Para melhor compreensão leia aqui a: 
primeira parte


 

A Meretriz 



Dentro da redoma de vidro, fecho os olhos, coloco os plugues e a minha viagem começa. Fico num estado sonolento. Até chegar no local, onde continuaria o processo. Confesso que abro os olhos no meio do trajeto, não deveria.

— Mas quem nunca, não é?

Olhava-me envolto a um lamaçal de líquido negro, havia algumas reluzes entre aquele espectro assustador. Entendi pela orientação de manter os olhos fechados enquanto se transportava entre uma colônia e outra.

Era assustador o que poderia ser visto fora.
Fechando os olhos tento me concentrar no que me esperava na entrevista. Finalmente poderia fazer a experiência sensorial e degustativa de uma vida.

Dês do meu nascimento, nunca soube de onde vinha, fui acordado já com a idade ao trabalho, e deste modo, fui posto na minha posição na colônia. x89Z era o meu nome, uma colocação bastante robusta para viver uma vida de trabalho intenso.

Mas mesmo simples operários, possuíam, algo a que se esperançar.

O algo deles, era melhoramentos no sistema corporal, muitos já estavam se tornando por um todo sintéticos,(com seus problemas de reposição). Outros tentavam a sorte na loteria, era permitido uma única cota, a cada semestre de trabalho. E alguns malucos como eu gastariam todas as economias, dos créditos, em alguma sandice. Seja uma viagem para outras colônias, ou até mesmo algo mais vintage. Coisa que estava indo executar.

Fui acordado pelo bip que era transposto na minha consciência, pelo plug da viagem. A redoma foi aberta, e eu pude sair.
O local onde estava, de nada parecia a minha antiga colonia, havia um ar bonito, no entanto, era notável a falta de presença de vida ali.

Tudo branco, os androides com suas roupas brancas, tornavam o local silencioso e exageradamente minimalista e organizado.

Olhava atrás de mim outras redomas abrirem e sairem os seres iguais a mim, todos sendo abordados pela mesma espécie de android.

Tentei acessar a neuronet.
Sem acesso.

Tentei comunicar com outro colono, que parecia conhecer e também chegava naquele local. Simplesmente não conseguia. Nunca senti tal sensação, um bloqueio telepático.

A android, lembrava traços de mulher, a propósito, todas as androides que via não eram andrógenas, e sim eram bastante femininas. Me abordou.


"Olá, seja bem vindo a colônia Regresso. Vejo as suas credenciais, és o colono x89Z."

Respondi a aquela máquina que não me olhava, e trazia uma sensação abstrata a minha experiência.

"Vamos lhe acomodar, numa sala, onde continuaremos com a entrevista. Observo que efetuou o pagamento faltando os 8%. Cabe lhe a explicação que não há devolução de créditos. E assim que entrar na sala de entrevista, não poderá retornar."

"Sim compreendo."

Já havia lido as clausulas do contrato várias vezes, esta android, deveria de saber, provavelmente ela acessara via neuronet o meu histórico de utilização. Ela me analisando e vendo a minha contestação replicou.

"É o protocolo" agora trocávamos de corredor, pela esteira que faziam das máquinas ágeis e de nós colonos preguiçosos.

Tentei comunicar-me com outro colono que me olhava de modo melancólico, sem resultado. A minha receptora novamente consternada pela minha falta de foco respondera-me.


"Nossa experiência é individual Colono x89Z, não é permitido comunicação telepática aqui dentro, já estamos chegando a sua sala de entrevista."

Veio a frente do meu rosto um comunicado holográfico, enquanto era transportado por aquelas esteiras intermináveis.

— Colono x89Z aproveite o trajeto para certificar-se que realmente quer passar pela experiência, de adquirir um momento com a Meretriz. Nós da Colonia Regresso, não se responsabilizamos com as suas condições pós-encontro. (Fechei os olhos ao abri-lo parecia estar na redoma de viagem, olhava-me dentro de uma cápsula de vidro onde em volta estava uma água, salubre, e vários espectros, foi um instante de segundos, que fez eu tocar a minha cabeça) A minha receptora disse:


"O que ouve? Sinto uma interferência" Ao abrir os olhos o comunicado surgiu novamente.
— Ao entrar na sala de entrevista, significa que você esta apto, pra buscar uma experiencia pré histórica e transcendental.
Olhei para o envolto, tudo claro uma iluminação azul tendia do chão, dava um ar de tranquilidade ao local. Minha receptora disse:


"Chegamos qual é a sua escolha" entraria eu pela porta ou retornaria daqui para a minha colonia?

Leia aqui a: Terceira Parte

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Waldryano
Enviado por Waldryano em 25/07/2019
Reeditado em 27/07/2019
Código do texto: T6704654
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