- Eu prefiro que eles tenham direito a um ultimo telefonema...Parece mais...Humano,entende? - O sorriso havia sumido do rosto dela com o se nunca houvesse existido,delicadamente ela derramava algo na bebida de seu acompanhante.
- Mas do que diabos você está falando H... - Ele não terminou de falar pois ela encostou um dos dedos gelados nos lábios dele mas quando falou Júlio jurou que podia sentir o calor do inferno em seu hálito.
- Hey,calma bonitinho,não precisa chamar atenção,não precisa falar meu nome...E eu ja lhe disse para não chamar o diabo que ele vem. - Ela olhava para os lados e viu o homem voltar,ela voltou-se para Júlio com os olhos penetrantes e selvagens. - Comporte-se bonitinho,eu estou com fome e você não precisa estar no cardápio.
O homem chegou puxando-a pela cintura,o sorriso voltou aos lábios dela que lhe indicou as bebidas no balcão,o viu beber enquanto ela mesma apenas fingia.Observando Júlio apenas lembrou que ela ja havia lhe dito que não bebia,em poucos minutos eles sairam dali,ela confiante e o homem parecendo fragilizado.
Dando uma desculpa qualquer Júlio saiu também deixando outro em seu lugar,ignorando a voz de sua avó que dizia sua mente que a curiosidade matara o gato.Do lado de fora estava frio,uns 7 graus presumiu Júlio que olhava ao redor procurando o casal.Andou um pouco até a area do estacionamento onde os encontrou.
No inicio Júlio achou que eles apenas se beijavam então notou com terror que ela tinha sangue na boca,que ao afastar a boca do rosto do homem uma estranha névoa seguia a trajetória de sua cabeça.O sangue do barman pareceu gelar nas veias,aquela que ele via agora não era a garota doce que conhecera,não era nem humana,era algo ruim,muito ruim.Tentando se afastar ele começou a dar passos lentos para trás mas o solo de cascalho o traiu fazendo com que ela olhasse em sua direção.Ele tentou andar mais rápido mas em uma fração de segundos ela ja havia largado o corpo do homem e estava em frente a Júlio.Virando a cabeça levemente de lado ela o olhou interrogativamente dizendo.
- Olá bonitinho...Eu não lhe disse para se comportar? - A voz dela continuava doce mas algo se perdera,agora ao invés de agradável a voz o fazia tremer.
- Que diabos você é?! - Ele teve coragem de falar e isso a fez rir.
- Sou algo que você nunca deveria saber que existe...Agora não tenho outra escolha bonitinho...Despeça-se da sua alma. - Os olhos dela tornaram-se totalmente negros antes que ela avançasse sobre ele com a boca aberta mostrando que ali so havia um grande buraco negro.
Júlio sentiu como se estivesse sendo virado do avesso,algo parecia descolar dentro de seu corpo,algo dolorido como se arrancassem todas as suas unhas,como se o esfolassem vivo e depois o queimassem.Em um ato desesperado ele segurou o pescoço da predadora apertando-o,assim como se faz com um inseto que pica ele queria esmagá-la e isso parecia funcionar.Ela emitiu um barulho como o arranhar de um quadro negro,uma lágrima negra escorreu por sua face antes que ela caisse de joelhos no chão.
Assim que se viu livre Júlio correu,rezando para que ela não se levantasse,queria voltar ao interior do club e se salvar.A alguns passos da porta ele sentiu algo o atingir com força derrubando-o no chão,a mesma coisa o arrastou de volta ao estacionamento.Era ela que agora parecia raivosa,Júlio foi jogado ao lado do outro homem e então pode ver o que acontecera com ele.No meio do rosto do homem havia uma grande cratera onde deveria estar sua boca,seus olhos vidrados de terror ainda moviam-se de um lado para o outro,estava vivo e em agonia.
- Onde está seu Deus agora? - Ela zombou alisando o pescoço ainda dolorido.
Ao tentar se levantar Júlio foi derrubado de novo e então a predadora montou em seu corpo olhando-o furiosa,em sua boca surgiram dezenas de dentes pequenos e afiados como os de um tubarão.Ela disse com voz rouca e alterada.
- Você vai preferir ter morrido quando eu acabar... - Então se curvou sobre o ombro dele mordendo com força.
A dor foi cruciante,pareciam milhares de agulhas,milhares de mordidas,giletes com ácido rasgando sua pele e músculos,ela não se contentou so com o ombro e passou a morder-lhe no peito,no pescoço,Júlio ainda socou o corpo dela na altura da barriga tentando se livrar,seu sangue era drenado rapidamente para fora de seu corpo,ele começou a sentir-se tonto,seus socos tornaram-se batidas espaçadas e então ele apenas segurou na cintura delicada daquela que lhe causava tanta dor.
Não havia uma estrela no céu,a lua estava linda e cheia, ninguém no club ouviu os gritos,o frio era intenso e uma garoa fina começou a cair.Júlio não sabia dizer a quanto tempo estava sendo mordido,olhando para o rosto dilacerado do outro homem,havia desistido de lutar,no fim ele apenas apertava e deslizava as mãos pela cintura de sua agressora,então ela parou...Levantou limpando a boca suja de sangue,arrumando a roupa desalinhada.Júlio a olhou sem conseguir se mover,fechou os olhos fraco e ainda sentiu seu corpo ser erguido antes de cair na inconsciência...

"Where is your god now?"
Tinkerhell
Enviado por Tinkerhell em 31/05/2011
Reeditado em 01/06/2011
Código do texto: T3006107

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Sobre a autora
Tinkerhell
Maringá - Paraná - Brasil, 29 anos
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