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INSETO PUI

Havia um inseto que não bastava a si e buscava no próprio caminho que trilhava uma justificação para o fato dele, inseto por pronto direito e naturalmente falando inseto sem significação, ter um princípio de consciência de si para si, coisa da sua cabeça. Todavia esquecia que insetos não tinham essa "coisa" chamada ideia e se provavelmente tinha ideias não era um inseto; despira sua casca e viu-se seco e febril, tinha frio entre suas asas de mosquito, porém já não era inseto como se acostumou a ser, era algum outro mais, uma espécie de evolução contrária aos costumes e que estava tomando conta da sua própria figura. Tudo aquilo que dava como certo estava errado, seu mundo fora construído dentro de um pensamento fechado e enquanto procurava um espelho para confirmar sua imagem descobriu que não a tinha, era abstrato e não sabia, pensava ser inseto e não o era, quisera voar mas suas asas foram se desfazendo com a falta de matéria concreta, de um momento ao outro fora para inexistência e sua busca por existir é que havia provocado toda essa mudança, quisera de todo modo um caminho de volta, mas quando o caminho também é desfeito junto com a caminhada e não há luz nem pegadas voltar torna-se um sonho utópico e impossível, verdadeiro pesadelo vivo, ainda mais pra um inseto sozinho! Só lhe restava prosseguir para descobrir o que era, até então sabia que não era inseto, não tinha asas, nem havia matéria no que julgava ser corpo, nem imagem no que teria como concreto e sendo somente um pensamento inseto oriundo da mente medíocre de alguém, tentara alcançar com outros olhos a luz de qualquer outra coisa entretanto a sua volta nada existia além dele mesmo, tudo era incerto, o inseto que antes era já não era nada, pois um pensamento sozinho não existe e caíra sem saber nesse devaneio onde jazia seu universo, seu Deus, sua eternidade do agora e sempre, sua fórmula de viver sem vida.
Diego Duarte
Enviado por Diego Duarte em 02/12/2012
Reeditado em 25/02/2013
Código do texto: T4015940
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Diego Duarte
Ananindeua - Pará - Brasil
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