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UM DIA DE TORMENTO

Galera, na segunda-feira da semana passada, tive de me despedir de um velho amigo. Ele me acompanhou a vida toda. Era português e adorava bacalhau. Ano passado, quando estive em Portugal, fomos ao “João do Grão”. Famoso restante de Lisboa. Pedimos uma senhora bacalhoada. Ele se deliciou. Ficou muito feliz. Comemos e bebemos à nossa velha amizade. Mas, já naquela época, senti que não estava bem de saúde. Estava fraco. Às vezes, sentia dores. Mas sempre animado. Falou em comer ... Era com ele mesmo !!! Já não podia com coisas geladas. Sentia calafrios. Mas, topava qualquer parada. – Passeamos muito por Lisboa. – Ficamos o maior tempo, na região de Cascais. O transporte lá é coisa de primeiro mundo. Andamos de “combóio” (trem), de barco, de métro (metrô), de “carrinha” (perua), de bicicleta e a pé. Quando voltei pro Brasil, ele já inspirava cuidados. O tempo foi passando. E a coisa foi se agravando. Até que segunda feira, não teve jeito ... Foi a última vez que o vi. Eu senti muito. Tive até de tomar antibióticos. Pra aliviar a dor. - Durante a semana, pra esquecer. Fui na padaria Sayonara e tomei um “caldo verde. – No sábado à tarde, comi pamonha temperada. Do meu irmão Francisco. À Noite, fui num aniversário. Da sobrinha Rachel. Mais salgados e “caldo verde”. No domingo, macarrão, lombo de porco e “caldo verde". Na casa da cunhada Marta. - Nesta segunda, pela madrugada, senti um tremendo vazio. Notei que a bochecha direita estava inchada. E o local, meio dolorido. – Fiquei bastante preocupado. – Pela manhã, procurei o meu dentista, Dr. Carlos Henrique. Mostrei o rosto inchado. – Ele olhou, e perguntou o que eu tinha comido durante a semana. Eu contei tudo. – Ele riu e disse ... “Você tá ferrado !!! ...” – Não podia ter comido nada disso. É tudo remoso !!! ... Me deixou na recepção e foi pro gabinete. – Passou um tempo. E nada ... Fui lá ver o que fazia. – Estava com as mãos todas sujas de graxa. Consertando um “carburador” de carro velho. - Aí eu perguntei !!! Ué, não vai ver o caso do meu dente ???!!! – Ele deu com os ombros e falou ... “O dente que eu arranquei. Na segunda-feira. Era um “siso”, de raiz profunda. – Você tinha de ficar de repouso. E nada de comida remosa. – Agora, vai ter de tomar “azitromicina” por mais três dias. – Aí, ele mandou eu deitar na cadeira de dentista. – Mas quando foi enfiar aquela mão suja de graxa na minha boca, eu acordei assustado !!! – Que pesadelo !!! ... Ufaaaa !!! Levantei e fui ao banheiro. Olhei a cara no espelho. As bochechas estavam normais. – Abri bem a boca. – Olhei lá no fundo. E lá estava ele. O buraco de onde foi extraído o meu velho amigo. – Os pontos ainda estavam lá. – Peguei o carro e fui ao dentista. – Contei-lhe a história do pesadelo. – Ele riu muito. Chegou a dar gargalhadas. – Pegou a pinça e a tesoura e cortou os pontos. – Eu ainda desconfiado, dei uma olhada no local. – À procura de um carburador velho. Mas não enxerguei nada. E nem sinais de graxa. – Realmente, foi mesmo um pesadelo. – Ainda bem !!!
Obs: Eu até tentei cortar os pontos. Com uma tesoura aqui em casa.
Mas não dei conta. O buraco era muito lá no fundo. (Adeus amigo !!!)
Aurélio Enes Patrão
Enviado por Aurélio Enes Patrão em 26/07/2016
Código do texto: T5709249
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Aurélio Enes Patrão
Brasília - Distrito Federal - Brasil
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Aurélio Enes Patrão