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A Palhaçada!

      Em uma animada festa de aniversário de criança, Josival um menino de 1,20m de altura, cabelos crespos, pele parda, vestindo a sua camisa estampada, que só era usada em ocasiões especiais, combinada com uma calça jeans e calçando um par de tênis de criança do tipo cheio de luzinhas coloridas em volta da sola, estava comemorando com sua família e seus amigos da vizinhança, os seus sete anos de idade. O menino morava em uma casinha simples no subúrbio, onde tinha muitos amigos e era feliz com a sua vida de menino de classe média baixa. Filho de um construtor e uma faxineira, o menino tinha uma vida simples, mas sempre com o amor de uma enorme família, onde tinha além dos pais, três primos, quatro primas, três tios, três tias e dois irmãos mais velhos do que ele. Era novembro e o menino também estava comemorando, junto ao seu aniversário, duas vitórias em sua vida de criança:

> Naquele ano, ele concluiu a alfabetização.

> Perdeu o medo de ligar o chuveiro, pois há um ano atrás o chuveiro da casa entrou em curto, soltando fagulhas e fumaça, traumatizando o menino.

Antes de cantar os parabéns, Joel, o pai do menino colocou-o no meio da sala e disse:

- Agora o discurso do aniversariante!

- Mas o que é que pra falar, pai?

Joel disse baixinho no ouvido do filho:

- Fala assim: “Com sete anos, eu já sei ler e escrever!”

- COM SETE ANOS, EU JÁ SEI LER E ESCREVER!

Todos aplaudiram. O pai disse no ouvido do menino:

- “Com sete anos eu perdi o medo de ligar o chuveiro!”

- Mas pai, o senhor mesmo me disse que mentir é muito feio.

- Ué, filho? Mas você continua com medinho de ligar o chuveiro?

- É claro! E se explodir outra vez?

- Não explode não, meu filho.

- Explode sim, pai. Eu tenho medo.

- Então por que não explode com as outras pessoas?

- É porque as outras pessoas não tiveram até agora o azar que eu tive aquele dia.

Ao ver o medo nos olhos do menino, Joel abraçou o filho, deu um beijo no rosto dele e disse baixinho:

- Ta bom, filhinho. Então fala assim: “Agora é a hora dos parabéns!”

Sorridente ao ver a compreensividade do pai, Josival disse todo feliz:

- AGORA É A HORA DOS PARABÉNS!

E assim continuou a festa na maior animação. No auge da festa, alguém bateu na porta. Elisandra, esposa de Joel e mãe do pequeno Josival, abriu a porta e um cordial e simpático palhaço disse:

- Eu vim animar a festinha do Joel!

Pensando que o marido havia contratado aquele palhaço, a mãe do aniversariante sorriu e disse:

- Entra, vem aqui na sala.

O palhaço muito animado, muito simpático com todos, fez várias piadas, brincou com todas as crianças, divertiu a todos e no meio da festa sumiu misteriosamente sem deixar vestígios. Elisandra chamou Joel no quarto e disse:

- Como é que tu me contrata um palhaço sem me falar nada?

- Eu? Eu pensei que quem tivesse contratado o palhaço fosse você.

- Ai meu Deus!

Elisandra correu para a sala e bateu palmas para chamar a atenção das pessoas que estavam ali dançando ao sabor do potente aparelho de som. Ninguém deu atenção às palmas dela. Ela pensou em desligar o som pra chamar atenção, para perguntar quem contratou o palhaço. Mas começou a sentir uma forte tontura, aliada a dores estomacais e dores de cabeça. Alguém abaixou o volume do aparelho de som. Elisandra tentou começar a falar, mas deu-lhe uma crise de tosse e ela caiu, morta. O palhaço misterioso colocou, sem os participantes da festa perceberem, veneno em todas as garrafas de refrigerante.

Na manhã seguinte, o aparelho de som ainda tocava músicas infantis aleatórias, o que deixou toda a vizinhança intrigada. Afinal que festa de criança era aquela que durou a madrugada inteira até de manhã?

Um vizinho foi buscar o seu filho na festa do amigo, pois era dia de aula e estava na hora das crianças se arrumarem pra ir para a escola. Mas quando este entrou na casa do amigo Joel, deu de cara com o seu filho morto caído ao chão junto com os corpos de todas as outras pessoas que estavam na festa. Então ele desligou o aparelho de som e aos prantos, chamou a polícia.

Quando os policiais chegaram e examinaram toda a situação, chegaram à conclusão de que alguém na festa teria se suicidado e levado todos os parentes consigo. O vizinho relatou que viu pela janela um sujeito vestido de palhaço em uma motocicleta, que chegou, bateu na porta, foi recebido e foi embora duas horas depois. Como o aparelho de som ficou ligado durante a madrugada inteira, ele não foi buscar o filho antes pra não estragar o momento de diversão dele.

