Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

O SILÊNCIO DA CASA - CLTS 08

               Eu tinha 9 anos quando tudo aconteceu.

          Mamãe me deu nome de princesa: Diana. Meu pai era um monstro que vivia bêbado. Ambos surdos.

          Morávamos numa rua que dava acesso à rodovia. Nossa casa tinha portas de madeira que rangiam irritantemente, com o chão batido, paredes com a tinta azul já gasta, móveis quase mofos, lâmpadas penduradas por fios, uma cozinha pequena, a sala com dois sofás velhos, a escada com o corrimão enferrujado que levava ao meu quarto e ao dos meus pais, um de frente para o outro. Apenas nosso porão ficava do lado de fora. Nunca tinha descido ali.

               10 de julho de 2001.  Brasil.

          Uma noite meu pai entrou em casa derrubando tudo. Eu olhava do alto da escada. Ele me viu e quis me bater. Saí correndo com medo para meu quarto, fechei a porta, apaguei a luz e me enrolei em meu cobertor.

          Foi então que ele abriu a porta com um chute e no meio do escuro me derrubou da cama. Um hálito asqueroso de álcool saía de sua boca. Após me bater e balbuciar coisas que não entendi me enfiou dentro do meu guarda-roupa e trancou por fora.

          Fiquei presa a noite toda naquele aperto sentindo meu corpo doer. Gritei e me debati, mas nada fazia o móvel abrir.

          De repente, ouvi um tiro.

          Meu estomago embrulhava, pensei em minha mãe e comecei a chorar. Sacudi-me com todas as minhas forças para fugir de lá, porém o móvel se inclinou e tombou. Com o impacto da queda levei uma pancada muito forte na cabeça; senti um líquido escorrendo. Tudo começou a girar, meus olhos foram fechando sozinhos, então apaguei.

          No dia seguinte acordei em minha cama e vi o guarda roupa ainda caído.

          Tentei me lembrar da noite anterior e ouvi passos no corredor. Temi pensando que fosse meu pai, mas era minha mãe. Fui correndo até ela e com alívio a abracei. Em língua de sinais perguntei o que houve na noite passada. Ela sorriu sem dar resposta e me chamou para o café.

           Enquanto andávamos em direção à cozinha, estremeci quando vi um rastro de sangue que saía do quarto dos meus pais até a porta da entrada e uma arma sobre a mesa. Ela, vendo meu medo, guardou o revólver no armário e fez gesto com a mão para dizer que estava tudo bem.

          O silêncio se seguia com ela em pé e eu sentada à mesa. Ao entender, pelo meu olhar, que eu não estava satisfeita com a resposta, ela suspirou, se aproximou de mim e com o rosto triste sinalizou:

          - Amor, eu já não suportava mais a estupidez de seu pai. Então peguei o revólver que tinha no porão, esperei ele chegar e...

          - Mãe! A senhora...

          Ela me interrompeu:

          - Amor, é difícil te explicar, porque você é só uma criança. Porém de maneira nenhuma quero que desça ao porão. Não quero que veja o que tem lá. Fui clara?

          Aquilo me tirou a fome. O olhar da minha mãe era uma mistura de tristeza e orgulho. Levantei da mesa, fui para o meu quarto e não saí de lá o dia todo.

          À noite fui até o dormitório dela em silêncio. A parede estava manchada com sangue espirrado e um colar de pedra estava na cama. Ela sempre usava esse colar. Ao ouvir que ela subia a escada, corri para meu quarto e apaguei a luz.

          Já tarde, tentei dormir, mas sono não vinha. Deu vontade de ir ao banheiro, embora eu não gostasse de ir só.

          Ao findar de descer a escada vi a porta de casa aberta. Estranhei, pois minha mãe nunca se esqueceu de tranca-la. Quando eu ia fechar ouvi uma voz como um urro. Voltei apavorada para meu quarto e fiquei lá por alguns minutos.

          Após me acalmar desci novamente, porém a porta dessa vez estava fechada. Confusa, até perdi a vontade de ir ao banheiro e fui pro quarto me deitar.

          Olhei para o guarda-roupa ainda caído e me lembrei do meu pai. Eu não gostava dele, mas também não conseguia me acostumar com a terrível ideia da minha mãe ser uma assassina.

          Já estava tudo escuro. Deitada em minha cama, esqueci-me de fechar a porta do meu quarto. A ideia de fechar passou pela minha cabeça, até que um vulto apareceu à porta.

          Meu coração disparou. Ouvi um choro fraco e de terror.

          Paralisada, tentei gritar, mas a voz não saiu. Agora, nenhum ruído se fez e, nesse silêncio, minha respiração foi ficando mais fraca. O vulto saiu e minha porta se fechou.

          Desmaiei de pavor.

