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Interditado

Crisóstomo saía todos os dias do escritório às 18 horas e ia para o parque local, onde via as crianças brincarem e atirava migalhas de pão para os pombos. Ele ficava ali, enquanto o sol se punha no horizonte e a movimentação ia minguando. Então se levantava e, a passos vagarosos, se encaminhava a sua casa. Este era o seu ritual sagrado e aquele, enquanto estava no parque, o melhor momento do seu dia.

Melhor porque, no escritório, o clima era infernal e, em sua casa, solitário demais. Daí a importância que dava àquele local tão verde e alegre.

Foi quando aconteceu. Uma pandemia sem precedentes que forçara à sociedade uma quarentena que fechara todos os espaços públicos.

Agora, toda vez que ele saía de seu trabalho e passava pelo parque, via faixas em preto e amarelo isolando o lugar. Isto não era nada bom. Mas logo ia passar - quem sabe cinco dias? sete dias?, divagava consigo mesmo.

Bem, já beirava os cento e cinquenta dias e Crisóstomo ainda não tinha de volta o seu parque. Neste tempo todo, só o que mantinha igual era o seu lema -  ''mas logo vai passar'' - apesar de não ter mais tanta certeza.

(setembro de 2020)
W Hades
Enviado por W Hades em 13/01/2021
Código do texto: T7159180
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
W Hades
Bagé - Rio Grande do Sul - Brasil, 27 anos
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