Assim que os policiais que foram investigar o caso chegaram na delegacia, um policial perguntou ao outro:

- Um serial killer?

- Isso está com cara é de vingança.

- Vingança contra uma família inteira e os amigos da família?

- Vingança contra uma pessoa no meio de todas essas. O homicídio das outras pessoas é para não deixar testemunhas e pra confundir a polícia, pois a vítima principal agora é uma agulha num palheiro.

- Se a intenção era não deixar testemunhas, falhou. Porque um vizinho não foi à festa, só a mulher dele e o filho.

- O que o torna suspeito no mínimo de que ele sabia o que ia acontecer, afinal ele poderia ter acompanhado o filho na festa. Mas por medo de morrer envenenado...

- Ele tem dificuldades de andar por conta da prótese na perna. E além do mais, se seguirmos por esta linha, todos os amigos e vizinhos que não foram na festa, tornam-se suspeitos, certo?

- A partir daí, devemos analisar quem entre os conhecidos gostaria de matar alguém ali dentro e o motivo.

     Quando o Corpo de Bombeiros junto ao IML chegaram ao local do crime para recolher os corpos das vítimas, ouviram um choro de criança vindo de dentro do guarda-roupas. Os bombeiros então abriram cuidadosamente a porta do armário e viram o pequeno Josival todo encolhido e chorando muito. Ele não bebeu o refrigerante, porque por conta de um problema de estômago que ele tinha desde que nasceu, refrigerantes o faziam passar mal.  Um defeito de nascença que lhe salvou a vida. A Sargento Fabiana da equipe de bombeiros, uma mulher de cabelos castanhos e ondulados, 1,74m de altura, olhos castanhos e que acabou de completar seus 29 anos de idade naquele dia, quase chorou junto ao ver o desespero do menino, o pegou nos braços e os bombeiros então o levaram para a sede da Defesa Civil. Sem conseguir parar de chorar, o menino dizia:

- Eu quero o meu paaaaaiiiii... Eu quero a minha mãããããããeeeee...

Duas assistentes sociais chegaram logo em seguida. Uma delas foi extremamente fria e categórica ao dizer em tom seco e determinado:

- O rapazinho aí vai para a Fundação Casa.

A Sargento Fabiana pulou:

- Ai! Credo! No meio daquele monte de marginais!

- A menos que a Senhora queira adota-lo. Fica a seu critério.

Assustada com a frieza da assistente social, Fabiana prontamente disse:

- Mas não tem jeito de enviar ele pra um lugar melhor? Que não seja no meio de um monte de bandidos? Olha só a carinha dele! Você não têm coração?

- Olha aqui Sargento Fabiana! Nós não temos o dia todo! Ou a Senhora adota esta criança, ou nós enviaremos à Fundação Casa sim!

- Então ta! Eu adoto! Ele vai ficar muito melhor comigo do que no meio daqueles marginais!

Ao chegar em casa, a bombeira militar colocou Josival no sofá, ligou a TV e disse:

- Vai assistindo aí, que eu vou tomar banho, ta?

- Moça, espera aí!

- Diga.

- A senhora conhece algum médico do bom?

- Conheço alguns, por quê? Você está sentindo alguma dor?

- Não, mas será que não tem como mandar algum médico consertar o meu pai e a minha mãe?

- Isso é impossível Josival.

- É possível sim! Eu vi num filme uma vez! É só pegar aquela máquina com dois ferros de passar roupa, encostar no peito da pessoa e “BBBZZZZZZ!”

- Tá bom, Josival, eu vou falar com um médico amigo meu sobre a essa possibilidade, ok?
Sorridente, o menino gritou:

- OBA!

- Agora fica aí assistindo a TV, que eu vou tomar banho.

Quando a água do chuveiro começou a cair no corpo de Fabiana, ela pensou: “Que presentão de aniversário de 29 anos eu ganhei! Um filho adotivo de 7 anos, que se eu não adotasse iria parar no inferno, por assim dizer. E que presentão de aniversário de 7 anos ele ganhou! O homicídio da família dele inteira e dos amigos de infância todos. Além de uma mãe adotiva inexperiente que não tem a menor ideia do que fazer daqui pra frente, pois nunca sequer engravidou na vida e por isso tem zero experiência como mãe. Jesus! Seja o que Deus quiser!”


Capítulo 2 – Amanhecer

     Na manhã do dia seguinte, Josival achou estranho acordar na sala daquela casa estranha. Fabiana já estava acordada, de banho tomado só esperando o menino acordar pra ir pegar no batente. Ela pensou: “Não posso deixa-lo sozinho em casa o dia todo. Tenho que leva-lo para o trabalho.” Ela disse:

- Agora vamos tomar o café, que eu vou te levar comigo.

