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[PESADELOS DE QUARENTENA] I - “A CÂMARA ESCURA”


… me lembro de ser atirado numa câmara escura, onde depositavam cadáveres. Todos eram envolvidos em ataduras brancas e muitos cheiravam a sangue vivo há poucas horas atrás. Outros eram pedaços de gente, de membros, de coisa entre marrom e cinza, que além das ataduras eram emergidos num pó branco para conter o cheiro forte. Eu era como um cachorro nadando, tentando chegar do outro lado de uma piscina lotada. Os corpos iam sendo jogados ali, como se fossem soldadinhos de chumbo em fila… eu tentava (aos gritos de socorro), levantar e correr até uma saída. Um rosto quase sem pele, necrosado e vermelho, caiu sobre mim e rolou ao meu lado… eu não podia me mover. Ele parecia mais vivo que os outros, parecia se aproximar. Parecia… sorrir? “por favor não me deixe tocar nele…”, “por favor, não me deixe tocar nele”, “Por favor não me deixe tocar nele…”, “… não me deixe tocar nele”, “não me deixe tocar nele”.
Henrique Britto
Enviado por Henrique Britto em 26/03/2020
Código do texto: T6897897
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Henrique Britto
Salvador - Bahia - Brasil, 35 anos
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3 e-livros (38 leituras)
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Henrique Britto