          Na manhã seguinte, fui até o quarto da minha mãe, mas não a achei. Reparei que não havia mais marca de sangue na casa. Dirigi-me até a porta e pude ver que ela estava fechando o porão.

          Quando se virou pude notar uma expressão de inquietação em seu rosto. Ela entrou em casa e eu já fui falando em sinais:

          - Mãe, preciso te contar algo que aconteceu ontem.

           Ela olhou pra mim e sinalizou:

          - Não me diga que você também viu?

          - Como assim “também”, mãe?

          - Ontem a noite – dizia ela - senti um clima pesado no meu quarto. De repente vi uma sombra perto da porta olhando pra mim. Eu achei que fosse sonho, mas não, pois a sombra abriu a porta e saiu.

          - Ai mãe, tá me assustando! O que é isso?

          - Amor, não sei. Mas parecia com seu pai.

          Abracei chorando com terror minha mãe quando ouvi isso e supliquei que ela não me deixasse dormir só. Ao sentir que ela me abraçou mais forte entendi que ela disse sim.

          Chegando a noite, mais fria que de costume, me deitei abraçada com minha mãe, enquanto ela acariciava meus cabelos. Sentia paz perto dela e confiava minha vida nas mãos daquela mulher que, mesmo sem audição, me tratou como uma princesa desde pequena. Ela sempre enfatizava que quando eu completasse 10 anos ganharia uma surpresa especial da parte dela, algo que ela também ganhou da minha vó quando fez 10 anos.

          Ainda confusa, perguntei o que ela foi fazer no porão:

          - Eu estava limpando a casa – ela sinalizava - e então decidi descer ali também. Seu pai era um imundo e nunca limpou nada. Estava horrível.

          Senti receio de perguntar algo. Respirei fundo e, com o incômodo do meu coração, lhe disse:

          - Mamãe, onde está o papai?

          Ela engoliu a seco a pergunta com tristeza no olhar:

          - Amor, o seu pai...

          - Ei, mãe! Espera aí!

          Fiz silêncio, pois escutei o ranger agudo de uma porta. Minha mãe percebeu que algo de estranho estava acontecendo quando minha feição mudou bruscamente.

          - Tô com medo, mãe!

          - Calma, amor, calma. A mãe tá aqui com você.

          A maçaneta do quarto girou lentamente e a porta se abriu, mas não havia ninguém. Pude escutar alguém descendo a escada rapidamente. Aqueles sons assombrados naquela noite fria esmagavam meu coração de pavor.

          Foi aí que após um curto silêncio, urros intensos e agonizantes, barulhos estridentes de panelas, copos e pratos sendo arremessados se ouviram:

          - É O PAI, MÃE! É O PAI! O QUE VAMOS FAZER?

          - O que ouviu, amor? – ela me perguntou.

          Contei tudo o que ouvi. Seu rosto ficava pálido a cada sinalização que fazia e me olhava com expressão de temor e impotência. Durante um tempo, nada mais eu pude ouvir. Então, ela se levantou da cama, colocou um roupão e fez que ia descer. Tentei impedi-la temendo por minha vida e pela dela, mas foi em vão. Seu olhar estava frenético, como que hipnotizada. Ela pediu que eu ficasse no quarto.

          Eu queria descer com ela, mas minhas pernas se recusavam a me obedecer. Depois de não ouvir mais os passos da minha mãe, tomei um impulso de coragem e pulei da cama.

          Toquei no interruptor, mas as lâmpadas não acendiam. Nenhuma. Desci as escadas devagar por causa da escuridão, e vi que a porta da casa estava aberta. O vento entrava cortando a respiração.

          No chão da sala achei um pedaço de papel. Abaixei para pegá-lo. Estava escrito a lápis com letras tremidas:

                    VOCÊ TAMBÉM VAI MORRER!

          Soltei o papel das mãos rapidamente pelo susto. Quem escreveu aquilo? Percebi que alguma coisa estava na cozinha e de tão escuro pensei que fosse minha mãe procurando uma vela.

          A luz piscou rapidamente e se apagou de volta. No rápido momento de luz vi o rosto do meu pai, com um sorriso demoníaco e sangue pelas roupas que quando me viu urrou de ódio partindo em minha direção.

          Fugi gritando de pânico em direção a porta, mas pra onde iria? Onde estava minha mãe? Olhei em direção a rua deserta e vi o colar de pedra da minha mãe caído perto do porão que estava aberto. Fui correndo para lá na esperança de encontra-la e fechei a porta.

          O lugar tinha um cheiro de mofo muito forte. Estava escuro e comecei a tatear o ambiente; achei uma lanterna no chão e ao acendê-la, o que vi foi assustador.