- Eu não tenho que escovar os dentes primeiro?

- Érr... hoje não, só a partir de amanhã.

- Oba!

O menino devorou o seu pedaço de pão com manteiga em uma velocidade espantosa enquanto ela pensou: “Vou ter que comprar uma escova de dentes pra ele, toalha pra ele tomar banho, roupas. Nossa! Adotar um filho é muito mais dispendioso do que eu pensei. Mas se Deus botou esse desafio na minha frente, eu vou encarar até o final! Vamos ver até onde eu consigo ir!” Depois de tomar o café, josival perguntou:

- Onde nós vamos, moça?

- Vamos ao meu local de trabalho.

- Oba! Você vai falar com o médico que você conhece pra consertar o meu pai e a minha mãe?

- Eu vou ver se eu acho ele por lá.

- Vai achar sim! Eu tenho fé em Deus!

Fabiana colocou o menino no carro, deu a volta, entrou no carro e viu que ele se assustou um pouco quando ela virou a chave. A caminho do seu local de trabalho, a Sargento pensou: “E agora? Como é que eu vou convencer este menino de que os pais dele não voltam mais e que a “mãe” dele a partir de agora sou eu?”

Ao chegar na sede do Corpo de Bombeiros, o seu superior direto, Tenente Corrêa, a chamou em uma sala reservada e foi direto ao assunto:

- Sargento Fabiana, já que a Senhora adotou este menino que está em seu colo, nós trouxemos da casa da família dele todas as roupas e objetos pessoais dele.

Josival prontamente perguntou:

- E os meus brinquedos, moço?
O Tenente esboçou um sorriso para o menino e disse:

- Estão todos naquela caixa ali.

- Até os que eu ganhei de aniversário?

- Até os que você ganhou de aniversário.

O Tenente Corrêa então olhou para a Sargento Fabiana e disse:

- Eu resolvi te dar uma semana de folga pra você se organizar com a sua nova vida de mãe.

A mulher sorriu, enquanto o seu superior continuou:

- Porém, quando voltar das férias, a Senhora vai ter que dar um jeito de deixar ele com alguém, ou em uma creche, ou coisa assim. Pois ele não vai poder ficar aqui no Corpo de bombeiros o dia todo. Nada pessoal, Sargento, mas aqui não é lugar de criança.

Josival disse ao Tenente Corrêa:

- Ta tranquilo, Tenente. Eu moro com os meus pais. Só estou na casa da Dona Fabiana até os médicos ressuscitarem meu pai e minha mãe. Aí eu volto a morar com eles. Eu nem entendi o porquê de tirarem as minhas coisas da minha casa.

O tenente colocou a mão direita sobre o rosto, pegou o telefone fixo da mesa dele, digitou um número e disse:

- Tenente Maristela, vem aqui um minutinho.

Em poucos minutos, uma mulher de pele parda, cabelos compridos e presos por uma presilha, trajando uniforme feminino de Tenente do Corpo de Bombeiros chegou na porta da sala e bateu continência ao Tenente Corrêa. Este disse à sua colateral:

- Por favor, tem como entreter esse menino uns cinco minutinhos pra eu ter uma particular com a Sargento Fabiana?

Ao olhar para o menino, a Tenente sorriu e disse:

- Que gracinha! Ele é o sobrevivente daquela festa de aniversário?

O seu colateral confirmou:

- É ele mesmo. E aí, me quebra essa?

- Claro! Vem comigo, vem.

- Onde a Senhora vai me levar?

- Vou te mostrar os carros do Corpo de Bombeiros. Quer ver?

- Quero! Oba!

O menino pegou na mão da Tenente Maristela e ela o levou pra longe dali. Então o Tenente Corrêa fechou a porta da sala e demonstrando estranheza no olhar, perguntou em tom ríspido:

- Tem maluco aqui!?

- Mas Tenente, ele é quem inventou essa de querer arrumar um médico na esperança de ressuscitar os pais dele!

- E a Senhora ao invés de explicar pra ele que isso é impossível, alimentou a esperança do menino!

- O Senhor tinha que ver o desespero dele! Ele não aceita a morte dos pais de jeito nenhum!

- E o que a Senhora acha que vai acontecer quando aos poucos ele ir descobrindo que foi enganado!? Ou a Senhora acha que vai conseguir manter esta farsa pro resto da vida!?

- E o que o Senhor faria no meu lugar?

- Diria a verdade pra ele! De forma curta e grossa!

- Mas isso vai arrasar o psicológico do menino!

- E a culpa é de quem? Por um acaso você matou os pais dele?

- Lógico que não!

- Então se a verdade arrasar o psicológico do menino, a culpa é do bandido que matou a família dele toda!

