Motorista de aplicativo

Quando criança, Gineu assistia às corridas de fórmula 1 não para ver as ultrapassagens espetaculares e os vencedores do GP, mas para apreciar as batidas violentas e as mortes dos pilotos. Quando Senna bateu na curva Tamburello, no GP de San Marino, em Ímola, na Itália, enquanto os brasileiros choravam, Gineu ria às gargalhadas. “Pena que não morreu no autódromo”. Pensou o garoto, de apenas 10 anos de idade, feliz da vida. Aos 30 anos, Gineu virou motorista de aplicativo. Não lembrava em nada o menino maldoso que assistia às corridas de fórmula 1 para ver acidentes. Atendia os clientes sempre com uma palavra amiga e com muita presteza. O motivo da mudança? Aos 25 anos, com a mãe desenganada pelos médicos, ele fez um pacto com Deus. Se Ele salvasse sua mãe das garras da morte, Gineu viraria um soldado do exército de Cristo na Terra. Deus cumpriu sua parte. A mãe de Gineu, dona Lurdes, ficou curada do câncer de pulmão, poucos meses depois, segundo seu oncologista, por um verdadeiro milagre. E assim, durante anos, Gineu cumpriu sua parte no pacto e foi um fiel exemplar. Não faltava a um culto. Orava e agradecia sempre a Deus por ter salvo sua querida mãezinha. Porém, 7 anos exatos após a cura milagrosa de dona Lurdes, ela foi atropelada e morta por um motorista de aplicativo bêbado ao volante. Teria Deus quebrado o pacto com Gineu? Foi assim que ele entendeu. E recuperando todo o sadismo de criança, Gineu atropelou toda a família do assassino de sua estimada genitora: pai, mãe, mulher, irmãos e filhos. Se tem uma coisa que Gineu aprendeu quando era religioso é que “a vingança pertence a Deus”, mas, como Ele é muito ocupado, não custa nada dar uma mãozinha…

FIM

Luciano RF
Enviado por Luciano RF em 14/06/2019
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