          O porão estava cheio de velas vermelhas e pretas, incensos, altares e esculturas macabras de todos os tamanhos. No chão continha um desenho de estrela de cinco pontas dentro de um círculo. Enquanto contemplava aquele lugar sinistro notei alguma coisa coberta com uma lona. No momento em que fui descobri-la, a porta do porão se abriu com violência.

          Apaguei a lanterna e por instinto me enfiei dentro de um armário velho. Dentro do móvel toquei um objeto de aspecto metálico e pesado; era o revólver que minha mãe falou e deixou na mesa naquele dia.

          Eu ouvia os passos arrastados do meu pai descendo aquele porão enquanto sua boca rangia um som ininteligível.

          Minhas mãos suavam, prendi a respiração e fiz um esforço muito grande para não me mover ali dentro; senti que a presença dele se aproximava e acreditei ser o meu fim.

          Foi então que lembrei-me de todas as agressões que eu presenciei quando fui crescendo. Toda a maldade despejada nas noites em que ele chegava embriagado em casa.

          Um sentimento de ira e vingança dominou meu coração e me deu coragem o suficiente para segurar a arma em minhas pequenas mãos. Encostei o revólver na porta do móvel.

          O silêncio novamente dominou o ambiente. Nada mais se ouvia.

          Ouvi toques por perto de onde eu estava escondida. O coração bateu mais forte como se quase fosse saltar pela boca. Os toques se aproximavam até balançar o local em que me encontrava encolhida.  Um medo dominou meu ser.

          A porta se abriu e a sombra horripilante estendeu as mãos para me pegar. Fechei meus olhos e atirei.

          Só ouvi o barulho de algo pesado tombando no chão do porão.

          Acendi a lanterna e pude ver o sangue que formava uma poça. Vi então o corpo dele, pálido e inerte, com uma feição de terror.

          Nesse momento um pensamento terrível me passou a mente. Corri até aquele objeto coberto e ao remover a lona pude ver o cadáver que ali estava.

          Era o cadáver da minha mãe, com um buraco cheio de vermes na cabeça. Ela quem levou o tiro aquela noite!!!

          Quando parei de olhar para o cadáver, ela apareceu como um espectro maligno em minha frente usando o colar de pedra, exibindo um sorriso feroz, um olhar maligno, e pude ouvir sua voz pela primeira vez:

          - Bom trabalho, criança.

          Era um tom medonho que me fez estremecer.

          - O que? Espera aí? Você fala? Você pode me ouvir?

          - Claro que posso. Sempre pude.  Até você nascer.

          - Ma... mas... O que está acontecendo? O pai não estava morto?

          - Ele? Foi morto agora.

          - Não! Não! Mãe, não pode ser! Então o papai te matou?

          - Na verdade... Foi suicídio.  Ele estava vivo esse tempo todo, não eu.

          -Mãe, por favor! O que está acontecendo? Diz a verdade, por favor!

           - Criança, seu pai e eu nos amávamos muito. Sempre nos amamos. Porém a minha vocação nos fez assim: Malditos.

          - Mas que vocação? A senhora nunca trabalhou.

          - Ora, não se engane, criança. Eu sou uma bruxa, consagrada desde os dez anos de idade. Carrego o espírito que possuiu minha mãe nesse colar.

          Ela despiu-se em minha frente e vi uma espécie de tatuagem demoníaca em seu corpo.

          Meus olhos se encheram de água. A lanterna caiu das minhas mãos. Quando a peguei de volta minha mãe tinha sumido e apareceu em minhas costas:

          - Seu pai merecia morrer, mas levar você a mata-lo foi mais divertido do que imaginei.

          - Levou-me a matá-lo? A senhora me enganou me fazendo acreditar que ele era um fantasma?

          - Sim. Mas ele sempre foi ruim com você, não é?

          - Mas por que ele não gostava de mim? Por que ele era mal conosco? E por que a senhora mentiu pra mim? Por que se matou?

          - Ele amava você, mas ele sabia do que precisávamos.

          - Espera aí, mãe. O que a senhora está falando? Precisar do quê?

          - De uma filha. Nós precisávamos de uma herdeira menina. Só que você veio. - disse apontando para um lugar que quando iluminei, tinha uma caixa velha de madeira.

          No assombro do meu espírito fui até lá e abri a caixa. Dentro dela continha um grande livro velho e empoeirado com desenhos, inscrições perturbadoras e frases sinistras de rituais macabros que só de lembrar me perturbam.