- Mas tinha que ter um jeito de no mínimo esperar a dor dele passar um pouco! Afinal, ele perdeu a família toda e mais os amigos de infância! A única coisa que ainda está o mantendo vivo é a esperança de ver os pais outra vez!

- Mas aí eu vou perguntar de novo! Até que ponto você vai conseguir manter esta farsa?

- Até quando der, não sei. Tudo o que eu sei é que ele não está preparado pra um choque desta magnitude. Tanto é que a imaginação de criança dele criou logo essa possibilidade de ressuscitar os pais.

- E quando ele descobrir no futuro que a Senhora enganou ele até onde deu. Como você acha que ele vai reagir?  A Senhora acha que ele vai te abraçar e dizer: “Obrigado por tudo, minha mãe adotiva.” ?

- Não sei! NÃO SEI!

- Então é melhor repensar as tuas atitudes, Sargento. Antes que as tuas atitudes se voltem contra a Senhora.

Ao acabar de dizer isso, o Tenente Corrêa abriu a porta do seu escritório, enquanto Fabiana sentou-se em uma cadeira e começou a chorar. A Tenente Maristela chegou à porta com Josival todo sorridente no colo. O menino ao ver a sua mãe adotiva chorando disse:

- Ué! O que aconteceu com a Sargento Fabiana?

A Sargento tirou as mãos do rosto, levantou-se e disse:

- Não é nada, filhinho, é só muita dor de cabeça.

Inocente, o menino perguntou:

- Tenente Corrêa, o Senhor tem remédio, pra dar pra Sargento Fabiana?

O homem sorriu para o menino e disse:

- Tenho sim, vou pegar na minha gaveta.

Dizendo isso, ele foi até a gaveta, pegou um comprimido e deu à ela. Quando Fabiana saiu da sala do Tenente Corrêa, a Tenente Maristela disse:

- Os recrutas colocaram a bagagem toda na mala do teu carro. Vemo-nos daqui a uma semana.

- Obrigada, meu anjo. Você é um amor!

Fabiana entrou no carro com seu filho adotivo no colo, colocou-o no banco do carona, colocou-lhe o cinto de segurança e voltou para casa.

Ao chegar em casa, ela achou estranho o portão destrancado e a porta entreaberta. Ela pensou:

- Será que a minha casa foi assaltada? Só faltava essa!

Ao estacionar o carro na garagem e entrar pela sala, ela levou um susto! Todas as paredes da sua casa estavam pichadas com tinta vermelha com as frases:

Elimine a testemunha ou eliminaremos você!

Você está com uma bomba-relógio nas mãos, Sargento Fabiana!

Te achamos! Agora queremos o moleque morto, ou você vai morrer com ele!

Ela saiu de casa, ainda com Josival no colo e entrou desesperada no carro, levando o filho adotivo para a sede do Corpo de Bombeiros outra vez. Ao chegar a seu local de trabalho, mesmo ao ver o desespero no olhar dela, estranhamente ninguém lhe deu atenção. Ela então entrou em sua sala e fechou a porta, pensando em analisar o que fazer naquele momento. Mas quando sentou-se à mesa, um livro estava aberto sobre a mesa. Era o Código Penal aberto no artigo 121 que fala sobre homicídio triplamente qualificado. Mas sobre as letras originais, havia uma mensagem escrita em letras de sangue:

Hora de decidir!
Quem vai cumprir a pena descrita neste Artigo?
O Palhaço do Inferno?
Ou a Sargento Fabiana?
Quem sairá inocente?
Quem cumprirá a sentença descrita nesta página?
O tempo é muito curto!
A decisão é fatal!

Ao acabar de ler as letras de sangue, Fabiana levantou-se com as mãos sobre a boca. E trêmula de medo, ela disse baixinho:

- Meu Deus!

De repente, um tiro acertou a cabeça do pequeno Josival fazendo-o cair morto na frente da mesa da Sargento! Fabiana olhou para a janela e viu a pessoa com maquiagem de palhaço sair correndo. Ela abriu a porta e viu a pistola caída perto da janela e o palhaço correr morro acima pelo Quartel adentro. Apressadamente, ela pegou a pistola e correu atrás dele, mas quando estava perto de alcançá-lo, a Tenente Maristela a parou perguntando:

- A Senhora não estava de férias?

- É, mas eu tenho que alcançar aquele palhaço!

- Que palhaço?

- É um que correu morro acima! Ele matou o meu filho, com essa pistola!

- Mas essa pistola é sua, Sargento Fabiana!

- Eu sei! Ele deu um jeito de roubar na minha casa, ele pichou a casa toda, roubou algumas coisas, escreveu uma mensagem sinistra no meu Código Penal e agora a pouco deu um tiro no meu filho com a minha pistola!

