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O CASTELO DE ESTÁTUAS - parte 6

          O riso diabólico do duende de pedra foi a última coisa que os dois ouviram antes da passagem secreta da parede se fechar. Daniel bateu a cabeça na queda e ficou um pouco zonzo. Diante da enorme porta de pedra, o medo e a dúvida transpareciam no tom das falas de cada um:

          - Cara, o que foi aquilo? Como aquele duende maldito apareceu? Eu não ouvi nada.

          - Esse lugar está ficando cada vez mais maluco! Daniel olha só. Essa escada não parece com a primeira que descemos?

          - Caraca! É a mesma! Então vamos sair daqui.

          - Ei! Calma! Espera! A matéria tá quase pronta. Vamos visitar apenas mais um lugar e depois vamos embora, tudo bem? – disse Garcia.

          - Cara, deixa eu te ser sincero: eu dei a ideia de vir aqui, mas esse lugar está cheio de enigmas e se duvidar deve ter alguma armadilha. Tá parecendo filme de múmia onde as pirâmides tem todas essas esquisitices.

          - Aí que está. são enigmas. Mas todos você soube resolver. Eu filmei tudo. isso não é incrível? O seu talento de Sherlock dos castelos e minha câmera...

          - Minha!

          - Dane-se! O que importa é que formamos a dupla perfeita e isso com certeza vai revolucionar os jornais. Pensa comigo: “O CASO DO CASTELO ABANDONADO DEIXA DE SER LENDA URBANA E FOI DESVENDADO POR GARCIA E DANIEL!’. Mano isso é “so amazing!”.

          - Espera! O que você disse antes?

          - “So amazing”. Não é uma música que você gosta da banda...

          - Não, idiota! Sobre os enigmas.

          - Que todos você sabe desvendar. E eu filmando tudo.

          Daniel ficou estarrecido com aquela frase de Garcia.
 
          - Mano... por que eu sei resolver isso?

          - Porque vocÊ já foi crente e manja desses paranauê, não é?

          - Não cara. Não é só isso. Esses enigmas... essas estátuas com metáforas... Algo tá me perturbando aqui.

          - Aff. Para de paranoia, nóia! Vem. Escolhe, você vai subir ou descer? Dessa vez eu deixo você escolher.

         - Subir. Quem sabe achamos a saída.

          Ambos começaram a subir a escada de pedra iluminada por tochas incandescentes. Porém, mal tinham subido 20 degraus, o castelo tremeu novamente e pela escada rolaram inúmeras pedras. De repente foi se tornando impossível de subir devido ao grande número de pedras que quicavam pelos degraus como que fosse despejado um mar de seixos.

          - O que tá acontecendo aqui, meu? – gritava Garcia.

          - Eu não sei. Parece que não poderemos subir!

          As pedras eram tantas que inundavam a escada, fazendo eles escorregarem e descerem, tal qual num tobogã, até darem de frente a mesma grande porta de pedra do fim da escada, que dessa vez já se encontrava aberta.

          Quando foram lançados ali, onde havia uma área escura. Ligaram a lanterna e só avistaram duas estátuas, uma com o rosto da sra. Gaspar e outro com o rosto do Sr. Gaspar. Em cada estátua uma jaqueta térmica.

          - Pra que isso? – perguntou Daniel. - Jaquetas térmicas no subsolo?

          - Olha só – disse Garcia – Tem uma porta de ferro ali.

          - Mano, é sério. Tá estranho. Onde será que isso vai nos levar?

          - Cara, eu juro. É o último lugar que vamos entrar. E provavelmente, pela fumacinha que sai de baixo da porta, deve ser uma sala refrigerada ou algo do tipo. Pega uma jaqueta e vamos entrar lá. Depois daremos um jeito de achar a saída.

          Naquele salão escuro, onde só haviam as duas estátuas do Sr. e Sra. Gaspar, tomaram as jaquetas e se dirigiram até a porta de ferro. Foi após empurrarem a porta com força que uma baforada de ar frio soprou, obrigando-os a fecharem as jaquetas térmicas.

          Parecia uma enorme geladeira, mas sem iluminação nenhuma. Daniel ligou a lanterna e viu que o lugar estava repleto de esculturas de gelo. Várias personalidades famosas da época estavam ali. A perfeição das roupas feitas de gelo, do molde corporal e sobretudo, das expressões faciais com sorrisos enormes fez Daniel se assustar sobremaneira:

          - Ué?! Aquele ali não é o presidente? Não tinha uma estátua dele de pedra lá em cima? Essa daqui tá mais realista ainda.

          - Ih, olha aquilo ali. É o cantor tal. Um que doa dinheiro para instituições carentes. – falou Garcia.

          Em cada escultura um rosto de uma personalidade conhecida por seus méritos de bondade televisionados. Entre elas estava madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela e Madonna.

          Garcia filmava tudo muito atento, quando percebeu um rosto conhecido:

          - Cara, olha isso. Esse não era o diretor daquela revista mundialmente famosa? Um que o casal postou entrevista?

          - Mano do céu! É ele mesmo.  Ah! Uma porta, vamos entrar ali.

          - Oxe! Tomou coragem agora, Daniel? Não era você que queria ir embora?

          - Não é isso. É que... eu não sei te explicar. Mas sinto que ali tem algo que eu preciso filmar. Você tá com o gravador, não está?

          - Estou sim. Tá no bolso.

          - Ok. Vamos.

          Daniel empurrou a porta de ferro que levava para outro lugar e ao saírem do local, havia outro compartimento sem iluminação.

          Antes de fecharem a porta da sala das estátuas geladas, Garcia achou uma página de jornal caído no chão, preso embaixo da porta de ferro.

          - Olha Daniel. Esse jornal é o Gazeta Na Hora. De 1920 à 1940. Era o jornal mais conceituado da época.

          - O que diz na matéria?

          - Tá rasgado aqui, e como a letra é meio velha não dá pra saber direito. Só consigo ler o que diz pela foto:


          “CASAL GASPAR. ARTISTAS OU OCULTISTAS?”


          - Era a suspeita daquele tempo. Ninguém comenta muito sobre eles hoje em dia. – dizia Daniel.

          - Vou guardar isso aqui. Achamos uma relíquia. Provavelmente quem sabe não achamos algo a mais aqui...  JESUS CRISTO! Daniel olha aquilo.

          - O que foi? MANO!

          Quando iluminaram o lugar, ele estava repleto de estátuas... nenhuma convencional...


          Continua...
Leandro Severo II
Enviado por Leandro Severo II em 19/08/2019
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Sobre o autor
Leandro Severo II
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
75 textos (3656 leituras)
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Leandro Severo II