          Iluminei o local por ouvir alguma coisa estranha. Eram os corpos da minha mãe e pai flutuando, indo para o meio do desenho de estrela de cinco pontas. A voz da minha mãe envolveu o ambiente que ficava cada vez mais frio e escuro, mas eu não pude mais vê-la; enquanto a porta do porão não parava de bater pelo vento gelado que soprava:

          - Seu pai e eu vivíamos muito bem e ganhamos muito dinheiro com nossos serviços, mas ele sabia que eu tinha que dar seguimento a família e transferir o selo para uma portadora. Foi um pacto feito há muito tempo pelos meus ancestrais. Essa herança maldita passou de geração em geração, mas apenas mulheres poderiam portar o colar de Afrodite, nossa mãe, como nós mesmos chamamos. Porém engravidei muito tarde, você nasceu e eu não podia mais engravidar por causa da minha idade. Então tivemos que fazer um ritual de mudança induzida pra que a herança fosse passada. E deu certo! Em troca, tivemos que abrir mão da nossa audição e da fala, para que ninguém suspeitasse de nós. Foi aí que não fizemos mais trabalhos e começamos a empobrecer. Seu pai não concordou de início, mas eu o assegurei que no seu aniversário de 10 anos, te levaríamos para o porão e faríamos a transferência. Nossa fala voltaria e você não se lembraria de nada e poderia usar o colar e ser possuída pelo espírito de Afrodite.

          - O que está dizendo, mãe? – perguntei chorando.

          - Deixe-me terminar! Seu pai não se conformava com a forma que eu te criei, pois após o ritual, cortamos seu membro e de modo sobrenatural ele foi cicatrizado e refeito num órgão feminino. Por isso você não gostava de ir ao banheiro sozinha, devido as dores que sentia. Eu precisava te educar como mulher, mas ele começou a ter pesadelos assustadores e se perturbar. Tudo aquilo foi pesado demais pra ele. Então ele começou a beber pra esquecer tudo isso. Era violento conosco, mas ele não poderia fazer nada contra mim porque se eu morresse, ele não saberia lidar com a ira do espírito da entidade. Então ele intentou te matar para tentar evitar essa maldição. Foi então que peguei o revólver do porão, e quando ele entrou, atirei sorrindo em minha cabeça. Ele não sabia o que fazer porque o destino já estava selado, então ficou louco. Olhava para o quarto apenas chorando de medo vendo meu vulto, passava horas fora de casa. Então deixei um bilhetinho pra ele na noite em que você estava comigo: VOCÊ VAI MORRER! E quando ele viu você, apenas completou o assombro. Ele mereceu!

          Caí de joelhos sem reação:

          - Então... o que eu sou?

          - Veja a última página do livro. – quando ela disse isso sua voz desapareceu, os corpos pararam de flutuar e o colar de pedra caiu no chão.

          Abri a ultima pagina do livro e lá estava minha verdadeira certidão de nascimento:

          NOME DA MÃE: IVANEIDE DOS SANTOS FILHO

          NOME DO PAI: CARLOS NASCIMENTO DOS SANTOS FILHO

          Pasmei ao ver o meu nome:

                RHUAN MAYCON DOS SANTOS FILHO

          De repente o colar brilhou, flutuou no ar e se desfez em vários pedaços.

          O medo e a loucura me dominou de tal forma que saí correndo gritando pelo meio da rodovia, onde alguns carros desviavam de mim e acidentes aconteciam

          A polícia chegou ao local dos acidentes gravíssimos e percebeu um rastro de sangue que vinha da rodovia até minha casa; ao seguirem o rastro encontraram no porão o corpo da minha mãe, o do meu pai e ao entrar em casa, o corpo de um menino dentro do guarda-roupa, morto desde o dia 10 de julho de 2001 por traumatismo craniano.

          “De acordo com a base do SUS, houve um aumento de 30% nas mortes de trânsito. Entre 1997 e 1999, as mortes estavam caindo, mas voltaram acrescer a partir de 2000.”

          Então surgiu a lenda de que alguns acidentes de trânsitos foram causados pela aparição fantasmagórica de um menino, correndo na rodovia.





TEMA: ASSOMBRAÇÃO E LENDAS


BASEADO NA HISTÓRIA REAL DO MENINO RHUAN MAYCON

Obs: o penúltimo parágrafo foi tirado de um artigo sobre acidentes de trânsito no Brasil. (FONTE: MS/SVS/Dasis – Sistema de Informações sobre Mortalidade – elaboração CNM).

Artigo: MAPEAMENTO DAS MORTES POR ACIDENTES DE TRÂNSITO NO BRASIL
https://www.cnm.org.br/cms/biblioteca_antiga/ET%20Vol%202%20-%2018.%20Mapeamento%20das%20mortes%20por%20acidentes%20de%20trC3%a2nsito%20no%20Brasil.pdf


Leandro Severo II
Enviado por Leandro Severo II em 05/08/2019
Reeditado em 07/09/2019
Código do texto: T6713098
Classificação de conteúdo: seguro
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
Leandro Severo II
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
76 textos (3427 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 18/11/19 00:41)
Leandro Severo II