Imediatamente, Maristela pegou o rádio de sua cintura e comunicou:
- Alerta vermelho! Indivíduo vestido de palhaço invadiu o quartel roubou a pistola da Sargento Fabiana e matou o filho adotivo dela. Fechem todas as saídas.

Olhando para a Sargento, a Tenente disse:

- Putz! Olha só o que a Senhora você fez!

- O que?

- A Senhora esqueceu o teu treinamento, é? Está segurando no cabo da pistola que matou o teu filho! Agora vai ficar difícil identificar as impressões digitais do assassino!

Distraída com a situação, Fabiana nem havia percebido este detalhe. Mesmo assim, ela disse:

- Mas é fácil saber quem foi. Ele invadiu a minha casa e pichou ela toda, roubou alguns objetos. E além do mais a caligrafia dele também está no meu Código Penal que ele escreveu por cima das letras originais com letras vermelhas.

- Então é mais fácil do que parece. Vamos até a tua sala pegar o livro e mandar verificar a quem pertence a caligrafia de quem o destruiu.

As duas foram até o escritório. Chegando lá, o menino estava caído, com um buraco na cabeça, envolto em uma poça de sangue. Porém o Código Penal estava na prateleira, intacto. A Tenente pegou o livro e folheou até encontrar o Artigo 121. Porém, não havia sequer rastro de qualquer coisa escrita por cima das palavras originais. O livro estava impecável. A Sargento disse:

- Ele escreveu e apagou pra me incriminar!

- Olha aqui, Sargento. A Senhora é, até provar a tua inocência, a principal suspeita por este homicídio.

- Mas a Senhora tem que ver as pichações que esse bandido fez na minha casa!

- Vamos até a tua casa então, as pichações servirão de provas a teu favor.

As duas entraram na viatura do Corpo de Bombeiros e foram até a casa da Sargento Fabiana. Ao chegarem no local, assustada, a dona da casa abriu a porta da sala e levou um susto muito maior ao ver todas as paredes limpinhas, sem nenhum vestígio de pichação. A Sargento levou a Tenente em todos os lugares da casa, até mesmo na varanda de trás e em todas as partes internas e externas. Nem sinal de pichação alguma e todos os objetos ora roubados estavam em seu devido lugar outra vez. Ao acreditar que a Sargento estaria louca, a Tenente Maristela disse:

- Esteja presa, Sargento! Como principal suspeita do homicídio do seu filho adotivo Josiel!

Ciente de que a sua superior era faixa preta de kung-fu e karatê e que portanto, não adiantaria, mesmo estando com sua pistola na cintura, tentar resistir à prisão, Fabiana se resumiu a dizer:

- Eu nunca mataria o meu filho! Tem alguma coisa muito errada aí! E se a Senhora me prender, estará provando que está envolvida no homicídio do meu filho!

- Ah, é!? E como a Senhora prova isso, Sargento!?

- Eu estava quase alcançando ele quando a Senhora me parou, lembra? Qual era o teu interesse em me travar daquele jeito quando eu estava quase pegando aquele palhaço?

- A Senhora estava correndo morro acima com a arma do crime na mão! E além do mais, não vi palhaço nenhum!

- Mentira! Ele passou pela Senhora! Não é possível que a Senhora não tenha visto!

Maristela deu um tapa na cara de Fabiana e gritou:

- Não me chama de mentirosa! Agora vira de costas pra mim e coloca os braços pra trás!

Indignada, tanto pela acusação que sofreu, quanto pelo tapa que levou junto ao fato de ter fortes suspeitas do envolvimento da sua superior no homicídio do pequeno Josiel, Fabiana virou-se, Maristela colocou as algemas e a conduziu até a viatura e a Sargento foi encarcerada em um presídio especial para mulheres.

Uma semana depois da prisão da Sargento Fabiana, outros cinco crimes exatamente iguais ao ocorrido na casa do falecido Josival ocorreram em cinco favelas diferentes, todos do mesmo jeito: Um palhaço desconhecido entrou em cinco festas de aniversário de criança, brincou durante uma hora com as crianças, colocou veneno nos refrigerantes o foi embora, usando sempre a mesma motocicleta e em horários diferentes, o que indicava que todos os crimes foram cometidos pela mesma pessoa. Fabiana foi levada à sala de interrogatório do presídio, onde a delegada olhando nos olhos dela com olhos semi-cerrados foi logo perguntando em tom ríspido e seco:

- O que a Senhora sargento ganhou com o assassinato de 6 famílias diferentes?

Assustada, e trêmula de medo, a Sargento respondeu:

- Do que a Doutora está falando?

