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Estação inferno

           1° de abril de 1920, data da inauguração do trem Thompson, eu estava ansioso para que o Big bang anunciasse a partida do trem, que levava o nome do maior engenheiro mecânico da Inglaterra; Mark Thompson morreu de parada respiratória em casa aos 63 anos de idade. Tomas Leminski, o criador do projeto me convidou pessoalmente para a primeira viagem do Thompson, os convites eram reservados, na verdade eram somente trinta e eu fui convidado com seis meses de antecedência, fiquei parecendo uma criança de tanta alegria ao receber o convite, me lembro como se fosse ontem as palavras de Tomas.
           Sir David Baltimore não pode deixar de ser o primeiro da lista, conto com sua presença.
           Tomas é um velho amigo, me conseguiu um emprego de redator em um jornal local.
           O dia havia chegado, o trem partiria as 13 h ao sinal do Big bang, o trem partirá de Londres com destino a Liverpool. Eram 11h30minam, aproveitei o tempo que faltava para tomar um café em um lugar próximo da estação. A xícara de café estava muito quente e a deixei cair. Quando me abaixei para pegar os cacos da xícara, um homem muito estranho começou a gritar:
          Todos vão morrer, não suba nesse trem seu destino é o inferno!
          Aquilo me causou certo desconforto, já que daqui a pouco mais de uma hora eu estaria no trem, por um momento pensei em desistir da viagem, mas da mesma forma que Tomas usou sua influência para me empregar, poderia usá-la para que me demitissem. Tinha que tirar esse pensamento ruim da cabeça, afinal seria apenas uma viajem até Liverpool e não tenho porque me preocupar. Fiquei sentado em um banco da praça que fica próximo da estação, procurei manter a calma, agora só faltavam dez minutos para a partida.
         Senhores privilegiados, saibam que em breve andarão na maior máquina criada pelo homem, em breve todos farão parte da história. Dizia Tomas a seus convidados.
         Se eu não estivesse sentado tão próximo do trem não ouviria suas palavras de tanta preocupação que assolava minha mente, fui instruído por um guarda para entrar no trem, então mesmo com as pernas fracas entrei e sentei-me em um banco sozinho, enquanto todos se sentavam próximos uns dos outros.
        David Baltimore o que aconteceu com todo seu entusiasmo com a viagem? Não transforme isso num pesadelo. Disse a mim mesmo e levantei na intenção de aliviar o nervosismo.
        Algum problema senhor? Disse uma simpática jovem sentada a alguns metros de mim.
         Não! Por quê?
    Nada senhor. Respondeu a jovem um pouco assustada com a minha grosseria.
         Até que o Big bang por fim soou para a partida de Thompson. Cada badalada de aviso do Big bang apertava meu coração de modo que se não me parecesse impossível, alguém estaria apertando meu coração com uma das mãos.
         O trem foi partindo em direção a Liverpool, fiquei olhando a paisagem pela janela, pensando na grosseria que disse aquela jovem. Até que me decidir ir ate ela para desculpar-me. A caminho de seu banco vi pela janela o senhor que estava aos berros no café, ele estava chorando, mas não eram lágrimas comuns e sim de sangue que escorria bastante dos seus olhos.
        Você viu aquilo? Disse a um banco onde era pra estar à moça simpática
        Nunca senti tanto medo em minha vida, não poderia parar o trem para que somente eu descesse, decidi por sentar-me, abaixar a cabeça e tentar dormir, as horas de ansiedade que antecederam o inicio da viagem me fizeram ficar cansado, não seria difícil dormir.
        Alguns momentos depois, fui despertado do meu sono com uma pancada na cabeça, fiquei um pouco assustado, pois não sabia quem ou o que tinha acertado minha cabeça, mas nada comparado com o medo que eu senti ao perceber como estava o trem, parecia uma sala de tortura, pedaços de corpos estavam por toda parte, agora a moça simpática estava chorando e segurando uma faca, havia um homem com um saco preto na cabeça tentando gritar, mas seus gritos eram sufocados como se estivesse sendo asfixiado, ao centro de toda carnificina estava Tomas Leminski com uma roupa incrivelmente branca apesar de haver sangue por toda parte.
        Coitado desse homem aqui com capuz não acha? Disse Tomas.
        O que vai fazer comigo?
        Esse Sir David Baltimore, é Mark Thompson eu o matei asfixiado, só porque ele tinha o projeto desse incrível trem e eu não tinha nada para apresentar para o governo, era a única saída Sir David Baltimore, mas já pra você acho que não tem mais, magoou muito aquela jovem. Disse apontando para trás.
         Virei-me para olhar, e o que antes era uma simpática garota, agora estava rosnando e babando como um cão feroz, veio em minha direção empunhando a faca, tentou correr, mas minhas pernas não me obedeciam, ela encravou a faca no meu peito e em poucos segundos perdi totalmente os sentidos e desmaiei.
        Alguns momentos depois sou novamente despertado, não por uma pancada, mas pelo barulho de vidro quebrando, um homem deixou uma xícara cair, eu estava no café minha cabeça e o meu peito doía muito.
       Estamos em Liverpool? Perguntei ao homem que recolhia os cacos da xícara.
       Não, estamos em Londres. Você quer um café esta dormindo há horas o trem partira em poucos minutos.
       Olhei pela vidraça e vi Tomas discursando para algumas pessoas.
       Senhores privilegiados saibam que em poucos minutos...
      Não, todos vão morrer, não entre nesse trem seu destino é o inferno! Não!

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Maykontos
Enviado por Maykontos em 03/12/2019
Código do texto: T6810106
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Sobre o autor
Maykontos
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 31 anos
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