A rebelião das Bruxas - Parte Final - A guerra e um novo começo

A Rebelião das Bruxas - A guerra

O Conselho ratifica o pedido de Morgana: conclamar os guerreiros(as) para uma guerra contra os fazendeiros. Desde a antiguidade, as ordens religiosas, sobretudo as de natureza secreta, como as "Irmãs de Ísis", possuem um treinamento e um preparo para momentos de conflito, inclusive guerra armada. Além da educação tradicional que recebem quando crianças, elas tem instrução militar, de tiros e artes maciais. Todos(as) ali sabem atirar e lutar. Eram, além de frágeis moças dedicadas à agricultura, guerreiras preparadas para a guerra.

Quase toda fazenda se arma. Quase todas as irmãs saem decididas a acabar com os fazendeiros da cidade. Muitas saem de carro, Outras a pé. Em cada casa que passam, deixam a marca de sua ordem: a cruz ansata e um monte de mortos.

Alguém bate à porta de Morgana. Ela pede que uma de suas ajudantes vá atender o chamado. Ao chegar à porta , a serviçal recebe um tiro na testa. Morgana ouve o disparo. Arma-se e se esconde. A pessoa entra na casa à sua procura.

- Vamos, Morgana, apareça! não seja covarde!

Morgana está escondida dentro de sua cama. De lá, observa quem à procura. Reconhece. É um dos tatuados. Um dos pais de seus filhos.

- Chegou sua hora de morrer. Nós tatuados vamos tomar a fazenda. Já eliminamos o Conselho. E de sua família só restou você. Ela mira seu revólver em seu ex-amante. Ela o acerta na cabeça. Depois a esmaga com os pés. Espia com muito cuidado o lado de fora da casa. Vê tatuados(a) rondando a fazenda.

- Esses malucos acabaram com a irmandade. Enlouqueceram!

Ela vai ao seu arsenal de armas, municia uma submetralhadora. Da janela, metralha os cinco tatuados(as) que vê. Decide sair da casa. Veste uma roupa comum e se manda. No portão, bem no topo da cruz, a espiã do Conselho a espera.

-Aonde pensa que vai, Morgana?

- É você, Verônica? como está horrível. Suja e maltrapilha. Andou ferindo alguém?

- Sim. Matei muitos fazendeiros e muitas irmãs também. Você será a próxima.

- Acha que vai ser fácil? desça daí e lute.

- Lutar? não se faça de idiota. Eu tenho um presente. Uma automática.

Antes de Verônica sacar sua pistola, Morgana corre para as Oliveiras e se esconde. Ela também carrega uma pistola. Verônica desce do portão. Na descida é alvejada por tiros , mas só um deles a atinge. Seu ombro está ferido. A arma cai no chão. Ela corre para as oliveiras e deixa sua pistola para trás. Sangra muito. Ambas estão em lados opostos da fazenda. Morgana armada, Verônica ferida e desarmada. Vários disparos são dados a esmo nas Oliveiras onde Verônica se esconde. Nenhum a atinge. Ela corre pelo mato e já está próxima do lago, por onde há uma saída. Sabe que os crocodilos podem sentir o cheiro de seu sangue e atacá-la. Mas não existe outro caminho. Se voltar Morgana a mata, se ficar morrerá sangrando ou de alguma infecção. Verônica é astuta, ágil, inteligente e uma guerreira bem treinada. Pega dois bambus e com um deles improvisa uma arma(lança). O outro servirá para um salto cuja altura os crocodilos, caso apareçam, não possam alcançá-la. Ela joga para o meio do lago os membros de uma das irmãs mortas para distrair os crocodilos. Enquanto isso caminha lentamente, sem fazer barulho, à beira do lago cuja margem fica encostada ao muro. Ao passo que anda, o muro diminui de altura, porém se aproxima mais da água. Ela não percebe, mas seu sangue fresco que pinga à beira do lago atrai um crocodilo, que a segue. Antes de saltar o muro, precisa tomar distância, e para isso precisa entrar na água. Com um bambu, ela vistoria a água. O bambu trava. Ela sabe que ali a fera está preparada para o bote. Pensa em algo. Se entrar um pouco mais na água será devorada. Ela resolve colocar em prática umas técnicas que aprendeu: esperar o bote do animal, desviar-se dele e utilizar o corpo do animal para saltar o muro. Ele recolhe o bambu e faz uma posição para atiçar o animal. O crocodilo dá o bote, ela gira o corpo em 360 graus e encosta o bambu na cabeça da fera e salta, mas o crocodilo se ergue e usa seu rabo antes que o corpo de sua presa atravesse a parede. Ele a lança nas águas. E entra nelas. E a perseguição começa. Ela nada rapidamente, mas a fera está prestes a alcançá-la. Ela alcança a borda novamente. E ambos estão na mesma posição de antes. Frente a frente. Verônica não arrisca. Volta para as Oliveiras. Corre freneticamente pela mata, o crocodilo sai da água, mas retorna.