A delegada então, olhando nos olhos da Sargento em tom de desafio, jogou um jornal sobre a mesa, onde estava na capa a manchete:

PALHAÇO ASSASSINO ATACA NOVAMENTE! DESTA VEZ AS VÍTIMAS FORAM CINCO FAMÍLIAS DIFERENTES, TODAS HABITANTES DE FAVELAS DO RIO DE JANEIRO!
Ao contrário da primeira vez em que o assassino deixou uma testemunha, eliminando-a dias depois, o monstro desta vez foi bem estratégico em não deixar testemunhas, conferindo tudo antes de sair e  envenenando as caixas d’água de algumas casas vizinhas às de onde ele assassinou famílias inteiras.

Ao ler a notícia, Fabiana respondeu:

- E o que eu tenho a ver com isso!?

A delegada então olhou novamente nos olhos dela com olhos semicerrados e disse com voz baixa, porém amedrontadora:

- Olha aqui, sua cara-de-pau! Eu AINDA não tenho como provar a tua ligação com o teu namoradinho! Mas quando eu provar que você é a cabeça de tudo, eu não vou ter nem um pingo de piedade de você, ta legal!?

Fabiana então percebeu que das duas, uma: Ou aquela delegada foi muito bem convencida por alguém de que ela seria a grande vilã do caso, ou ela estava muito bem comprada por alguém para culpá-la e com isso inocentar o verdadeiro culpado.


Capítulo 3 – Evidências!

     Enquanto os policiais investigavam a possível ligação da Sargento Fabiana do Corpo de Bombeiros com o palhaço assassino, um homem idoso, calvo, trajando camisa social xadrez azul e verde, calça social azul escuro e sapatos de couro, entrou na delegacia e disse:

- Senhores Policiais, com licença.

O atendente disse:

- Pois não cavalheiro, o que o senhor deseja?

- Eu sou habitante de uma das comunidades onde o palhaço motoqueiro atacou. Eu estava no bar tomando a minha cervejinha. Eu vi quando ele entrou na casa do meu vizinho, onde ele fez o massacre e lembrei logo da notícia do palhaço que matou uma família inteira na semana anterior. Aí peguei meu celular e sem o malandro perceber, eu fotografei a moto dele. Tirei seis fotos diferentes, duas mostrando bem a placa e quatro mostrando os detalhes da moto. No dia seguinte, eu fui na loja mandar revelar as fotos e eu trouxe aqui neste pacote para os Senhores verem.

O Detetive Matheus, que estava no comando da investigação do caso, agradeceu e ficou com o pacote. Logo em seguida, olhou as fotos com a placa da moto e fez uma busca no DETRAN pra saber a quem a moto pertenceria. Assim que encontrou o nome completo, aos poucos ele foi puxando a ficha do cidadão:

Joaquim da Silva Rezende Junior
Soldado do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro
Solteiro
22 anos de idade
Sem antecedentes criminais
Assim que saiu do Serviço Militar obrigatório aos 19 anos de idade, prestou várias provas de concursos para diversas Instituições Militares até que no ano passado conseguiu entrar no Corpo de Bombeiros.

O Detetive olhou a foto do suspeito no computador e disse consigo mesmo:

- Achei o palhaço!

Atrás dele estava a Delegada Marilza, que disse à ele:

- Então esse é o namoradinho da assassina do menino? Ela tem bom gosto!

-Ele é o assassino, mas isso não prova ligação dela com ele.

- Ah! O envolvimento dela é óbvio! Ela eliminou a única testemunha do primeiro massacre!

- Mas ela diz que é inocente.

- O menino foi morto com a pistola dela! E além do mais, ela foi quem impediu de o menino ir parar na Fundação Casa! Com qual intenção? Não perdê-lo de vista! Aí ela matou o menino e inventou uma historinha triste da qual ela acha que alguém em sã consciência vai acreditar.

A Delegada foi embora, enquanto o Detetive pensou: “Essa Delegada está culpando a Sargento pra inocentar alguém... Afinal, até onde eu saiba, a Sargento poderia ter envenenado o menino em casa e enterrado no quintal da casa dela que é bem grande e ninguém iria desconfiar. Essa estória da Delegada querer culpar a Sargento a todo o custo está me cheirando mal.”

Ao chegar em casa, o Detetive Matheus encontrou a sua casa toda revirada. Ao olhar a casa toda por dentro, ele percebeu que alguns objetos foram roubados, algumas roupas estavam destruídas e as paredes estavam pichadas com tinta vermelha, com mensagens que diziam:

A CURIOSIDADE MATOU O GATO!

NÃO SE METE ONDE NÃO É CHAMADO!

QUEM PROCURA ACHA!

VAI CONTINUAR COM A PALHAÇADA?

Desesperado, o Detetive fotografou as pichações e o vandalismo. Logo em seguida, voltou para o carro na intenção de registrar na delegacia o ocorrido. Mas quando ele virou a chave, o carro explodiu.

