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Sozinha na multidão
    
 Em meio à multidão tentava encontrar sentido, o norte não se fazia presente, eram corpos suados por toda parte, a música tocava alto e nada dizia, ao menos para ela, que seguia em caminhada de passos curtos, na tentativa de avistar o ponto de chegada que mostrava-se sempre distante.
     
     O ar lhe faltava, a sensação era de total desconforto. Questionava-se o real motivo de viver tudo aquilo e assustava-se com as respostas que os pensamentos indicavam, tentava apoio em coisas do passado e sem perceber que música tocava, apenas marchava em desalinho ao pelotão. Sabia de antemão não pertencer à realidade diante dos olhos, talvez ali estivesse apenas para forçar a reflexão.
    
     Inúmeras foram as vezes que ultrapassou limites para agradar terceiros, viveu um carnaval de máscaras, dia após dia sem compaixão de si mesma. Passados tanto tempo a pergunta que se faz é, onde está você mesma??
Teme a resposta, por não saber ao certo onde e quando perdeu totalmente a personalidade.

     Viveu à sombra de uma mentira que aos poucos se revela cruel e impiedosa, só lhe resta apagar tudo e desenhar uma nova história, do jeito que tiver de ser.

     É quando um punhal é encravado em seu ventre, não aparentava sentir dor, parecia  aguardar aquele instante, como se o destino fora traçado e aquele desfecho o único caminho a seguir. Sangrava inerte, olhos fechados e uma aparência absurdamente tranquila, de quem se entrega ao algoz em busca de salvação eterna.

     Algumas foram as lágrimas a escorrer no canto de seus olhos, poderia ser indício de temor e desespero, foi quando lembrei ser possível chorar de felicidade...

     Partiu deste mundo, passagem apenas de ida, comprada aos poucos, à medida que alimentava a fúria de amores não correspondidos. Descansou na tragédia anunciada - Essa história termina em morte! - e assim a profecia se cumpriu, enquanto o pelotão seguia ao som da música desconexa e apenas um corpo permaneceu ao chão.
Renata Rimet
Enviado por Renata Rimet em 23/02/2015
Reeditado em 11/05/2017
Código do texto: T5147591
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Renata Rimet
Salvador - Bahia - Brasil, 49 anos
460 textos (25939 leituras)
9 áudios (1054 audições)
9 e-livros (1987 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 24/01/20 23:44)
Renata Rimet

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