Morgana está a quilômetros da Fazenda. Aproxima-se de um carro aberto. Ela o examina. No carro, as chaves estão sobre um dos bancos. É o momento de fugir. Entra no carro, liga a chave e acelera. Enquanto dirige, alguém suspira com uma voz quase diabólica em seu ouvido ao mesmo tempo em que encosta um revólver em sua cabeça :

- Olá, Morgana?

Morgana olha para trás e reconhece o rosto. É a presidente do Conselho.

- Pensa que vai fugir não é, sua traidora? Volte para a fazenda, irmã, agora!

- Sua idiota. O que que quer lá? Acabou. Todos morreram.

- Volte ou estouro seus miolos.

Chegam à fazenda. Verônica ainda está escondida nas Oliveiras. Ela vê Morgana sendo escoltada com uma arma na cabeça.

- Presidente, sou eu, a Verônica.

- Olá Verônica, pensei que estivesse morta.

- O que vai fazer com ela?

- Vou sacrificá-la.

- Por que não atira na cabeça dela e vamos embora daqui?

- Perdeu seu espirito ritualístico, irmã Verônica?

- Irmã, estou muito machucada. Acho que não sobrevivo.

- Antes que morra, preciso da sua ajuda. Mas pelo que vejo, está muito mal. Vou lá dentro buscar uns anestésicos. Segure-a aqui enquanto pego as seringas e a medicação. Qualquer movimento não hesite. MATE-A.

A presidente do Conselho volta com a seringa e os anestésicos. Aplica-os em Verônica.

- Agora se sente melhor?

- Sim. Muito aliviada. Obrigada Presidente.

- O que vai fazer agora? pergunta verônica

- Acionar a cruz e amarrar essa idiota nela.

- Vai jogá-la aos Crocodilos?

- Eles não merecem uma carne tão ruim.

- E então?

- Morgana ficará despida na cruz até morrer de inanição. Ficará dias amarrada até morrer. Não há ninguém neste fim de mundo para salvá-la. Vamos, ajude-me.

- Já está amarrada, presidente

- Acione a cruz para que ela se eleve o mais alto possível. Depois trave-a e destrua o mecanismo de acionamento para que ninguém a tire daí.

- Feito, fala verônica com a voz ofegante.

- Agora queime o barco e vamos embora daqui.

As duas vão embora de carro enquanto Morgana agoniza de fome e sede na cruz.

- Para onde vamos, presidente?

- Santa Catarina. E pare com essa idiotice, garota. Não sou mais presidente. Nossa ordem morreu.

- Por que vamos para Santa Catarina? Eu achei que sairíamos do país.

- Há uma irmandade que irá nos acolher. São fazendeiras iguais a nós. Também imigraram da Alemanha no mesmo ano que nossos avós. Lá elas adoram os deuses gregos.

- É a fazenda das Videiras não é? da irmã Milena.

- Isso mesmo.

- Acha que ela vai nos aceitar?

- Como adeptas da fazenda jamais. Passaremos apenas alguns dias para planejarmos o que faremos e para onde iremos.

Dr. Wolff está cercado. De um lado o delegado e o inspetor, do outro as tatuadas. Uns sete tatuados(as) fortemente armados atiram na casa sem parar. Os policiais já estão sem munição.

- O que faremos agora, delegado?

- Esperar os reforços.

- O Senhor os chamou?

- Não

- E por que acha que virão?

- Alguém deve ter chamado, diz o delegado!

- Caralho!!!!!!

A Polícia Militar chega ao local do confronto junto com o promotor. Alguns tatuados(a) conseguem fugir. Mas cinco são abatidos. O delegado, o inspetor e o Dr. Wolff são levados para o interrogatório e logo são liberados. O médico se manda para Santa Catarina. Tem certeza de que a polícia não tardará a descobrir que ele está por trás da matança. Os policiais conseguem retirar Morgana da Cruz, mas sem antes perderem três homens para os Crocodilos. Ela é detida e presa. Desce imediatamente para o presídio.

Na estrada, duas tatuadas esperam algum viajante. Uma delas sucumbe aos ferimentos e morre. A outra, bastante ferida, sobrevive. Vê um carro. Acena. O carro para. Um senhor sai dele.

- Venha, minha jovem, vou ajudá-la. Você era uma das brancas, não era?

- Sim.

- Todas morreram?

- Receio que sim.

- Nossa fazenda também foi atacada pelos capangas do Dr. Wolff. Estamos indo para Santa Catarina, onde os tios dessa criancinha moram.

- E qual o nome desse anjo?

- Raquel. Os pais delas morreram no ataque.

- Por que os atacaram?

- Porque na fazenda havia uma plantação de maconha.

- O senhor poderia me deixar no hospital mais próximo, por favor. Não estou suportando as dores.

- Chegamos. Pode descer, branca.

- Obrigado, senhor. Mas antes deixo este presente para esta linda criança. É uma cruz. Que ela a guarde. Vai protegê-la.

- Até mais branca. Obrigado pelo presente, quado ela crescer, contarei a sua história.

A tatuada se despede. E sob sol escaldante e a poeira da estrada, o carro some de sua vista.

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