Na cela em que Fabiana estava, um carcereiro chegou perto das grades e disse:

- Acorda mulherada! Não é hora de vagabunda dormir não!

Então, o carcereiro bateu duas palmas e foi embora.

Fabiana acordou, as suas colegas de cela não. Estavam todas mortas envenenadas pelas quentinhas de janta da noite anterior. As refeições estavam quase todas envenenadas menos a dela. Assim que percebeu que os corpos das suas colegas de cela estavam gelados, ela levantou-se rapidamente dando um grito:

- IIIIIIIIIIIIIHH!

Logo em seguida, desesperada ela gritou:

- Meu Deus! Meu Deeeuuuus!

Uma voz masculina e tenebrosa veio do corredor que dava acesso às celas, dizendo:

- O teu Deus não vai te ajudar!

- Vai sim! Vai sim! Pelo amor de Jesus Cristo! Eu vou me livrar de você!

- Então olhe a bíblia na mesinha!

Ao olhar para a mesinha, estava uma bíblia aberta no início do livro de Apocalipse com uma mensagem escrita com letras de sangue por cima das letras originais:

E agora a condenação,
Por algo que não fizeste.
Ou se fizeste, foi em vão.
Queimem as almas no abismo do infinito!
Os condenados foram escolhidos!
Para cada um a sua sentença.
Quem vai sorrir?
Quem vai chorar?

Ao ler aquilo, Fabiana ficou desesperada e gritou:

- Que espécie de demônio é você!? O que você quer de mim!?

A Delegada apareceu e olhando para a Sargento pelas grades, friamente disse:

- Queria mais espaço na cela, né?

Aos prantos a prisioneira disse:

- Não! Eu nem tenho idéia de quem fez isso! Eu poderia ter morrido também! Olha só essa bíblia!

A Delegada leu a mensagem escrita em vermelho e disse:

- Então a mocinha pensa que pode me ameaçar, não é?

- NÃO! Alguém deixou essa mensagem pra mim!

- Pois eu sei como você conseguiu veneno pra matar as tuas colegas de cela. E eu vou levar essa tua ameaça comigo como prova da tua confissão de ser a mandante do palhaço assassino.

- Como assim!? Eu não matei ninguém! E essa bíblia foi deixada pra mim!

- Aí, a Senhora rasurou um presente que alguém te deixou pra me fazer essa ameaça estúpida?

- Não! A Doutora não entendeu! Alguém matou essas mulheres e deixou a bíblia toda escrita!

Com um sorriso sarcástico, a Delegada foi embora.

A Sargento Fabiana foi condenada a Prisão Psiquiátrica Militar, onde passou por quatro dias acusada pela Delegada Marilza de assassinar as colegas de cela e de ser a mandante do palhaço assassino, que estava atacando todos as noites, sempre em festas infantis, matando sempre famílias inteiras e alguns vizinhos das respectivas famílias. O Detetive Marcondes, que entrou como substituto do Detetive Matheus no caso, começou a estranhar o fato de o assassino em questão estar livre cometendo seus crimes enquanto só aquela que foi considerada mandante dele estava presa. Então, o Detetive Marcondes chamou a Delegada Marilza em uma sala onde um homem de terno e gravata também estava presente e foi logo perguntando:

- Delegada, por que o assassino AINDA não foi preso?

- Porque não descobrimos ainda quem é o assassino.

- Não é o que diz a pesquisa feita no computador do recém-assassinado Detetive Matheus. Parece que antes de morrer, ele descobriu a ficha completa do dono da moto, da qual uma testemunha fotografou a placa enquanto o bandido fazia mais uma palhaçada, digamos assim.

Visivelmente assustada, A Delegada disse:

- Você não tem como provar!

- As provas estão nas mãos do Desembargador e do Excelentíssimo Juiz da 1ª Vara Criminal. A Doutora tem muita sorte de eu não divulgar na imprensa!

Apavorada, Marilza levantou-se da cadeira, puxou sua pistola 9mm e tentou matar o detetive, mas o homem de terno, que estava atrás da Delegada foi mais rápido, dominou-a e a algemou. Dando chutes no ar, Marilza gritou:

- QUEM É VOCÊ PRA QUERER ME PENDER, SEU CANALHA!?

- SShhhhh! Eu sou o Juiz da 1ª Vara Criminal e a Senhora está presa em flagrante por ocultar informações, pela tentativa de homicídio do Detetive Marcondes e por suspeita do homicídio do Detetive Matheus. E ainda vou aumentar a tua pena em 4 anos por me chamar de canalha e por resistência à prisão.

Ao perceber que a Delegada Marilza prendeu a Sargento Fabiana para se livrar de uma testemunha chave no caso, ele ordenou que a Sargento fosse posta em liberdade anulando todas as sentenças impostas pela Delegada contra a Sargento.

Livre, Fabiana estava entre o medo de voltar para a sua casa e o gostinho de sentir a liberdade outra vez. Ela sentiu vontade de dormir em um hotel até que o caso fosse totalmente elucidado e ela então não corresse o risco de ser assassinada. Enquanto estava deitada tentando dormir na sua primeira noite pós prisão, ela pensou seriamente em se desligar do Corpo de Bombeiros. Porém, ela precisava do emprego.


Capítulo 4 – Dura Lex Sed Lex

Naquela noite, uma mulher de 43 anos de idade, morena linda, ostentando um corpo muito bem malhado de academia, olhos negros e cabelos negros e encaracolados, entrou em um escritório, pegou um vinho na geladeira, dois cálices no armário, colocou-os sobre uma mesinha perto da mesa principal. Trocou a roupa de trabalho por um baby-doll com uma sexy cinta-liga. Logo em seguida, um rapaz destranca a porta e entra no escritório, trancando a porta atrás de si. Um homem de 22 anos de idade, de musculatura média, 1,75m de altura cabelos curtíssimos, barba feita e olhos castanhos. Este ao ver a sua amada, tirou suas roupas pendurando-as em alguns pregos que estavam na parede, ficando só de cueca. Ele a abraça, acaricia, beija e faz amor com ela em cima da mesa do escritório. Depois do sexo, ela abre o vinho e diz:

- Nossa! Hoje você veio com tudo, hein?

- Saudade que eu estava desse teu corpinho de sereia, gostosa!

- Vai trabalhar hoje?

- Hoje não, vou esperar a poeira baixar um pouquinho. Aquele moleque me deu o maior susto.

- É, mas agora acabou. O moleque está morto e a curiosa que se meteu na história está presa.

- Mesmo assim, é melhor esperar a poeira baixar um pouquinho. Ainda mais porque eu trabalhei cinco noites seguidas depois da primeira vez.

- Verdade. Mas como você fez pra apagar as pichações na casa da curiosa sem deixar vestígios?

- Fácil. Fiz elas com tinta guache, saiu com água.

- E como você entrou de novo na casa dela sem arrombar?

- Quando arrombei a primeira vez, roubei as cópias das chaves, que estavam penduradas na cozinha.

- Ah! Meu gato inteligente! E como você apagou a tinta do livro? Guache também?

- Não, o livro eu comprei um igual, escrevi a mensagem em casa com sangue de boi, fui ali no escritório dela com o meu livro já escrito, peguei o dela, guardei comigo e coloquei o meu ali na mesa dela. Depois peguei meu livro de volta enquanto você a distraía e coloquei o dela no lugar. Foi fácil, fácil.

- Não seria mais fácil usar tinta guache?

- Se eu usasse tinta, quando eu tirasse, a água deixaria uma marca molhada no livro. Do jeito que eu fiz, não deixei vestígios.

- Meu gato é inteligente mesmo, hein? Vem cá, segundo round!

O rapaz então fez amor com a sua amada outra vez.

Na manhã seguinte, batidas na porta do escritório acordam o casal. A mulher veste a roupa e abre a porta. Enquanto o rapaz ainda estava se vestindo, Policiais do Exército armados de fuzis, adentram o escritório enquanto um deles disse:

- Tenente Maristela! Soldado Joaquim! Vocês estão presos!

Maristela usou suas técnicas de kung-fu e karatê pra tomar o fuzil dos soldados que a cercavam e dar uma surra neles. Ao longe, um tiro atravessou a estreita janela vasculhante acertou em cheio a cabeça da Tenente. Então, o Detetive Marcondes chegou perto do escritório e disse:

- E aí, Joaquim? Se rende ou vai arriscar levar um tiro do atirador que está só esperando uma reação tua?

Fazendo cara de indignação, o soldado disse:

- Eu só matei um bando de favelados! Aqueles menores do tráfico e flanelinhas não fazem falta pra ninguém!

- Nem todos os menos de favela são menores do tráfico ou flanelinhas!

- Mas a maioria são!

- Você não tem como provar! Agora deita no chão, senão a próxima vítima vai ser você!

Indignado, Joaquim deitou no chão. O Detetive Marcondes o algemou e o conduziu até o presídio. Os soldados que tentaram em vão prender a Tenente Maristela, foram encaminhados ao hospital, todos em estado grave.

E assim encerrou-se o caso do palhaço assassino.

A palhaçada acabou.

FIM
Eduard de Bruyn
Enviado por Eduard de Bruyn em 16/01/2019
Código do texto: T6552428
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Sobre o autor
Eduard de Bruyn
Teresópolis - Rio de Janeiro - Brasil, 43 anos
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